Festa no retorno das férias

por Luis Borges 19 de novembro de 2014   Pensata

Na semana passada, depois de muito tempo adormecida na casa, a regulamentação da PEC das Domésticas voltou a ser discutida no Senado da República. No último dia 11, a comissão do Senado rejeitou diversas emendas. O texto, agora, volta para apreciação na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, 7,2 milhões de empregados domésticos continuam aguardando as regras para a operacionalização de vários direitos, entre os quais o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Pelo visto dificilmente essa matéria ficará resolvida ainda nesse ano. No entanto, o Brasil continuará sendo o maior mercado mundial na contratação desse tipo de trabalho, com ou sem carteira profissional assinada, mesmo já sendo uma exigência legal.

Diante desse quadro, passam pela minha cabeça narrativas das mais diversas situações envolvendo as relações de trabalho entre contratantes e contratadas. Nas últimas 4 décadas ouvi muitas reclamações e poucos elogios, principalmente da parte contratante. Já pelo lado das  contratadas é claro que vi também muitas pessoas profissionais e comprometidas, convivendo com outras cheias de soluções “criativas” e muito descompromisso com o que foi combinado.

No início dessa semana, fiquei sabendo de um caso muito interessante, para não dizer inusitado, envolvendo o trabalho doméstico. Na segunda feira por volta de 10:00 horas, fiz uma visita telefônica a um casal de amigos. Ambos já são aposentados pelo INSS, possuem previdência complementar, têm os filhos criados, convivem com idosos na família  e estão na faixa de 60 a 65 anos de idade. Quando o amigo atendeu à chamada, ouvi um alarido com sintomas de felicidade plenamente audível em sua residência. Ele me disse que estavam fazendo uma festa singela pelo retorno da empregada doméstica, após 30 dias de férias. Eu não quis atrapalhar a festa e educadamente me despedi do amigo propondo concluir a visita numa outra ocasião mais oportuna. Mas minha amiga retornou minha ligação ainda antes do almoço e me fez um depoimento explicando o contexto da festa. Ela foi clara e falou na lata.

“Não vou mais reclamar de minha empregada doméstica que trabalha comigo há 5 anos, mesmo que ela chegue tarde e saia cedo. Nesse período de suas férias não dei conta de fazer todo o serviço necessário e só consegui contratar uma diarista uma vez. Além disso, minha residência é grande, cuido de minha mãe e tenho outros diversos afazeres familiares, que exigem muito de mim. Ficou claro que estou gerando trabalho conforme a lei  e que preciso de alguém que atua nesse segmento em que a confiança é um requisito essencial”.

Diante disso reafirmei a minha crença de que “ruim com ela, pior sem ela”. E você, caro leitor como tem sido as suas experiências e conclusões nas relações de trabalho doméstico? Será que esse mercado tende a se estreitar?

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Vale a leitura

por Luis Borges 16 de novembro de 2014   Vale a leitura

Frete grátis – O impulso caminha na contramão da estratégia. Por não ter consciência desse fundamento, o consumidor compulsivo (ou impulsivo) gasta cada vez mais e sem necessidade. Ele vai à loucura quando vê alguma oferta de qualquer natureza que lhe passa a enganosa sensação de estar levando vantagens, e é claro, sem calculá-las. É o alerta deste interessante artigo de Samy Dana e Carolina Ruhman Sandler, publicado no blog “Caro dinheiro”.

Analfabetos científicos – A universalização do acesso ao ensino fundamental e médio está permanentemente na pauta da sociedade brasileira, lastreada na crença de que a educação é a base de tudo. A qualidade do ensino e as condições de trabalho para quem nele atua são sempre apontadas como problemáticas. Surge como resultante o analfabetismo funcional, na medida em que muitas pessoas, por exemplo, têm dificuldades para ler e entender o que leram. No mundo das ciências isso também não é diferente. O Índice de Letramento Científico (ILC) é o indicador que nos mostra isso, conforme consta neste artigo de Thais Paiva publicado em Carta Capital.

O que esperar da Previdência Social? – A longevidade dos brasileiros está aumentando e a Previdência Social dá sinais claros de que não dará conta de cumprir a sua missão. Como viver e sobreviver com uma aposentadoria que vai de R$ 724,00 mensais, recebida por 2/3 dos aposentados, até o teto de R$ 4.300,00, inatingível devido aos índices de atualização aplicados pelo INSS? Leia neste artigo de Sofia Fernandes os resultados de uma pesquisa mostrando que 46% das pessoas ouvidas não esperam contar com a Previdência Social.

