Vale a leitura

por Luis Borges,  28 de dezembro de 2014   Vale a leitura

Viaje – Recordes de congestionamento nas estradas e redes sociais inundadas de fotos de praia. Nessa época do ano todo mundo quer viajar. Se você vai trabalhar ou não poderá sair da sua cidade por algum outro motivo, minha indicação é seguir a sugestão de Raquel Rolnik. Escolha um bom livro e viaje.

existem outras maneiras de viajar e descansar sem precisar passar por tanto transtorno, nem gastar dinheiro. Em casa, confortavelmente acomodado em uma boa rede ou no sofá, no parque ou na praça, sob a sombra de uma árvore, podemos percorrer ruas, becos e segredos das cidades… sem stress de aeroporto, nem estradas lotadas.

Mulheres sem filhos – Por que e para que ter filhos nesses tempos de tantas incertezas, mudanças de valores e busca pelo sucesso pessoal e profissional num mercado muito competitivo e quase selvagem? Segundo matéria do UOL, está caindo o número de filhos por mulher e aumentando o de casais sem filhos no Brasil. Avaliando os números, penso que mais casais estão refletindo sobre essas questões e adiando ou deixando de ter filhos. Conforme a  SIS / Síntese de Indicadores Sociais 2014, do IBGE, o número de filhos por mulher caiu 26% nos últimos 14 anos, passando de 2,39 filhos por mulher para 1,77, entre 2000 e 2013. Também em 2013, 38,4% das mulheres de 15 a 49 anos não tinham filho. Leia mais aqui.

Homônimos – Você conhece quantas pessoas que possuem o mesmo nome que o seu? Imagine os danos morais causados por um ficha suja a um homônimo ficha limpa. São constrangedores os momentos em que alguém recebe uma cobrança indevida ou é intimado a depor numa investigação policial porque tem homônimo encontrado no Facebook por exemplo. Dá para imaginar, também, o susto que leva uma pessoa que vai embarcar num aeroporto internacional e descobre, ao passar pela Polícia Federal, que tem quatro homônimos e terá que passar por um novo guichê para checar sua identidade. Neste artigo publicado em seu blog, o jornalista Leonardo Sakamoto narra a própria experiência, a de seus homônimos e a de conhecidos que são homônimos de “famosos”.

Coisas que você não quer saber – Caminhando por ruas e praças da cidade nos deparamos com pessoas invisíveis ou que se parece com zumbis. Muitas vezes temos medo delas, fingimos que não vimos e escapamos correndo. Exemplos do “não quero saber” são comuns no cotidiano mas, nessa época de Natal, somos tocados por chamamentos para a solidariedade e para a caridade. Neste artigo o jornalista Jairo Marques é contundente ao chamar a atenção de todos para o constrangimento perante essa realidade e a baixa sensibilidade de muitas pessoas que não se implicam no problema. É instigante, confira!

Fazer uma vez no ano é melhor do que não fazer nunca e é oportunidade para reconhecer que, de tanto não querer saber, um dia pode-se também entrar para o clube dos relegados.

A destruição da privacidade – Como você avalia o grau de sua privacidade diante da excessiva exposição a que se submete nas redes sociais? Você sabe se tem sido vigilante o suficiente para não ficar tão exposto e vulnerável a ataques especulativos a partir dos conteúdos que saem de seu dispositivo tecnológico? Leia neste artigo de Julian Assange os argumentos dele para afirmar que o negócio do Google e do Facebook é destruir, em escala industrial, a privacidade. Após a leitura verifique se isso se aplica a você. E, em caso, positivo pense em como ajustar sua conduta em prol da sua segurança e privacidade.

  Comentários
 

O Natal e os gafanhotos

por Luis Borges,  25 de dezembro de 2014   Pensata

O dia de Natal está terminando. Celebrei a data confraternizando com família e amigos na capital secreta do mundo, Araxá. Se o pré-Natal já foi muito bom, fui presenteado com um dia melhor ainda na amplitude das fraternas relações. E é bom que seja assim, pois precisamos renovar e acumular muitas energias para superar as dificuldades sistêmicas que atingem a nação nesses tempos.

