Curtas e curtinhas

por Luis Borges 17 de abril de 2026   Curtas e curtinhas

Entrega do Imposto de Renda

Ainda faltam 43 dias para terminar o prazo de entrega da declaração anual do Imposto de Renda da Pessoa Física sem o pagamento multa. Como acontece todos os anos nessa época, é grande a falação nas diversas mídias sobre as informações gerais, deduções de despesas, prazos, restituições, imposto devido e multas para entrega da declaração fora do prazo.

O que quase ninguém fala é sobre o congelamento da tabela do Imposto de Renda, parcial ou totalmente, nos últimos 25 anos. É claro que foi importante a isenção do imposto para quem ganha até R$5.000,00 mensais, em vigor desde o início de janeiro, mas não é o suficiente para as demais faixas diante do brutal congelamento que só foi bom para União, Estados e Municípios que aumentaram seus ganhos com o congelamento.

Em tempo: você já fez a sua Declaração? Utilizou a pré-pronta disponibilizada pela Receita Federal ou começou tudo da base zero?

Eleições presidenciais no Peru

O Peru tem aproximadamente 35 milhões de habitantes e teve nove presidentes da República nos últimos dez anos. No último domingo, passou por outra eleição presidencial, na qual concorreram 35 candidatos. Dá para estimar quanto tempo o eleito no segundo turno conseguirá permanecer no cargo após a posse? A conferir!

FGTS rende pouco para os trabalhadores

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores pode ser sacado nos casos de demissão sem justa causa, nas aposentadorias e amortizações no financiamento da casa própria, por exemplo. Serve, também, para alavancar financiamentos para as construções do programa Minha Casa Minha Vida em 4 faixas de renda que variam de R$ 1.621,00 mensais até R$ 13.000,00. O que quase não se fala é que os recursos do FGTS guardados no fundo rendem, conforme a Lei, apenas 3% ao ano, que são acrescidos em média de 2% ao ano como distribuição de lucros. Isso enquanto a taxa básica de juros – SELIC do Banco Central está em 14,75% ao ano e a inflação dos últimos 12 meses medida pelo IPCA do IBGE ficou em 4,14%. Para quem fica essa diferença? O trabalhador sabe que não é para ele.

Fonte da imagem: site do TSE

A abstenção nas eleições brasileiras

Os mais diversos institutos de pesquisas têm mostrado as intenções de votos para as eleições de outubro. Os destaques são inegavelmente para as disputas da Presidência da República e Governadores dos principais estados. Tenho a expectativa de que os institutos de pesquisas aperfeiçoem seus métodos para melhor observar o fenômeno da abstenção eleitoral. O voto é obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos de idade. É importante também lembrar que o voto é opcional para quem tem acima de 70 anos de idade, cerca de 14 milhões de pessoas, e para os que tem entre 16 e 18 anos, cerca de 6 milhões de jovens. A abstenção tem papel importante nas eleições.

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Conversei com algumas pessoas que fazem compras em supermercados e que comparecem a esses locais no mínimo uma vez por semana. Como sempre, todas disseram que têm a expectativa de resolver tudo no menor tempo possível e já chegam com a lista pronta, seja no papel ou no digital.

A maioria das pessoas ouvidas, em torno de 75%, faz as compras no supermercado do bairro onde mora, enquanto o restante procura um hipermercado no início do mês e complementa as necessidades ao longo do período em mercearias ou pequenos supermercados da região em que residem.

O tema básico da conversa foi sobre os incômodos que surgem no ato de comprar. Um dos mais citados foi o dissabor de não encontrar todos os produtos listados ou, então, de não estar disponível a marca desejada.

Outro ponto levantado foi a presença de carrinhos de compras parados nos estreitos corredores entre as prateleiras, além de repositores que ficam conversando em frente às prateleiras e geladeiras, dificultando a circulação.

