Um amigo

por Convidado 22 de junho de 2015   Convidado

por Benício Rocha*

As palavras fluem mansas e tranquilas, reforçadas por agradáveis expressões faciais e um olhar arguto que continua registrando os fatos ao seu redor, de forma organizada, e indo além do visível…

A história da cidade escorre de dentro daquele homem pequeno, que consegue conter um amor por ela maior do que seu gigantismo próprio das metrópoles de hoje.

Ruas, rios, pessoas, personalidades, calçamentos, barro, bairros, bondes, obras acabadas, inacabadas, atualidades, Serra, Santa Tereza, serestas, serenatas, reminiscências, BH.

Com carinho pela história e nojo pelo seu agente, em breves palavras desconstrói o mito do machismo, de indomável libido, incontáveis camas, capangas, camarilhas, mulheres. Jovens, carentes, às vezes discriminadas pela cor, sempre pela pobreza, em seus braços conheciam um homem. Ou só um macho. Primeira vez!

A busca desesperada por uma vida melhor. A ilusão. Um presente. A vida de novo. Às vezes uma barriga, um bebê, um desespero novo. A carência, a dependência de sempre.

O uso do poder do dinheiro. O abuso do ser humano, reduzido a órgão genital.

Depois do sexo, dos negócios infindáveis, do acúmulo de capital, a solidão. O medo diário da morte. Hipocondríaco.

Seu legado, ambição, briga, vergonha…

Nem nome de rua importante se tornou!

Flagelo em nome do capital, na raiz da capital.

Asco.

Um sorriso e uma sentença simples, irônica, cortante: deixa pra lá, passou. E contribuiu pra formação do caráter de grande parte de nossa população…

Pra mudar de assunto, com jeitinho, pergunta se tenho certeza da queda da Graça Foster e acrescenta: “mas você acredita que esse assunto se exaure ali?”.

Fico sem entender como tanto amor por sua cidade, por seu país, cabe nesse homem simples, prático, que, apesar de 78 anos, ainda se indigna. Ainda tem esperança!

Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Tragédia grega contagiará a Europa

A Grécia prossegue vivendo cada dia com sua agonia enquanto tenta resistir bravamente às imposições de austeridade vindas de seus credores, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Central Europeu, representando a zona do euro. O premiê Alexis Tsipras, da frente de esquerda Syriza, que venceu as eleições no início do ano, se mantém firme na defesa dos pontos do programa em cima dos quais se elegeu. Ele acusa os credores de terem pilhado a Grécia e não aceita fazer ajustes fiscais nem reduzir os valores de aposentadorias dos servidores públicos para ampliar a capacidade do país de pagar suas dívidas. Neste artigo, Clóvis Rossi explica o que ele classifica de austericídio, a austeridade suicida que os credores exigem da Grécia durante as negociações sobre pagamento do socorro financeiro.

O “austericídio” imposto à Grécia pelas instituições europeias e pelo Fundo Monetário Internacional causou uma formidável tragédia. O PIB (Produto Interno Bruto), por exemplo, recuou 27% entre 2009 e 2014, um desastre que, usualmente, só é visto em países em guerra ou que sofrem alguma grande catástrofe natural. E o número de suicídios, no período, aumentou 35%.

Mordomias para juízes

A discussão sobre o fim do fator previdenciário nas aposentadoria pelo INSS traz à tona, também, as aposentadorias do setor público. As diferenças são gritantes e no debate surge de tudo, a começar pelas mordomias distribuídas por inúmeros direitos que são dependurados nos proventos. A jornalista Claudia Wallin escreveu um artigo para o Diário do Centro do Mundo mostrando o que os juízes escandinavos pensam das mordomias concedidas a seus pares brasileiros. A seguir, um trecho do artigo:

Entre os vivos, encenou-se a devassidão de junho: os guardiões da lei do Rio Grande do Sul, que têm piso salarial de R$ 22 mil, acabam de se autoconceder um auxílio-alimentação de R$ 799 por mês. […] Como provavelmente não comeram nos últimos quatro anos, as excelências do Sul decidiram também que o pagamento do benefício deverá ser ex tunc, retroativo a 2011.

