Gita

por Luis Borges,  10 de dezembro de 2014   Música na conjuntura

Tenho me deparado com frequência cada vez maior com pessoas arrogantes e proprietárias da verdade. Para tentar compreender esse fenômeno e o processo que o gera fico me indagando e tentando responder a algumas perguntas. Quem são elas? De onde vieram? Para onde correm? Que país é esse, que lhes dá democraticamente tanta guarida?

Entre apelos para o consumo de Natal e o chamamento para reflexões sem dor, vendo gente ditando respostas sem sequer ouvir uma pergunta ou chamamento, lembrei-me de Raul Seixas, o Maluco Beleza, em sua sua música Gita. Resolvi ouvi-la outra vez, à luz de dezembro de 2014, e ouvir de novo e de novo.

O resultado foi melhor ainda, pois simplesmente entendi que prosseguirei meu caminhar esperançoso, na certeza de que quanto maior a entropia, mais próximos estaremos da solução.

Gita
Raul Seixas
Letra retirada daqui.

- Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Eu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio
Eu sou o início
O fim e o meio.
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  9 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Fora da meta – Pelo 51º mês consecutivo a inflação medida pelo IPCA/IBGE ficou acima da meta de 4,5% ao ano, superando o teto da meta e chegando a 6,56% em novembro/14. Na última vez em que a meta foi atingida Lula ainda era Presidente da República, no mês de agosto de 2010. De lá para cá, só contabilidade criativa, maquiagem conceitual, represamento de alguns preços administrados e muita perda de poder aquisitivo para os assalariados.

Otimismo – As premissas do Orçamento Federal da República para 2014, que foram revisadas em fevereiro, eram de inflação anual de 4,5%, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% e Superávit Primário de 1,9% do PIB. Faltando 22 dias para o encerramento do ano a inflação projetada pela pesquisa de mercado feita pelo Banco Central é de 6,46%, o PIB sinaliza crescimento de 0,19% e a abandonada meta de Superávit Primário será substituída por um déficit de, no mínimo, R$15 bilhões. Imagine o que aconteceria com a direção de uma empresa privada se ocorresse uma distância tão grande entre o projetado e o realizado! Será que os diretores de Planejamento e Finanças esperariam, no exercício do cargo, a chegada de seu sucessores?

Realismo – A nova equipe econômica do Governo Federal anunciou suas metas de Superávit Primário com mais realismo para os próximos anos. A proposta é atingir 1,2% do PIB em 2015 e 2% em 2016 e 2017. Como a Lei de Responsabilidade Fiscal continua valendo, espero que essas metas não sejam simplesmente abandonadas ao sabor dos ventos.

Focus – As projeções feitas semanalmente pelo Boletim Focus do Banco Central passarão a servir de parâmetro para a nova equipe econômica. A série histórica mostra que elas são bem mais realistas que as otimistas projeções da Secretaria de Politicas Econômicas do Ministério da Fazenda. Um sinal claro dessa decisão foi a modificação da premissa de crescimento do PIB para o orçamento de 2015. A proposta original enviada pelo poder executivo ao Congresso Nacional trabalhava com 3% e agora foi modificada para singelos 0,8%. Pelo visto estão lutando para recuperar a credibilidade perdida. Como nos ensinam os economistas, o mercado vive de expectativas e de confiança.

Balão de ensaio – Medidas mirabolantes para cortar gastos do gastador Governo Federal começam a ser vazadas por um ministério e negadas por outro em conhecido jogo. Um exemplo é a proposta de redução de 50% no valor da pensão paga pelo o INSS a uma viúva que não tenha filhos menores de 21 anos. É claro que essa proposta será muito bombardeada por todos os envolvidos na questão, o que levará o governo a se posicionar como “bonzinho” e dizer que então deixará tudo como está. E tem mais: é bom lembrar que mais de 2/3 dos segurados recebem o piso, que é indexado ao valor do salário mínimo. A conferir.

