A chegada do Outono, estação que faz a transição entre o Verão e o Inverno, encontra e registra uma encarniçada luta entre dois grupos que querem o poder a qualquer custo. O confronto em nome da democracia representativa – que não é necessariamente participativa – e de suas instituições republicanas acentua atitudes e gestos de intolerância e ódio num maniqueísmo que não consegue perceber uma grande parte da população. Nessa parte estão as pessoas que não se identificam e nem se sentem representadas pelos grupos que estão em confronto direto. Basta olhar a quantidade de eleitores que não compareceram às eleições de 2014 ou votaram nulo ou em branco, significando quase 40 milhões de pessoas.

Os três poderes da República, constitucionalmente definidos como independentes e harmônicos, ainda não foram capazes de dar uma solução política para a crise e ainda parecem pouco preocupados com a paralisia econômica trazida pela recessão, inflação e desemprego, mesmo com todas as suas consequências sociais.

O que será que virá como resultado do acirramento da situação diante do crescimento dos confrontos entre pessoas, grupos e organizações que estão com os nervos à flor da pele? Acompanhando ou participando, de perto ou de longe, pelas mídias tradicionais ou guerreando nas redes sociais, a que níveis de sobrevivência nos submeteremos? Isso para não falar da chatura em que o mundo se transforma diante do patrulhamento ideológico inquisitorial de muitos amigos, colegas de trabalho ou de militância política, cultural e social. As primaveras árabes trazem boas referências para quem se dispuser a fazer uma breve revisão bibliográfica.

Mas perguntando ou indagando diante das incertezas que pairam sobre a sociedade brasileira com suas atuais regras do jogo enquanto as folhas amarelecem e caem no outono, que tal cantar com Chico Buarque a sua música O que será (À flor da Terra), composta em 1976 para o filme Dona Flor e seus dois marido, baseado em obra homônima de Jorge Amado e dirigido por Bruno Barreto?

O Que Será (À Flor da Terra)
Fonte: Letras.mus.br 

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
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A Marquesa de Santos

por Luis Borges 15 de março de 2016   A história registrou

Há quase um mês o jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista com Mirian Dutra, jornalista que manteve um relacionamento amoroso com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entre os anos 1980 e 1990.

A repercussão foi imediata, principalmente no que tange aos recursos financeiros enviados por FHC ao exterior para manter a amante e um filho. Comentando o assunto, o ex-presidente chamou atenção para a natureza privada do relacionamento, que afirma ter bancado com os seus próprios recursos. Entretanto isso não impediu que fossem suscitados questionamentos sobre a utilização de recursos do Estado para se financiar situações desse tipo. Aliás, vários casos envolvendo amantes tem sido citados pela mídia em períodos diversos, como o que envolve o atual presidente do Senado, o da contadora do doleiro envolvido na operação Lava Jato, de um ex-ministro do governo Lula ou dele próprio para ficar em apenas alguns casos.

O site Significados.com.br define que

“amante é o nome dado à mulher ou ao homem que mantém um relacionamento sexual ou amoroso com uma pessoa que já esteja comprometida com um terceiro indivíduo. Este tipo de relacionamento é considerado ilícito e, por muitas vezes, mantido em segredo”.

Músicas sobre o assunto não faltam. Para citar dois exemplos, o cantor Roberto Carlos aborda o tema em Amada amante e a dupla Chitãozinho e Xororó faz o mesmo na música Amante.

Por fim, a História registrou há quase 200 anos a relação extraconjugal entre Dom Pedro I e Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, título dado à mais famosa amante do Imperador. Abaixo um trecho da história, extraído do site Brasil Escola.

“Casado com Leopoldina de Habsburgo, Dom Pedro I chocava a sociedade da época ao sustentar seu caso extraconjugal sem a mínima preocupação de encobrir a amante ou sustentar a imagem de uma autoridade respeitável. Ao tornar a amante primeira-dama da imperatriz e assumir a paternidade de Isabel Maria, primeira filha com Domitila, D, Pedro I inquietava a opinião pública.

Com a seguida morte da imperatriz, os ataques ao romance intensificavam-se ainda mais. Vários ministros renegavam o poder de influência e as aspirações de uma mulher que tanto chamava a atenção do imperador do Brasil. Em diferentes ocasiões, D. Pedro I demitiu esses ministros e outros funcionários que discordavam de sua aventura amorosa. À medida que a paixão se ampliava, o imperador concedeu os títulos de viscondessa e marquesa de Santos para sua amante.”