[…]

Decido ad judicem dicere, falar com um juiz, aqui na Suécia. Telefono então para Göran Lambertz, um dos 16 integrantes da Suprema Corte sueca, para contar as últimas novidades da corte brasileira. Lambertz é aquele juiz que pedala todos os dias até a estação central, e de lá toma um trem para o trabalho – e que me disse há tempos, em vídeo gravado para a TV Bandeirantes, que luxo pago com dinheiro do contribuinte é imoral.

Quando descrevo a nova lista de benefícios dos juízes brasileiros, Göran Lambertz dispensa totalmente, para meu espanto, a tradicional reserva e a discrição que caracteriza o povo sueco.

“Em minha opinião, é absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”, diz Lambertz.

Um cemitério inspirado no Inhotim

O Cemitério das Cerejeiras situa-se no Jardim Ângela, zona sul da cidade de São Paulo. Ele se tornou uma opção de acesso ao lazer e à arte depois que seu diretor, Daniel Arantes, visitou o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Lá ele conheceu e se apaixonou pelos bancos esculturais do designer Hugo França. O passo seguinte foi convidá-lo para fazer algo semelhante no cemitério, aproveitando a madeira de eucaliptos que seriam cortados na área. O resultado são 26 bancos lá instalados, todos obras do designer, tornando o Cemitério das Cerejeiras o segundo local com mais presença de suas obras de arte no mundo. Aliás, ele só perde para o próprio Inhotim, onde Hugo França é autor de 126 obras.

Este artigo do blog Morte sem Tabu mostra como a população da região convive com o lazer e a arte no ambiente em que os corpos dos mortos estão sepultados.

O cemitério parece um parque recreativo, e assim é visto pela população local. Costumam visitar o espaço nos finais de semana e tirar fotos de “noivos” após o casamento. As pessoas se arrumam para vir aqui, diz Orlando Giorgini, gerente do cemitério.

Foto: Folha de S. Paulo

Foto: Joel Silva / Folhapress – retirada do site da Folha de S. Paulo

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O flagrante foi registrado no bairro Engenho Nogueira, em Belo Horizonte, na manhã de 9 de junho. A nova função encontrada para a estrutura do orelhão que um dia abrigou um telefone público me trouxe lembranças e reflexões. Lembrei-me de uma aula de química no Ensino Médio em que o professor enunciou solenemente a Lei de Conservação da Matéria, creditada ao francês Antoine Lavoisier – “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Quem observar bem os detalhes da fotografia verá que eles falam por si.

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Lembrei-me também do senso da utilização, que faz parte do programa 5S, que prepara o ambiente para a qualidade no estilo japonês. Ele combate o desperdício em caráter permanente e estimula o uso racional de insumos, bens e serviços. Veio, também, a lembrança da intensa depredação e dos custos para manter e conservar bens públicos conforme abordado no blog há um ano.

A reflexão é mais uma para esses tempos de crise em que somos obrigados a repensar as práticas que nos levam a perdas e desperdícios que poderiam ser evitados ou a reaproveitamentos que poderiam ser úteis. Aqui é suficiente lembrar, ver e agir para reduzir as perdas de alimentos, como cereais e hortifrutigranjeiros, combustíveis, água, energia elétrica, calçados, roupas, tempo, juros pagos pelo uso do cheque especial e crédito rotativo do cartão, falas inúteis…

O desafio continua sendo a ação, que deveria começar com a gente e prosseguir pela sociedade organizada e também a desorganizada, sempre na crença de que a educação é a base de tudo e começa em casa.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 17 de junho de 2015   Curtas e curtinhas

