Vai passar

por Luis Borges,  8 de julho de 2026   Música na conjuntura

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda fez, com Francis Hime, a música Vai Passar, que alcançou grande sucesso naquela época. A população brasileira era de 130 milhões de pessoas, o PIB tinha crescido 5,4% e a inflação anual foi de 215,26%. No campo político, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira propôs eleições Diretas no país e gerou grande mobilização popular, notadamente do movimento “Diretas Já”, mas foi rejeitada pelo Congresso Nacional.

No ano seguinte, a ditadura militar chegaria ao fim.

A seguir, parte da letra.

Vai passar
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Hoje, passados 42 anos, temos população brasileira em torno de 213 milhoes de pessoas, estimativa de inflação de 5,3% ao final de 2026, crescimento anual do PIB em 1,99%, enquanto estamos a menos de 90 dias do primeiro turno das eleições para Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores e Deputados.

O que esperar em relação às grandes e necessárias mudanças no país em prol da população que não faz parte do um por cento mais rico? Será que vamos sair desse longo ciclo de imensa concentração de renda nas mãos de pouquíssimos ou vamos nos conformar repetindo o mantra de que, para ficar rico, só roubando ou jogando?

Como se vê, passado quase meio século persistem cada vez mais sofisticadas as “tenebrosas transações” envolvendo o dinheiro público e os mais diversos segmentos da sociedade em suas organizações.

Qual é a ética nessa sociedade que se diz republicana, no Estado democrático de direito?

Quando vai passar a “Vorcarização” da política e da economia brasileiras exposta pelo escândalo do Banco Master, até agora sem uma CPI no Congresso Nacional? Não nos esqueçamos dos descontos não autorizados nos proventos mensais dos aposentados e pensionistas do INSS e muito menos dos penduricalhos na remuneração dos servidores do alto escalão do Poder Judiciário e do Ministério Público, nem das pessoas que moram nas ruas e dos que literalmente passam fome…

Aqui podemos nos lembrar das rachadinhas, das mordeduras em contratos de prestações de serviços e fornecimento de bens entre o setor público e o privado, a verificação da conformidade entre o especificado e o realizado com absoluta transparência e assim por diante. Quando será que tudo vai passar diante da metástase da corrupção?

Depende também de nós e tambémda nossa ação! Quem se cala, consente!

 

  Comentários
 

No início de junho publiquei a pensata “Primeira consulta? Só particular, não atende pelo plano”. Recebi diversos comentários de leitores do texto, que compartilharam comigo as experiências vividas em planos diversos com limites técnicos igualmente diversos. É um material rico, que compartilho a seguir.

A principal dificuldade relatada pelos leitores foi a dificuldade de marcar uma consulta para uma data mais próxima. Muitos são os profissionais credenciados que reservam apenas um dia por semana para atender os clientes de planos. Existem outros que atendem apenas meio período – durante duas manhãs ou duas tardes da semana – entre dias úteis de segunda e sexta-feira.

Outra situação limitante se repete nos casos em que consultas são agendadas na primeira semana do mês, dentro da quantidade de horários previstos. Assim que são preenchidos, um novo período de reservas é anunciado para a primeira semana do mês seguinte.

Encontrar um horário na agenda de alguns profissionais de saúde é um desafio. / Imagem Pixabay

Pior é quando a consulta é marcada, mas só para dali a quatro meses. Aí chega uma urgência e o cliente precisa desmarcar e buscar outro profissional, pois não dá para aguardar tanto tempo. Vale lembrar que essas consultas têm a duração média de 15 minutos e não raro o profissional credenciado pelo plano acelera o processo quando a duração se aproxima do fim do tempo.

Diante dessa peleja toda para se conseguir uma consulta ainda existem casos em que o profissional não atende na hora marcada e gera atrasos até de uma hora. Uma leitora tinha uma consulta marcada com uma dermatologista para uma segunda-feira às 7h30, mas a médica só chegou ao consultório às 8h30, quando cinco clientes já estavam na sala de espera.

