Curtas e curtinhas

por Luis Borges 5 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Dólar comercial – A moeda americana fechou a quarta-feira cotada a R$2,98. Os analistas trabalhavam com a projeção de R$ 3,00 apenas em 2016. A crise na economia está acelerando tudo. É bom lembrar que os empresários sempre reivindicaram um câmbio mais favorável às suas exportações juntamente com juros baixos e desoneração da folha salarial. Entretanto não fazem o dever de casa para “despiorar” a gestão e aumentar a produtividade.

BRT / Move – Cinco pessoas morreram em acidentes envolvendo o BRT/Move só nos últimos 20 dias. E olha que, no discurso, a segurança de pessoas e bens é uma prioridade. Se projetarmos linearmente esse número para um ano, poderíamos chegar a 91 mortos. Isso sem falar em outras perdas decorrentes desses mesmos acidentes. Se nada for feito pelos envolvidos na questão o cenário será muito sombrio.

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Ônibus do Move parado na Av. Cristiano Machado./ Foto: Sérgio Verteiro

Empregados domésticos – Neste mês de março completam-se dois anos que a Presidente da República anunciou em grande estilo a Emenda Constitucional garantindo diversos direitos aos empregados domésticos. Dentre eles destacam-se a jornada de 44 horas semanais de trabalho, o direito ao recebimento do FGTS, o recebimento de horas-extras e o recebimento do seguro desemprego. Entretanto a regulamentação desses direitos continua parada no Congresso Nacional.

Vendas em queda – Segundo o Minaspetro, Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais, já existem postos de combustíveis em Belo Horizonte apresentando queda de até 40% nas vendas após o último aumento de preços. Encontrar um litro de gasolina a R$3,109 já não é tarefa fácil. Você continua mantendo o mesmo nível de consumo anterior ou já começou a se defender e a reprogramar seus gastos diante da perda de poder aquisitivo?

Los hermanos – A inflação da Argentina ficou em torno de 40% no acumulado dos últimos 12 meses e a da Venezuela bateu em 70%. Por aqui já estamos chegando a 8% com promessas de atingir a meta de 4,5% em 2017. Quão mais pobres chegaremos lá?

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por Luis Borges 1 de março de 2015   Curtas e curtinhas

Classe C – Pesquisa do Instituto Data Popular, divulgada em 20/02, mostrou que 47% dos integrantes da classe C estão comprando menos nos supermercados do que há seis meses. Já 41%dos entrevistados disseram que estão comprando a mesma quantidade e apenas 12% aumentaram suas compras. Você, em sua categoria de renda, se situa em qual das três situações pesquisadas?

Mais impostos – Após a volta da Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) e do aumento da alíquota de PIS e Cofins para os combustíveis, agora o Ministro da Fazenda está propondo a incidência de PIS e Cofins para as operações de crédito financeiro a partir de 2016. Também está propondo o aumento do percentual do ICMS para o local do destino de bens e redução na origem. Após o aumento da carga tributária o ministro fala candidamente que existem condições políticas para se tentar aprovar no Congresso Nacional uma reforma tributária, surrado tema há pelo menos duas décadas na conjuntura brasileira. Quem vai querer abrir mão de qualquer centavo advindo da grande gula arrecadatória?

Renda – Foi de R$1.052,00 a renda mensal per capita do cidadão brasileiro em 2014 conforme a PNAD Contínua do IBGE. Entretanto a média mascara a amplitude existente quando se faz a comparação por estados. O Distrito Federal apresenta a maior renda, R$2.055,00, enquanto Alagoas ficou com a menor, de R$604,00. Minas Gerais ficou em nono lugar, com renda de R$1.049,00, ligeiramente inferior ao Espírito Santo, que registrou renda exatamente igual à média nacional. Haja dinheiro para pagar mais impostos e repor a perda do poder aquisitivo decorrente do crescimento da inflação no período!

Em queda – Indicadores que medem o desempenho brasileiro em diversos aspectos da vida estão sendo divulgados em profusão. É notória a queda livre da maioria deles quando comparados com valores de meses ou anos anteriores. Vamos a alguns exemplos. A exportação brasileira de eletroeletrônicos caiu 22,3% na comparação entre janeiro deste ano com o mesmo mês do ano passado. O índice de confiança do consumidor em São Paulo recuou 17,2% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2014. Segundo a Federação do Comércio de São Paulo, o índice de aferido neste ano só perde para o de fevereiro de 2003, quando ficou em 103,5 pontos. A escala desse índice vai de 0 a 200. Já a quantidade de carteiras de trabalho assinadas caiu 1,9% em janeiro deste ano quando comparado ao de 2014. Mas ainda assim caminhemos com o nosso realismo esperançoso.