Clientes fazem compras em supermercado / Imagem de pch.vector no Freepik

É interessante notar que alguns temas são percebidos por todos e são objeto de algum tipo de reclamação e até de sugestão de melhoria. O primeiro deles é a percepção do aumento de preços de diversos itens, a redução de pesos e a divergência entre os preços nas prateleiras e no caixa – que acabam sendo mais altos na hora de pagar.

Todos os participantes da conversa falaram bastante sobre a falta de educação e o desrespeito de muitos compradores com outros clientes mais civilizados. É um tal de esbarrar o carrinho no outro, enquanto existem aqueles que chegam por trás ou pelo lado para pegar primeiro uma mercadoria; outros que deixam o carrinho no meio do corredor, atrapalhando o trânsito; e há ainda os que tomam um iogurte que será todo consumido antes mesmo de chegar ao caixa.

Outro momento doloroso é na hora do pagamento, pois geralmente há poucos caixas disponíveis, muitos terminais para autoatendimento de preferência com cartão de crédito por aproximação ou Pix. Às vezes, costuma entrar em funcionamento um caixa para pagamento com dinheiro vivo, mas com filas quase quilométricas, muitas vezes cheias de idosos.

Também existem os clientes que deixam o carrinho na fila marcando lugar enquanto vão às prateleiras buscar mais alguns produtos. Há ainda aqueles que tentam furar a fila porque tem poucos produtos ou simplesmente em alguns casos, por se tratarem de idosos — amparados pelos direitos previstos no Estatuto do Idoso.

Finalizando, é importante lembrar do temor de chegar ao pátio de estacionamento de veículos e ser surpreendido por uma tentativa de assalto. É o que temos para o momento.

E você tem passado por situações semelhantes às descritas nesta pensata?

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Sabe aquela padaria tradicional e familiar, que te viu crescer no bairro em que sua família sempre morou? É o caso da padaria do Joaquim Broa, que funciona há 33 anos num bairro da zona centro-sul de Belo Horizonte. O nome da padaria veio da especialidade do fundador do negócio, que era fazer broas de fubá, que sempre fizeram dupla com o pão de sal. A clientela formada ao longo dos anos se acostumou a encontrar os seus produtos preferidos tanto no início da manhã quanto no meio da tarde ou início da noite.

Floresceram também os clientes tomando café da manhã e da tarde na padaria. Toda clientela sempre muito bem atendida pelo Joaquim Broa e funcionários que lá trabalharam por vários anos.

Aconteceu que quando a padaria completou trinta anos, o proprietário partiu inesperadamente para outro plano espiritual e um novo tempo surgiu para o negócio. No inventário dos bens deixados pelo pai da família, foi feita uma partilha que determinou a metade de tudo para a mãe, conforme a lei, e a outra metade foi dividida entre os três filhos do casal. Ao mais novo deles coube a padaria do Joaquim Broa.

Pão de sal / Freepik

Agora, passados três anos que aconteceu o acontecido, o que se vê é o decaimento do negócio, que tem entre as causas o despreparo do novo dono para conduzi-lo. Falta a gestão mais estruturada do negócio, com especial realce para a ausência de liderança do novo dono – que se junta à escassez e à alta rotatividade da mão de obra. Esta, por sua vez, reclama dos baixos salários, da jornada de trabalho 6X1, do não cumprimento de horários e do autoritarismo do novo proprietário herdeiro.

Já os clientes estão reclamando cada vez mais por causa do não atendimento de suas necessidades e expectativas. Tudo começa com a piora da qualidade da broa de fubá, símbolo da padaria. Também passa pelo não cumprimento dos horários clássicos em que a fornada de pão de sal fica pronta, a ausência de alguns produtos à disposição e a indolência de muitos empregados no atendimento no caixa, no balcão e no café. Vale lembrar que alguns clientes têm reclamado do aspecto visual de pães, roscas e das broas de fubá, o que os tem levado a desistir das compras.

O fato é que sinais estão sendo dados e o decaimento do negócio vai ficando cada vez mais visível.

É importante lembrar que gestão é o que todos precisam, independente do porte do negócio, mas nem todos os donos, que deveriam ser líderes, sabem que precisam.