Fechamento da Avenida Paulista

A Prefeitura Municipal de São Paulo estuda a possibilidade de fechar a Avenida Paulista aos domingos, deixando passagem para veículos apenas no cruzamento com a Avenida Brigadeiro Luis Antônio. O primeiro teste será feito no próximo dia 28, por ocasião da inauguração da ciclovia, quando se espera a presença de milhares de pessoas na avenida e ciclofaixas lotadas. Aliás, o bloqueio da Avenida Paulista é cada vez mais frequente em função da quantidade de manifestações que lá acontecem e com as quais os paulistanos já estão se habituando forçosamente. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego de SP) prossegue em seus estudos e testes, mas fechar avenidas em finais de semana é uma tendência internacional e significa, também, dar um pouco mais de espaço para a vida sem o automóvel que quer ser o dono de todos os espaços.

Você já imaginou, em Belo Horizonte, a Avenida Afonso Pena Fechada aos domingos da praça Sete até a Avenida Getúlio Vargas? Cheia de gente caminhando e pedalando, além da Feira de Artesanato?

Tempo de mídia

Um relatório elaborado pela Zenith, empresa global de análise e compras de mídia, mostra que, em 2015, a população mundial deverá destinar 8 horas por dia ao consumo de mídia. Esse valor é calculado levando-se em conta o tempo que as pessoas gastam lendo jornais e revistas, ouvindo rádio, assistindo televisão, navegando na internet, olhando outdoors e painéis de rua. Esse valor é 1,5% superior ao consumido no ano passado. Segundo os dados, em 2014 o tempo gasto com a internet chegava a uma hora e cinquenta minutos. Pelas projeções do estudo esse tempo diante da internet continuará aumentando ainda que muitos dos conteúdos visitados sejam elaborados originalmente para rádios, TVs, jornais e revistas. O relatório aposta que até 2017 o tempo médio gasto pelas pessoas com a televisão cairá 1,5% ao ano, enquanto a queda do tempo destinado a jornais e revistas será de 4,5% ao ano. A conferir.

Crédito estudantil privado

O ajuste fiscal resultou na redução dos recursos financeiros disponíveis para a obtenção do Fies. Também aumentaram as exigências a serem atendidas pelos candidatos a esse financiamento, que cobra taxa de juros anuais de 3,4%. Foi o suficiente para que voltasse a florescer no mercado a procura pelos programas privados de crédito estudantil. A diferença está nas taxas de juros que são cobradas, encontrando-se casos em que chegam a 2,19% ao mês para contratos com duração de seis meses. Segundo a Federação Nacional das Escolas Particulares 2,1 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação têm contratos com o Fies, enquanto o total de alunos da graduação chega a 6,5 milhões.

PIS/Cofins

O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), representam 20% do valor que a União arrecada com impostos. De janeiro a abril deste ano o montante arrecadado foi de cerca de R$86 bilhões diante de um total de R$414 bilhões. Como a cobrança desses desses dois impostos é muito complicada, pelo excesso de alíquotas e mecanismos de compensação em função dos diferentes segmentos da economia, a Receita federal do Brasil estuda a substituição deles por uma só contribuição social, com alíquota única. Na prática, se isso realmente acontecer, ocorrerá apenas uma mudança na forma pois o conteúdo continuará intacto sem se abrir mão de nenhum centavo. E ainda tem gente que fala e sonha com reforma tributária.

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Travessia

por Luis Borges 16 de junho de 2015   Música na conjuntura

O compositor Fernando Brant fez a travessia, sua passagem para outro plano espiritual. Foi embora deixando rastros de luz, perpetuados nas letras de suas poesias que uniram os reinos das palavras e da música. Tudo isso expresso pela real grandeza da melodia e voz de Milton Nascimento.

Diante da quantidade de homenagens, citações, referências através de variados meios e maneiras, só me resta também registrar aqui minha admiração e reconhecimento pelo conjunto de sua obra, legado que se eterniza.

Ainda assim, quero também deixar registrados três outros aspectos que a passagem de Fernando Brant me fez lembrar.