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Vale a leitura

por Luis Borges 13 de março de 2016   Vale a leitura

Pessoas com deficiência

Você se sente preparado para ajudar pessoas que possuem algum tipo de deficiência física? Ao tentar ser solidário com alguém, você mais atrapalha do que ajuda? Como você percebe a reação da pessoa que poderia ser ajudada diante da sua oferta? Como auxiliar pessoas com deficiência é um interessante artigo de Luiz Caversan, publicado na Folha de São Paulo.

“É simples assim: diante de uma pessoa com deficiência, seja qual for a restrição que ela aparente, o melhor a fazer é perguntar diretamente a ela: como posso te ajudar? Ninguém melhor para dizer se está precisando de ajuda, seja para encontrar um caminho, colocar uma bolsa no bagageiro interno do avião, servir-se de alguma comida, ser transportado de um lugar a outro, do que a própria pessoa. Ela dirá se precisa de ajuda e como você poderá ajudá-la. Se não precisar, cada um segue a sua vida”.

Críticos e atuantes?

Segundo o Ministério da Educação o Brasil possui mais de 7 milhões de estudantes universitários. Mas como será que esses estudantes estão se posicionando para reivindicar um ensino com alto nível de qualidade, que contribua para ajudar a solucionar os problemas que nos desafiam cotidianamente? O site da Carta Capital publicou a crônica No interior de Minas, um exemplo dos desafios do movimento estudantil. O autor, Matheus Pichonelli, narra o tempo que passou com os estudantes do campus da universidade pública estadual de MG em Frutal. Ao longo do texto, o autor se impressiona com as discussões e mobilizações promovidas pelos estudantes, que apresentaram resultados para a comunidade universitária.

“Em minha fala, tentei dizer, com outras palavras, que de nada valeria o diploma universitário se ele não fosse utilizado como ferramenta de transformação da realidade. Mas que de nada valeria a vocação para mudar a realidade se, dentro do ambiente universitário, professores e alunos seguissem reproduzindo as assimetrias e violências do mundo afora.

Meu apelo chegava com atraso: na saída, fui apresentado a duas jovens que acabavam de fundar um coletivo feminista para debater temas como assédio e visibilidade. ”.

Microcefalia e miséria

O vírus da zika e a microcefalia prosseguem como assuntos fortes na mídia, embalando a discussão sobre saneamento básico e saúde num Brasil onde a concentração de renda nas mãos de poucos é gritante e persistente. O artigo Por trás dos bebês microcéfalos, reina a miséria absoluta, de Cláudia Collucci, aborda a nefasta relação entre pobreza, falta de infraestrutura e microcefalia.

“No bairro dos Coelhos, na região central do Recife, por exemplo, o esgoto corre a céu aberto. Moradores cavam buracos e quebram canos para ter acesso a água. Ali e em tantos outros lugares parecidos neste país, o aedes tem moradia fixa. Nessa história toda, há apenas uma certeza: atrás dos bebês com microcefalia, reina a miséria absoluta”.

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Um dos fundamentos da gestão nos ensina que onde tudo é prioritário, nada é prioritário. Mas que critérios utilizar para estabelecer prioridades em função dos recursos existentes, da gravidade da situação, da urgência para a solução dos problemas e das tendências que se desenham? O fato é que as decisões precisam ser tomadas com o devido foco para que os processos andem e as metas sejam alcançadas. Assim, fica claro que a variável tempo é parte fundamental do resultado buscado e jamais pode ser deixada de lado.

Plenário do Senado. / Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Plenário do Senado neste 10/6 durante sessão especial para comemorar o Dia Mundial do Rim. | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

Estou escrevendo isso após tomar conhecimento que o Presidente do Senado definiu 18 prioridades para serem votadas pela casa revisora de leis até o final do semestre. Ele fez isso no dia 24 de fevereiro de 2016, após ouvir os líderes dos partidos. Leia aqui a relação das prioridades publicada pelo DIAP -Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – entre as quais destaco:

  • PRS 84/07 – Estabelece limite global para a dívida consolidada da União.
  • PEC 28/15 – Veda criação de despesas à União, estados e municípios sem previsão de receita.
  • PEC 110/15 – Limita o número de cargos em comissão na administração pública.
  • PEC 43/15 – Autonomia do Banco Central – estabelece mandatos para diretores.
  • SCD 15/15 – Fixa em 2% a alíquota mínima do ISS, na tentativa de acabar com a guerra fiscal entre municípios.
  • PLS 559/13 – Moderniza o regramento geral de licitações no país.