Até quando as portas da padaria do Joaquim Broa estarão abertas?

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Partindo da premissa de que as pessoas cumprem diferentes papéis no cotidiano da vida, vou narrar aqui um fato envolvendo uma pessoa no papel de cliente e outra no de fornecedor. Em termos de um negócio, por exemplo, o cliente tem a expectativa de que sua necessidade de um bem ou serviço seja aceita e entregue pelo seu fornecedor conforme as especificações e condições combinadas. A expectativa se refere ao cumprimento da qualidade intrínseca especificada, ao preço adequado, negociado com as devidas condições de pagamento acertadas e o respeito aos prazos de entrega dos produtos – bens e serviços – adquiridos.

Como isso tem se dado na prática do mundo capitalista, veloz e conectado para todos os tamanhos de negócios, do grande, médio, pequeno e micro, cada qual com o seu jeito de empreender? Clientes são buscados por todos. Eles podem muito, mas não tudo.

Aconteceu que uma cliente procurou um salão de beleza de pequeno porte em Belo Horizonte no final de novembro do ano passado e combinou com a proprietária do negócio o fornecimento de serviço para cuidar das unhas dos dedos das mãos e dos pés. O contrato verbal feito entre as partes estabeleceu que os serviços seriam prestados toda quinta-feira com o horário fixo às 13 horas e preço de R$ 80,00 por atendimento e pagamento via Pix. No dia marcado para o primeiro agendamento, a cliente não compareceu e nem justificou a ausência. Então, a fornecedora lhe enviou uma mensagem para saber as causas da ausência, mas não recebeu resposta. A cliente não se manifestou e ficou desaparecida nos três meses seguintes.

No último dia de fevereiro, um sábado, ela ressurgiu como se nada tivesse acontecido. Ela queria uma prestação de serviços assim que chegasse ao salão por volta das 13 horas, tudo com muita pressa, pois deveria comparecer a um evento importante no início da noite, o casamento de uma afilhada querida.

A proprietária do salão disse à cliente que não trabalhava daquela forma e que qualquer prestação de serviço deve ser marcada previamente, pois esse é o padrão. Aproveitou para dizer à cliente que ficaria disponível para negociar futuras condições de fornecimento de serviços a partir da semana seguinte, com o devido respeito de ambas as partes.

A arrogância não é uma virtude e deve ser combatida permanentemente!

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 12 de março de 2026   Curtas e curtinhas

Crescimento da Droga Raia e Drogasil

A RD Saúde, controladora das redes Raia e Drogasil informou que teve uma receita bruta de R$47,6 bilhões em 2025, crescimento de 13,9% em relação ao ano de 2024. A empresa fechou o ano com 3.547 unidades farmacêuticas, das quais 330 foram abertas ao longo do ano passado e 52 milhões de clientes ativos. A participação no mercado brasileiro foi de 19,5%.

E você caro leitor, gasta quanto por ano na aquisição de medicamentos?

É importante lembrar que no final desse mês a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED, ligada ao Ministério da Saúde e secretariada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, definirá os aumentos dos preços dos remédios que poderão vigorar a partir de 1º de abril. É verdade!

Endividamento das famílias

Um levantamento feito pela Federação do Comércio do estado de São Paulo – FecomercioSP, mostrou que 3,1 milhões de famílias paulistanas iniciaram o mês de fevereiro com dívidas impulsionadas pelos gastos de fim de ano e a longa lista de despesas de janeiro. O índice voltou a subir após fechar o ano com três quedas consecutivas e registrar, em janeiro, 68,9% – o menor patamar em quase 1 ano. O aumento do endividamento é considerado natural diante das contas típicas do início do ano como IPVA, IPTU e material escolar que alteram a dinâmica de consumo das famílias.

Entre as faixas salariais, o público com maior comprometimento está entre as famílias com renda até dez salários mínimos mensais, que subiu de 72,8%, em janeiro, para 73,5%, em fevereiro. Nas famílias que recebem mais de dez salários mínimos mensais, o índice saiu de 57,6% para 59,8%. O cartão de crédito segue sendo o principal vilão das despesas com 78,8% dos tipos de dívidas declaradas.