O primeiro deles diz respeito à sua condição de fervoroso torcedor do América Futebol Clube, verdadeiro estado de espírito que unifica uma imensa nação em torno da arte e do ofício da bola. No sábado em que seu corpo foi sepultado a bandeira do time estava presente junto à urna mortuária, o hino foi executado em alto e bom som, aconteceu mais uma vitória no estádio Independência e a camisa da Máquina tinha seu nome e letras de suas músicas.

Homenagem do América Futebol Clube a Fernando Brant./ Foto: Uarlen Valério - Fonte: Jornal O Tempo

Homenagem do América Futebol Clube a Fernando Brant./ Foto: Uarlen Valério – Fonte: Jornal O Tempo

Outra lembrança já é mais histórica e data do ano de 1979, ainda nos tempos da Ditadura Militar. A UNE (União Nacional dos Estudantes) havia sido reconstruída e houve uma eleição direta para a sua primeira diretoria após 15 anos vivendo proscrita e na clandestinidade. A tendência política Liberdade liderava uma boa parcela do movimento estudantil mineiro e participou da chapa Mutirão, que disputou e venceu as eleições para a diretoria. Fernando Brant escreveu para embalar a campanha eleitoral os versos a seguir. “A UNE volta mais nossa, a UNE volta mais forte, com a nossa união, com o nosso Mutirão”. Lá se vão 38 anos.

O terceiro aspecto está ligado aos dois transplantes de fígado a que Fernando Brant foi submetido. Fiquei pensando na complexidade que é o transplante de um órgão, que possui centenas de funções conhecidas, além das desconhecidas. Imaginei realisticamente o significado da rejeição do novo órgão implantado no sistema que é o corpo humano. Por fim, comparei essa situação à do transplante da córnea de um olho, que é apenas um tecido, mas extremamente necessário sistemicamente e que também pode apresentar sucessivas rejeições. Aparentemente tudo bem mais simples, porém muito complexo.

Gostei da letra e da música de Travessia desde a primeira vez que a ouvi, ainda nos anos 60 do século passado, quando eu era um estudante secundarista já questionando e tentando entender a nossa realidade social. Por isso, reitero o convite para que você ouça Travessia, letra de Fernando Brant, melodia e voz de Milton Nascimento.

Travessia
Milton Nascimento e Fernando Brant 
Fonte: Site oficial de Milton Nascimento

Quando você foi embora 
fez-se noite em meu viver 
forte eu sou mas não tem jeito 
hoje eu tenho que chorar 
minha casa não é minha 
e nem é meu este lugar 
estou só e não resisto 
muito tenho pra falar 

Solto a voz nas estradas 
já não quero parar 
meu caminho é de pedra 
como posso sonhar 
sonho feito de brisa 
vento vem terminar 
vou fechar o meu pranto 
vou querer me matar 

Vou seguindo pela vida 
me esquecendo de você 
eu não quero mais a morte 
tenho muito que viver 
vou querer amar de novo 
e se não der não vou sofrer 
já não sonho 
hoje faço com meu braço meu viver
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Abusos financeiros contra idosos

por Luis Borges 15 de junho de 2015   Pensata

 

O 15 de junho é o dia mundial para se chamar a atenção sobre a importância do combate aos abusos dos quais são vítimas as pessoas idosas, segundo proposição da ONU (Organização das Nações Unidas). O assunto é extremamente relevante na medida em que aumenta a longevidade da população. No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a expectativa média de vida já se aproxima dos 76 anos de idade, enquanto 23 milhões de pessoas possuem idade igual ou superior a 60 anos – idosos, conforme a Lei. Desse contingente, 3 milhões têm idade igual ou superior a 80 anos e, entre eles, 450 mil possuem 90 anos ou mais.