Vamos acompanhar para verificar se a produtividade do Senado permitirá o atingimento da meta proposta, com a crise política no auge e as eleições municipais marcadas para daqui a pouco mais de seis meses e meio.

Só para ilustrar, segundo dados do Setor de Tramitação de Projetos da Secretaria Geral da Mesa do Senado existem atualmente para apreciação dos senadores 53 Propostas de Emenda à Constituição (PEC), 91 Projetos de Lei da Câmara dos Deputados, 51 Projetos de Lei do Senado (PLS), 15 Projetos de Decreto Legislativo, 59 Requerimentos, 42 Requerimentos de Solicitação de Auditoria do TCU.

O próximo feriado a ser emendado pelos parlamentares será o da Semana Santa, na penúltima semana de março. Anteriormente ocorreu o recesso de 10 dias do período de Carnaval, que foi praticamente emendado com o recesso parlamentar de 20 de dezembro do ano passado a 02 de fevereiro desse ano.

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* por Sérgio Marchetti

– Então, como posso ajudá-lo?

– Seu doutor me dê licença para minha história eu contar. Eu já fui muito feliz, vivendo no meu lugar. Hoje eu tô numa terra estranha, é bem triste o meu penar. Nasci na zona rural. Fui roceiro e dono de curral. Adorava olhar para a serra, com seu verde de esperança. Espiar o azul do céu, que ainda trago na lembrança. Sendo adulto, era criança que subia a serra, que mergulhava no rio e cultivava a terra. Tinha um cavalo baio que gostava de campear, enquanto o vento vinha me acariciar, cochichando ao meu ouvido segredos do meu lugar. Seu doutor não imagina o que é sentir um vento mimoso, um arzinho fresco e cheiroso que a natureza lhe doa. Por que a terra, seu doutor, é grata e boa. E fique o senhor sabendo que ela proseia com a gente. Lá no meu sertão, quem nos aconselha é a natureza. Lá não tem luxo de doutor com cadeira e mesa. E digo mais, pode não ter conforto, mas tem gente de presteza. Pessoas que se acolhem, amizade sincera, com certeza. A prosa era verdadeira – não carecia de muito pensar. As palavras iam saindo e arranjando seu lugar. As conversas tinham sentido e não precisava florear. Nosso céu tinha mais estrelas na amplidão; aqui, apesar da luz, tudo é escuridão. Agora, falando assim, uma saudade invade meu peito. Desculpe seu doutor, que eu lhe devo respeito, mas quando a represa das lágrimas invade as cercas do meu quinhão, eu me deito a ruminar as lembranças do coração. Mas não vou mais tomar o seu tempo. Vim aqui para consultá-lo, recuperar a calma. Estou padecendo de uma dor, seu doutor, mas não é dor de corpo é dor de alma.  Estou amuado como um boi que comeu erva. Nada me anima, só me enerva. Estou como um capim esturricado que a geada queimou. Eu perdi a fé nas pessoas – a falsidade me decepcionou. Então, seu doutor, o senhor ainda não me examinou, mas tem cura esta dor?

– Meu senhor, que posso eu dizer, mesmo sendo doutor? A sua doença é tristeza de quem perdeu o chão. É sentimento doído de tanta decepção. É angústia e solidão. É doença de gente normal, que não se conforma com um mundo desigual. Não tenho um remédio para tal dor. Também sofro desse mal. Estamos todos muito tristes com tanto desamor. A humanidade enlouqueceu. Trocou tudo por dinheiro, agrediu a natureza e em desatino se perdeu. O desgoverno roubou a nossa liberdade, matou nossos sonhos e nos faltou com a verdade. O seu caso é muito grave, mas o senhor vai sobreviver. Sua moléstia é lucidez e, para tal doença, nada há que cure de vez.

– Mas não há um remédio, seu doutor, que resolva doença tão tinhosa?

– Lucidez é uma doença nervosa. Seus sintomas incomodam a todos que praticam a fala enganosa.

– E a receita, seu doutor?

– Volte para o seu ranchinho à beira-chão, conviva com seus bichos e não assista à televisão. Em breve nosso céu terá estrelas novamente. Observe-o e, quando a estrela solitária for cadente, é o sinal de que haverá esperança de um povo contente.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Muitas são as pessoas que têm me perguntado sobre como estou vendo a atual situação brasileira e em que vai dar isso tudo. Tenho falado e repetido que, quando a história muda, tudo volta à estaca zero em um novo patamar, seja ele melhor ou pior que o anterior.