Consumo das famílias no PIB

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, ante 3,4% no ano anterior. Divulgou também que o consumo das famílias cresceu 1,3%, enquanto no ano anterior havia crescido 5,1%. O indicador Consumo das Famílias é um dos mais importantes no cálculo do PIB porque ele mostra quanto as pessoas estão gastando em bens e serviços na economia. Se as famílias estão consumindo mais, a economia tende a crescer. Se estão consumindo menos, pode indicar crise ou desaceleração econômica.

Agora só nos resta acompanhar o crescimento do PIB no ano eleitoral de 2026, impactado também pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O lucro líquido da Caixa

A Caixa Econômica Federal anunciou no dia 4 de março que teve um lucro líquido de R$15,5 bilhões em 2025, alta de 10,4% em relação ao ano de 2024. A Caixa encerrou o ano com carteira de crédito de R$ 1,378 trilhão. O valor representa uma expansão anual de 11,5%, com alta de 13% em financiamento imobiliário, de 14,2% em crédito comercial a pessoas jurídicas, de 13,4% em crédito comercial a pessoas físicas, de 1% em saneamento e infraestrutura e de 0,6% no agronegócio.

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A frase-título do livro é um manifesto da autora, a jornalista Carine Tavares, após dez anos acompanhando a memória do pai, o médico Clóvis Tavares, deixando o aos poucos.

Na contramão da doença – e para manter viva a memória do pai – Carine conversou com familiares, amigos, colegas de trabalho e pacientes. Um mergulho na história do médico que se tornou paciente.

Clóvis foi diagnosticado com demência subcortical isquêmica em 2016, o que iniciou uma peregrinação em busca de informações, especialistas e formas de aproveitar o tempo de lucidez do pai. Na obra, a autora desenha as fases da doença e conta sobre a fragilidade do atendimento e acompanhamento médico ainda pouco humanizados. Daí surgem sugestões para quem cuida de pessoas com demências conseguir navegar pelas dores e respiros trazidos pela condição.

Em “Eu sei que ele é”, Carine compartilha o que aprendeu nesta década sendo filha e cuidadora, enquanto busca manter vivas as experiências de Clóvis como pai, médico, amigo e entusiasta do sistema de saúde humanizado.

“Eu sei quem ele é” é um lembrete de que o impacto de uma vida dedicada ao próximo nunca se apaga. Ele permanece vivo na memória daqueles que foram tocados por seu cuidado. Isso é legado.” – Guilherme Tavares, publicitário, criador da capa e filho de Clóvis Tavares

Sobre a autora:

Carine Tavares é jornalista, escritora e especialista em produções especiais para audiovisual. Em quinze anos de Globo, foi produtora, chefe de reportagem, chefe de produção de rede e editora executiva. Produziu o documentário “Uma Gota de Esperança”, exclusivo do Globoplay. Também produziu e dirigiu edições do Globo Repórter em Minas Gerais. Atualmente é Coordenadora de Rádio e TV do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. “Eu sei quem ele é” é seu primeiro livro.

Vendas do formato físico pelo perfil do Instagram @oateliedehistorias. Ebook disponível na Amazon Kindle.

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Educação, saúde, segurança e trabalho são alguns dos grandes temas que povoam as cabeças de muitas pessoas com preocupações que chegam a tirar o sono, um dos pilares para a saúde mental. Observando e analisando o ponto da saúde, é importante lembrar inicialmente que a Constituição Brasileira estabelece em seu Artigo 196 que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Mas como se dá isso na prática a partir do Sistema Único de Saúde – SUS que é um referencial para quem tem foco em saúde pública?

Fica claro que o SUS atende a todos conforme a sua capacidade de processo. E isso abriu no mercado um espaço para atuação no setor privado da saúde, regulamentado e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Mas quem tem poder aquisitivo suficiente para pagar um plano de saúde nas diversas modalidades e limites técnicos para consultas médicas, exames laboratoriais e de imagens para apoio ao diagnóstico, cirurgias, internações hospitalares em apartamentos individuais, no coletivo de uma enfermaria ou numa unidade de terapia intensiva – UTI se houver vaga?

