Curtas e curtinhas

por Luis Borges 2 de junho de 2015   Curtas e curtinhas

Recrutamento amplo

O Governo Federal tem mais de 22 mil cargos do tipo DAS (Assessoramento e Direção Superior), de acordo com o Ministério do Planejamento. Pouco mais de 1/4 deles são ocupados por pessoas não concursadas. O poder executivo possui 99.517 cargos de nomeações e gratificações, incluindo os DAS. Esse contingente está distribuído pelos 39 ministérios, que foram instados a reduzir R$1 bilhão nos seus gastos de custeio ao longo desse ano, tudo em nome do ajuste fiscal e para mostrar que o Governo está cortando um pouquinho também em sua própria carne. Gordura é o que não falta.

Pronatec

O Pronatec foi um dos destaques na campanha de reeleição de Dilma Rousseff à presidência. O número de 8 milhões de matrículas foi muito enfatizado. Dizia-se que, em breve, seriam 12 milhões de alunos.  Não foi o que se viu. Criado em 2011, o Pronatec coleciona, em 2015, atrasos nos pagamentos às escolas participantes, adiamento de aulas e, agora, o MEC assumiu que ele passará por ajustes e otimização de recursos. A sensação é a de que a solução virou problema, por ter se dado um grande salto sem a necessária sustentabilidade.

Expectativa pessimista

O IBGE divulgou que o PIB do primeiro trimestre deste ano ficou 0,2% menor que o do trimestre anterior e 1,6% menor que o do primeiro trimestre de 2014, que era ano eleitoral. Como a economia e o mercado vivem de expectativas, é interessante observar e analisar o tamanho do pessimismo dos especialistas de organizações ouvidos em pesquisas de prévias do índice. Em média, eles trabalhavam com a queda de 0,5% na comparação com o trimestre anterior, mas houve quem apostasse em quedas de 0,1% até 1%. Já para igual período do ano anterior, os entrevistados falavam numa queda de 1,4%. Como se vê as “eminências” do mercado também sabem usar uma boa dose de achismo para tentar influenciar posicionamentos dos agentes do jogo e, quem sabe, melhor turbinar os interesses próprios, de seus clientes e também emitir sinais para cutucar o Governo Federal. Haja força para se manter em pé nesse jogo onde também se blefa muito.

Dinheiro público

O orçamento para o Fundo partidário deste ano foi triplicado. A renúncia fiscal para a propaganda partidária gratuita no rádio e na TV significará R$281,3 milhões. Somados os dois valores teremos um total de R$1,148 bilhão. Parte desse montante, algo em torno de R$780 milhões, é o que está projetado para ser arrecadado pela União com o aumento das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS sobre produtos de perfumaria e cosméticos importados. Essa é mais uma medida do ajuste fiscal. É o de sempre, entra por um lado, sai pelo outro e ainda não é suficiente.

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por Luis Borges 26 de maio de 2015   Curtas e curtinhas

Dívidas

A Dívida Pública Federal é aquela contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do Governo Federal. Em abril deste ano ela ficou em torno de R$2,451 trilhões, dos quais a maioria esmagadora se refere a títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, negociados no mercado interno. Nos próximos 12 meses, 23,44% dessa dívida vão vencer, mas é claro que até o final do ano novos títulos serão emitidos, inclusive para pagar os que estarão vencendo. Se o Governo Federal está assim, dá para imaginar o aperto que estão passando as pessoas que aplicam, por exemplo, em cadernetas de poupança cujos saques chegaram a R$ 32 bilhões de janeiro até 15 de maio desse ano.

Atrás do Focus

O Ministério do Planejamento passou a atualizar mais rápida e realisticamente os indicadores econômicos com os quais trabalha. Na prática, está seguindo bem de perto as projeções do Boletim Focus do Banco Central. Na sexta 22/05, o ministro da pasta atualizou a previsão de inflação anual medida pelo IPCA para 8,26%, a retração da economia medida pelo PIB para 1,2% e o Dólar fechando o ano a R$3,22.