Segregação nas redes sociais – Nesse momento as redes sociais estão em evidência no cotidiano das pessoas e recebendo questionamentos por diversos conteúdos que nelas transitam, bem como confrontos entre classes e segmentos. Uma oportunidade para melhor compreender e analisar esse fenômeno e seu processo está na tese de doutorado intitulada “Cultura informacional e distinção: a orkutização sob o olhar da Ciência da Informação”. Ela é de autoria de Ruleandson do Carmo Cruz e foi defendida no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG em 30 de setembro, dia em que a morte do orkut foi oficializada.

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Renovar as alianças é preciso

por Luis Borges 14 de novembro de 2014   Pensata

Na semana passada me encontrei com Azarias Pedro, um antigo colega do início da minha carreira, que eu não via há muito tempo. Fizemos o clássico cumprimento, carregado de satisfação pelo reencontro. Depois dele, Azarias disparou a falar. Em resumo, seu casamento de 30 anos com Ana Telma acabou. Foi ela quem pediu a separação, irrevogável, alegando que não aguentaria mais esperar pelo dia em que a morte os separaria. Meu colega estava queixoso. Contou que hoje mora num pequeno barracão, nos fundos da casa do filho mais velho, vive do salário de professor aposentado pelo INSS.

Foram muitas informações em poucos minutos. Tentei respirar, perguntei pelas causas. Ele disse que era complicado, que fora engolido pela mesmice, pela escassez de diálogo, acentuada com a passagem do tempo. Tentei continuar a conversa, compartilhar algo sobre a minha trajetória, mas meu colega estava sem tempo e partiu.

Azarias me deixou pensando na história dele, no conjunto de causas que fizeram parte do processo que levou o casal àquele resultado. Me indagava quais poderiam ser as causas fundamentais, mesmo não tendo fatos e dados para alimentar minhas ilações.

Interior da Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte / Foto: Marina Borges

Interior da Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte / Foto: Marina Borges

Foi aí que me lembrei do sermão feito pelo padre durante a cerimônia religiosa do casamento de Thais e Thiago, em setembro, na Catedral da Boa Viagem, em Belo Horizonte. Essencialmente, o padre se referiu ao tema do Evangelho, que tratava da transformação da água em vinho nas Bodas de Caná. O padre aproveitou para reiterar que, atualmente, vivemos numa sociedade epidérmica onde a profundidade está fora de moda. Arrematou lembrando a importância das alianças entre as pessoas e a essencialidade da sua permanente renovação.

Se é bom aprendermos com os erros e acertos, de preferência dos outros, me pergunto e te pergunto, caro leitor: como estão as nossas alianças? Será que estamos praticando verdadeiramente o que significa uma aliança para fazer a união harmoniosa de seres e coisas diferentes entre si e que são muito valiosas para todos os envolvidos no processo?

Surge aqui uma oportunidade para a reflexão, que deve ser seguida pela ação, tendo como foco as alianças no amor, na família, nos negócios, no associativismo… sempre lembrando que não existe processo sem cooperação e sem participação.

Infelizmente, se as nossas conclusões nos informarem que estamos omissos e que nossas alianças estão perdendo o sabor, fica o desafio da mudança de atitude enquanto há tempo. Espero que, doravante, os gestos sejam maiores que as intenções, pois o isolamento é tão triste no palacete quanto no barracão.

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Brincando de atingir meta

por Luis Borges 12 de novembro de 2014   Gestão em pauta

Faltando apenas 50 dias para o encerramento do ano fiscal, o Ministério do Planejamento e Gestão da Presidência da República enviou Projeto de Lei à Câmara dos Deputados para facilitar o atingimento da meta de superavit primário em 2014. Os fundamentos da gestão de negócios nos ensinam que a meta é composta por um objetivo a ser alcançado, que possui um determinado valor e um prazo de tempo para acontecer. A meta deve ser sempre desafiadora, difícil de ser alcançada, mas não impossível. Deve ser acompanhada de um plano de ação, contendo as medidas necessárias para se obter um resultado positivo. Existem também as metas que não desafiam as equipes e são facilmente atingíveis, bem como as metas malucas que de antemão todos já sabem que não serão alcançadas.