Viemos de um período recente de crescimento econômico e de uma maior inclusão das camadas sociais nas categorias de consumo. O emprego era quase pleno e o super ciclo das commodities embalava a economia e era considerado como se fosse eterno para quem governava o país. A crise econômica internacional foi desprezada e considerada uma “marolinha”, para só depois ser defendida pelos ocupantes do poder como a principal causa da deterioração da situação.

A fracassada nova matriz econômica, implementada a partir do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, e a sua necessidade de ganhar a qualquer custo as eleições presidenciais de 2014 acentuaram as dificuldades, com o estouro das contas públicas. O acirramento da disputa política entre os partidários de A, B e C contaminou de vez a economia e agrava a cada dia o social. Até a presidente já chegou a admitir a possibilidade de não ter percebido no tempo certo que a situação estava piorando rapidamente ao final de 2014.

O sofrimento das pessoas torna-se maior neste março de 2016, ao perceberem que a quase totalidade dos indicadores que medem a situação do país está em visível piora, rumo ao fundo do poço ainda não atingido. Os mais acompanhados e sentidos diretamente por todos nós são a inflação alta e a queda do poder aquisitivo dela decorrente, o altíssimo desemprego e a recessão econômica.

Como estamos olhando para trás, os números de 2015 foram bem ruins em relação ao ano anterior. E os de 2016 continuarão piorando diante da incapacidade política e da falta de líderes com credibilidade suficiente para propor soluções para uma sociedade tão dividida. Além disso, não dá para deixar de citar a necessária capacidade de gestão.

Ainda vamos continuar passando pelo purgatório, quase que sem sair do lugar, e precisando olhar para frente na expectativa de que os indicadores começarão a “despiorar” a partir de 2017, só que com os parâmetros do novo patamar – o país tendo encolhido algo em torno de 10%.

O automóvel vai ter que ficar mais em casa, as viagens aéreas ou terrestres terão que ser reduzidas, os imóveis prosseguirão com a lucrativa bolha estourada e os banqueiros estarão felizes como sempre. Nas ruas, a insegurança e a sensação de insegurança maiores ainda, mas a conjuntura é de sobrevivência no Brasil real. Infelizmente recuamos pelo menos 10 anos com dois passos atrás e o paraíso perdido no projeto de poder e na corrupção secular inerente à nossa cultura.

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Veículos abandonados na Rua Tenente Durval, em Santa Tereza / Foto: Sérgio Verteiro

Veículos abandonados na Rua Tenente Durval, em Santa Tereza / Foto: Sérgio Verteiro

São poucas as diferenças entre as fotos acima, que mostram os mesmos veículos abandonados na rua Tenente Durval em Santa Tereza, Belo Horizonte. Em uma há mais folhas, em outra há mais poeira sobre o carro. Passou-se quase um ano de uma foto para a outra e lá estão eles, carro e caminhão, ocupando as mesmas vagas. Se ano passado, quando o blog publicou esta reportagem, dizia-se que estavam lá há mais de um ano, agora já são mais de dois aniversários.

O carro está sendo vandalizado./ Foto: Sérgio Verteiro

O carro está sendo vandalizado./ Foto: Sérgio Verteiro

Algumas afirmações sobre nossas leis fazem parte da cultura brasileira. Uma bem comum diz que existem as leis que “pegam” e as que “não pegam”. Isso para não falar na pouca fiscalização, que só ajuda a cultivar a certeza da impunidade e o pouco caso com o bem comum.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Será que essa percepção já pode ser aplicada aos veículos automotores abandonados nas ruas de Belo Horizonte? Já se passaram mais de 90 dias da entrada em vigor da legislação municipal que determina a remoção de veículos que estejam abandonados em vias públicas há mais de dez dias. A Lei 10.885/15 foi sancionada em 30 de novembro do ano passado. Aliás, a Superintendência de Limpeza Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte, que passou a ter a atribuição de executar tal serviço, está diante de um grande desafio. Na data da publicação da lei estimava-se em 350 o número de veículos automotores, em diversos estados de precariedade, ainda abandonados nas ruas da cidade. Dois deles continuam firmes na Rua Tenente Durval, no bairro de Santa Tereza, conforme mostram as fotografias desse post.

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