Comércio na fronteira – A fúria arrecadadora de impostos e contribuições para viabilizar, de qualquer maneira, o ajuste fiscal da União em 2015 fez a Receita Federal reduzir a cota de gastos isenta de impostos para viagens terrestres. Quem vai ao Paraguai pela Ponte da Amizade, por exemplo, terá a cota reduzida de U$300,00 para U$150,00 a partir de julho. Na imprensa e à “boca miúda” diz-se que os comerciantes de cidades paraguaias que ficam na fronteira com o Brasil estão em pânico e prenunciam uma quebradeira se a medida não for revertida. Desconfio que turistas e “sacoleiros” também. A conferir.

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por Luis Borges 25 de fevereiro de 2015   Curtas e curtinhas

Financiamento estudantil – O Ministério da Educação acabou cedendo e autorizou o reajuste dos atuais contratos do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) em até 6,4% no lugar dos 4,5% impostos anteriormente. Como sempre o Governo Federal insiste em usar, convenientemente, a fictícia meta de 4,5% da inflação anual para liberar menos recursos, como tentou no caso do Fies, ou para arrecadar mais, como ocorre com a correção da tabela do Imposto de Renda. Enquanto isso, a inflação de 2015 galopa com a projeção de 7,33% e o PIB já sinaliza encolhimento de 0,5% mas com potencial para cair até 2% no ano.

Greve de professores – O ano letivo começou com os professores estaduais do Paraná em greve, bem como os do Distrito Federal. O reinício das aulas nas universidades federais e nos institutos de ensino tecnológico deve ser acompanhado pela reivindicação de reajuste salarial. No plano federal só a Presidente da República, Ministros, Deputados, Senadores, Ministros do STF e beneficiários do efeito cascata tiveram aumento até agora. Como os índices foram generosos, ficará difícil simplesmente negar o problema em nome do ajuste fiscal e do equilíbrio das contas públicas.  Segundo os fundamentos da gestão, problema é para ser resolvido. Vamos ver como se comportarão as partes interessadas na sequência dos acontecimentos.

Planos de saúde – A Federação Nacional de Saúde Suplementar informou que o setor cresceu 2,55% em 2014 quando comparado a 2013, chegando a 50,8 milhões de usuários. A projeção de crescimento para 2015 é de aproximadamente 2% em virtude da baixa na economia e do aumento do desemprego. É interessante lembrar que as pequenas e médias empresas respondem por 33,7 milhões de usuários e que os planos de saúde, com ou sem limites técnicos, fazem parte dos últimos cortes feitos nos esforços de redução de gastos de empresas e famílias. Uma última lembrança é a de que a Constituição Brasileira afirma que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

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Campanha da Copasa. / Fonte: Sec. Planejamento de MG

Falta d’água – Como você se planejou para a falta d’água em 200 bairros de Belo Horizonte no sábado 21/02? Você considera que foi um treinamento para sobreviver a um possível racionamento de água de um dia por semana, na medida em que o cenário pessimista se confirmar? Quais os  sinais que você aguarda para concluir que o momento  do racionamento da água terá chegado?

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por Luis Borges 11 de fevereiro de 2015   Curtas e curtinhas

Servidores e habitantes – A Câmara dos Deputados terá um orçamento de 5 bilhões de reais em 2015, quando o mesmo for aprovado pelo plenário. O número de servidores ativos e inativos chega a 18.000. Para efeito de comparação, o estado de Minas Gerais possui 642 municípios com população de até 18.000 habitantes, segundo dados do IBGE. Em torno desses limites estão os municípios de Nova Era, Cássia, Lagoa Formosa, Ipaba e Ladainha. Prefeitos, vice-prefeitos, secretários, vereadores e técnicos, administradores e operadores de funções diversas fazem parte do universo de servidores municipais. Haja orçamento e responsabilidade fiscal.

Deteriorando – As expectativas dos analistas quanto aos principais indicadores da economia brasileira em 2015 continuam se deteriorando. Conforme a pesquisa do Boletim Focus desta semana, agora o PIB fechará o ano com crescimento zero, a inflação em 7,15%, bem longe da meta de 4,5%, e a taxa de juros SELIC em 12,50%. Com este cenário, após 40 dias de segundo mandato da Presidente da República, será que alguém arriscaria dizer que ” pior que está não fica”?