Um alerta feito por outro leitor foi para os clientes de planos coparticipativos. Muitas operadoras de planos aumentam anualmente, sem transparência, o percentual de coparticipação do cliente sem respeitar o que foi definido na assinatura do contrato. Assim, o percentual de participação numa consulta que no inicio era 15%, agora já chega aos 30%. O mesmo tem acontecido com outros serviços, como exames de análises clínicas, exames de imagens, cirurgias e internações hospitalares. Como estamos cansados de constatar que quem mais padece são os clientes, boa parte se sente impotente diante do desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, inclusive às condições estabelecidas no contrato com a operadora de um plano de saúde.

Outro comentário bem repetido foi sobre a agenda disponível para consulta, mas só particular. Num dos casos comentados surgiu vaga para o final da tarde do mesmo dia. Já para os dias seguintes, sempre existiam horários para livre escolha.

No caso de marcação de retorno da consulta médica, que precisa acontecer em até 30 dias, um cliente comentou que presenciou um médico dando bronca numa atendente por ela não ter marcado o retorno a partir dos 31 dias da consulta inicial. É que marcando no prazo legal de retorno, o médico “perde” a chance de cobrar nova consulta à operadora do plano.

É o que temos para o momento! Agradeço aos leitores por todos os comentários.

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  15 de junho de 2026   Curtas e curtinhas

A abstenção eleitoral de quem tem mais de 70 anos

O cientista político Jair Nicolau lançou recentemente pela editora Zahar o livro “O país dividido – Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil”, analisando os pleitos entre 2002 e 2022. Ele chama a atenção para a necessidade de se aprofundar os estudos sobre a abstenção eleitoral, já que o voto é obrigatório para quem tem idade entre 18 e 70 anos. Um dado interessante em sua pesquisa é que, mesmo desobrigados de votar, 40% dos eleitores com mais de 70 anos compareceram às urnas no período pesquisado. As estimativas mais recentes do IBGE dão conta de que a população brasileira está em 213,4 milhões de pessoas, das quais 14, 6 milhões tem idade superior a 70 anos – 6,9% do total. Será que os estrategistas dos candidatos nas eleições presidenciais de 2026 estão atentos para a importância dessa faixa de eleitores?

A ampliação dos serviços prestados por farmácias e drogarias

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias reúne as 29 maiores redes do país, com cerca de 11,5 mil unidades em todos os estados e no Distrito Federal, que respondem por cerca de 53% das dispensações de medicamentos no Brasil. A associação divulgou números interessantes sobre o setor, que mostram como essas empresas estão presentes no cotidiano.

As farmácias brasileiras têm expandido a receita com novos serviços que vão além da venda de remédios. Em 2025, as empresas do setor registraram cerca de 10 milhões de serviços realizados e 6,8 milhões de atendimentos distribuídos em aproximadamente 1.500 cidades. Nos três primeiros meses de 2026 a média foi de 40 mil procedimentos por dia.

Os serviços mais procurados são exames para identificar dengue, Covid-19, doenças respiratórias e tipos sanguíneos. A vacinação teve crescimento de 56% no número de doses aplicadas.

Aumenta o endividamento das famílias paulistanas

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor feita pela Fecomercio-SP mostrou que o nível de endividamento dos paulistanos voltou a subir em maio e já atinge quase 8 em cada 10 famílias, o maior registrado nos últimos quatro anos. Em abril, a taxa era de 72,9% e chegou a 74,2% em maio, enquanto há um ano, o índice era de 71,2%.

A pesquisa também mostra que, em números absolutos, 3,33 milhões de lares na capital paulista lidam com algum tipo de dívida.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estimou em 11,904 milhões a população da cidade em 2025.

Direitos autorais em festas juninas

Já estamos em pleno período de festas juninas de 2026, mas há contas pendentes de 2025. É o que afirma o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável por recolher e distribuir os valores de direitos autorais gerados pela execução pública de músicas.

O Ecad divulgou que os “festeiros” do estado de Pernambuco foram os mais inadimplentes, com 20% dos valores não pagos de direitos autorais por execução musical entre os meses de maio e agosto do ano passado. É o estado com maior nível de inadimplência segundo o levantamento, seguido por Bahia, com 17%, e Amazonas, 12%. A soma dos calotes nos três estados chega a R$ 40 milhões.