Ontem, 25/05, a pesquisa do Banco Central passou a projetar inflação anual pelo IPCA para 8,37%, a contração da economia medida pelo PIB aumentou para 1,24% e a cotação do Dólar foi mantida em R$3,20. Como se vê, o rabo continua balançando o cachorro.

Mobilidade urbana

Nos últimos 12 anos o Governo Federal orçou R$11,4 bilhões para serem investidos no Programa de Mobilidade Urbana e Trânsito. No entanto apenas 25% desse valor foi aplicado no período, o que equivale a algo em torno de R$2,9 bilhões. O orçamento deste ano prevê R$5,7 bilhões para o programa. No primeiro quadrimestre foram gastos apenas R$25,9 milhões, denotando que, mesmo após os cortes do orçamento, será muito difícil atingir a meta estabelecida, a menos que prevaleça a cultura de só implementar 25% do que foi orçado. Aliás, é o cenário mais provável.

Flexibilização curricular

Começou na semana passada na UFMG uma discussão entre pró-reitores, professores da ativa e aposentados, na qual surgiram propostas de reformulação da grade curricular e da carga horária passada em sala de aula nos cursos de graduação. Essas sugestões estão referenciadas em modelos de universidades europeias que fazem parte das listas de melhores do mundo. É claro que essa discussão ainda vai esquentar muito, principalmente no momento de definir o que está sobrando, o que está faltando e qual a dosagem de teoria e prática em função do mundo real, competitivo e acelerado, mas que não pode abrir mão da ciência e da tecnologia de maneira simplista. A conferir.

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por Luis Borges 13 de maio de 2015   Curtas e curtinhas

Demissão no trabalho

Um texto bastante temido – e que muita gente não gostaria de ouvir – tem sido pronunciado em muitas organizações humanas, com o seguinte padrão: “Estamos fazendo uma reestruturação na empresa e a sua posição foi extinta. Precisaremos de outra estrutura funcional que vai absorver suas atividades. Agradecemos sua participação.”

As coisas que acontecem com os outros também podem acontecer com a gente e os fatos e dados não deixam de existir, mesmo quando são ignorados. O dado mais recente do Caged, do Ministério do Trabalho, mostra que o número de desempregados chegou a quase 8 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano.

carteira de trabalho demissão

Carga tributária

Nos tempos da Inconfidência Mineira a carga tributária que causava a revolta na Colônia era de 20% da produção, o chamado 5º do ouro. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a carga de impostos a ser paga pelos brasileiros em 2015 será de 36,22% do PIB, isso se todas as medidas do ajuste fiscal em tramitação forem aprovadas. Serão 47,5 bilhões de reais a mais que no ano passado. E, é claro, as três esferas do poder executivo sabem repassar os índices de inflação para o seu quinhão. Mas salários, tabela do Imposto de Renda, auxílio doença, aposentadoria do INSS acima do mínimo, para todos a correção é diferente.

Linha da meta

A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece que a economia que a União, estados e municípios têm que fazer para pagar juros de suas dívidas deve ser de 66,2 bilhões de reais, ou seja, 1,2% do PIB. No primeiro trimestre esse valor acumulado foi de 19 bilhões de reais. Os fatos e dados mostram que, para chegar a esse número, muito contribuíram, dentre outros, os atrasos de pagamentos para as empresas construtoras do Programa Minha Casa Minha Vida, a redução pela metade de novos financiamentos para o Fies, o adiamento por duas vezes do início das aulas de novas turmas do Pronatec e os atrasos nos repasses aos fundos estaduais previstos constitucionalmente. Nessa toada vamos ver como e até quando o Governo Federal vai alongar os seus repasses financeiros e também qual será sua estratégia se o ajuste fiscal não for plenamente aprovado pelo Congresso Nacional.

Aluga-se

Numa pesquisa informal com 5 imobiliárias das zonas Centro, Sul e Leste de Belo Horizonte, nota-se aumento no tempo gasto para se alugar um imóvel residencial ou comercial. Existem casos em que um apartamento de 2 ou 3 quartos, mesmo na zona Sul, tem demorado de 4 a 6 meses até a assinatura do contrato de locação. E isso tem ocorrido mesmo com a redução de preços.