Colapso da água – O colapso da água no estado de São Paulo fez com que as ações da Sabesp chegassem ao valor de R$13,30 no último dia 30 de janeiro. Ao compararmos esse valor com a cotação de 30 de dezembro do ano passado, que era de R$ 17,01, veremos que a perda foi de 21,81%. Entretanto, veremos que as mesmas ações valiam R$22,26 em 31/01/2014, o que demostra que a perda em um ano foi de 40,25%. Já as ações da Copasa fecharam a R$15,92 na segunda 09/02, elas que foram lançadas em 2006 valendo R$17,00. A gestão do risco faz parte do dia-a-dia de quem arrisca.

Memória – Ha dois anos a Presidente da República anunciou uma queda de 18,5% nas tarifas de energia elétrica domiciliar. Essa queda forçada foi uma das principais apostas da presidente para reanimar a economia e manter a inflação anual abaixo de 6,5% ao ano. Agora, com os reajustes de janeiro, tudo já foi recuperado pelo tarifaço e a tendência é de aumento, inclusive com o reajuste de mais de 80% na bandeira vermelha após dois meses de vigência. Preços nas alturas, seca prolongada, usinas hidrelétricas a fio d’água, usinas térmicas operando no limite da capacidade e tudo jogado nas costas dos consumidores. Só nos resta o caminho da mudança de hábitos para reduzir o consumo de energia.

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Plenário do Senado durante sessão deliberativa. / Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Móveis e carros do Senado – A manutenção de peças mobiliárias e estofados do Senado custará R$125 mil aos seus cofres no início deste ano. Já para os deslocamentos dos senadores em Brasília serão gastos R$375 mil em serviços de locação de veículos. Ainda falta colocar na conta os gastos com combustível e motorista. Haja rubricas e licitações para garantir as melhores condições de trabalho para os 81 Senadores da República que representam suas 27 unidades!

Crédito rotativo – O valores usados no crédito rotativo dos cartões de crédito chegaram a R$29,8 bilhões no final de 2014, com taxa de juros de 258% ao ano. Enquanto isso, os créditos do cheque especial chegaram a R$21 bilhões com juros anuais de 200%. A inadimplência no rotativo do cartão chegou a 40% em dezembro passado. Pelo tamanho das cifras dá para a gente imaginar que o dinheiro está faltando, como a educação financeira faz falta e como é brutal a transferência de renda das pessoas para o setor financeiro. É claro que isso é para quem consegue pagar, pois boa parte dos devedores simplesmente quebra e fica recebendo propostas dos credores para renegociar as impagáveis dívidas.

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por Luis Borges 28 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Ações da Copasa – Por volta das 14h30 de ontem as ações da Copasa MG ON estavam cotadas a R$ 16,14 na Bolsa de Valores, chegando aos R$17,40 às 17h. Em 29/12/14 a cotação da mesma ação era de R$ 24,86 e, em 2013, ela chegou a valer R$ 44,00. A Copasa chegou à Bolsa de Valores em 2006, lançando suas ações a R$ 17,00. Como se vê, não é só o nível dos reservatórios que está baixo nesse início de ano. Em tempo, você pode acompanhar as mudanças nos reservatórios neste link.

Carnaval de Sabará – A Prefeitura de Sabará cancelou o “chuveirão” do seu carnaval desse ano, evento que há 20 anos refresca os foliões na praça Santa Rita, localizada no centro histórico da cidade. O jeito será torcer para que chova 4 dias sem parar.

Vidas secas – Diante da seca do Sudeste, que tal ler ou reler o livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos? Lançado em 1938, ele retrata o flagelo da seca no Nordeste, além do coronelismo e da exploração humana.

Educação financeira – Os juros do cheque especial passaram de 200% ao ano em 2014. Os do crédito rotativo do cartão de crédito beiraram os 300%. A educação financeira continua fazendo falta a muita gente indisciplinada e adepta do “consumo, logo existo”.