O Ecad é um órgão civil, sem fins lucrativos e reúne as principais entidades de músicos, compositores e editoras musicais do país. O pagamento deve ser feito ao escritório quando músicas são tocadas em eventos públicos, como shows, festas, estabelecimentos comerciais e transmissões de rádio e televisão.

  Comentários
 

Atualmente tem sido tema de conversas entre clientes de planos de saúde a prática crescente da cobrança da primeira consulta por fora do plano em qualquer especialidade. Como isso contraria a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, que veda essa prática, também não se fornece recibo ou nota fiscal. Como se vê, não dá para deixar rastro caso haja alguma denúncia à ANS, à operadora do plano, ao Procon ou à Receita Federal.

O argumento de sempre é que os honorários pagos pelos planos de saúde são baixos diante dos preços cobrados dos clientes particulares. O não fornecimento de recibo pode propiciar um desconto de 15% a 20% do valor cobrado, que varia segundo a especialidade e a experiência do médico. Recebi relatos de valores de primeira consulta entre 600 e 1500 reais.

Existem também os preços cobrados fora do plano para o acompanhamento da gravidez e parto, bem como o fornecimento de lentes importadas para cirurgias de catarata, por exemplo. Dá para negociar os preços desde que o profissional credenciado não queira perder a oportunidade do negócio, no melhor estilo “bom para todos”.

pessoa negra medindo pressão arterial de pessoa branca

Imagem ilustrativa de tratamento de saúde / Freepik

Como fica a ética do profissional numa situação como essas? Que valores regem as relações entre as partes envolvidas no processo? E o Código de Defesa do Consumidor? E ainda existe o conselho de fiscalização do exercício profissional em nome de toda a sociedade.

Também crescem os casos de credenciados dos planos de saúde que avisam aos clientes que deixaram de atender às consultas pelo plano. Ou seja: agora, só particular. Continuam sendo pelo plano as internações hospitalares, as cirurgias – com ou sem complemento de honorários – os exames laboratoriais de análises clínicas, os exames de imagem, a fisioterapia e a psicoterapia.

Segundo a ANS, 52,94 milhões de pessoas possuem planos de saúde de diferentes modelos e limites técnicos, dos quais 14,5% são individuais ou familiares e terão reajuste de 5,11% a partir deste mês. Os outros 85,5% fazem parte de contratos coletivos, cujos aumentos são estabelecidos em livre negociação entre as partes. Até agora, o aumento médio das mensalidades para os planos que já encerraram as negociações ficou em 13,5%.

Como se vê, os profissionais credenciados que não obedecem a regra da ANS, que proíbe a cobrança fora dos planos, acabam se utilizando deles para captar clientes privados.

Os fatos e dados não deixam de existir só porque são ignorados entre todos que participam do sistema de saúde suplementar, mas inegavelmente os clientes sempre perdem.

E você caro leitor, já passou por alguma situação semelhante?

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  25 de maio de 2026   Curtas e curtinhas

Os seguros para carros elétricos

A seguradora Porto Seguro informou que teve um crescimento de 39% no número de veículos elétricos segurados pela empresa e aumento de 80% nas cotações em 2025. No ano passado, foram 40 mil apólices a mais em relação a 2024.

A empresa estima que 26% da frota de elétricos e híbridos do país seja segurada por ela. O dado é baseado no volume de apólices em relação ao total estimado de veículos eletrificados emplacados no Brasil.

São Paulo lidera a contratação desse tipo de seguro, com metade das emissões, seguido por Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais.

Ainda segundo a empresa, o sinistro mais comum é a colisão, padrão semelhante ao observado em veículos a combustão.

A empresa pensa em lançar produtos específicos para atender ao segmento. Um exemplo um produto que incluiria o carregador elétrico.