13º salário – Apesar da grande falta que a educação financeira faz à muitas pessoas, uma pesquisa feita pelo 5º ano consecutivo pela FIESP/CIESP, mostra que alguma coisa já esta mudando. Segundo os dados obtidos de 1000 entrevistados, apenas 19% deles pretendem utilizar o dinheiro do 13º salário com festas e presentes de Natal. Já 30% usarão os recursos para pagar dívidas e também outros 30% vão poupá-los e direcioná-lo para investimentos. Antes tarde que muito tarde.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  8 de dezembro de 2014   Vale a leitura

Mentor e mentoria – A relação entre o mestre e o aprendiz foi um dos pilares usados pela indústria para ensinar e formar as pessoas que dariam continuidade ao processo operacional do negócio. Agora ganha destaque em todos os segmentos da economia a ação do mentor, profissional de grande experiência, capacidade de instigar, oxigenar idéias e orientar pessoas e organizações para acelerar naturalmente seus resultados. Ele não é necessariamente uma pessoa mais idosa e também não substitui a ação do mentorado. Leia nesse artigo de Henri Cardim, publicado na Exame como um mentor pode ajudar em sua vida pessoal e profissional sem asfixiá-lo.

Crença com pagamento em dia – Nas eleições gerais de outubro, nas manifestações de protestos de diversas naturezas e na ocupação das galerias do Congresso Nacional ou de uma Câmara Municipal surgem questionamentos vindos de partes interessadas sobre quem são e que ideologia defendem as pessoas que formam aquela massa humana. Neste artigo, Leonardo Sakamoto mostra o foco de diversos atores presentes e atuantes nesses eventos, indo desde o puramente ideológico até o profissional que recebe honorários diários, alimentação e transporte, inclusive para fazer uma boca de urna.

O livro e o estudante – Os livros didáticos usados na escola geralmente apresentam conhecimentos consolidados e mudam muito lentamente em relação ao avanço dos novos conhecimentos. Se os alunos são acostumados a ser mais passivos e pouco questionadores, isso só dificulta a inovação, o empreender e a competitividade no mercado sempre em mudança para atender à novas necessidades. Leia mais neste artigo da  jornalista Sabine Righetti.

Com esse comportamento religioso em sala de aula, passivo e pouco criativo, o aluno acaba se envolvendo pouco e procura poucas respostas fora da sala de aula porque é treinado para não ter muitas perguntas. O problema é que não dá para ser um país desenvolvido, inovador e competitivo internacionalmente se os estudantes brasileiros –os 50 milhões da educação básica e os sete milhões do ensino superior– continuarem agindo passivamente e de maneira pouco questionadora.

Vai encarar, empreendedor? – As palavras empreendedor e empreendedorismo estão excessivamente expostas em todas as mídias e nem sempre são tratadas pelos diversos ângulos e olhares que o assunto necessita e merece. Muitas são as imagens mostrando que basta uma ideia brilhante que, se for encarada, vai dar certo. E assim cresce o número de fracassos decorrentes do impulso imediatista, da falta de planejamento, recursos financeiros, aí incluídos capital inicial e capital de giro, conhecimento das necessidades do mercado e muita capacidade de trabalho. Esse artigo de Mariana Tramontina, publicado no UOL, mostra detalhes do que são as dores e as delícias enfrentadas por quem se dispõe a construir o seu próprio negócio. Vale a pena aprender com o fracasso e o sucesso dos outros também.

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A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), órgão da Prefeitura de Belo Horizonte, constatou que, em geral, os moradores da cidade não separam corretamente os resíduos sólidos recicláveis que descartam nos Locais de Entrega Voluntária (LEVs). A informação é do jornal Estado de Minas, que publicou matéria no fim de novembro. Os usuários dos LEVs também criam uma espécie de “puxadinho” pra descartar lixo orgânico.

Hoje, em BH, existem 87 LEVs, com estruturas para receber separadamente papelão, plástico, metal e vidro. A coleta seletiva porta-a-porta é feita em apenas 34 bairros. Já a taxa anual de limpeza urbana é cobrada de todos, sem distinção, através da guia do IPTU.