Minha alegria e satisfação inerentes ao micro-mundo familiar não me deixam esconder a tristeza, que não me desmotiva, ao verificar a nuvem de gafanhotos vivendo da corrupção alastrada e impregnada por todo o país. Me lembro de Chico Buarque, em sua música “Vai passar”

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações.

Qualquer semelhança não é mera coincidência, simplesmente está na nossa cultura.

Até quando aguentaremos conviver com tamanha indecência, justificada e ancorada em nome de uma democracia representativa na qual os representados não são ouvidos de maneira participativa pelos seus representantes? Para saber falar é preciso saber ouvir e a transparência tem que ir além do discurso.

Ainda que de maneira difusa, como ocorreu em junho de 2013, é evidente que o pote de mágoa prossegue aumentando e que nada está maravilhoso como é insistentemente apregoado. Imagine o dia em que lideranças dos movimentos sociais conseguirem focalizar e unificar tantas insatisfações. Como será que a nuvem de gafanhotos reagirá na tentativa de ceder os anéis para não perder os dedos, se é que isso bastará?

O Natal está chegando ao fim. Vou em frente vivendo e louvando o que merece ser louvado, mas sem me esquecer da tortura que a nuvem de gafanhotos nos traz e com a certeza de que ela vai passar, ainda que o tempo da história seja maior que o nosso. Mas quem sabe esse tempo nos surpreende e se antecipa. Também depende de nós.

  Comentários
 

Noite Feliz

por Luis Borges,  24 de dezembro de 2014   Música na conjuntura

A noite de Natal traz em sua singularidade uma enorme gama de confraternizações, reflexões, meditações, intenções e também de lembranças vividas na mesma ocasião, só que em outros anos ou períodos.

Entrada lateral da Igreja de Nossa Sra. do Rosário, na rua Belo Horizonte, em Araxá (MG) / Foto: Marina Borges

Entrada lateral da Igreja de Nossa Sra. do Rosário, na rua Belo Horizonte, em Araxá (MG) / Foto: Marina Borges

Tenho ótimas lembranças em minha memória do período em que aprendi a gostar imensamente da música Noite Feliz. Dos meus 12 aos 16 anos, ou seja, de 1966 a 1970, eu sempre ouvia a canção sendo ensaiada pelo Coro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Araxá. Depois, ouvia-a novamente, cantada lindamente no dia 24 de dezembro durante a Missa do Galo, que naquela época iniciava-se à meia noite.

Entrada da Igreja do Rosário, na Av. Senador Montandon

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na Av. Senador Montandon / Foto: Marina Borges

Nesse coro destacavam-se as vozes de tia Alexandra Guimarães, de sua filha Diva Bananal, de dona Jovina Oliveira e de sua filha, a professora Olívia Oliveira.

Segundo a Wikipédia, Stille Nacht é uma das canções mais populares da noite de Natal, conhecida em português como Noite Feliz. A letra é do padre Joseph Mohr e a melodia de Franz Gruber. A música estreou em 1818, durante a Missa do Galo na Paróquia de São Nicolau na cidade de Oberndorf, Áustria. Atualmente há versões em pelo menos 45 idiomas.

Vamos à música, pois ouvi-la sempre vale a pena.

Noite Feliz
Fonte: Vagalume

Noite feliz! Noite feliz!
Oh, Senhor, Deus do amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na Lapa Jesus nosso bem
Dorme em paz, oh, Jesus
Dorme em paz, oh, Jesus

Noite feliz! Noite feliz!
Oh, Jesus, Deus da luz
Quão afável é Teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos salvar
E a nós todos salvar

Noite feliz! Noite feliz!
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores os Anjos do Céu
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus Salvador
De Jesus Salvador
  Comentários
 

Já são dez meses de operação do Sistema de Transporte Rápido por Ônibus de BH, o Move. Seu objetivo principal e óbvio é a melhoria da mobilidade para seus usuários. Os investimentos da Prefeitura de BH no sistema já passam de R$ 1 bilhão, sendo a maior parte financiada pela Caixa Econômica Federal.