Vale lembrar que o mercado de seguros segue aguardando o aprofundamento das regulamentações do setor a cargo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP

O lucro da caixa no 1º trimestre

A Caixa Econômica Federal, que é um banco social, informou no dia 14 de maio que obteve um lucro líquido de R$3,5 bilhões no primeiro trimestre desse ano. A carteira de crédito chegou a R$ 1,4 trilhão, com alta anual de 11,3%. Na comparação com o último trimestre de 2025, a alta foi de 2,3%. Nesse total, a carteira de crédito imobiliário cresceu 13,9% e atingiu R$ 966,2 bilhões.

A inadimplência da carteira de crédito total encerrou o primeiro trimestre em 3,71%. Na comparação anual, o aumento foi de 1,22 ponto percentual. Na trimestral, subiu 0,64 ponto percentual.

A receita de prestação de serviços totalizou R$ 7,4 bilhões, alta de 12,5% em 12 meses e queda de 1,9% no trimestre. As despesas operacionais (pessoal e administrativas) somaram R$ 11,5 bilhões, alta de 6% (anual) e queda de 9,8% (em relação a dezembro).

O saldo de captações encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 2 trilhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a alta foi de 13,7%. Em relação ao último trimestre do ano passado, o crescimento foi de 6,9%.

É o que temos para o momento, mas é preciso ficar sempre de olho no patrimônio público!

O endividamento das famílias paulistas

O endividamento das famílias paulistas voltou a subir e chegou a 72,9% em abril, o maior registro da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo) em três anos. Ao todo, 3,28 milhões de lares na capital paulista estão com algum tipo de dívida aberta.

O último pico da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) ocorreu em setembro de 2025, quando 72,7% dos lares estavam com dívidas. Depois disso, o indicador caiu e voltou a ganhar tração em janeiro, quando chegou a 68,9%.

Para a Federação, a alta reflete a necessidade de as famílias recorrerem ao crédito para cobrir despesas mensais, diante do impacto da inflação de março sobre alimentos e combustíveis – ambos pressionados pela guerra no Oriente Médio.

A entidade observa que a situação só não se agravou em decorrência de um mercado de trabalho ainda aquecido, o que atenua, por ora, a pressão sobre o orçamento familiar.

Todas as faixas de renda que compõem a pesquisa apresentaram avanço no endividamento. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, a taxa subiu de 74,5% para 76,3% em um mês. Entre os que ganham acima dessa faixa salarial, a alta foi de 61,3% para 63,1%.

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  13 de maio de 2026   Curtas e curtinhas

Demência: do outro lado do diagnóstico

Receber um diagnóstico de demência muda tudo. Mas quem fala sobre o que acontece do outro lado — na casa, na família, no coração de quem cuida?

Nessa palestra, a jornalista Carine Tavares traz a experiência de quem viveu isso de perto e foi buscar nas evidências científicas as respostas que a vida não dava. Uma conversa sobre diagnóstico, protocolo de atendimento e cuidado — com rigor, empatia e história real.

Um momento de conversa e trocas.

  • Palestra gratuita
  • Data: 16 de maio de 2026
  • Horário: Das 9h às 10h30
  • Local: SESC Araxá – Rua Dr. Edmar Cunha, 150 – Santa Terezinha / Araxá/MG

A Jornalista Carine Tavares é autora do livro “Eu sei quem ele é”, no qual conta a história do seu pai, o médico Clóvis Tavares, diagnosticado com demência subcortical isquêmica em 2016, o que iniciou uma peregrinação em busca de informações, especialistas e formas de aproveitar o tempo de lucidez do pai. Na obra, a autora desenha as fases da doença e conta sobre a fragilidade do atendimento e acompanhamento médico ainda pouco humanizados. Daí surgem sugestões para quem cuida de pessoas com demências conseguir navegar pelas dores e respiros trazidos pela condição.

Vendas do formato físico pelo perfil do Instagram @oateliedehistorias. Ebook disponível na Amazon Kindle.

O livro será lançado no dia 16 de maio, às 15h, no Fliaraxá – Festival Literário de Araxá. Será no Teatro CBMM, no Centro Cultural Uniaraxá.

O endividamento das pessoas

Está em vigor o Programa Desenrola Brasil 2.0, do Governo Federal, voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105,00. As negociações para redução e renegociação das dívidas poderão ser realizadas até o final de julho.