É interessante notar que a SLU divulgou que está fazendo estudos para que os LEVs tenham apenas 2 compartimentos, sendo um para vidro e outro para os demais materiais. Também está sendo estudada a possibilidade de se fazer um recipiente para receber o lixo orgânico. Tudo isso poderá vigorar a partir de 2015 e a premissa básica do estudo da SLU é de que “já que a população descarta tudo misturado mesmo, o jeito é adequar a instalação para receber a mistura”.

amontoado de lixo, descartes de construção, na rua Enoy, bairro União

Lixão na rua Enoy, em foto de dezembro de 2014. / Foto: Sérgio Verteiro

Como se vê, parece que não estão pensando em nenhuma ação educativa para mostrar a maneira correta de como utilizar melhor as instalações atuais. Se temos a crença de que a educação é a base de tudo, melhor seria persistir com muita paciência nessa trajetória no lugar de se conformar com uma solução simplista, com grandes chances de ineficiência.

Aqui cabe lembrar outro exemplo da falta de educação da população e da falta campanhas educativas. A foto acima foi tirada no início de dezembro, na esquina das ruas Arthur de Sá e Enoy, no bairro União. É um pujante lixão a céu aberto. Mostramos o mesmo local aqui no blog, em julho e em setembro, sempre cheio de lixo. Periodicamente a SLU limpa o local, mas a população rapidamente deposita suas “contribuições”, transformando o local novamente em lixão. Como se vê, não basta aceitar a situação e limpar o local periodicamente. A forma de encarar o problema deve ser outra. Senão corremos o risco de ter lixões onde hoje estão os LEVs.

Caminhão depositando lixo no lixão clandestino no bairro União

Outro ângulo do lixão. / Foto: Sérgio Verteiro

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Surpresa agradável no consultório

por Luis Borges,  3 de dezembro de 2014   Pensata

Uma brasileira viajou pela Europa durante suas férias, em novembro. Cumpriu todas as exigências de praxe contidas nos regulamentos que tratam das viagens internacionais, entre elas o clássico seguro de saúde. Quase na metade da viagem, que durou exatos 30 dias, ela chegou ao sul da França e começou a ter momentos de mal estar, desconforto estomacal, desânimo e passou a imaginar que poderia estar com uma virose. Achou prudente buscar a orientação de um médico e verificar os procedimentos para usar seu seguro saúde. Diante de tantos entraves colocados pela seguradora, que, é claro, já tinha recebido pelo seu risco ainda no Brasil, a brasileira resolveu procurar um médico particular ainda no final do mesmo dia.

A primeira surpresa agradável foi conseguir um horário para ser atendida às 10h da manhã do dia seguinte. Também foi informada, noutra grata surpresa, que o preço da consulta seria de 22€, algo equivalente a 72 reais no câmbio daquele dia.

O comparativo com o Brasil foi inevitável. Uma consulta particular com um especialista em clínica médica custaria, no mínimo, R$ 350,00 . O atendimento provavelmente seria encaixado entre uma consulta e outra da agenda prévia do médico.

No dia seguinte a brasileira chegou ao consultório 10 minutos antes da hora marcada, na expectativa do tradicional “exercício de paciência” até chegar o seu momento de ser atendida. Ela está acostumada a ser tratada como paciente, e não como cliente, em boa parte dos locais que procura no Brasil para atendimento em serviços da saúde.

De novo, novas surpresas. A consulta iniciou-se apenas 10 minutos após a hora marcada. O próprio médico foi buscá-la na sala de espera e levou-a ao consultório. Após os cumprimentos iniciais, o médico fez uma anamnese bem objetiva e direta. Ele diagnosticou uma virose, como já imaginado, prescreveu alguns medicamentos e fez as orientações finais, se colocando à disposição para quaisquer outras necessidades nos dias subsequentes. Após 25 minutos, a consulta foi encerrada com o próprio médico recebendo os seus honorários, dando o troco, assinando recibos e preenchendo documentos para um possível reembolso do valor na chegada ao Brasil. Novamente, ele acompanhou a paciente até a porta de saída da clínica.

