Demissão da pior forma

por Luis Borges 26 de novembro de 2014   Pensata

O ano caminha para o fim enquanto o Natal se aproxima e a economia brasileira ainda não dá sinais de melhoria. É interessante notar como se manifestam no dia-a-dia da vida os reflexos da perda de poder aquisitivo decorrente do galope inflacionário. Também dá para perceber uma maior lentidão nos negócios em função do pessimismo dos empresários e a população em geral mais preocupada com o desemprego, o que deixa muitas pessoas mais cautelosas na hora de fazer dívidas de um modo geral. Nesse cenário, começam a surgir mais notícias de empresas demitindo funcionários, por razões diversas.

Enquanto pensava no estado emocional das pessoas que estão sendo demitidas e nas dificuldades para se recolocar rapidamente no mercado de trabalho nesse difícil momento da economia, fiquei sabendo de um caso desrespeitoso com a pessoa e indigno de seres humanos. Aconteceu com uma funcionária que trabalhava há 22 anos numa agência de um grande banco privado em Belo Horizonte. Logo nesse segmento, que acumula lucros de bilhões de reais a cada trimestre e que não aceita resultados com nenhum centavo abaixo da meta estipulada.

A funcionária, que exercia a função de assistente administrativa, chegou ao seu setor de trabalho às 8 horas da sexta-feira passada, como de costume. Antecipando-se aos seus colegas de trabalho, ela colocou a vasilha de água para ferver, na expectativa de que alguns minutos depois um gostoso café estaria à disposição de todos. Entretanto, a gerente de recursos humanos chegou ao local inesperadamente e a convocou para uma reunião na sala ao lado. A funcionária argumentou que a água logo estaria fervendo, mas recebeu a determinação de que deveria deixar isso pra lá.

Iniciada a conversa e diante dos rodeios e “me-me-més” da gerente, a funcionária perguntou a ela se tudo aquilo era para demiti-la e também o que tinha feito para merecer tal situação. Aliviada e sem graça diante das perguntas que atalharam seu caminho, a explicação da gerante foi seca e direta. Disse que a funcionária estava no banco há muito tempo e tornou-se cara para a instituição. A política da instituição, segundo explicou a gerente de RH, é evitar ao máximo que pessoas permaneçam trabalhando na empresa por mais de duas décadas. Para que isso aconteça, a tecnologia da informação será cada vez mais incrementada para aumentar a competitividade.

A funcionária, ainda se refazendo do susto, perguntou sobre o cumprimento de aviso prévio e sobre seus direitos trabalhistas, mas foi logo interrompida pela gerente. Não seria necessário cumprir aviso, todos os direitos já estavam calculados e bastava apenas homologar a demissão no Sindicato dos Bancários. A gerente arrematou a conversa informando à funcionária que, saindo da sala, ela já deveria voltar para casa. Não permitiu o cafezinho do juízo final junto aos colegas do setor.

Forma e conteúdo caminham lado a lado, e o ser humano merece mais respeito. É lamentável que ainda aconteçam fatos como esse em pleno ano de 2014 na República Federativa do Brasil.

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Após intensa luta política entre nacionalistas e entreguistas e no embalo da campanha popular  “O petróleo é nosso”, foi criada por lei em 3 de outubro de 1953 a Petrobras – Empresa Brasileira de Petróleo, que também definiu o monopólio estatal desse combustível fóssil. O país inteiro se mobilizou, num movimento que começara em 1936 com o escritor Monteiro Lobato denunciando a má vontade do governo Vargas com a perfuração de poços de petróleo e sua permanência como propriedade Brasileira. São dessa época seus livros “O Escândalo do petróleo”, censurado pelo ditador Getúlio Vargas em 1937, e “O poço do visconde”.

Em 1997, foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e quebrado o monopólio estatal. O capital internacional passou a participar do negócio.

Hoje a União Federal possui 50,26% das ações da Petrobras e o BNDES 9,95%. A presidência do seu Conselho de Administração é exercida por um Ministro de Estado e a presidência da empresa é ocupada por alguém indicado pelo Governo Federal, bem como seus diretores.

Será que hoje ainda podemos bradar que “a Petrobras é nossa”? Se ela está ameaçada e desvalorizada no mercado diante das tenebrosas transações cotidianamente reveladas nas investigações policiais, haverá mobilização social em sua defesa?

Em Belo Horizonte existe na Praça Afonso Arinos, próximo à Faculdade de Direito da UFMG, um monumento alusivo à participação dos mineiros naquela época. Ele é mostrado na fotografia postada a seguir. Será que outro monumento poderá ser erguido por ali, em função do que a Petrobras esta passando hoje?

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

 

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Autêntica Minas

por Convidado 24 de novembro de 2014   Pensata

por Benício Rocha

A minha cidade, autêntica Minas, de ruas amorosas aos pés de seus montes eternos, cuja eternidade só finda com a extração de minérios, primeiros mineiros, vive na paz e aconchego do clima de montanhas.