Nesse caso do superávit primário, o Poder Executivo Federal preferiu deixar de lado o conceito e buscar na criatividade uma forma de atingir a meta, mudando a regra do jogo durante o jogo. Melhor seria assumir o não atingimento da meta e analisar as suas causas, no lugar de simplesmente alterar as regras no “tapetão” do Congresso Nacional, amplamente dominado pela base aliada. Uma ferramenta simples permitiria analisar sob quais premissas foi feito o planejamento constante da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que foi executado, o nível de resultados positivos ou negativos alcançados e o que ficou pendente. A análise crítica do resultado traria consigo aprendizagem e crescimento, cujos reflexos poderiam ser vistos no orçamento dos próximos anos.

Entretanto o caminho mais curto foi a maquiagem, que também acontece com as pessoas físicas que não têm educação financeira e, portanto, não fazem uma gestão racional de seus orçamentos.

Assim, a meta de 116,1 bilhões de reais de superávit primário, ou seja a diferença entre o que o governo arrecada e o que ele gasta, ficou mais distante com o déficit primário de 20,7 bilhões de reais entre janeiro e setembro deste ano.

Como o conceito de superávit primário também já foi flexibilizado, a LDO desse ano permite que sejam deduzidos do indicador os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e desonerações fiscais em até 67 bilhões de reais. Portanto, a nova meta de 2014 passaria a ser de 49,1 bilhões de reais, que também dificilmente será atingida nos três últimos meses do ano. Por isso, o Projeto de Lei permitirá superar os limites de deduções até então vigentes e o poder executivo diz que se comprometerá com o objetivo de alcançar superávit, mas sem definir qual será o valor.

Enfim não existe mais uma meta e o qualquer resultado alcançado será bom. Ou seja, foi mais um ano brincando de atingir metas e exercitando a maquiagem de conceitos, com muita criatividade.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Novos sofás – A Câmara dos Deputados vai comprar cem novos sofás por R$ 64,5 mil. Serão 50 sofás de 2 lugares e 50 de 1 lugar. Eles serão usados nas salas de espera e na recepção dos Órgãos administrativos da Casa, Gabinetes das Lideranças e de Deputados. Fico imaginando qual será o critério usado para a distribuição desses sofás, já que conforto é o que todos querem.

A última novidade – A Apple iniciou a pré-venda do Iphone 6 na última sexta (7/11). Quem quiser comprar um, deve se preparar para pagar entre R$ 3.200,00 e R$ 4.300,00. As vendas começam na próxima sexta-feira, dia 14/11. Sua educação financeira te permitirá adquirir o aparelho agora ou você vai deixar para o orçamento do ano que vem?

Abstenção – A julgar pelos números, os brasileiros parecem demonstrar que estão gostando da abstenção. No segundo turno das eleições presidenciais 21,5% dos eleitores deixaram de comparecer às urnas. Já no Exame Nacional do Ensino Médio, o índice chegou a 28,6% dos inscritos, ou seja, algo em torno de 2,5 milhões de candidatos.

Plebiscito ou Referendo? – Pelo visto, nem um nem outro. Até quem propôs o plebiscito inicialmente, já desconversou. Mas, realmente, como esperar que os donos do poder mudem o poder por iniciativa própria, se tudo está tão bom para eles?

Ingressos no futebol – Os ingressos para a disputa dos jogos finais da Copa do Brasil de Futebol entre Cruzeiro e Atlético custarão de 200 a 700 reais. Se compararmos esses valores ao salário mínimo de R$ 724,00 vigente no país, veremos que na hora da onça beber água, o torcedor desembolsará entre 27,6% e 96,6% do mínimo. Isso sem falar no transporte, no feijão tropeiro e na cerveja, essa degustada fora da arena.

Base zero – O Boletim Focus do Banco Central divulgou ontem a projeção de crescimento de 0,20% para o PIB desse ano, conforme pesquisa feita entre analistas do mercado. Faltando 50 dias para o final do ano, se o indicador chegar a zero, não será surpresa diante de tantos sinais.

Registro – O mês de novembro registrou, no dia 7, o nascimento da poeta Cecília Meireles. Foi no Rio de Janeiro, no ano de 1901. Já em 1964, registrou-se sua morte, na mesma cidade, no dia 9. Aos 18 anos, Cecília lançou o livro “Espectros”, o primeiro de sua vasta obra que inclui “Retratos”, “Romanceiro da Inconfidência”, “Pequeno Oratório de Santa Clara” e “Romance de Santa Cecília”.