Inflação e PIB – Os economistas ouvidos pelo Boletim Focus do Banco Central para a pesquisa publicada na última segunda-feira projetaram inflação anual de 6,99% e crescimento do PIB de apenas 0,13%. Os preços administrados pelo Governo Federal, muitos deles passando por “tarifaços”, são a causa maior do repique inflacionário. Sem sinais de crescimento econômico as pessoas e os negócios tenderão a se pautar por estratégias de sobrevivência e manutenção. A conferir

Direitos sociais – Finalmente as centrais sindicais dos trabalhadores começaram a se despertar e a sinalizar para o Governo Federal que são radicalmente contra as propostas governamentais que reduzem os direitos sociais relativos ao seguro-desemprego e à pensão por morte da Previdência Social. O Ministro da Fazenda e o da Secretaria Geral da Presidência bateram cabeça em suas posições divergentes. Aliás, o Ministro da Fazenda praticou o “sincericídio” em Davos, na Suíça, ao criticar o modelo atual do seguro-desemprego. Como na campanha eleitoral a Presidente da República falou que não mexeria nos direitos sociais, ela está diante de uma ótima oportunidade para voltar atrás em suas medidas que almejam economizar R$ 18 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões sairiam do seguro-desemprego. Interessante notar que só o aumento salarial dos Ministros do STF, Poder Judiciário, Deputados e Senadores consumirá R$ 4 bilhões anualmente.

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Imagem aérea da Granja do Torto, em Brasília, onde Dilma Rousseff se reuniu, ontem, com seus ministros. | Foto: Ichiro Guerra/ Presidência da República, retirada deste link.

Primeira reunião – A Presidente da República fez, ontem, a primeira reunião com os seus 39 ministros, escalados para o início de seu segundo mandato. Apesar do número “40” ser emblemático, já ecoam propostas para que se crie o Ministério das Águas ou até mesmo o do Saneamento Básico. Esse ministério sairia de uma costela do Ministério das Cidades. Os defensores da ideia lembram que existem Ministérios para Minas e Energia, Transportes, Comunicações, entre outros, que sempre tratam de temas ligados às cidades. A conferir

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por Luis Borges 21 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Seca prolongada – A Sabesp, empresa de saneamento básico do estado de São Paulo registrou 60,9 milímetros de chuva na bacia do sistema Cantareira no período de 1 a 20 de janeiro. Isso equivale a 22,5% da média histórica para janeiro. Nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado choveu apenas 60% do que foi registrado em outros anos. A continuar assim, o jeito será reduzir a quantidade de água captada no sistema e, obviamente, racionar o seu consumo. Será que as autoridades vão assumir isso de peito aberto? O mínimo que podemos esperar é que haja transparência nas informações e acesso fácil a elas. Como será que está a real situação das águas em Minas Gerais? 

Ouro Preto – O Serviço Municipal de Água e Esgoto da histórica, turística e universitária Ouro Preto iniciou nesta semana o rodízio no abastecimento de água à sua população. As partes montanhosas serão as mais afetadas diante da distribuição de água dia sim, dia não. A medida foi tomada no momento de grande estiagem e de forte calor, não tendo data para terminar. Tudo vai depender da intensificação do período chuvoso que nem a meteorologia sabe dizer quando será. O município possui cerca de 74.000 habitantes segundo estimativas do IBGE em 2014. Essa população costuma dobrar no período do Carnaval para cujo início oficial faltam apenas 24 dias.

Água mineral – Já tem gente da classe média estocando água mineral e divulgando o ato na sua rede de relacionamentos. Isso me faz lembrar do sumiço da carne de boi e de outros produtos durante o Plano Cruzado do governo Sarney, em 1986. Naquela época o boi gordo foi caçado nos pastos. Será que no pânico atual a classe média vai perfurar poços artesianos em suas propriedades?

Pronatec – O Governo Federal iniciou o ano devendo R$ 800 milhões ao Senai e R$ 700 milhões ao Senac, relativos  à compra de cursos do Pronatec (Programa de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego). Outra dívida do governo se refere à divulgação do índice de evasão de alunos até o último dia do ano passado, sem usar maquiagens conceituais.

Imposto de Renda – O veto presidencial à correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5% consolida mais perdas para os assalariados. Só para esse caso o Governo Federal usa a meta de 4,5% de inflação anual. Para quem quiser sentir o tamanho das perdas bastará a lembrança de que a inflação de 1996 a 2014 medida pelo IPCA do IBGE foi de 226,2% e a correção da tabela do Imposto de Renda ficou em singelos 99%. Esperar que o novo Congresso Nacional, onde a base aliada de apoio ao governo é majoritária, derrube o veto é muita ingenuidade. Portanto, vem aí Medida Provisória corrigindo a tabela em 4,5%. Já para Ministros do STF, Poder Judiciário, Senadores e Deputados o aumento salarial foi de 14,3% e prontamente sancionado pela Presidente da República. Nesse caso é dando que se recebe, uma mão lava a outra e as duas enxugam o rosto.

