Os primeiros enfeites de Natal

por Luis Borges 7 de novembro de 2014   Pensata

Chegaram às casas comerciais os primeiros enfeites para o Natal deste ano, quando faltam menos de 50 dias para a data magna do cristianismo. A primeira sensação que tenho é de que o ano praticamente acabou. Ainda assim, fico me indagando sobre o que ainda é possível fazer diante do clima de festas que só crescerá a cada dia. Penso também naquilo que poderia ter sido feito mas não o foi. Aí a sensação é de perda, mesmo sabendo que algumas metas eram extremamente desafiadoras num ano de Copa, eleições presidenciais, baixo crescimento econômico e inflação dando sinais de vitalidade.

Tenho também a sensação que em breve surgirão os enfeites que embelezarão ambientes públicos das cidades, ainda que as prefeituras estejam chorando a falta de recursos do orçamento para tal fim. Sei também que árvores de natal cheias de bolinhas coloridas, guirlandas, Papai Noel e até presépios chegarão às nossas residências, principalmente no inicio de dezembro. É claro que em muitos lugares tudo chegará na última hora junto com as mensagens impressas ou pelas redes sociais, muitas delas cheias de si mesmas.

árvore de natal pendurada na cúpula das Galeries Lafayette em Paris

Um dos primeiros sinais do Natal, fotografado nas Galeries Lafayette, no fim de outubro deste ano. /Foto: Marina Borges

Mas qual será o significado que o Natal terá para nós neste ano de 2014, após os resultados das urnas no segundo turno das eleições presidenciais? Se tudo começa com a gente, o que efetivamente significará nascer, renascer ou se reinventar com sabedoria numa sociedade que se diz plural e republicana? Outra sensação forte que tenho é de que mais uma vez se travará um embate entre a educação financeira das pessoas e o “consumo, logo existo”. Crédito de todas as modalidades é o que não faltará, inclusive para quem limpou o nome na praça. E não é demais lembrar que o 13º salário injetará R$ 158 bilhões no mercado. Como já é de nossa cultura, presentes serão trocados, inclusive nas modalidades de amigo secreto ou de inimigos ocultos com valores mínimos ou não, previamente estabelecidos.

Muitas pessoas também estarão com a sensação de que não escaparão da confraternização corporativa, mesmo nos ambientes em que não existe clima organizacional para tantos abraços e beijinhos. Mas como são muitas as cobranças para que todos compareçam, talvez seja necessário uma “dublagem” amparada pela frase da sobrevivência a nos dizer que “um pouco de hipocrisia não faz mal a ninguém”.

É, realmente parece que o ano já acabou. Mas ainda dá tempo de se preparar para um Natal que tenha mais significados e consequências para homens e mulheres de boa vontade e de livre arbítrio.

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Por Sérgio Verteiro

No dia 14 de outubro, por volta das 12h40, eu esperava pelo ônibus da linha 9210, no primeiro ponto da Rua Tamoios, esquina com Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte, que me levaria ao trabalho no bairro de Santa Teresa.  Após esperar por um bom tempo, finalmente o ônibus chegou. Depois que algumas pessoas sinalizaram o desejo de embarque, ele parou no ponto. Até aí tudo bem. O fato é que juntamente com outras pessoas que esperavam para o embarque, uma mãe com um filho cadeirante também aguardava para entrar. A cobradora começou, então, a fazer as manobras com o elevador, para que mãe e filho pudessem entrar no veículo. Porém, a cobradora não conseguia operar o equipamento, que depois de alguns minutos parecia estragado. Durante as manobras e tentativas da profissional de colocar o elevador em operação, que levaram cerca de 10 minutos, o motorista do coletivo nada fazia para ajudar a solucionar o problema. E para indignar ainda mais os usuários que estavam no ponto, aguardando o embarque como também o desembarque daqueles que possuem prioridade, o motorista simplesmente se esqueceu das pessoas.

Motorista ao celular

Motorista ao celular

E se sentindo no direito de falar ao telefone na direção do veículo por mais de 8 minutos, só foi perceber que tinha que abrir a porta após a cobradora avisar que o cadeirante já se encontrava no interior do ônibus. Ele então desligou o celular e abriu a porta. Diante dessa situação, resolvi fazer fotos em forma de protesto, para chamar a atenção das autoridades competentes a fim de combater o descumprimento de determinados procedimentos operacionais em prol de uma mobilidade mais eficiente e segura.

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Sérgio Verteiro, 33 anos, é Gestor de Recursos Humanos.

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Estamos vivendo um longo período de estiagem na região Sudeste e as torneiras secas de nossas residências trazem a tormenta aos nossos pensamentos. Se água é vida, como viver sem ela? Voltaremos a viver os tempos de escassez da água tratada da minha infância em Araxá ou da juventude em Belo Horizonte? Caminhão pipa, caixa d’água com capacidade para 200 litros, plantas secas, banhos rapidíssimos, sorveteria sem fazer sorvete, salão de beleza sem água para lavar cabelos e o restaurante preocupado com o horário do almoço… tudo vem e volta.