Mais uma vez, a comparação foi inevitável. Pela primeira vez, sentiu-se tratada como cliente e não simplesmente como uma paciente, que deve esperar até a hora que for a sua, como se o atendimento médico fosse quase que um favor. Lembrou-se também de profissionais da saúde que às vezes perguntam muito, falam pouco e sequer informam qual é o valor da pressão arterial do paciente. Isso para não falar daqueles que se sentem muito especialistas, mas não trabalham com a visão sistêmica e, portanto, não atentam para efeitos colaterais e impactos em outras funções orgânicas. Assim seguiu em frente pensando em limites técnicos de planos de saúde, exames laboratoriais para apoio ao diagnóstico, consultas que duram menos de 15 minutos e na postura de alguns profissionais que se pensam proprietários da verdade. Enfim, pensou que gostaria mesmo é de ser tratada como cliente em todos os lugares, sempre com qualidade, preço justo e atendimento digno e respeitoso à condição humana. Ela já esta de volta ao Brasil e prosseguirá buscando seu intento com sua alta resiliência.

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Foram 56 anos morando em diversos bairros de Belo Horizonte, a maioria deles em apartamentos. Até que o casal resolveu se mudar para uma cidade da Região Metropolitana. Agora faz pouco mais de um ano que estão lá, distantes 90km da capital, sentindo um crescente bem estar com o novo estilo de vida.

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Ficam felizes com a redução da ansiedade e o aumento da paciência, decorrente do cultivo das plantas, além do conforto advindo do clima mais ameno. Nas fotografias deste post estão alguns dos resultados que eles estão colhendo, nessa faixa etária em que buscam entender melhor o significado das coisas, só que num espaço mais sossegado.< Hortênsias no jardim Hortênsias no jardim[/caption]

Você tentaria algo semelhante? Ou prefere ficar na capital?

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Vale a leitura

por Luis Borges,  30 de novembro de 2014   Vale a leitura

Desejos dominantes – “O que você quer ser quando crescer” é uma indagação frequente que os adultos brasileiros fazem às crianças e adolescentes. Mesmo diante de muitos sonhos, desejos, informações e abordagens midiáticas a resposta não é fácil. Construir um caminho mostrando o que fazer e como fazer também é desafiante e depende de várias variáveis. Ainda assim, nada esta garantido e muitas vezes o caminho precisa ser refeito ou mudado para outras direções. Nunca está tudo dominado e em um determinado momento do tempo será necessário caminhar por conta própria. É preciso encontrar o foco e ter muita resiliência até que a certeza se confirme duradoura e resista a tantos questionamentos que poderão surgir. Neste artigo, Contardo Calligaris, psicanalista italiano radicado no Brasil, aborda alguns aspectos dessa instigante busca que exige que cada um procure a sua solução mas sem garantia automática de sucesso, ainda que tão desejado.

O tal de mercado – Desde que a Presidente da República anunciou em sua campanha à reeleição que trocaria o Ministro da Fazenda, portanto sinalizando possíveis correções de rumos, o que mais se especulou foi qual seria a reação do mercado. Mas, afinal de contas, o que é o tal de mercado e como ele age através das pessoas que nele atuam para viabilizar seus negócios? É o que aborda Hélio Schwartsman, bacharel em Filosofia e articulista da Folha de São Paulo.

Eucalipto avança em Minas – Os crescentes e prolongados períodos de seca dos últimos quatro anos impactaram bastante a geração de energia hidrelétrica e a disponibilidade de água para o abastecimento das cidades. A discussão desse fenômeno nos obriga a analisar mais detidamente as causas que estão gerando esse efeito. Uma que sempre aparece é o desmatamento, cada vez mais intenso. Entretanto, diante das restrições para transformar matas nativas em insumos para segmentos industriais como siderurgia, papel e celulose, por exemplo, cresceu rapidamente o reflorestamento utilizando o eucalipto. Ele avançou notadamente nas terras antes ocupadas por matas virgens e pastagens. É o que mostra a dissertação de mestrado “Modelagem da cobertura da terra e análise da influência do reflorestamento na transformação da paisagem: Bacia do Rio Piracicaba e Região Metropolitana do Vale do Aço” defendida pelo professor Carlos Henrique Pires Luiz, do Instituto de Geociências da UFMG.