Apagão – A matriz energética brasileira depende excessivamente da geração de energia hidrelétrica. Mais um ano de prolongado período de seca obriga a geração de energia pelas usinas térmicas em sua capacidade total, logo elas que foram projetadas para ser um mero complemento. O apagão ocorrido na segunda feira em 11 estados mostrou mais uma vez as autoridades do setor batendo cabeças e demonstrando pouco compromisso com a transparência. O Ministério das Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, as empresas geradoras, transmissoras e distribuidoras tentam se justificar e fugir de suas responsabilidades, enquanto a Presidente da República pede medidas para que os apagões não se repitam. Que planejamento fazer e que medidas tomar para que chova dez dias sem parar, como outrora nessa mesma época, e para que as pessoas melhorem seu conforto térmico sem precisar de ventilador e ar condicionado? A única garantia que temos nesse momento é o tarifaço de até 50% nas contas mensais.

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por Luis Borges 8 de janeiro de 2015   Curtas e curtinhas

Recomposição salarial – Os vereadores da cidade de Araxá(MG) aprovaram, em reunião extraordinária na quarta (07/01), um aumento de 11,4% nos salários em seus salários. A partir de agora cada um receberá R$ 8.930,20 para cumprir a obrigatoriedade de uma sessão ordinária às terças. O plenário é composto por 15 vereadores que, até o final do ano passado, recebiam R$ 8.016,34 mensais. Já que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, Deputados Federais e Senadores tiveram seus salários elevados para R$ 33.700,00 por mês, agora o jeito é aguentar o efeito cascata para as demais instâncias e poderes. Já para os trabalhadores do mundo privado resta a livre negociação, na qual quem conseguir os mais de 6% da inflação de 2014 poderá elevar suas mãos para os céus.

Demissões e greves – Redução das alíquotas do IPI, desoneração da folha de pagamento salarial, licença remunerada, férias coletivas e semana curta de trabalho não foram suficientes para a indústria automobilística se manter intacta diante da queda das vendas internas e das exportações. Melhorar a gestão, nem pensar! E reclamar do dólar a R$ 2,70 também não dá, pois essa sempre foi uma reivindicação. O caminho natural começou a ser mostrado, com 800 demissões de trabalhadores da Volkswagen e de 260 na Mercedes Bens em São Bernardo do Campo (SP). O que esperar da CUT, da Força Sindical e das outras centrais nesse momento? Será que a governabilidade continuará na pauta de justificativas para justificar o injustificável? No capitalismo sem riscos, com juros subsidiados, só as margens de de lucro são imexíveis. O restante é que sempre deve sofrer adequações.

Educação básica – A Confederação Nacional da Indústria divulgou os resultados da sua pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica”. Essencialmente, 85% dos entrevistados disseram que a baixa qualidade da educação prejudica o crescimento econômico. Também avaliam que é preciso melhorar o ensino de Português e Matemática bem como ampliar o número de cursos que equilibrem o ensino médio e a educação profissional. Percebo um aumento significativo na quantidade de pesquisas, levantamentos e estruturação de sistemas de dados de diversas naturezas. O grande desafio continua sendo observar e analisar as informações criticamente, para que elas se transformem em conhecimento que ajude na tomada de decisões. Portanto, o desafio continua passando pela gestão dos dados e pelo combate permanente ao “achismo”.

Treinamento é essencial – A obrigatoriedade do uso do extintor de incêndio do tipo ABC para todos os veículos fabricados antes de 2009, que vigoraria a partir do inicio desse mês, foi adiada por 90 dias. A causa foi a simples falta do equipamento no mercado, que é regido por outra Lei, a da oferta e da procura. Entretanto um grande desafio será o treinamento das pessoas para que aprendam a usar com efetividade o equipamento, mesmo para os motoristas de veículos novos que já saem equipados das fábricas obrigatoriamente desde 2009. Quem não se lembra do kit de primeiros socorros, que um dia foi obrigatório sem prever treinamento para seu uso e que acabou deixando de ser obrigatório após ter sido comercializado como tal? Quem sabe usar o extintor de incêndio do edifício onde reside ou trabalha? Educar e treinar, treinar, treinar faz parte do principio ativo da gestão.