Já para salas comerciais no Centro da cidade, que às vezes demoram até mais tempo que apartamentos ou casas para serem locadas, tem sido comum a oferta de descontos que variam de 20% a 50% no valor do aluguel durante os primeiros seis meses de vigência do contrato. É obvio que essas imobiliárias tem notado boa vontade de muitos proprietários de imóveis para negociar seus aluguéis, que são aqueles que dependem dessa renda para o seu equilíbrio financeiro mensal. Imagine num caso desses o que é ficar 6 meses sem o dinheiro do aluguel e ainda pagar condomínio, fundo de reserva, IPTU e seguro do imóvel! Só mesmo com um alto ajuste fiscal.

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por Luis Borges 5 de maio de 2015   Curtas e curtinhas

Tarifaço nas loterias – A Caixa Econômica Federal continua mexendo em seus produtos para melhor contribuir no ajuste fiscal que o Governo Federal está tentando viabilizar. Agora chegou a vez das loterias, que passarão por um tarifaço a partir de 18 de maio, com aumentos variando de 33% a 100%, sendo que apenas duas modalidades não terão seus preços alterados. Segundo a Caixa o objetivo é tornar os prêmios mais atrativos e aumentar o valor dos repasses para as finalidades sociais. Se a projeção da inflação anualizada está em torno de 8,26%, onde os apostadores arrumarão poder aquisitivo para fazer tantas apostas com os novos preços subindo 40% em média? Será necessário ter mais sorte ainda.

Planejamento estratégico – A Petrobras anunciou que, dentro de 30 a 40 dias, apresentará o seu planejamento estratégico de negócios atualizado. Já está passando da hora, pois o plano em vigor foi feito no início do ano passado, quando o dólar estava cotado a R$ 1,90. Hoje a moeda norte-americana está em torno de R$ 3,10 após ter chegado a R$ 3,30. Definitivamente a fase não é boa e só aparecem problemas e problemas. Como se vê a gestão estruturada do negócio faz muita falta inclusive nos momentos que exigem um rápido reposicionamento estratégico. De qualquer maneira, antes tarde do que muito tarde.

Minério de ferro de Minas – A Vale anunciou prejuízo de R$9,5 bilhões no primeiro trimestre do ano na comparação com igual período do ano passado. Agora a meta é reduzir U$2,00 no custo da produção por tonelada até o final do ano para que a empresa continue competitiva, com preços de venda abaixo de U$50,00 a tonelada no mercado internacional. Pelo visto deve sobrar para jazidas localizadas em Minas Gerais, que possuem menor teor de ferro e custos mais altos de produção quando comparadas a outras unidades da empresa. Estima-se que poderão deixar de ser produzidas 30 milhões de toneladas de minério de ferro no estado. Mais dificuldades para o Minas, estado diagnosticado como quebrado.

Responsabilidade Fiscal – A Lei de Responsabilidade Fiscal completou 15 anos no dia 04 de maio e seu efetivo cumprimento continua sendo um desafio para o setor público. A transparência nos números, com acesso amigável, gestão fiscal, controle social e consequências advindas do não cumprimento da Lei são aspectos sempre presentes na discussão das boas práticas. Não foi à toa que no final do ano passado a Presidência da República deu um jeito de alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, cujas metas não seriam atingidas. O Congresso Nacional aprovou o fim do superávit fiscal na base do rolo compressor e a presidente escapou de ser questionada pelo descumprimento da Lei. Como se viu e como se vê, ainda há muito o que se fazer para aprimorar as boas práticas nessa área.

Seguro desemprego – O Ministério do Trabalho desembolsou R$10,7 bilhões no primeiro trimestre desse ano com o seguro desemprego. O valor é R$600 milhões superior aos R$10,1 bilhões gastos no mesmo período do ano passado. Enquanto isso, o desemprego atingiu 6,2% em março conforme o índice do IBGE e o desembolso com o seguro desemprego cresceu 6% na comparação com março do ano passado. Com tudo isso, o seguro desemprego continua na mira da Medida Provisória que arrocha as condições para a sua concessão. Ela é parte de mais uma tentativa do Governo Federal com o intuito de arrumar recursos para o ajuste fiscal das contas públicas.