Uma aula atrativa – Imagine que você precisa assistir aulas numa sexta-feira, das 19h30 às 22h30, num curso de pós graduação lato sensu, nível de especialização. A imaginação vale, também, para um curso de graduação de ensino médio ou do Pronatec. O que faria você permanecer o tempo todo no ambiente da aula? Qual deveria ser o modo de atuação do professor na interação com os alunos para deixar de ser uma mera estação repetidora de conteúdos pouco conectados com a realidade? Leia neste artigo de Adriano Silva, publicado no site do Projeto Draft, o diferenciado caso de Romeo Busarello, professor do Insper e vice-presidente de Marketing da Tecnisa.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  27 de novembro de 2014   Curtas e curtinhas

Fechamento das contas – Mais uma vez a base aliada vacilou e o Congresso Nacional não teve quórum para aprovar, na quarta-feira, o abandono da meta de Superávit Primário de R$ 116 bilhões. Assim, ficou-se de tentar colocar o assunto na pauta da próxima semana, já que dois novos vetos da Presidente da República têm prioridade de votação. E olha que outros 38 vetos da mesma Presidente já haviam sido mantidos pelo dócil Congresso na terça-feira, em curtíssimo espaço de tempo.

Teto salarial – A Comissão de Trabalho de Administração e Serviço Público da Câmara do Deputados aprovou a elevação do teto salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federa para R$ 35.919,05. Apesar da desindexação da economia prevista no Plano Real, o critério para estabelecer o reajuste foi indexá-lo ao valor do IPCA do IBGE, que mediu a inflação dos últimos 4 anos. Assim fica mais fácil a propagação da inflação, que o Banco Central admite que só atingirá os 4,5% ao ano em 2016. Por outro lado os membros do Poder Judiciário em todo o país já estão felizes, pois serão atingidos pelo efeito cascata decorrente da vinculação de seus salários a percentuais do que ganham os ministros do STF.

Lei 8.666 – A lei que regulamenta as licitações para a aquisição de bens e serviços pelo poder público em todos os seus níveis vigora desde 21 de junho de 1993. Um dos seus objetivos gerais é o combate à corrupção. A longo desses 21 anos surgiram muitas propostas para a sua revisão, mas o Congresso Nacional ainda não conseguiu avançar num texto que consiga promover um generoso consenso entre todas as partes envolvidas e interessadas. Dá para imaginar que essa revisão ainda vai demorar muito, principalmente após as estarrecedoras revelações advindas da operação Lava Jato da Policia Federal envolvendo a Petrobras.

Operação Alcatéia – Esta é mais nova operação da Polícia Federal que está chegando à mídia. Ela trabalha com a suspeita de desvio de mais de R$ 1 bilhão em impostos federais em Niterói, onde alguns auditores da própria Receita estão na lista de suspeitos investigados. Se o homem é o lobo do homem, imagine os lobos que participam de uma alcatéia com foco bem definido! Até tu Receita Federal, que cuida tão bem das pessoas físicas pagadoras de impostos!

1 para 10 – Segundo a Advocacia Geral da União, desde de 2010 foram identificados desvios de dinheiro equivalentes a  R$ 12,4 bilhões dos quais apenas R$ 1,2 bilhão foram recuperados para os cofres públicos. Indo direto ao ponto, apenas R$ 1,00 em cada R$ 10,00 foram recuperados. E olha que tem  gerente da Petrobras, que é de terceiro escalão, devolvendo R$ 250 milhões em delação premiada! Pelo visto, compensa.

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Demissão da pior forma

por Luis Borges,  26 de novembro de 2014   Pensata

O ano caminha para o fim enquanto o Natal se aproxima e a economia brasileira ainda não dá sinais de melhoria. É interessante notar como se manifestam no dia-a-dia da vida os reflexos da perda de poder aquisitivo decorrente do galope inflacionário. Também dá para perceber uma maior lentidão nos negócios em função do pessimismo dos empresários e a população em geral mais preocupada com o desemprego, o que deixa muitas pessoas mais cautelosas na hora de fazer dívidas de um modo geral. Nesse cenário, começam a surgir mais notícias de empresas demitindo funcionários, por razões diversas.