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por Luis Borges 30 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Rotatividade no trabalho – O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) informou que 55% dos trabalhadores ficaram menos de um ano no mesmo emprego em 2013. Esse indicador era de 55,2% em 2012 e de 42% em 2003. Essa percepção foi uma das motivadoras das medidas de restrição à concessão do seguro desemprego e consequente redução de gastos do Governo Federal. Os dados também mostram que os segmentos de maior rotatividade são os de call center, agricultura e construção civil.

Aluguel residencial – Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE  25% das famílias brasileiras gastam até 30% de sua renda com aluguel. Em 2004, o percentual de famílias nessa situação era de 24,6%. Como se vê a moradia própria ainda é um sonho na vida de muita gente.

Inativos – A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostrou um expressivo crescimento do percentual de pessoas inativas no país. Basicamente essas são as pessoas que não trabalham nem procuram emprego. O índice chegou a 30,6% . Em números absolutos, isso significa 51,1 milhões de pessoas com idade superior a 16 anos e em condições de trabalhar.

Concentração de renda – Apesar dos programas governamentais de transferência de renda e do aumento real do valor do salário mínimo, a concentração de renda ainda continua muito acentuada. Segundo os dados indicados pelo IBGE 10% das pessoas concentram 41,7% da renda do país. Uma distribuição de renda mais justa continua sendo um sonho permanente no horizonte.

Elefantes brancos – Foi de R$ 4,4 bilhões o total de investimentos feitos em seis estádios para a Copa do Mundo de futebol cujos estados não terão times na Série A do Campeonato Brasileiro em 2015. Nessa condição estão as arenas Pantanal (Mato Grosso), Mané Garrincha (Distrito Federal), Dunas (Rio Grande do Norte), Fonte Nova (Bahia), Amazônia (Amazonas) e Castelão (Ceará).

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por Luis Borges 16 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Juízo Final – O Governador do Distrito Federal, que não conseguiu se reeleger, deve estar contando nos dedos os 15 dias que faltam para o término de seu mandato. Ele está colhendo os resultados de sua pífia gestão embalados pelos protestos de fornecedores e funcionários públicos como professores, enfermeiros, médicos, garis e motoristas, ao atrasar seu pagamentos em pleno mês de dezembro. Será que ele enfrentará outras consequências em função da ruindade do seu governo?

Pelo celular – Segundo dados da Anatel os usuários da telefonia celular móvel gastam, em média, R$104,00 por mês em suas contas. Enquanto nas classes A e B a média chega a R$ 115,00 nas classes C,D e E fica em torno de R$ 98,40. Pelo visto todo mundo esta podendo muito ou simplesmente priorizando seus gastos e dívidas para ficar bastante ligado.

Nascentes – O alarido causado pela surpresa que foi o sumiço da nascente do Rio São Francisco na Serra da Canastra foi maior do que a notícia de seu renascimento após o início do período chuvoso. Acontece que as chuvas ainda estão bem abaixo das médias históricas para o período e os institutos meteorológicos já falam apenas em rápidas chuvas de verão em Minas no final desse ano e início do próximo. Por qual razão as nascentes secaram e como fazer para recuperá-las, já que os períodos de seca também fazem parte do regime das águas? Por enquanto as discussões ganham algum fôlego, mas os efeitos da seca continuam firmes.

Dinheiro na mão – A Eletrobras comprou comprou combustíveis da Petrobras para gerar energia elétrica em suas usinas na região Norte. Elas trabalharam e ainda trabalham a plena carga, o que nunca foi enxergado pelo planejamento da empresa. Como faltou dinheiro em caixa, o jeito foi empurrar para a frente o pagamento à Petrobras. Esta por sua vez, cada vez mais precisando de fazer caixa para se manter de pé, foi ao mercado fazer dinheiro e obteve R$ 9 bilhões com o aval do Tesouro Nacional. Se a Eletrobras não pagar, o Tesouro garantirá. O que poucos se lembram é que o Tesouro somos nós, pagadores de impostos diretamente na fonte para a Receita Federal e através de bens e serviços demandados.