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por Luis Borges 28 de abril de 2015   Curtas e curtinhas

Crescente I – O Projeto de Lei 7921/14, do Ministério Público da União, foi aprovado dia 22/04 pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Serão criados 203 cargos, sendo 26 de confiança, 57 comissionados e 120 efetivos no Conselho Nacional do Ministério Público. Agora a proposta será analisada em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Os recursos para fazer frente aos gastos já estão garantidos no orçamento anual. E assim a União Federal prossegue no seu discurso e tentativa de aprovar o ajuste fiscal enquanto os gastos seguem aumentando na outra ponta. E a gente só vai ficando para trás com a obrigação de bancar tudo com impostos e tarifaços e abrindo mão de serviços públicos de qualidade.

Crescente II – Já a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou, também no dia 22/04, o Projeto de Lei 8307/14, que cria 1.827 cargos para Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, na cidade de São Paulo. Os cargos serão destinados a 204 técnicos judiciários, 407 analistas judiciários, 572 funções comissionadas nível 5 e 644 funções comissionadas nível 4. A proposta sera analisada em outras três Comissões Temáticas e a justificativa para a continuidade de sua aprovação é o gigantesco volume de processos analisados anualmente pelo TRT paulista. São 1,3 milhão de processos, que significam 22% do total analisado no país. Como o orçamento já prevê os gastos e os deputados seguem na sua árdua missão de legislar, só nos resta a expectativa de que a gestão vai melhorar e a tecnologia da informação dará mais celeridade à tramitação desses lentos processos. E haja gente para trabalhar nesse ofício de julgar causas e direitos trabalhistas.

Juros nas alturas – A educação financeira continua fazendo falta aos tomadores de crédito rotativo no cartão e no cheque especial. Em março de 2014, os juros do cartão de crédito rotativo eram de 313,17% ao ano e no mesmo mês de 2015 chegaram a 345,8%. Já para o cheque especial na mesma comparação, a taxa passou de 214,2% para 220,4% ao ano. Como se vê, a transferência de renda para o setor financeiro é brutal e seus lucros também são brutais. Os cinco bancos mais lucrativos em 2014 lucraram R$ 20, 15, 11, 07 e 06 bilhões respectivamente. E ainda temos que pagar tarifas bancárias!

Greve longa – A greve dos professores do ensino oficial do Estado de São Paulo já se aproxima dos 50 dias de duração sem o mínimo sinal para o atendimento à reivindicação de 75,33% de reajuste salarial. A julgar pela determinação dos professores essa luta ainda vai longe pois a greve é pra valer.

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por Luis Borges 23 de abril de 2015   Curtas e curtinhas

Realismo tarifário – O Governo Federal continua voltando atrás nos parâmetros utilizados para a redução das tarifas de energia elétrica em 2012, que caíram de 18% a 30% conforme o segmento consumidor. Agora cogita retirar a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) da tarifa paga pelos grandes consumidores industriais, o que produziria efeitos a partir de 2016. É claro que vai sobrar de novo para o consumidor residencial, que já foi esmagado pelo tarifaço imposto pelo realismo tarifário neste ano. Não há poder aquisitivo que aguente!

Queda de consumo – Dados preliminares divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica apontam queda de 5% no consumo de energia do mercado cativo na primeira quinzena de abril quando comparada ao mesmo período do ano passado. É mais um sinal de que a projeção de queda do PIB de pelo menos 1% neste ano tem tudo para se confirmar.

Minério de ferro – Enquanto a tonelada do minério de ferro exportado pela Vale está abaixo de USD$60,00 a tonelada, o ferro-nióbio exportado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) está valendo USD$45,00 o kg. Os participantes da Previ, Fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, devem estar bastante preocupados com a queda dos preços do minério de ferro, já que o fundo é o maior investidor individual da Vale. A gestão do risco deve ser permanente, inclusive para aqueles que sonham com o capitalismo sem riscos.

Terceirização – Dados oficiais do México mostram que o país possui 8,32 milhões de pessoas trabalhando como sub-contratados, o que lá é sinônimo de terceirização. Isso equivale a 16% da população economicamente ativa. É bom lembrar que 60% dos trabalhadores do país trabalham na informalidade e que os sindicatos dos trabalhadores ainda lutam para ser respeitados e por leis trabalhistas. O fato é que a terceirização avança no mundo inteiro e sempre na direção da precarização e do aumento dos lucros de quem se utiliza dela em nome da redução forçada dos custos.