Segundo dados do Serasa Experian, as pessoas entre 41 e 60 anos representam 35,5% do total de inadimplentes no país. Em seguida aparecem aqueles com idade entre 26 e 40 anos, com 33,5%; pessoas acima de 60 anos, com 19,8%; e jovens de 18 a 25 anos, que correspondem a 11,2%.

Do total de inadimplentes, os homens representam 49,4%, enquanto as mulheres somam 50,6%. Além disso, 73% das pessoas endividadas possuem renda de até dois salários mínimos.

Entre os estados com maiores índices de inadimplência estão Amapá, com 65,1% da população inadimplente, o Distrito Federal, com 62,7%, e o Amazonas, com 60,1%.

O lucro dos grandes bancos no primeiro trimestre

Enquanto a água dos rios caminha para o mar, a riqueza gerada pela economia caminha preferencialmente para o setor financeiro. A divulgação do lucro dos maiores bancos em operação no Brasil no primeiro trimestre desse ano dá uma noção do quanto o negócio é bom para os seus acionistas.

O Banco Itaú divulgou lucro de R$12,3 bilhões, o Bradesco, R$6,8 bilhões e o Santander, R$3,8 bilhões. Já o Banco do Brasil deve divulgar seu lucro líquido em 13 de maio, com estimativa entre R$3 bilhões e R$3,6 bilhões. Nessa data, a Caixa Econômica Federal também divulgará o seu lucro líquido, ainda sem estimativa oficial no momento.

Também pudera, enquanto a taxa básica de juros SELIC do Banco Central está em 14,5% ao ano, o saldo rotativo do cartão de crédito cresce até 440% ao ano, o cheque especial até 150% ao ano e o empréstimo consignado com garantia de desconto direto no salário mensalmente cobra, no mínimo, 20% de juros ao ano.

  Comentários
 

Segundo o psicólogo americano Abraham Maslow (1908-1970), em sua hierarquização das necessidades humanas, a sobrevivência e a segurança são fundamentais, sendo que a moradia faz parte do quesito segurança. Olhando especificamente para a moradia, podemos dizer que o Brasil possui atualmente um déficit habitacional em torno de 6 milhões de unidades de diferentes portes. Resolver esse problema tem sido um desafio permanente, a começar pela necessidade de uma política habitacional claramente definida, inclusive com o montante de recursos financeiros a serem alocados.

Considerando as moradias existentes em diferentes portes e localizações, necessidades de manutenção e condições de segurança, fica evidente a busca das pessoas por algum nível de segurança mais estruturado. Um exemplo é a busca de moradias em condomínios residenciais horizontais fechados, ainda que boa parte deles não cumpram leis municipais específicas. Geralmente fazem controle de acesso das pessoas e veículos em portarias, mas como fazem parte de um determinado bairro não podem impedir o acesso de pessoas que transitam pelo local.

Nesse momento um fato que nos faz pensar está postado na rede social de um condomínio residencial horizontal de um bairro num município da região metropolitana de Belo Horizonte. O local possui 502 lotes que medem de mil a dois mil metros quadrados. Nele é cobrado uma taxa de condomínio de R$1250,00 mensais, mas metade dos condôminos discordam dessa cobrança, não fazem o pagamento e usufruem dos serviços prestados, que são bancados financeiramente pela metade dos proprietários pagantes.

A causa da agitação se deve ao fato de um proprietário ter se mudado do condomínio e alugado diretamente seu imóvel a um inquilino, do qual cobra a taxa mensal de condomínio e simplesmente embolsa o valor. Não repassa nada ao condomínio. Além disso, está livre da taxa de administração que seria cobrada pela imobiliária e combinou com o inquilino que nada será declarado pelas partes no imposto de renda da pessoa física.

Como se vê, há solução para tudo, além de muitos adeptos da “Lei de Murici”.