Fernando Frazão / Agência Brasil

Segundo a ANS, existem atualmente no Brasil 53,3 milhões de pessoas com algum tipo de plano de saúde, que vão dos mais limitados até aos mais completos. Aliás, os preços dos planos aumentam todo ano em índices bem superiores à inflação anual medida pelo IPCA do IBGE.

Chamou minha atenção a campanha publicitária de um plano de saúde de grande porte oferecendo algumas vantagens de momento para que ex-clientes voltem a participar de algum de seus planos. Será que é fácil reconquistar um cliente perdido? Mas o fato é que está crescendo no mercado o número de planos de saúde populares que cobram mensalidades na faixa de R$50, com a primeira consulta a R$40 e R$80 a partir da segunda consulta. O negócio é ganhar no volume e não na margem.

Recentemente já no primeiro mês do novo ano, um participante de um plano dessa modalidade popular fez sua primeira consulta com uma psiquiatra após um encaixe em sua agenda. Tudo durou cinco minutos, tempo suficiente para ouvir a queixa do cliente, emitir a receita de um medicamento e marcar o retorno após três meses de uso do remédio. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde – OMS recomenda que a duração mínima de uma consulta médica deve ser de 15 minutos. Como os fatos não deixam de existir só porque são ignorados, negados ou justificados, até quando os clientes das diversas modalidades de planos de saúde conseguirão pagar suas mensalidades?

Viva o SUS! Destino natural de quem precisa e quer saúde.

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Estamos vivendo os efeitos de eventos climáticos extremos, marcados pela intensidade e rapidez das chuvas e ventos com suas indesejáveis consequências. Se muitas são as causas desse fenômeno e poucas são as ações para recuperar os danos já causados ao clima da Terra em aquecimento crescente, é inevitável perguntar se haverá racionamento de água em Belo Horizonte e região metropolitana.

O período chuvoso começa a caminhar para o fim e brevemente as águas de março fecharão o verão. O nível de alguns reservatórios do sistema de abastecimento está abaixo dos 50%, conforme mostra o site da empresa concessionária dos serviços. Na mídia são cada vez mais frequentes as informações sobre falta de água prolongada em diversos bairros e suas causas são justificadas de maneira genérica, fugindo do que é fundamental na geração do problema.

Questionados sobre os investimentos na manutenção das redes diante de frequentes rupturas e a redução na pressão, o que mostram os cenários do planejamento estratégico? Considerando que os cenários são projeções sobre aquilo que o futuro poderia vir a ser para um negócio, qual é o cenário otimista, o pessimista e o mais provável?

Portanto, o racionamento do uso da água não pode ser descartado em função dos fatos e dados existentes, inclusive na não concretização do sistema de captação do Rio Paraopeba, que foi projetado para aumentar a segurança hídrica no abastecimento da capital e Região Metropolitana.

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Imagem alusiva a água criada com auxílio de inteligência artificial

Vale lembrar que no último 25 de janeiro chegamos aos sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Além das centenas de mortes e dos impactos ambientais, a enxurrada de rejeitos também levou embora o sistema de captação e tratamento de água construído em seis meses. De lá para cá nada de mais significativo foi feito e não dá para negar que a vazão de até 5 mil litros por segundo projetada poderá fazer falta, pois as mudanças climáticas são inegáveis, as condições pioraram e o que nos resta é uma adaptação a elas.

É importante lembrar que, segundo o dicionário, racionamento é:

  • o ato ou efeito de racionar; distribuição controlada de recursos escassos.
  • Em contextos de crise hídrica ou energética, limitação do fornecimento de água ou energia elétrica.

Assim sendo, lembremos da Lei de Murici dizendo que “cada um cuida de si” e do dito popular anunciando que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

E você, caro leitor, se sente preparado para viver e sobreviver num tempo de racionamento de água, logo a água que é vida?