Leão – A Receita Federal quer recuperar algo em torno de R$7 bilhões em cima de aproximadamente 280 mil contribuintes que, em sua maioria, inventaram despesas ou deixaram de informar rendimentos na Declaração do Imposto de Renda de 2014. Ela se mostra muito ciosa na sua atribuição de arrecadar os impostos federais, entre eles o Imposto de Renda da Pessoa Física. Pena que coube à Polícia Federal em sua operação Zelotes demonstrar a possibilidade de perda de R$ 19 bilhões por causa de negociações envolvendo conselheiros do CARF (Conselho de Administração de Recursos Fiscais), na mesma Receita.

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por Luis Borges 7 de abril de 2015   Curtas e curtinhas

Licitações da Petrobras – O Executivo retirou o pedido de urgência da pauta da Câmara dos Deputados para a tramitação do regime especial de licitações da Petrobras, vigente desde 1998. Agora enquanto a Operação Lava Jato da Polícia Federal continua avançando, o tratamento diferenciado que é dado à Petrobras será discutido pela comissão especial que estuda modificações na Lei 8.666, que trata das licitações do setor público. Como não existe prazo para a conclusão dos trabalhos dessa comissão, dá para se imaginar quando será resolvido o que até o momento era urgente. Aliás, onde tudo é urgente nada é urgente e onde tudo é prioritário nada é prioritário, conforme nos ensinam os fundamentos da gestão.

Domésticas – No dia 2 de abril completaram-se 2 anos da promulgação da Proposta de Emenda à Constituição que estabeleceu vários direitos para as empregadas domésticas que até então não eram obrigatórios, entre eles o FGTS. De lá para cá a Câmara dos Deputados e o Senado da República tentam regulamentar a Lei, mas até agora nada, apesar de tantas trombetas durante o anúncio da alteração constitucional.

Recessão – O Boletim Focus do Banco Central projeta, nesta semana, o PIB negativo de 1,01% e inflação positiva de 8,2% para o ano de 2015. A expressão “estagflação”, do economês “estagnação com inflação”, começa a aparecer com mais frequência nos cenários que vão sendo desenhados para a economia brasileira. É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem faltou com a verdade e a transparência, além de se tornar refém da política para resolver a economia.

Imóveis – Algumas construtoras da cidade de São Paulo estão oferecendo descontos que chegam a 50% na venda de imóveis novos. É uma forma de tentar sacudir o mercado queimando gorduras e dando a sensação de movimento na economia estagnada. É também uma tentativa de reduzir custos com impostos e taxas de condomínio, que acabam pesando na manutenção desses estoques. Se o jeito é se reinventar, é oportuno também refletir sobre o que é uma bolha de consumo e um negócio sustentável. Sempre é hora de aprender, inclusive com o fracasso, de preferência dos outros.

Fecundidade em queda – Segundo o IBGE, em 2003 a média de filhos por família no Brasil era de 1,78. Em 2013 o número passou para 1,59. No mesmo período, entre os 20% mais pobres a taxa caiu de 2,55 para 2,15. E, no Nordeste, de 2,73 para 2,01. Apesar dos números falarem por si, ainda existem pessoas afirmando que o programa Bolsa Família incentiva o aumento do número de filhos para fazer jus aos seus benefícios. Só o conhecimento para combater o achismo.

Custo direto – Os salários de Deputados Federais e Senadores foram reajustados em 26,6%, chegando a R$33.763,00 desde 1 de janeiro deste ano. Além disso, a Câmara aumentou os gastos com auxílio moradia, cotas de atividades e verbas de gabinete. Como finalmente o orçamento do ano foi aprovado, a Câmara e o Senado juntos gastarão R$ 9,3 bilhões até 31 de dezembro. Isso significará gastar R$ 25,4 milhões por dia ou R$ 1,058 milhão por hora. Mas também pudera – são 513 Deputados Federais, 81 Senadores e em torno de 18.000 servidores na Câmara e 9.000 no Senado. Bem que esse gasto merece uma análise crítica do seu nível de qualidade, ainda que seja feito em nome da democracia meramente representativa.