A falta d’água unifica o morro e o asfalto enquanto as autoridades negam o desabastecimento e o racionamento, apesar de tão percebidos no cotidiano das pessoas. Os fatos e dados nos mostraram que as sonhadas chuvas não vieram em setembro, nem ao longo de quase todo o mês de outubro, mas o pouco que choveu trouxe algum alívio. Agora, as esperanças ficaram para novembro – que já está em seu 4º dia – dezembro e quem sabe janeiro do ano que vem.

Haja informação, conhecimento e esperança, mas será cada vez mais difícil omitir a falta que o planejamento e a gestão fazem às pessoas que tem a responsabilidade de dar a direção dos rumos da vida da coletividade.

É hora de cantar novamente a música Lata d’água na cabeça com a inesquecível Marlene, uma das rainhas do rádio da década de 50 do século passado.

Lata D'Água
Marchinhas de Carnaval - Composição: Luis Antônio - Jota Jr
Fonte: Letras.mus.br

Lata d'água na cabeça
Lá vai Maria, lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão leva a criança
Lá vai Maria

Lata d'água na cabeça
Lá vai Maria, lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão leva a criança
Lá vai Maria

Maria lava roupa lá no alto
Lutando pelo pão de cada dia
Sonhando com a vida do asfalto
Que acaba onde o morro principia
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A data de 30 de outubro é destinada à comemoração do dia do Design de interiores. Os profissionais dessa área lutam pela difusão do conhecimento sobre o seu trabalho e os importantes resultados que ele pode gerar para as pessoas em seus ambientes residenciais, de trabalho e lazer.

Nesse sentido é interessante conhecer a história dessa atividade conforme artigo publicado no portaleducacao.com.br. Leia aqui.

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O desnecessário horário de verão

por Luis Borges 21 de outubro de 2014   Pensata

Já estamos em pleno horário de verão, que nessa edição terá 126 dias de duração e só acabará em 21 de fevereiro do ano que vem, por causa do Carnaval. Tudo isso na forma da lei, por meio de decreto de 1931 que impunha o horário em todo o território nacional. Após idas o horário de verão segue ininterrupto desde 1985, para aplicação nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Conheço pouca gente que gosta dele. Mas independente de se gostar ou não, eu não vejo argumentos lastreados em fatos, dados e conhecimentos técnicos específicos que justifiquem a sua adoção. O argumento mais difundido e repetido exaustivamente pela mídia é que se evitaria um apagão no horário de pico da demanda no início da noite e que nesse horário se reduziria a demanda por energia elétrica em 4,5%. Além disso, repete-se também que a economia de energia global no período varia de 0,4% a 0,5%, que é ínfima diante de tantas variáveis envolvidas nesse cálculo e que são pouco explicitadas. Entretanto não existe transparência sobre o método usado para se chegar a esses números que, aliás, contrastam com outras informações do site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Lá está dito que o período de pico por demanda de energia se dá no início da primavera.

Por outro lado, é importante lembrar que, no verão, os dias têm um período maior de insolação e que muitas vezes o uso de refrigeradores no período da tarde aumenta a demanda por energia. Quem quiser verificar os horários dos apagões durante os últimos 5 anos, verá que eles não escolhem necessariamente uma hora para acontecer, inclusive no verão. E é claro que as causas também são várias e vão muito além de um prosaico aumento momentâneo de demanda. Se no período atual estamos enfrentando uma longa estiagem e o ONS informa que os reservatórios estão nos mais baixos níveis históricos, por que não rever de maneira efetiva a matriz energética brasileira e estudar melhor a eficiência energética? Você já imaginou a energia solar sendo usada em larga escala para aquecer a água, se houver, dos chuveiros de nossas residências? Isso também ajudaria a derrubar ainda mais o argumento do ONS sobre a probabilidade de apagão elétrico no início da noite por excesso de demanda.

Também os impactos no organismo humano devido à mudança no fuso horário deveriam ser melhor estudados e mais difundidos entre as pessoas. Dormir mais tarde, ter insônia, acordar mais cedo e ter sonolência ao longo do dia são alguns dos fatos mais citados e reclamados e que devem trazer impactos no bem estar e na produtividade das pessoas. Mas, como é cada vez mais típico da cultura brasileira, as coisas são impostas na arrogância e na superficialidade. O horário de verão continua sendo desnecessário e fico na esperança de que os três projetos que tramitam na Câmara dos Deputados propondo o seu fim consigam quórum para aprovação, um dia. Antes tarde que muito tarde.

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Outra vez, é dia do professor

por Luis Borges 15 de outubro de 2014   Pensata

Considero este 15 de outubro, Dia do Professor, como dia do ano em que devemos aproveitar a oportunidade de homenagear e reconhecer os mestres que cumprem a missão de educar, ensinar e aprender em nosso país sempre necessitado de contínuas transformações. Podemos nos lembrar de quem nos ensinou as primeiras letras e os primeiros algarismos, daqueles que nos orientaram, influenciando nossos rumos, ou dos que foram homenageados em nossas formaturas, inclusive como paraninfos ou patronos. Aqui também é permitida a lembrança daqueles que só cumpriram “a tabela do campeonato” ou mesmo aqueles poucos que nos marcaram indelevelmente por suas posturas equivocadas.