O envelhecimento ativo e saudável é desafiante e exige preparação ao longo do curso da vida, o que nem sempre se verifica para muitas pessoas de diversas camadas sociais. As surpresas vão se sucedendo mediante os abusos físicos, emocionais e financeiros. A negligência e a omissão de parentes, familiares, amigos e de todo o aparato de assistência social do estado e da sociedade civil organizada muitas vezes nos chocam diante de tanta penúria, dificuldades e graus de exploração da desgraça alheia. E quanto pior, pior mesmo, quase que beirando-se ao clássico popular quando afirma que “o que não tem remédio, remediado está”. Só não sabemos ainda até quando.

Nesse espaço quero falar especificamente sobre uma modalidade de abuso contra o idoso que está crescendo geometricamente nesses últimos anos – o abuso financeiro. Saímos dos tempos do desenvolvimento econômico baseado no incentivo ao consumo amparado pelo crédito fácil, notadamente o consignável para os idosos aposentados. Agora o modelo anterior foi dado como esgotado. Juros e inflação estão em alta, poder aquisitivo e emprego estão em baixa e a Presidente da República ainda diz que todos devem continuar consumindo. Como o idoso vulnerável vai se defender dos ataques especulativos de todos que lhe torpedeiam? Se a conta não fecha, a primeira dimensão que faz tudo balançar é a financeira, que simplesmente puxa as demais, a começar pela emocional.

abuso financeiro contra idosos

Quase todo dia alguém tem um caso para contar sobre um idoso que levou um golpe financeiro. Nos últimos dias fiquei sabendo de uma senhora idosa que recebeu empréstimo consignável sem ter solicitado, mas foi usada pelo gerente do banco que queria bater a meta de empréstimos. O mesmo gerente já havia lhe empurrado a aquisição de títulos de capitalização cujo processo documental foi feito no próprio lar da idosa.

Um outro caso e após vários anos, descobriu-se que o próprio cuidador do idoso estava se apropriando do seu dinheiro para fazer viagens turísticas pelas praias brasileiras e realizar compras em centros comerciais.

Soube, também, de uma mocica que casou-se com um senhor que tem idade seis décadas superior à sua, e ele se diz muito bem cuidado por ela. Já seus filhos nunca se preocuparam com ele e, após a viuvez, um novo casamento foi um passo, já que surgiu alguém de alma boa.

Outro caso super interessante é o de um empresário que está em dificuldades financeiras e passou a fazer operações em nome da mãe e a usar seus bens imóveis como garantia. Para não alongar muito e dar uma oportunidade para que você também se lembre de outros casos, vou terminar lembrando da filha de um casal que voltou para casa dos pais separada do marido, desempregada e trazendo dois filhos, um de 20 e outro de 22 anos. Outro detalhe é que um deles é dependente químico e toda hora quer dinheiro com a avó.

O que e como devem fazer para não serem pegos de surpresa todos aqueles que hoje tem 30, 40, 50 ou 60 anos de idade? O curso da vida continua desafiando a todos. Só xingar e reclamar dos governantes não será suficiente.

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Que tal cada um fazer sua parte?

O discurso a favor do exercício da cidadania é recorrente em diversos segmentos da sociedade brasileira. O grande desafio continua sendo colocar esse exercício em prática, principalmente sabendo-se que tudo começa com a gente. Falta iniciativa e sobra reclamação terceirizadora das causas da inércia. Um bom exemplo da não participação cidadã ocorre nos condomínios residenciais e comerciais, horizontais e verticais. É o que mostra o jornalista Ricardo Kotscho neste artigo publicado em seu blog.

De tanto delegar responsabilidades a terceiros ou aos governos, perdemos o direito de exigir dos outros o cumprimento de obrigações comuns ao bem estar da sociedade. Depois, não adianta xingar o síndico ou o prefeito.

Bolha, não. Poço.