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“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”, disse o escritor inglês Aldous Huxley em seu livro “Admirável Mundo Novo”, lançado em 1932.

Meu ponto aqui é focar no modo como lidamos com os fatos e dados no microcosmo do nosso dia a dia. Uma coisa é acompanhar os temas que viralizam no conectado mundo digital, cheio das mais passageiras novidades de cada segundo. Dá para imaginar, por exemplo, o que se passa diariamente no anonimato das pessoas internadas num hospital, numa residência para idosos, num presídio, ou ainda numa ação policial fiscalizando a documentação de um veículo e seu condutor?

Vejamos o que aconteceu numa Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), num caso ocorrido no dia 1º de janeiro, feriado nacional. Foi numa residência para idosos em Belo Horizonte, com capacidade para atender 20 moradoras. O preço mensal é de seis mil reais, pagos até o quinto dia útil do mês em curso e não cobre gastos com plano de saúde, medicamentos e produtos de higiene.

Por volta das sete horas, a diretora e proprietária da residência recebeu mensagens de três cuidadoras de idosos informando que não teriam como cumprir a escala de trabalho daquele dia. A surpreendida diretora, que tem um alto índice de viração própria (IVP), passou a fazer contatos com cuidadoras diaristas cadastradas para prestar serviços temporários autônomos na residência. Uma delas disse que não sairia de casa naquele feriado por menos de R$400 a diária.

Como se vê nesse caso, a diretora teve que se virar para resolver o problema, inclusive cumprindo a função de uma das cuidadoras naquela emergência. Mas quais são as causas fundamentais desse problema, notadamente nas organizações humanas de micro e pequeno porte? Como você tem conseguido pessoas para prestar serviços de qualquer natureza em sua casa, em funções como empregadas domésticas, faxineira, passadeira de roupa ou jardineiro? Imagine como estão se virando para conseguir mão de obra os bares, restaurantes, padarias, sacolões e sorveterias de pequeno porte. É o que temos para constatar no momento.

Mas o que e como fazer para resolver esse problema? Será que surgirão propostas neste ano eleitoral?

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Um registro escrito no dia 30 de dezembro de 2025

O ano está acabando e já nos impulsiona para melhor começar o ano novo que já se avista. Faz parte do método pelo qual conduzimos a gestão da nossa vida a observação e análise dos fenômenos e processos que colocaram todas as coisas em movimento no ano que se passou.

É preciso olhar para trás, sem paralisia, e fazer uma retrospectiva dos fatos mais impactantes que aconteceram e de expectativas que não viraram realidade. É momento de verificar os rumos que as coisas tomaram em função das várias variáveis que afetam as condições de contorno de cada uma das dimensões presentes nos processos do dia a dia. É mais uma oportunidade para se verificar o que foi planejado, o que foi executado, os resultados alcançados, o que ficou pendente e os próximos passos.

Por outro lado, é preciso olhar para a frente diante de novas expectativas de preferência num equilibrado realismo esperançoso. Sempre vale lembrar que, se a expectativa for maior do que a realidade, o sofrimento prevalecerá. É necessário definir propósitos, objetivos e metas desafiadoras, mas não malucas, para o ano que já vai se iniciar com os respectivos planos de ação contendo as medidas estratégicas e suficientes para se alcançá-las. De novo, será preciso colocar o gerenciamento em movimento com os devidos reposicionamentos estratégicos sempre que necessários dentro do dinamismo da conjuntura.

Ilustração gerada por Inteligência Artificial

Ilustração gerada por Inteligência Artificial / Substack Images

Como dizem Milton Nascimento, Fernando Brant e Márcio Borges na música “O que foi feito Devera”:

“Se muito vale o já feito, mais vale o que será.

E o que foi feito é preciso conhecer para melhor prosseguir.

Falo assim sem tristeza, falo por acreditar

que é cobrando o que fomos que nós iremos crescer”.

Que não haja distância entre a intenção e o gesto!

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