Enquanto pensava no estado emocional das pessoas que estão sendo demitidas e nas dificuldades para se recolocar rapidamente no mercado de trabalho nesse difícil momento da economia, fiquei sabendo de um caso desrespeitoso com a pessoa e indigno de seres humanos. Aconteceu com uma funcionária que trabalhava há 22 anos numa agência de um grande banco privado em Belo Horizonte. Logo nesse segmento, que acumula lucros de bilhões de reais a cada trimestre e que não aceita resultados com nenhum centavo abaixo da meta estipulada.

A funcionária, que exercia a função de assistente administrativa, chegou ao seu setor de trabalho às 8 horas da sexta-feira passada, como de costume. Antecipando-se aos seus colegas de trabalho, ela colocou a vasilha de água para ferver, na expectativa de que alguns minutos depois um gostoso café estaria à disposição de todos. Entretanto, a gerente de recursos humanos chegou ao local inesperadamente e a convocou para uma reunião na sala ao lado. A funcionária argumentou que a água logo estaria fervendo, mas recebeu a determinação de que deveria deixar isso pra lá.

Iniciada a conversa e diante dos rodeios e “me-me-més” da gerente, a funcionária perguntou a ela se tudo aquilo era para demiti-la e também o que tinha feito para merecer tal situação. Aliviada e sem graça diante das perguntas que atalharam seu caminho, a explicação da gerante foi seca e direta. Disse que a funcionária estava no banco há muito tempo e tornou-se cara para a instituição. A política da instituição, segundo explicou a gerente de RH, é evitar ao máximo que pessoas permaneçam trabalhando na empresa por mais de duas décadas. Para que isso aconteça, a tecnologia da informação será cada vez mais incrementada para aumentar a competitividade.

A funcionária, ainda se refazendo do susto, perguntou sobre o cumprimento de aviso prévio e sobre seus direitos trabalhistas, mas foi logo interrompida pela gerente. Não seria necessário cumprir aviso, todos os direitos já estavam calculados e bastava apenas homologar a demissão no Sindicato dos Bancários. A gerente arrematou a conversa informando à funcionária que, saindo da sala, ela já deveria voltar para casa. Não permitiu o cafezinho do juízo final junto aos colegas do setor.

Forma e conteúdo caminham lado a lado, e o ser humano merece mais respeito. É lamentável que ainda aconteçam fatos como esse em pleno ano de 2014 na República Federativa do Brasil.

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Após intensa luta política entre nacionalistas e entreguistas e no embalo da campanha popular  “O petróleo é nosso”, foi criada por lei em 3 de outubro de 1953 a Petrobras – Empresa Brasileira de Petróleo, que também definiu o monopólio estatal desse combustível fóssil. O país inteiro se mobilizou, num movimento que começara em 1936 com o escritor Monteiro Lobato denunciando a má vontade do governo Vargas com a perfuração de poços de petróleo e sua permanência como propriedade Brasileira. São dessa época seus livros “O Escândalo do petróleo”, censurado pelo ditador Getúlio Vargas em 1937, e “O poço do visconde”.

Em 1997, foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e quebrado o monopólio estatal. O capital internacional passou a participar do negócio.

Hoje a União Federal possui 50,26% das ações da Petrobras e o BNDES 9,95%. A presidência do seu Conselho de Administração é exercida por um Ministro de Estado e a presidência da empresa é ocupada por alguém indicado pelo Governo Federal, bem como seus diretores.

Será que hoje ainda podemos bradar que “a Petrobras é nossa”? Se ela está ameaçada e desvalorizada no mercado diante das tenebrosas transações cotidianamente reveladas nas investigações policiais, haverá mobilização social em sua defesa?

Em Belo Horizonte existe na Praça Afonso Arinos, próximo à Faculdade de Direito da UFMG, um monumento alusivo à participação dos mineiros naquela época. Ele é mostrado na fotografia postada a seguir. Será que outro monumento poderá ser erguido por ali, em função do que a Petrobras esta passando hoje?

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

Monumento alusivo ao petróleo e à Petrobras / Foto: Sérgio Verteiro

 

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