Ajuste fiscal, contração da economia, desemprego, inflação alta e perda de poder aquisitivo são algumas das causas que levaram diversas pessoas a retirar dinheiro de suas aplicações em caderneta de poupança. Até meados de maio, o valor já superava os R$32 bilhões. Logo a caderneta, cuja remuneração significa dinheiro barato para os bancos, que a remuneram a 6% ao ano acrescidos da TR (taxa referencial de juros) do período. O crédito está ficando mais caro diante dos sucessivos aumentos da taxa de juros do Banco Central. A desconfiança de que existia uma bolha de consumo na indústria da construção civil parece se confirmar cada vez mais. O que virá pela frente? É o que aborda o pesquisador Eduardo Zylberstajn, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)/USP, neste artigo publicado no Estadão. Leia um trecho abaixo:

As famílias menos acostumadas com o mundo das finanças deixam dinheiro nos bancos com remuneração igual à metade da taxa Selic. Assim, os bancos têm uma fonte barata para emprestar a juros mais baixos a quem quer financiar seu imóvel com prazo longo. Em essência, esse é o mecanismo de financiamento imobiliário do país. E, claramente, há problemas com ele.

Primeiro, o sistema dá liquidez instantânea para quem quiser sacar. Ou seja, o banco usa um dinheiro que pode evaporar da noite para o dia para dar um financiamento que dura décadas. Se o dinheiro é sacado (como vem sendo nos últimos meses), o banco necessita captar de outra fonte (mais cara) para cobrir o buraco e aí tem prejuízo (que pode ser enorme). Segundo e mais grave, o universo de brasileiros dispostos dar dinheiro de graça ao banco (afinal, a poupança vem tendo rendimento real negativo) parece que chegou ao limite. A poupança secou e em breve não haverá recursos para financiamento imobiliário às taxas com as quais nos acostumamos. Os juros para o financiamento imobiliário correm o risco de voltar para perto dos 20% ao ano, o que fará com que as parcelas do financiamento fiquem inviáveis para parte relevante da população. O preço dos imóveis cairia então significativamente, um problema seriíssimo em particular para quem comprou imóvel recentemente.

Um negócio de baixo risco

Fazer o que se ama e disso retirar seu sustento é o sonho de muita gente. Mas o que fazer e como fazer? Qual é a necessidade a ser atendida e quem tem essa necessidade? Qual o dinheiro necessário para compor o capital inicial e o capital de giro? Essas são algumas perguntas que deveriam passar pela cabeça e ser respondidas por aqueles que sonham em ser felizes e trabalhadores donos de seus negócios próprios. Se possível, que o empreendimento comece pequeno, com um tamanho bem adequado, enquanto o experimento vai sendo delineado.

Um caso interessante foi publicado no site do Projeto Draft – Pão, Facebook e Motoboy: Como uma padaria caseira virou um negócio de baixo risco em São Paulo. A experiência da Beth Bakery, uma micropadaria que assa pães, bolos e biscoitos semanalmente, mostra que é possível começar pequeno e, quem sabe, continuar pequeno, sem deixar de trabalhar ou lucrar.

Terapia de grupo contra a crise

A maior parte dos indicadores de gestão mostra o tamanho e a profundidade da crise econômica, política e social que o país está vivendo. Cada pessoa, no seu nível, vai tentando se virar para superar um dia após o outro. Na troca de figurinhas muitas são as ideias e sugestões compartilhadas a partir das mais variadas experiências. Se isso for feito com método, o resultado pode ser melhor ainda e servir de referência para muito mais pessoas. Neste artigo publicado pelo jornal O Globo, o repórter Bruno Rosa mostra a experiência de empresários e presidentes de Conselhos de Administração que estão se reunindo para observar e analisar a conjuntura e os cenários que vão se desenhando no curso da crise. Um dos entrevistados disse:

“Numa empresa, só há um presidente. Então, é importante se reunir com outros presidentes uma vez por mês para trocar ideias e buscar aconselhamentos. A gente ainda tem palestras sobre vários temas de interesse. E, num momento como o atual, de desafio econômico, esses encontros se tornam mais relevantes”.

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