Nesses tempos em que a reforma da Previdência Social virou um mantra cansativo corremos o risco de chegar à exaustão sem conhecer o assunto mais profundamente. A excessiva – e também ameaçadora –  badalação nas mídias vai, de maneira geral, nos levando a uma situação em que muitos dirão ou pedirão que se vote logo essa coisa.

Enquanto passa o tempo as preocupações só aumentam com o futuro incerto que se aproxima a cada dia. No trabalho do setor público ou privado o assunto aposentadoria surge a qualquer momento a partir daqueles que estão em condições de se aposentar ou só estão esperando o momento da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que começou a ser discutida pelo Congresso Nacional. Existem também quem precise de alguns anos pra ficar “livre” do trabalho, mas que falam o tempo todo sobre simulações do tempo de transição até a chegada da hora derradeira. Obviamente que existe uma grande parte de pessoas na faixa dos 30 aos 39 anos que entram nas conversas dizendo que só sabem que terão de trabalhar até o fim da vida.

As conversas ficam mais animadas e acaloradas quando vaza ou circula oficialmente a informação sobre a aposentadoria do chefe de um setor de trabalho, um departamento ou divisão da estrutura organizacional. O clima fica muito alterado diante das especulações sobre a sucessão do colega e até mesmo se aquela “caixinha” continuará existindo ou se será anexada a uma outra para reduzir custos. Entra também no clima a fala de  muitas pessoas sobre o chefe e suas principais características que marcaram o tempo trabalhando juntos. Nessa hora ouve-se de tudo e algumas falas surpreendem pela hipocrisia. Elas vem daqueles que sempre “torraram” o chefe falando mal dele, do seu medo de ousar, de tomar decisões ou de enfrentar o diretor com seus caprichos pouco focados no negócio da organização. Esse é o típico caso em que alguém que era muito criticado em vida no trabalho que vira santo após a morte ou a aposentadoria.

Realista é a reação da maior parte dos colegas registrando que cada um deve cumprir o seu papel no processo de trabalho em busca dos resultados positivos e que alguns níveis hierárquicos são necessários para a gestão do negócio. Para esses, o que fica do colega são as lembranças do convívio profissional respeitoso e civilizado nos momentos fáceis e difíceis do dia-a-dia de trabalho e das conversas mais descontraídas nas festas de aniversariantes do mês ou do final do ano. Inegavelmente os que mais sentirão a falta do chefe aposentado serão aqueles dois ou três favoritos que sempre davam um jeito de aparecer em sua sala para falar de seus próprios feitos no trabalho em busca de reconhecimento permanente e também para comentar alguma coisa sobre os demais colegas.

Como se vê a produtividade saudável e necessária vai ficando para trás embalada pelos vários “se acontecer isso, se acontecer aquilo” que a discussão da reforma da Previdência Social suscita.

E você, caro leitor que ainda não se aposentou, como tem sido seu convívio com essas questões no trabalho? Seu chefe receberá uma mensagem de aniversário pelo WhatsApp?

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Historinha pra boi dormir

por Convidado 5 de abril de 2019   Convidado

* por Sérgio Marchetti 

Era uma vez um país de sapos, onde todos viviam tranquilos em seus espaços. Era um enorme brejo, mas com muitas árvores e muito verde. Nos finais de tarde, quando a noite chegava, era aquela cantoria; canções de ninar para sapinho-boi dormir (boi, boi, boi… Boi da cara preta pega este sapinho que tem medo de careta). Em dias chuvosos, as cigarras cantavam sua última canção, e se “ouvia o canto triste da Araponga anunciando que na terra”… iria chover. Havia muitos pássaros cantadores, vagalumes que brincavam de engolir fogo e grilos malabaristas. O talento artístico se sobrepunha ao talento para tarefas e trabalhos mais rotineiros.

No início, os sapos viviam de acordo com suas leis selvagens e chamavam seu torrão natal de Sapolândia. Era um povo-sapo muito “brejeiro”, literalmente falando, e adorava seu espaço, úmido, com muito verde e muita água.

Mas, numa linda manhã de sol, aconteceu uma grande novidade que iria mudar para sempre a vida daqueles habitantes. Sapos de fora chegaram naquele lugar. Foi um verdadeiro pandemônio. Eram diferentes, vestiam roupas estranhas, coaxavam numa linguagem incompreensível para aqueles sapos nativos que falavam tupi-guarani.

Veio então a mudança. E, mesmo, que os sapos mais rebeldes dissessem em suas reuniões secretas – sob o céu risonho e límpido – que sapo de fora não ronca, não foi o que ocorreu. A Sapolândia foi invadida por sapos mais civilizados, e, apesar disso, não demonstraram, em seus costumes, que civilização era sinônimo de educação. Os invasores trouxeram sapos bandidos, oportunistas e golpistas que chafurdaram na lama.