Nesse período o sistema enfrentou diversos problemas. Eles vão desde a queda do Viaduto Batalha dos Guararapes até as pouco amigáveis estações, como as dos bairros São Gabriel e Pampulha. Aqui no Observação & Análise apontamos falhas em pelo menos duas ocasiões. Em agosto, falamos das portas das estações, que nunca fecham, e da ausência de ar condicionado numa viagem durante uma noite de sábado. No mesmo mês, mostramos o desnível entre o ônibus e a plataforma de embarque e desembarque.

É urgente uma avaliação da efetividade do sistema, feita em cima dos fatos e dos dados coletados. Cabe à BHTrans mostrar – de forma transparente e de fácil compreensão para todos os interessados – o que foi planejado, o que foi executado, os resultados positivos e negativos alcançados, o que está pendente e quais serão os próximos passos para a conclusão do processo.

Outro ponto importante é clarear o que será feito no local onde ficava o viaduto que caiu. Será feita uma trincheira? Também é preciso resolver definitivamente a acessibilidade e apresentar o plano geral de manutenção.

Nessa avaliação, espero que seja feita uma análise crítica da avenida Vilarinho, em Venda Nova, onde o BRT circula em faixa exclusiva. O estado de conservação dela é assustador se levarmos em conta o pouco tempo de uso, como mostram as fotografias deste post.

Faixa exclusiva do Move, esburacada, na Av. Vilarinho /

Faixa exclusiva do Move, esburacada, na Av. Vilarinho / Foto: Sérgio Verteiro

Consultei, informalmente, um engenheiro especialista em sistemas viários. Numa análise rápida, ele afirmou que a pista no local deveria ter sido feita em concreto, por ser exclusiva para os ônibus. O engenheiro avalia que o asfalto ali implantado é naturalmente mais flexível, o que facilita a penetração de líquidos pelas pequenas fissuras que os conduzem até a sub-base, tornando mais fácil a formação de “rodeiros” devido à passagem sistemática dos pneus no mesmo lugar da pista mais maleável. Na prática o caminho fica bem marcado, como no clássico “caminho da roça”.

Outro ponto da av. Vilarinho

Outro ponto da av. Vilarinho / Foto: Sérgio Verteiro

Espero que a avaliação do BRT seja feita logo, dando voz a todas as partes interessadas e impactadas por esse sistema de transporte, e os resultados divulgados. Quem sabe, assim, o Move poderá cumprir plenamente o seu propósito.

  Comentário
 

Vale a leitura

por Luis Borges,  22 de dezembro de 2014   Vale a leitura

Obras sem projetos – As revelações advindas do caso Petrobras mostram cada vez mais como práticas não recomendáveis estão disseminadas em diversos segmentos envolvidos na aquisição de bens e serviços pelo setor público nacional. Os fatos e dados trazem cada vez mais detalhes de como esse sistema funciona na República. Licitar uma obra sem sequer fazer o projeto básico de engenharia, mesmo sendo essencial também o projeto executivo, tem se tornado frequente. É o caso do complexo petroquímico da Petrobras no Rio de Janeiro conforme mostra esse artigo do jornalista Flávio Ferreira publicado na Folha de São Paulo.

Discos de vinil – As “bolotas” nunca deixaram de existir, mesmo que em mãos de colecionadores ou nas lojas especializadas e feiras. Agora também vão surgindo lançamentos, sempre com aquele som característico que só elas têm. Para quem pensava que o CD e seus derivados significariam a morte das bolotas ou bolachas de vinil, cuja matéria prima é derivada do petróleo, se enganou plenamente. Leia neste artigo de Paulo Terron, publicado no portal UOL, mais sobre os sentimentos e as sensações de quem considera que o vinil nunca morreu.