Pastos verdes, cachoeiras, ilhas de Mata Atlântica, gado, cafezais e nós, um aqui, outro ali, o Sol, um cachorro a latir amigavelmente, na estrada um carro apressado passa. Saudades da terra, poeira, charretes, carros de bois, tropas e tropeiros, paisagem mineira abraçando minha terrinha, mais que povoado, menos que cidade grande. Cidadão ali vive muito bem.

Igual a quase mil cidades, conjunto de poesias, com rimas perfeitas, e junto às mais lindas pessoas do mundo, Caratinga faz-se diferente somente porque os olhos que a vêem são os do meu coração, amante amolecido, saciado, que conhece de memória de menino cada centímetro daquele rincão, e sente seus cheiros pelo mundo afora.

Na cidade grande eu moro, mas naquele cantinho vivo, lembrando daquele menino que engenhava formas de tirar os morros que dividem a cidade em três para, na planura surgida, ver a cidade crescer, progredir…

Ainda bem que o empreendimento não aconteceu, o pouco progresso e o ainda menos ar de ontem me fazem lembrar de onde sou, como fui formado e como se desenvolveu em mim essa capacidade de, nem sempre, romper mas, contornar os obstáculos e, às vezes dividido, compreender, aceitar e ser feliz.

Nas lembranças me encontro quando me perco, e recomeço minha marcha caminhando para suas entranhas um dia.

Minha cidade e meu coração ainda pulsam… lentos, comedidos. E minha felicidade, eterna saudade, sem pressa os acompanha.

Catedral de São João Batista, em Caratinga. / Fonte: Site da Prefeitura Municipal

Catedral de São João Batista, em Caratinga. / Fonte: Site da Prefeitura Municipal

Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Vale a leitura

por Luis Borges 23 de novembro de 2014   Vale a leitura

Prioridade é uma ova! – Um dos fundamentos da Gestão Estruturada de Negócios nos ensina que devemos estabelecer prioridades ao alocar recursos financeiros em nossos orçamentos, já que eles são finitos. A priorização deve ser feita em função de critérios claramente definidos e o orçamento deve estar alinhado com o planejamento estratégico. Este artigo do jornalista Eduardo Costa mostra o quanto se perde quando a priorização é apenas uma retórica ilusionista dos governantes e o orçamento não é para valer na prática.

Qual é o tamanho da sua zona de conforto? – Existem pessoas que reclamam de tudo e de todos, a todo momento e por qualquer coisa, por mais insignificante que seja. Elas têm dificuldade de parar e olhar para trás, enxergar de onde vieram, onde estão hoje e onde poderiam ir. Desparametrizar, pensar em condições de contorno diferentes das atuais, para menos ou para mais, é sempre um bom desafio. Leia neste artigo a experiência de Fê Neute, do blog “Feliz com a Vida”, sempre instigante e questionadora diante do conformismo e da inércia.

De graça até injeção na testa? – Estamos na era do “consumo, logo existo”, da ostentação, da ânsia por levar vantagem em tudo. Vemos frequentemente a ausência da racionalidade no caminho do ter as coisas, sem fazer as contas para verificar quanto custa cada decisão impulsiva. Se o bem ou serviço é de graça, melhor ainda principalmente diante da incapacidade de perceber armadilhas. Conheça um bom exemplo dessa situação no artigo do professor Samy Dana, publicado no blog “Caro Dinheiro”. A experiência narrada se aplica a você?

A corrupção esta no setor privado – As tenebrosas transações envolvendo a Petrobras deixaram estarrecida até a Presidente da República. Os desdobramentos das investigações expõem o sistema  e suas várias variáveis em plena operação no país e ha muito tempo. Todos os públicos envolvidos tentam se defender, se justificar, se vitimizar e até a devolver dinheiro, como se isso bastasse para cessar ou suavizar penalidades. O ponto é que empresas privadas dominam e lideram um cartel que praticamente privatizou o estado. Políticos e funcionários públicos trabalham para corruptores por crenças e necessidades, mas o que é investido neles mostra que  os benefícios para os investidores são maiores que o custo, portanto, o retorno vale a pena. Entenda mais essa lógica nesse artigo de Vincent Bevins publicado na Folha de São Paulo.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 21 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Importados – O coeficiente geral de importação da indústria brasileira chegou a 21,9% no terceiro trimestre do ano, com o dólar sempre em ascensão no período que antecedeu as eleições de outubro. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o indicador está crescendo ininterruptamente desde junho de 2010, quando estava em 15,9%. Com o dólar nas alturas e o repasse aos preços, a inflação agradece, o poder aquisitivo decresce e a economia fenece.

AVC – O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a primeira causa de morte entre pessoas com mais de 60 anos de idade, a segunda para quem tem mais de 50 e a terceira para quem tem acima de 40. O entupimento de veias é a causa de 80% dos casos e a ruptura responde por 20%. As informações são do médico neurologista Gustavo Daher, que as apresentou durante entrevista ao repórter Eduardo Costa no programa Chamada Geral, na Rádio Itatiaia. Ainda segundo o médico, as principais causas do AVC estão ligadas à elevação da pressão arterial, do colesterol e da glicose. Outras causas importantes são o estresse, o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. Quando nada, isso nos faz pensar na gestão da saúde, com ou sem plano suplementar, e nas possibilidades e limitações das pessoas após sofrer um AVC.