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por Luis Borges 24 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Medidas anticorrupção – A Câmara dos Deputados recebeu, na semana passada, um pacote do Poder Executivo contendo 5 medidas para acelerar as regras de combate à corrupção. É uma tentativa de responder mais uma vez à insatisfação que permeia a sociedade e também mostrar que a Presidente da República está cumprindo um ponto programático de sua campanha à reeleição. Quanto tempo será gasto pelo Poder Legislativo na análise e aprovação desse projeto do Executivo que, aliás, é quem mais apresenta e aprova projetos no Congresso Nacional? E ainda fala-se em soberania e independência dos três poderes da República, que devem viver e sobreviver em harmonia permanente. É a democracia representativa funcionando plenamente independente da gravidade, urgência ou tendência em função da pressão dos representados.

Adormecidos ou tramitando – Cerca de 528 propostas de combate à corrupção tramitam no Congresso Nacional, sendo 355 na Câmara dos Deputados e 173 no Senado Federal. A mais antiga delas adormece desde 1995 em alguma gaveta. Lá se vão 20 anos de baixa produtividade, enquanto a corrupção continua sendo, na cultura brasileira, a flor do amendoim, aquela que nasce primeiro na primavera de um empreendimento.

Volume morto – O Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que a captação de água do volume morto do sistema Cantareira traz riscos à saúde da população. A afirmação foi feita com base em estudos realizados pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do estado de São Paulo) mostrando que o volume de cianobactérias cresceu muito em algumas das represas do sistema. Se lá está assim e diante da ainda pouca transparência na governança do país, podemos perguntar também se outros volumes mortos estão sendo ou foram usados em reservatórios da região Sudeste e em quais condições. Fica o benefício da dúvida.

Aumento salarial – O Ministro do Planejamento e Gestão afirmou que não há espaço para conceder um reajuste salarial de 27,3% para os servidores públicos federais. As várias categorias estão se mobilizando e tentando negociações que, se a história se repetir, poderão desembocar em paralisações e greves como forma de luta. O Ministro alega que não há espaço para reajustes porque a sociedade demanda uma redução do gasto público com o funcionalismo. Mas é bom lembrar que o ano de 2015 se iniciou com o aumento salarial para Ministros do STF, Presidente da República e seus Ministros, Senadores e Deputados Federais, além das repercussões em cascata dos Poderes Legislativo e Judiciário. Segundo os versos da obra do compositor e cantor Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Vamos ver como ficará a história, e em que mãos.

Tributação nos Estados Unidos – Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center mostrou que 53% dos norte-americanos entrevistados acreditam pagar a quantidade certa de impostos em função dos serviços públicos recebidos. Que resultado você imagina que uma pesquisa semelhante no Brasil daria em função da nossa carga tributária, que chega a 40% daquilo que produzimos, e dos serviços públicos recebidos?

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por Luis Borges 20 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Aumento de impostos – O Ministro do Planejamento e Gestão disse, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que desde 2002 não houve aumento de impostos e contribuições. No afã de defender a aprovação do ajuste fiscal sem modificações no Congresso ele se esqueceu da volta da Cide (Contribuição Sobre a Intervenção no Domínio Econômico) cobrada nos combustíveis, do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da correção da tabela do Imposto de Renda nos últimos anos por índices abaixo da inflação oficial, pra ficar em três exemplos. Mesmo com o crescimento da economia chegando a zero, a arrecadação federal segue em torno de 15% do PIB, que mesmo muito significativa não consegue acompanhar o exponencial aumento de gastos.

Demissões – A Sabesp, empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, demitiu 335 empregados desde 1 de fevereiro deste ano. Agora o Tribunal Regional do Trabalho determinou a suspensão das demissões que ainda não foram homologadas pelo sindicato dos trabalhadores, que chegam a 100. Existe uma divergência entre as partes sobre a cláusula do acordo coletivo do trabalho em vigor, que permite a demissão de até 2% dos empregados no período de maio de 2014 a abril de 2015. Segundo o Tribunal e os trabalhadores, o número máximo de demitidos poderia ser de 297, aí incluídos os aposentados. Já a Sabesp alega que os aposentados não fazem parte desse número e, por isso, chegou a 335 demissões. Escassez de água, perda do posto de trabalho e redução no faturamento da empresa em função da queda do consumo são fortes ingredientes na conjuntura e nos cenários que se desenham.