Submissão – A Presidência da República já avisou ao Congresso Nacional que não aceitará lei de renegociação das dívidas tributárias dos clubes de futebol se não houver contrapartida fiscal por parte deles. Como o Poder Legislativo Federal possui baixíssima produtividade e é majoritariamente dominado pela base aliada que dá sustentação ao executivo, já sabemos de antemão qual será o resultado.

Lixão – Uma Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos do Senado recomendou prorrogar o prazo para o fim dos lixões nas cidades brasileiras até 2016. O prazo atual, que expirou em agosto de 2014, está previsto na lei que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Apesar do Governo Federal ser contrario à medida, alegando interesse público, o fato é que muitos municípios não conseguiram acabar com os seus lixões. A comissão sugere, também, que se acabe com alguns mecanismos regulatórios que previam suspensão de recursos para os municípios que não cumprissem metas da PNRS. E quer mais incentivo à realização de convênios entre municípios e órgãos federais. Enquanto tudo isso tramita, o Congresso vai entrar de férias e o lixo continuará sendo mais um problema para o saneamento ambiental no Brasil. Assim fica até difícil de falar em sustentabilidade.

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por Luis Borges 9 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Fora da meta – Pelo 51º mês consecutivo a inflação medida pelo IPCA/IBGE ficou acima da meta de 4,5% ao ano, superando o teto da meta e chegando a 6,56% em novembro/14. Na última vez em que a meta foi atingida Lula ainda era Presidente da República, no mês de agosto de 2010. De lá para cá, só contabilidade criativa, maquiagem conceitual, represamento de alguns preços administrados e muita perda de poder aquisitivo para os assalariados.

Otimismo – As premissas do Orçamento Federal da República para 2014, que foram revisadas em fevereiro, eram de inflação anual de 4,5%, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% e Superávit Primário de 1,9% do PIB. Faltando 22 dias para o encerramento do ano a inflação projetada pela pesquisa de mercado feita pelo Banco Central é de 6,46%, o PIB sinaliza crescimento de 0,19% e a abandonada meta de Superávit Primário será substituída por um déficit de, no mínimo, R$15 bilhões. Imagine o que aconteceria com a direção de uma empresa privada se ocorresse uma distância tão grande entre o projetado e o realizado! Será que os diretores de Planejamento e Finanças esperariam, no exercício do cargo, a chegada de seu sucessores?

Realismo – A nova equipe econômica do Governo Federal anunciou suas metas de Superávit Primário com mais realismo para os próximos anos. A proposta é atingir 1,2% do PIB em 2015 e 2% em 2016 e 2017. Como a Lei de Responsabilidade Fiscal continua valendo, espero que essas metas não sejam simplesmente abandonadas ao sabor dos ventos.

Focus – As projeções feitas semanalmente pelo Boletim Focus do Banco Central passarão a servir de parâmetro para a nova equipe econômica. A série histórica mostra que elas são bem mais realistas que as otimistas projeções da Secretaria de Politicas Econômicas do Ministério da Fazenda. Um sinal claro dessa decisão foi a modificação da premissa de crescimento do PIB para o orçamento de 2015. A proposta original enviada pelo poder executivo ao Congresso Nacional trabalhava com 3% e agora foi modificada para singelos 0,8%. Pelo visto estão lutando para recuperar a credibilidade perdida. Como nos ensinam os economistas, o mercado vive de expectativas e de confiança.

Balão de ensaio – Medidas mirabolantes para cortar gastos do gastador Governo Federal começam a ser vazadas por um ministério e negadas por outro em conhecido jogo. Um exemplo é a proposta de redução de 50% no valor da pensão paga pelo o INSS a uma viúva que não tenha filhos menores de 21 anos. É claro que essa proposta será muito bombardeada por todos os envolvidos na questão, o que levará o governo a se posicionar como “bonzinho” e dizer que então deixará tudo como está. E tem mais: é bom lembrar que mais de 2/3 dos segurados recebem o piso, que é indexado ao valor do salário mínimo. A conferir.

13º salário – Apesar da grande falta que a educação financeira faz à muitas pessoas, uma pesquisa feita pelo 5º ano consecutivo pela FIESP/CIESP, mostra que alguma coisa já esta mudando. Segundo os dados obtidos de 1000 entrevistados, apenas 19% deles pretendem utilizar o dinheiro do 13º salário com festas e presentes de Natal. Já 30% usarão os recursos para pagar dívidas e também outros 30% vão poupá-los e direcioná-lo para investimentos. Antes tarde que muito tarde.

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