Boca do caixa – Estados e municípios continuam sofrendo com o contingenciamento de recursos que deveriam ser repassados pelo Governo Federal. A escassez atinge em efeito cascata a toda a cadeia de fornecedores envolvida em negócios com esses órgãos públicos. Geralmente a promessa é de que tudo poderá voltar à normalidade a partir de janeiro de 2015. A conferir.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 20 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

E as metas? – Abandono de metas. Foi isso que a Presidência da República fez ao enviar Projeto de Lei à Câmara dos Deputados se desobrigando de atingir o Superávit Primário de R$116 bilhões, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias em vigor. Depois de passar o rolo compressor na Comissão de Orçamento, a base aliada deverá aprovar a criativa solução para as contas publicas em plenário na próxima semana. Haja alquimia e neologismos conceituais para tentar justificar o abandono de uma meta! Na prática, isso significa descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que vigora no pais desde 1999 e é uma das âncoras do Plano Real.

Ônibus quebrado – Um grupo de devotos participou de uma romaria de Belo Horizonte até Aparecida do Norte, que começou na sexta-feira da semana passada. O comboio era formado por 5 ônibus. No entanto, um dos veículos, que tinha 50 lugares e não possuía cinto de segurança para passageiros, quebrou duas vezes durante o trajeto, o que gerou um atraso de 4 horas na viagem de ida. Como sempre, a falta de manutenção preventiva foi a causa fundamental. Apesar das reclamações e do cansaço dos passageiros, a empresa contratada tentou justificar o injustificável e conseguiu arrumar plenamente o ônibus para o retorno do grupo no domingo à tardinha. Mas como é duro ficar de madrugada numa rodovia à mercê de vários tipos de riscos e de necessidades específicas!

PIB da indústria – Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que o setor responde atualmente por 25% do PIB do Brasil. Na década de 90, a fatia era de 35%. Hoje, um dólar está em torno R$2,60. Em 14 de junho de 1996 valia R$1,00. Os industriais sempre reivindicaram juros baixos, taxa de câmbio favorável, linhas especiais de crédito, redução de IPI, melhoria da qualificação da mão de obra. O que não melhora é a gestão do negócio. Nem a sua produtividade. Ainda assim eles querem manter as margens de lucro de outras décadas.

Orçamento de 2015 – A proposta de orçamento da Prefeitura de Belo Horizonte para 2015 indica que a parte que caberá à Câmara Municipal é de R$229 milhões. A casa possui 41 vereadores e em torno de 600 servidores, entre ativos e inativos. Se olharmos o orçamento dos municípios mineiros veremos que o da Câmara é superior ao de mais de 800 municípios. Se por aqui não falta dinheiro, com certeza faltam muitos resultados positivos a serem alcançados, apesar de todos estarem regiamente pagos pelo dinheiro dos contribuintes. Aliás, que todos se preparem para os reajustes do IPTU, da taxa de lixo, do ITBI com valor atualizado dos imóveis, do ISSQN…

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Na definição mais simples que encontrei, sistema é um conjunto de partes interligadas. Assim, tudo o que esta vindo à tona na operação Lava Jato da Polícia Federal pode ser considerado como a ponta de um iceberg, de um sistema chamado Petrobras.

A República acaba de fazer 125 anos, embora ainda distante das melhores práticas inerentes às atitudes republicanas. Transparência continua muito difícil, mesmo com a Lei de Acesso à Informação. Se tenebrosas transações vão sendo reveladas nesse caso específico da Petrobras, onde o clube das empreiteiras é hegemônico no cartel dos fornecedores, imagine no restante do país.

O Brasil tem em sua estrutura organizada em prol dos serviços públicos, a União, vinte e seis estados e um Distrito Federal, 5.562 municípios, com igual número de assembleias legislativas estaduais e Câmaras Municipais. Também é bom lembrar que existem três poderes independentes, centenas de empresas estatais e milhares de servidores contratados via concurso público ou pelo recrutamento amplo.

Um bom exercício é estabelecermos uma ordem de grandeza, para termos uma dimensão da quantidade de pessoas jurídicas que fazem negócios com toda essa estrutura, como fornecedores ou clientes. Dá para pensar no volume de recursos financeiros envolvidos e na quantidade de pessoas intermediando os processos desses negócios? Claro que tudo regado por uma grande carga tributária.

Por isso esse é um bom momento pra nos lembrarmos da música “Brasil”,  de Agenor de Miranda Araujo Neto, o Cazuza, que viveu 32 anos nesta terra. Ele queria saber qual era o negócio do Brasil. O desafio continua e o momento é propício. Que venha a democracia participativa e que todos mostrem as suas caras.

Brasil
Letra retirada deste link

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair).
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