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O feijão e o sonho

por Convidado 10 de novembro de 2014   Pensata

Por Sérgio Marchetti

Quando era criança li um livro chamado “O feijão e o sonho”, de Orígenes Lessa. Eu já possuía uma queda para a poesia e também para a licenciatura. Mas confesso que aquele romance mexeu comigo profundamente, balançou minhas convicções e me entristeceu. Eu não queria aceitar, porém sabia que havia razão na personagem da esposa do professor. Maria Rosa era racional, prática e com os pés no chão. Já o professor Campos Lara, o marido, amava a literatura, vibrava com suas aulas e vivia mais perto das nuvens.

Havia naquela personagem uma pureza e uma obstinada busca por fazer o melhor por seus alunos. Faria, se pudesse aquele professor, um implante de uma parte de sua memória na cabeça de cada aluno. Com sua conduta irreprovável representava o profissional dedicado, que vestia a camisa e defendia os interesses da organização a que servia. Naquele momento, eu torci para que o sonhador realizasse seus objetivos e que pudesse vencer na vida acreditando em seu sonho. Não aconteceu e me frustrei. Faltou o feijão e o casamento passou a ter problemas. Ainda assim, Campos Lara continuou acreditando que a felicidade estava na realização do sonho, e no amor pelo trabalho que fazia.

Naquele tempo, os valores eram completamente diferentes de hoje. E muita gente era feliz, mesmo que não houvesse muito “feijão”. O sonho valia muito, pois as pessoas eram respeitadas pela honestidade, dignidade e capacidade. E a figura do professor daquela época? Era muito diferente dos dias atuais. Os alunos respeitavam sua autoridade. Hoje, tudo mudou, e não há como viver no presente com os mapas do passado. Contudo, isso não significa que todos os mapas atuais estejam corretos. Um país que não se preocupa com a educação, entre tantas outras coisas básicas, não terá cidadania jamais.

Bem, de lá até os dias de hoje, o tempo passou e o mundo ficou ainda mais prático. Mas não é só o “feijão” que as pessoas desejam. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Assim cantaram os Titãs, e sua música retratou uma necessidade de todos. Do passado, vêm experiências, fatos que nos servem como marco, parâmetros e exemplos do que deu certo e também do que não deu. Sem passado não há como saber se evoluímos, pois ele nos fornece dados e parâmetros. O presente vem recheado de transformações e novidades. Somos passageiros de um mundo em movimento frenético de mudanças. “Para o mundo que eu quero descer”, gritaria o maluco beleza, grande Raul Seixas. Mas não há como parar a roda viva e, infelizmente, estamos sem condições de diminuir a velocidade do seu giro.

O atual cenário é marcado pela inversão, destruição e criação de valores num mundo que se tornou um só, graças à evolução da tecnologia. O planeta é único. Povos e culturas, ainda que distintos, se aproximaram. Palavras novas, expressões diferentes, atitudes insólitas surgem e se propagam como a luz pelo mundo afora e, em alguns casos, não temos como identificar de onde surgiram. Termos atuais como TOC, síndromes, aplicativos, combos, confirmam as constantes mudanças de hábitos, de linguagem e descrevem doenças, códigos e estratégias que formam uma nova maneira de viver.

Goleman, um dos psicólogos mais respeitados do mundo, em contrapartida, enfatizou que temos uma geração sem foco, com muitos déficits para tratar. A nomofobia faz parte do pacote, compõe o kit do desenvolvimento. Talvez seja um combo. Mas falando sério, trata-se de desconforto causado pela falta de acesso a aparelhos celulares e outros equipamentos tecnológicos, e surgiu como consequência de um mundo virtual em que pessoas não conseguem ficar desconectadas de seus aparelhos eletrônicos. Muitos não acreditam que estão se alienando, mas a doença tem sintomas como tremor, suor excessivo, falta de ar, vertigem, náuseas, taquicardia, dor de cabeça e, em casos mais extremos, depressão e síndrome do pânico.