Previdência privada – As pessoas mais preocupadas em assegurar um futuro de vida sossegado buscam se garantir com proventos que vão além da aposentadoria pelo INSS ou do salário integral no serviço público. Além de uma aplicação financeira com liquidez imediata ou a renda de aluguel de imóveis, também tem sido muito comum o incentivo para se aplicar nos fundos de Previdência Privada, inclusive com a permissão para dedução de parte do investimento no imposto de renda da pessoa física. Acontece que as taxas de administração cobradas por esses fundos chegam a até 2% de seus rendimentos anuais. Somadas ao imposto de renda, essas taxas tornam a aplicação pouco rentável ao se descontar a inflação do período. É o que mostra este artigo do professor Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas. A leitura é mais do que válida, é obrigatória para quem quer otimizar os ganhos de seus investimentos em prol do futuro tão falado e às vezes ameaçador.

Corrupção, cultura e malefícios – Em todas as mídias estão estampadas as estarrecedoras informações mostrando como agem corruptos e corruptores. A exposição e a falação são tamanhas que às vezes a matéria “corrupção” chega a ser cansativa, mesmo trazendo muitas novidades. O teólogo Leonardo Boff publicou este interessante artigo em seu blog, no qual mostra a natureza da corrupção brasileira, sua inserção na nossa cultura, os malefícios que ela traz para a nação e propõe algumas medidas para combatê-la. Confira e complemente sua fundamentação para compreender o fenômeno e o processo que o gera.

  Comentários
 

Os 149 anos de Araxá

por Luis Borges,  18 de dezembro de 2014   A vida em fotografias

Fonte Dona Beja, em Araxá / Foto: Paola Pedrosa

Fonte Dona Beja, em Araxá / Foto: Paola Pedrosa

Esse 19 de dezembro marca os 149 anos da emancipação política de Araxá, minha cidade natal. Registro e celebro esse dia por considerar que é uma cidade eterna, como Roma, e também por ser a capital secreta do mundo, presença marcante em minha vida nas últimas seis décadas. Na sua história marcam presença os índios araxás, os quilombos, Dona Beija, o cassino, o Grande Hotel do Barreiro, as águas termais, os doces, a mineração e o turismo.

Praça da Av. Antônio Carlos, em Araxá. Ao fundo, é possível ver a Pensão Tormin. / Foto: Paola Pedrosa

Praça da Av. Antônio Carlos, em Araxá. Ao fundo, é possível ver a Pensão Tormin. / Foto: Paola Pedrosa

Hoje sua população é estimada pelo IBGE em 101.136 habitantes e prossegue construindo a sua trajetória com o jeito araxaense de por a mesa.

Registro nas fotografias postadas a seguir algumas imagens da cidade nesses tempos de pré-Natal colhidas pela fotógrafa Paola Pedrosa, um encanto de mocica araxaense, com 18 anos de idade.

Iluminação natalina no calçadão / Foto: Paola Pedrosa

Iluminação natalina no calçadão / Foto: Paola Pedrosa

Árvore de Natal em frente à Matriz de São Domingos / Foto: Paola Pedrosa

  2 Comentários
 

Tia Terezinha foi encontrar Marialva

por Luis Borges,  17 de dezembro de 2014   Pensata

Não viemos por teu pranto
Nem viemos pra chorar
Viemos ao teu encontro
E estamos no teu altar
Por seguir nosso caminho
Que é também teu caminhar

Trecho de “Na terra como no céu”, de Geraldo Vandré

Comecei a saber sobre tia Terezinha a partir de conversas com o seu sobrinho. Aquele que andava de patins e passava direto pelos quebra-molas das alamedas do bairro São Luiz, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Ele falava também de sua prima Ana Paula, única filha de sua tia, que era irmã e amiga de sua mãe Marialva, que já estava em outro plano naquele momento. Algum tempo depois, foi tia Terezinha que o conduziu ao altar na cerimônia religiosa de seu casamento.