  Comentários
 

O Governo Federal está preocupado com o tamanho da dívida das pessoas físicas e prepara um programa para criar novas perspectivas no equacionamento do problema. Os dados mais recentes mostram que 80% das famílias estão endividadas, que 56,6% delas tem renda mensal de até 2 salários mínimos e que 30% estão inadimplentes com diversos níveis de atrasos nos pagamentos. O programa em elaboração não poderá contar com recursos do orçamento federal deste ano, onde não cabe mais nada e ainda se sonha com algum superávit primário. Também, pudera, diante dos tenebrosos penduricalhos para os magistrados do Poder Judiciário e para o Ministério Público, R$60 bilhões de reais para emendas impositivas feitas pelos parlamentares federais ao orçamento, fundo eleitoral de R$6 bilhões, fundo partidário de R$1 bilhão, rombo do INSS devido aos descontos não autorizados nos proventos dos aposentados… Os balões de ensaio mostram que os recursos do FGTS poderão ser usados como parte do financiamento para reduzir ou alongar o perfil das dívidas.

Mas quais são as causas fundamentais desse efeito tão indesejável que é o alto endividamento das pessoas e famílias? Inicialmente, vale lembrar a altíssima concentração da renda nas mãos de 1% da população. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua do IBGE, de dezembro a fevereiro, mostrou que a renda média dos brasileiros foi de R$3.679 mensais.

Pessoa calcula dívidas (imagem ilustrativa) / Freepik

É importante lembrar que, no cálculo do Produto Interno Bruto anual do país, o consumo das famílias é um dos indicadores importantes sobre o desempenho da economia. Nesse momento, podemos dizer que há um crescimento da renda e uma queda no consumo. Uma das causas mais importantes se deve aos altos juros cobrados pela indústria financeira, a começar pelos grandes bancos, e que se estende para todo o setor. Os juros do crédito rotativo de um cartão de crédito ultrapassam 400% ao ano e no cheque especial chegam até 150% ao ano. Mesmo nos empréstimos consignados, com débito direto nos salários ou proventos de aposentadorias – o que garante o recebimento para quem empresa – os juros nunca são inferiores a 20% ao ano. Enquanto isso, a taxa básica de juros, Selic, do Banco Central, está em 14,75% ao ano e tem expectativa de queda se a guerra do Oriente Médio acabar.

Além disso, é preciso lembrar que as crescentes apostas nas bets, a procura por canetas emagrecedoras e a falta de educação financeira contribuem para o aumento da busca por empréstimos bancários e cartões de créditos, o que só acentua a transferência de recursos para a indústria financeira.

Como se vê, o programa em preparação não será suficiente para resolver o problema, mas apenas suavizá-lo. Vale lembrar o Desenrola, programa lançado em 2023.

E você, caro leitor, o que pensa dessa situação?

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  17 de abril de 2026   Curtas e curtinhas

Entrega do Imposto de Renda

Ainda faltam 43 dias para terminar o prazo de entrega da declaração anual do Imposto de Renda da Pessoa Física sem o pagamento multa. Como acontece todos os anos nessa época, é grande a falação nas diversas mídias sobre as informações gerais, deduções de despesas, prazos, restituições, imposto devido e multas para entrega da declaração fora do prazo.

O que quase ninguém fala é sobre o congelamento da tabela do Imposto de Renda, parcial ou totalmente, nos últimos 25 anos. É claro que foi importante a isenção do imposto para quem ganha até R$5.000,00 mensais, em vigor desde o início de janeiro, mas não é o suficiente para as demais faixas diante do brutal congelamento que só foi bom para União, Estados e Municípios que aumentaram seus ganhos com o congelamento.

Em tempo: você já fez a sua Declaração? Utilizou a pré-pronta disponibilizada pela Receita Federal ou começou tudo da base zero?

Eleições presidenciais no Peru

O Peru tem aproximadamente 35 milhões de habitantes e teve nove presidentes da República nos últimos dez anos. No último domingo, passou por outra eleição presidencial, na qual concorreram 35 candidatos. Dá para estimar quanto tempo o eleito no segundo turno conseguirá permanecer no cargo após a posse? A conferir!