Por ter feito desta função uma opção profissional em minha vida, inclusive acompanhada da devida vocação, sei qual é o tamanho da dor e da delícia de trabalhar nesse segmento. Entendo perfeitamente que o desafio é muito grande, e que ainda não estão disponíveis todas as condições para vencê-lo plenamente em todos os níveis, exigências e necessidades. Mas tenho a crença de que a educação é a base de tudo e de que não existe substituto para o conhecimento na solução dos problemas, bons ou ruins, que a era da incerteza nos traz cotidianamente. Por isso será sempre essencial se trabalhar com os fundamentos, demonstrar sua aplicação e mostrar a efetividade dos resultados, de preferência sem dogmatismos e instigando a curiosidade, a observação e a criatividade. É muito pouco ser uma mera estação repetidora.

Minha reflexão deste ano diz respeito ao clamor nacional por mais recursos para a educação, que deverão se refletir em melhores condições de ensino, profissionalização da carreira docente e valorização profissional com a devida atualização permanente do conhecimento do professor. Nesse caminhar muitas lutas, embates, medição de forças – inclusive com greves – acontecerão. Mas nada justificará o descompromisso, o fazer de qualquer jeito, o simplesmente cumprir burocraticamente os dias letivos previstos ou o não, principalmente para quem defende e almeja o profissionalismo do professor. Entre o pessimismo chato de quem só quer lamentar, chorar e reclamar ou o otimismo irreal de quem pensa que um dia tudo vai melhorar mesmo na inércia, reitero meu reconhecimento por aqueles que constroem, melhoram e inovam nos processos de trabalho, guiados pela esperança realista e pragmática.

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Nos últimos três anos acompanhei de longe uma “mocica” que sonhou quase que diariamente com o dia em que completaria 18 anos de idade e passaria a ter diversos direitos previstos em lei. Sua mãe sempre ouviu suas palavras, sem se esquecer de lhe dizer que, a partir daí, os anos de vida passariam muito mais rapidamente e que dias viriam em que ela diria sentir saudades desses tempos em que sonhou tanto.

Contrastando com esse fato, passei a refletir sobre as pessoas que, como eu, estão chegando aos 60 anos de idade ou já passaram desse número limite. Isso reverberou mais em minha cabeça e em diversas mídias em primeiro de outubro, Dia Internacional do Idoso, data que tenta chamar a atenção para esse ciclo da vida.

Aqui é bom lembrar que a legislação brasileira estabelece, no Estatuto do Idoso, uma série de conceitos, definições e direitos que deveriam existir plenamente a partir do 60º aniversário de nascimento das pessoas. Nesse aspecto, relembro que um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada propõe que a idade limite para início da vida idosa passe a ser 65 anos. Em sentido semelhante, tramita há alguns anos no Congresso Nacional um Projeto de Emenda à Constituição que propõe passar de 70 para 75 anos a idade limite para a aposentadoria compulsória no serviço público. A razão mais segura para tudo isso é o expressivo aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que já chega à média dos 75 anos, sendo que para as mulheres já passa de 78. Nesse sentido, vale lembrar também que 10,4 milhões de eleitores têm idade superior a 70 anos e que, para eles, o voto é um direito e não uma obrigação.

Se planejar é pensar antes, alguns aspectos quase que formam uma pauta a nos cobrar um posicionamento para esses tempos, que a cada dia se tornam mais próximos. É claro que os cenários que se desenham são projeções difíceis de se acertar, mas devemos tentar pelo menos nos aproximar ou errar menos. É por isso que podemos pensar em cenários otimistas, pessimistas ou mais prováveis, mesmo sabendo que tudo depende de muitas variáveis. Algumas delas só dependem de nós, e outras, uma grande parte, nós não controlamos. Essas ficam nas mãos dos governos, dos mercados e até da inércia dos políticos que emanam da democracia representativa.

Na minha pauta, veio a preocupação com a queda do poder aquisitivo do aposentado, principalmente com inflação cada vez mais longe da meta de 4,5% ao ano e sabedor de que o custo de vida do idoso é muito impactado pelo preço de planos de saúde, medicamentos e consultas particulares. Pautei também o desejo de ter uma boa qualidade de vida nesses tempos de ócio criativo, com dignidade, mesmo consciente dos limites físicos que vão surgindo para o corpo humano. Aqui registro a preocupação com a mobilidade de pernas e braços, o metabolismo, a pressão arterial, os órgãos do sentido e os estragos causados por uma bala, perdida ou não.

Avançando na pauta pensei no convívio familiar – esposa, filhos, parentes, amigos, enfim, pessoas que, em diferentes graus, fazem parte do cotidiano. Com quantos e com quais prosseguiremos, por exemplo, nos próximos 15 anos? Aí o tempo fechou e minha pauta foi interrompida, na certeza de que ela é muito longa mas terá de ser enfrentada com sabedoria, conservação de energia e gestão da ansiedade no exercício da paciência e da persistência.

E você, caro leitor, tem pensado também nesses temas e em outros conexos? Aguardo suas reflexões nos comentários.

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