Há menos de três meses tive uma feliz oportunidade de conversar com ela durante as comemorações do aniversário de nascimento de seu neto Dedé. Entre uma conversa e outra, ela também brincava com o aniversariante e com seu irmão Vini, enquanto seu genro Marcos liderava a churrasqueira. Percebi e confirmei naquele domingo muito do que eu já ficara sabendo.

Tia Terezinha demonstrava ser uma mulher de muita vitalidade, parecendo um foguete em ação, preocupada com a família e com muita disponibilidade para colaborar no que fosse necessário. Ela também mostrou o quanto estava bem informada sobre o que acontecia no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que deixava clara a certeza de que seu time seria o campeão brasileiro de futebol. A tarde foi muito agradável e, ao nos despedirmos, ficou a combinação de um novo encontro antes do Natal.

Tia Terezinha / Foto: Thiago Costoli

Foto: Thiago Costoli

O encontro será no próximo domingo, 21/12, mas uma dor abdominal que já se manifestava da outra vez acabou apressando a partida de Tia Terezinha para o outro plano. No dia 04 de dezembro seu espírito deixou o corpo e com certeza foi encontrar Marialva. A dor de sua partida com apenas 69 anos de idade nos deixa de luto, tristes, mas motivados para que tudo vá se transformando em saudades enquanto caminhamos para o dia em que também faremos a travessia para o outro plano.

Sei que tia Terezinha nunca estará só, como sinalizou ao entrar para a UTI do hospital, e que continuaremos cultivando a roseira e as rosas de sua obra, cujo símbolo maior é a sua querida Ana Paula.

Tia Terezinha, se nosso convívio foi pequeno mas de qualidade, a admiração pelo seu modo de ser é maior que o mundo. Prosseguiremos e caminharemos com a sua família, “que é também teu caminhar”.

  Comentário
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  16 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Juízo Final – O Governador do Distrito Federal, que não conseguiu se reeleger, deve estar contando nos dedos os 15 dias que faltam para o término de seu mandato. Ele está colhendo os resultados de sua pífia gestão embalados pelos protestos de fornecedores e funcionários públicos como professores, enfermeiros, médicos, garis e motoristas, ao atrasar seu pagamentos em pleno mês de dezembro. Será que ele enfrentará outras consequências em função da ruindade do seu governo?

Pelo celular – Segundo dados da Anatel os usuários da telefonia celular móvel gastam, em média, R$104,00 por mês em suas contas. Enquanto nas classes A e B a média chega a R$ 115,00 nas classes C,D e E fica em torno de R$ 98,40. Pelo visto todo mundo esta podendo muito ou simplesmente priorizando seus gastos e dívidas para ficar bastante ligado.

Nascentes – O alarido causado pela surpresa que foi o sumiço da nascente do Rio São Francisco na Serra da Canastra foi maior do que a notícia de seu renascimento após o início do período chuvoso. Acontece que as chuvas ainda estão bem abaixo das médias históricas para o período e os institutos meteorológicos já falam apenas em rápidas chuvas de verão em Minas no final desse ano e início do próximo. Por qual razão as nascentes secaram e como fazer para recuperá-las, já que os períodos de seca também fazem parte do regime das águas? Por enquanto as discussões ganham algum fôlego, mas os efeitos da seca continuam firmes.