Essa é a proposta de vida para um novo tempo, mas, convenhamos, haja “feijão” para surfar nas novas ondas. A vida ficou mais cara, com mais recursos, mais conforto, mais grifes, porém mais vazia e mais cansativa. Possivelmente a expressão “vazia” não seja a mais acertada, já que alguns vão discordar. Talvez pudesse dizer que vivemos no piloto automático e que o tempo ficou escasso para todos, devido justamente ao enorme número de opções que temos. É bem provável que o vazio possa vir da incerteza que o provisório nos trouxe. Os empregos, antes carreiras de trinta anos, hoje duram em torno de três anos ou menos, conforme algumas pesquisas nos informam. O ser humano se tornou imediatista e a impaciência é uma característica do novo cidadão. Quando alguém deixa a bateria do telefone acabar, ouve broncas, reclamações, como se tivesse cometido algum crime. A escravidão em tempos de amor virtual também não é visível, mas aprisiona a humanidade. Hoje, temos muitos feitores artificiais nos controlando durante vinte quatro horas. Basta olhar no saguão de espera dos aeroportos. Pior, quando a comissária, em pleno voo, anuncia que podem ser ligados os aparelhos eletrônicos, mesmo numa viagem de trinta minutos, todos os dependentes virtuais, parecendo ter longo período de abstinência, imediatamente ligam seus aparelhos.

Mas eu falava sobre “O Feijão e o Sonho”? Será que me distrai e perdi o foco? Falava da ideologia do professor e da praticidade de sua esposa. Mas isso já faz tanto tempo. As novas gerações não entenderiam o que se passava na cabeça de Campos Lara. Pensando melhor, creio que entenderiam sim, contudo o veriam como um tolo. Perdão, tolo é palavra do passado, agora o certo é “mané”.

Como vimos, o mundo não mudou – o mundo se transformou. Mas para não perder o foco, quero lembrar que as mulheres, representadas pela Maria Rosa (a personagem de “O Feijão e o Sonho”), já sabiam da importância do “feijão” e já demonstravam uma predileção especial por aquela hortaliça. Prova de que são bem práticas e proativas e, não por acaso, se adaptaram melhor do que os homens ao mundo contemporâneo.

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br 

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Vale a leitura

por Luis Borges 9 de novembro de 2014   Vale a leitura

Reúso de esgoto – A seca prolongada no Sudeste brasileiro, que tem se acentuado a cada ano, mostra claramente como as autoridades têm falhado no planejamento e na gestão dos recursos hídricos. O desespero causado pelo desabastecimento e racionamento da água para consumo humano faz com que  surjam diversificadas sugestões para a solução do problema. Agora está em evidência o reúso  da água advinda do tratamento de esgotos, que foi apresentado de maneira simplista pelo governador do estado de São Paulo. Neste artigo Edson Rodrigues mostra que a viabilização dessa proposta não é simples assim, envolve altos investimentos, gestão estratégica e espaço de tempo, enquanto a água está faltando agora. Boa leitura crítica.

Você já se sentiu vampirizado?  – O artigo de Mirian Goldenberg, na Folha, abordou o vampirismo. Segue um extrato:

“Uma jornalista de 37 anos chamou de vampiros aqueles que só se interessam por si mesmos.

“Tenho uma prima que é tão mesquinha que só de sentar perto dela já me sinto péssima. Eu me sinto vampirizada pelo seu olhar invejoso. Nunca ouvi uma só palavra positiva dela. Sempre reclamando, se queixando, falando mal dos outros. Ela é tão desagradável que contagia todo o ambiente com sua energia negativa.”

Você identifica pessoas desse tipo em sua vida pessoal e profissional? É preciso ficar atento, com ou sem figuinhas ou galhinhos de arruda.

Reduzir a maioridade penal não é a solução – O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está em vigor desde 1990. Os índices de violência de qualquer natureza e a crescente sensação de insegurança  embalam os clamores por mais segurança, ao mesmo tempo em que sugerem a redução da maioridade penal como uma das medidas para a solução do problema. O sociólogo Frederico Marinho, doutor pela UFMG e pela Universidade de Lille (França), discorda dessa medida e sugere o cumprimento do estatuto legal, em vigor há 24 anos. Conheça, observe e analise seus argumentos nessa entrevista concedida ao UFMG Notícias.

Educação só funciona se aluno estiver emocionalmente envolvido – Esse é o título de um artigo de Sabine Righetti, especialista em políticas de educação e ciência, que explica essa visão sobre o assunto. O artigo está no blog Abecedário.

“Pergunta: você consegue citar, num piscar de olhos, um professor ou uma experiência que tenha marcado profundamente a sua experiência na escola? Se não consegue, não se preocupe: você faz parte de um enorme grupo de pessoas que passou por uma escola em que professor, aluno e conteúdo não conseguem se conectar.

O problema é que a educação nesse modelo simplesmente não funciona: vira um processo burocrático, árduo e complicado.”

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