FGTS rende pouco para os trabalhadores

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores pode ser sacado nos casos de demissão sem justa causa, nas aposentadorias e amortizações no financiamento da casa própria, por exemplo. Serve, também, para alavancar financiamentos para as construções do programa Minha Casa Minha Vida em 4 faixas de renda que variam de R$ 1.621,00 mensais até R$ 13.000,00. O que quase não se fala é que os recursos do FGTS guardados no fundo rendem, conforme a Lei, apenas 3% ao ano, que são acrescidos em média de 2% ao ano como distribuição de lucros. Isso enquanto a taxa básica de juros – SELIC do Banco Central está em 14,75% ao ano e a inflação dos últimos 12 meses medida pelo IPCA do IBGE ficou em 4,14%. Para quem fica essa diferença? O trabalhador sabe que não é para ele.

Fonte da imagem: site do TSE

A abstenção nas eleições brasileiras

Os mais diversos institutos de pesquisas têm mostrado as intenções de votos para as eleições de outubro. Os destaques são inegavelmente para as disputas da Presidência da República e Governadores dos principais estados. Tenho a expectativa de que os institutos de pesquisas aperfeiçoem seus métodos para melhor observar o fenômeno da abstenção eleitoral. O voto é obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos de idade. É importante também lembrar que o voto é opcional para quem tem acima de 70 anos de idade, cerca de 14 milhões de pessoas, e para os que tem entre 16 e 18 anos, cerca de 6 milhões de jovens. A abstenção tem papel importante nas eleições.

  Comentários
 

Conversei com algumas pessoas que fazem compras em supermercados e que comparecem a esses locais no mínimo uma vez por semana. Como sempre, todas disseram que têm a expectativa de resolver tudo no menor tempo possível e já chegam com a lista pronta, seja no papel ou no digital.

A maioria das pessoas ouvidas, em torno de 75%, faz as compras no supermercado do bairro onde mora, enquanto o restante procura um hipermercado no início do mês e complementa as necessidades ao longo do período em mercearias ou pequenos supermercados da região em que residem.

O tema básico da conversa foi sobre os incômodos que surgem no ato de comprar. Um dos mais citados foi o dissabor de não encontrar todos os produtos listados ou, então, de não estar disponível a marca desejada.

Outro ponto levantado foi a presença de carrinhos de compras parados nos estreitos corredores entre as prateleiras, além de repositores que ficam conversando em frente às prateleiras e geladeiras, dificultando a circulação.

Clientes fazem compras em supermercado / Imagem de pch.vector no Freepik

É interessante notar que alguns temas são percebidos por todos e são objeto de algum tipo de reclamação e até de sugestão de melhoria. O primeiro deles é a percepção do aumento de preços de diversos itens, a redução de pesos e a divergência entre os preços nas prateleiras e no caixa – que acabam sendo mais altos na hora de pagar.

Todos os participantes da conversa falaram bastante sobre a falta de educação e o desrespeito de muitos compradores com outros clientes mais civilizados. É um tal de esbarrar o carrinho no outro, enquanto existem aqueles que chegam por trás ou pelo lado para pegar primeiro uma mercadoria; outros que deixam o carrinho no meio do corredor, atrapalhando o trânsito; e há ainda os que tomam um iogurte que será todo consumido antes mesmo de chegar ao caixa.

Outro momento doloroso é na hora do pagamento, pois geralmente há poucos caixas disponíveis, muitos terminais para autoatendimento de preferência com cartão de crédito por aproximação ou Pix. Às vezes, costuma entrar em funcionamento um caixa para pagamento com dinheiro vivo, mas com filas quase quilométricas, muitas vezes cheias de idosos.

Também existem os clientes que deixam o carrinho na fila marcando lugar enquanto vão às prateleiras buscar mais alguns produtos. Há ainda aqueles que tentam furar a fila porque tem poucos produtos ou simplesmente em alguns casos, por se tratarem de idosos — amparados pelos direitos previstos no Estatuto do Idoso.

Finalizando, é importante lembrar do temor de chegar ao pátio de estacionamento de veículos e ser surpreendido por uma tentativa de assalto. É o que temos para o momento.

E você tem passado por situações semelhantes às descritas nesta pensata?

  Comentários