Dinheiro na mão – A Eletrobras comprou comprou combustíveis da Petrobras para gerar energia elétrica em suas usinas na região Norte. Elas trabalharam e ainda trabalham a plena carga, o que nunca foi enxergado pelo planejamento da empresa. Como faltou dinheiro em caixa, o jeito foi empurrar para a frente o pagamento à Petrobras. Esta por sua vez, cada vez mais precisando de fazer caixa para se manter de pé, foi ao mercado fazer dinheiro e obteve R$ 9 bilhões com o aval do Tesouro Nacional. Se a Eletrobras não pagar, o Tesouro garantirá. O que poucos se lembram é que o Tesouro somos nós, pagadores de impostos diretamente na fonte para a Receita Federal e através de bens e serviços demandados.

Submissão – A Presidência da República já avisou ao Congresso Nacional que não aceitará lei de renegociação das dívidas tributárias dos clubes de futebol se não houver contrapartida fiscal por parte deles. Como o Poder Legislativo Federal possui baixíssima produtividade e é majoritariamente dominado pela base aliada que dá sustentação ao executivo, já sabemos de antemão qual será o resultado.

Lixão – Uma Subcomissão Temporária de Resíduos Sólidos do Senado recomendou prorrogar o prazo para o fim dos lixões nas cidades brasileiras até 2016. O prazo atual, que expirou em agosto de 2014, está previsto na lei que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Apesar do Governo Federal ser contrario à medida, alegando interesse público, o fato é que muitos municípios não conseguiram acabar com os seus lixões. A comissão sugere, também, que se acabe com alguns mecanismos regulatórios que previam suspensão de recursos para os municípios que não cumprissem metas da PNRS. E quer mais incentivo à realização de convênios entre municípios e órgãos federais. Enquanto tudo isso tramita, o Congresso vai entrar de férias e o lixo continuará sendo mais um problema para o saneamento ambiental no Brasil. Assim fica até difícil de falar em sustentabilidade.

  Comentários
 

Vale a leitura

por Luis Borges,  15 de dezembro de 2014   Vale a leitura

Pessoas mais ricas, vidas mais pobres – Querer tudo e bem rápido embala muitas pessoas na corrida pelo sucesso pessoal e profissional. A obsessão por bater metas na exacerbada competição do mercado, onde geralmente os fins justificam os meios, acaba trazendo algumas consequências danosas. Uma delas é a constatação de que se a remuneração tem aumentado, o tempo para se viver a vida tem escasseado, até mesmo por falta de condições físicas e mentais. O filósofo canadense Barry Stroud aborda essa relação com um diagnóstico claro, em entrevista à Folha.

“A vida virou uma carreira. As pessoas estão focadas o tempo todo no seu sucesso profissional. É preciso ganhar o máximo de dinheiro, ter uma família, casa grande – tudo junto. Consumismo, individualismo, carreirismo. A vida contemporânea, apesar dos avanços materiais, é mais pobre”.

Corrida pela água – A prolongada estiagem no sudeste brasileiro, pelo quarto ano consecutivo, deixou mais evidente que a escassez da água para o consumo humano é uma realidade. O dito popular “farinha pouca, meu pirão primeiro” já se manifesta no aumento da perfuração de poços artesianos em casas, condomínios e até órgãos públicos. Como ficarão as águas subterrâneas diante desse ataque especulativo? Houve planejamento do órgãos de gestão das águas para isso? Alguns ângulos dessa questão estão neste texto publicado no Diário do Centro do Mundo.

Câncer e desemprego – Se a vida é um risco e viver é muito perigoso, imagine as consequências que uma doença grave como o câncer pode trazer para as pessoas que sobrevivem aos tratamentos! Além de todo o impacto que as incertezas trazem para o equilíbrio emocional, ainda tem o sofrimento de todos os que são próximos e graves consequências na vida profissional, como a demissão do trabalho, auxílio doença da Previdência Social ou o estigma de ser portador de um câncer, além de outras portas que se fecham diante de oportunidades surgidas. Neste artigo publicado pela Folha de São Paulo, a jornalista Cláudia Colucci faz um relato contundente sobre as dificuldades incorporadas ao cotidiano das pessoas portadoras de câncer.