Dólar e Euro – Em 31 de janeiro de 2014 o dólar comercial estava cotado a R$2,42. Em 17 de março de 2015 fechou a R$3,23. A variação em torno de 33,5% mostra a recuperação da moeda e sinaliza mais possibilidades para as exportações brasileiras em detrimento do grande foco no consumo interno, que vigorou até a virada do ano. Se olharmos para a cotação do Euro, a segunda moeda mais forte no planeta, nessas mesmas datas veremos uma variação em torno de 6%, pois ela passou de R$ 3,27 no inicio do ano passado para R$ 3,46 anteontem.

Minha casa, minha vida – O Ministério das Cidades anunciou meta de construir 3,2 milhões de unidades até 2018 na terceira etapa do programa “Minha casa, minha vida”. Se a meta for atingida o programa chegará 6,7 milhões de imóveis que atenderão 25 milhões de pessoas. Enquanto isso, a cidade está cheia de placas de “vende-se” e “aluga-se” em imóveis.

Compra direta – O Governo Federal quer economizar R$132 milhões em 2015 com a compra de passagens aéreas diretamente das empresas do setor. A experiência feita no final do ano passado apresentou redução de custo de 30% em relação ao valor que seria gasto com agências de viagens licitadas. Nada existe em caráter permanente a não ser a mudança, como disse Heráclito no ano 501 a.c.

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por Luis Borges 11 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Desacelerado – A segunda fase do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) teve início em 2011 e mostra claros sinais de desaceleração após 4 anos. Um exemplo é a meta de construir 5772 creches e pré-escolas, cujo resultado no período foi de apenas 786 unidades, ou seja, 13,6% do almejado. Outro exemplo é meta de construir 14425 Unidades Básicas de Saúde. Até agora foram 3.332 unidades concluídas, que equivalem a 23,1% da meta. Quais são as causas de tamanha diferença? Metas malucas, baixa capacidade de gestão de empreendimentos, orçamento criativo ou contingenciamento de recursos financeiros? Ou todos eles juntos?

Feito em casa – O panelaço da noite do domingo 08/03, durante o pronunciamento da Presidente da República, mostrou uma tecnologia nova e confortável ao ser feito em casa. Ele deixou os manifestantes mais à vontade e longe de algum risco que poderia surgir nas ruas. Quem gosta de conhecer as melhores práticas em suas buscas por referências bem que poderia conhecer o padrão dos panelaços que são feitos em ruas e praças de cidades Argentinas, a começar por Buenos Aires. Quem sabe não viria daí uma boa contribuição para a melhoria contínua desse processo?

Queda – Nesses tempos de muita expectativa na política, na economia e de alta volatilidade no mercado, o dólar teve ligeira queda ontem e fechou cotado a R$ 3,104. Enquanto isso a bolsa de valores continuou em queda e caminhando para o seu costumeiro “andar de banda” fechando o dia a 48.293 pontos. E assim o tempo vai passando e a gente vai levando. Até quando?

Saúde mental – A medicalização é uma realidade na vida dos brasileiros e a indústria farmacêutica também conta com isso para atingir as suas metas de lucratividade. Enquanto a população perde poder aquisitivo com a alta inflacionária, o Ministério da Saúde está incluindo no Sistema Único de Saúde os medicamentos Clozapina, Lamotrigina, Olanzapina, Quetiapina e Risperidona, usados no tratamento do transtorno bipolar. Essa doença acomete 2 milhões de brasileiros, ou seja, 1% da população. Agora o desafio continua sendo conseguir uma consulta médica em curto espaço de tempo, ainda que ela dure apenas cinco minutos e neles esteja incluído a emissão da bendita receita médica. Haja paciência e persistência, afinal de contas a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, segundo a Constituição Brasileira de 1988.

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