Mentor na Universidade – Por definição, as Universidades trabalham com ensino, pesquisa e extensão. Os professores ministram seus conteúdos nas aulas da graduação e pós-graduação, fazem pesquisa pura e aplicada e também se dedicam à extensão, atendendo às necessidades de comunidades, empresas e órgãos de governo em projetos patrocinados especificamente. Os professores são valorizados pelos títulos, orientações de dissertações e teses, participações em congressos e por artigos publicados em revistas especializadas, reconhecidas ou não. Uma relação mais direta com os alunos ocorre em atividades de iniciação científica, estágios supervisionados e trabalhos de conclusão de curso. Essa relação poderia gerar um resultado positivo muito maior se os alunos fossem orientados diretamente por um mentor ao longo de seus cursos, tendo um professor que pudesse aconselhá-los na escolha de disciplinas e caminhos a seguir. É o que mostra a jornalista Sabine Righetti neste artigo publicado no blog Abecedário. Boa leitura!

  Comentários
 

Como vai seu pré-Natal?

por Luis Borges,  12 de dezembro de 2014   Pensata

Advento é o nome do período que antecede o Natal na liturgia da igreja Católica Apostólica Romana. Nesse período, os fiéis se preparam para o nascimento do filho de Deus. Ainda que tenha significados e motivações diferentes para quem tem outras crenças religiosas, o fato é que esse período mexe muito com as pessoas, de diversas maneiras.

Na semana que passou, aproveitei minhas conversas costumeiras com todo tipo de gente pra perguntar sobre isso. Falei com taxista, secretárias, médicos, consultores, engenheiros. Perguntei como estavam as atividades deles nessas semanas que precedem o Natal. As respostas foram variadas. Encontrei pessoas efusivas, fazendo compras por causa das crianças. E também encontrei quem passará a noite de Natal meditando e contemplando o que merece ser contemplado.

Na minha amostra, quase metade das pessoas já instalou um ou mais enfeites característicos da época em suas residências ou locais de trabalho, inclusive embalados pelas decorações das vias públicas das cidades e dos ambientes comerciais.

Realço também que algo em torno de 30% das pessoas disse que se sente tocado pelo momento, mas que devido ao aumento das pressões por resultados para esse ano e planos para o próximo em seu local de trabalho, ainda não foi possível entrar no pique e na correria típicos da época. Nesse caso, até a confraternização corporativa esta sendo vista como mais uma demanda para estorvar a agenda. Para esses, o que vai ser feito em família e com amigos será definido em cima da hora.

Um grupo pequeno, de menos de 10%, está balançando a roseira para avaliar o que foi solução e o que esta sobrando como problema diante de tudo que foi sonhado ou planejado para acontecer ao longo do ano. Alguns desses até já concluíram nesse pré-Natal que aproveitarão a ocasião para renascer e se reinventar para melhor prosseguir no tempo que não vai parar.

Outro pequeno grupo está focado em novenas preparatórias e em orações para que o país e o mundo consigam dosar o equilíbrio necessário para a sustentabilidade da vida em todas as suas dimensões.

Para alguns, o 13º salário seria o alívio para as dívidas, inclusive do cartão de crédito rotativo que cobra 15% de juros ao mês. Outros, mais planejados, o usariam como reserva para pagar à vista, em janeiro do ano que está chegando, o IPTU, o IPVA, o material escolar e, se sobrar, uma pequena viagem no Carnaval.

Enfim, fiquei a pensar e a desejar que a tônica seja o querer, para acalantar o renascimento e a reinvenção tão citadas por muitos. Que a felicidade seja compatível com as expectativas geradas perante a realidade que estamos vivendo e que exige mudanças consistentes e verdadeiras. O instante existe e pode ser bastante instigante, mas tudo começa com a gente, para prosseguir na família e na sociedade organizada numa democracia participativa.

E você, como vai o seu pré-Natal?

  Comentários