Naquele tempo, vieram reis e rainhas-sapas, rãs e pererecas estrangeiras que fizeram de um lugar brejeiro uma enorme colônia de anfíbios. A Sapolândia, a partir de então, foi governada por príncipes e princesas, mas nunca foi bela como nas historinhas para boi dormir. Os sapos de fora deram um novo nome para o lugar. Nascia então o Brejil. Muitos anos depois, proclamaram a república e elegeram um presidente.

“Mas um dia tudo mudou, a vida se transformou e a nossa canção também ”. Houve revolução militar, comandada por sapos de fora que roncaram forte – americanos -, e anos sombrios dominaram o brejo.

O tempo passou e os cidadãos-sapos do Brejil pregaram a democracia. Porém, por não conhecerem a fundo os preceitos democráticos e, sem conseguirem abandonar a cultura da lama, instituíram a anarquia e meteram as mãos… digo, meteram os pés pelas mãos. Mantiveram o Brejil no lamaçal. Constatou-se que os sapos governantes não haviam evoluído, mas aprenderam a usar terno e gravata para consolidar a postura de poder. As princesas-pererecas, primeiras-damas que se passavam por sapas, também não foram nem um pouco parecidas com as dos contos de fadas e não foram felizes para sempre. E, os sapos oprimidos e sofridos, cantando seu lema de “não desistirem nunca”, continuavam esperando por um salvador da pátria – talvez um Messias que viesse do fundo do poço da Sapolândia.

Apareceram sapos cultos, arrogantes, simples, mal-humorados. Mas numa linda manhã de sol, eis que surge um anfíbio vindo do povo. Era bem tosco, “zuiúdo”, coaxando algo muito parecido com o tupi-guarani. Compunha as características que muitos habitantes do Brejil queriam. O perfil era adequado aos sonhos dos sapinhos da pátria amada, mãe gentil. Teve a adesão dos grilos falantes, muitos com talento artístico, que passaram a pregar liberdade, direitos humanos e falar de diversidade com tanta incoerência que seus discursos de bicho-grilo, ainda agora, não têm nenhuma fidelidade com suas atitudes burguesas.

O sapão da esperança ainda nos apresentou uma sapa-falante, cujo dialeto nunca foi compreendido, pois não tinha nexo.  Chafurdaram na lama. Mas deixaram seguidores que adotaram os três macaquinhos como símbolo – não quero ver, não quero ouvir e não quero falar.

Em algum cantinho do Brejil, alguns sapinhos cantam o hino (Brejo adorado, Entre outros mil, És tu Brejil, Ó Pátria amada!…) e continuam a alimentar a esperança de que um dia serão felizes para sempre.

Mas acho que tudo isso é conversa para boi dormir.

* Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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Não sei se acontece ou se já aconteceu com você. Sabe aquele ou aqueles dias em que você amanhece todo animado, cheio de planos mentais carregados de expectativas sobre o que precisará ser feito até o início da noite? Após o crepúsculo que percepção fica em relação aos planos do início do dia? A percepção mais imediata é que quase nada aconteceu e o sentimento de frustração predomina trazendo uma sensação de imensa improdutividade e grande cansaço. E daí? O que fazer diante da constatação de que o tempo de mais um dia escapuliu entre os dedos? A situação se agrava mais para aqueles que sempre falam que “tempo é dinheiro” ou que vão fazer certas coisas quando se aposentarem.

Uma alternativa poderia ser a realização de uma autoavaliação sobre as causas que levaram a um resultado tão insatisfatório no final do dia. Para fazer isso será necessário romper a barreira cultural que nos impede – a maioria, pelo menos – de encarar de frente uma avaliação de desempenho em qualquer processo que faça parte do nosso modo de viver.

Quais são as principais causas de um resultado indesejável? Podemos começar por aquelas que só dependem de nós mesmos e sobre as quais temos autoridade para remover. Depois podemos verificar as demais causas e sobre as quais não temos autoridade e cuja solução depende da cooperação de outras partes envolvidas. Vamos pensar num exemplo genérico, um dia de alguém que foi para o trabalho logo pela manhã e pegou trânsito engarrafado como todos os dias no mesmo horário. Vale também lembrar que geralmente nosso personagem sai de casa em cima da hora, bem no limite, e qualquer obstáculo significará atraso garantido. Se o atraso for de meia hora é possível ouvir de seu chefe que ficou lhe esperando para começar a reunião, aliás, bastante improdutiva e garantidora de perda de tempo na maioria das vezes. Vamos imaginar que lá pelas 10h a bendita reunião chegue ao fim e o nosso personagem tenha que formular uma proposta técnica e comercial de prestação de serviços a um novo cliente que deve ser entregue até às 18h30. Antes de focar na proposta ainda é preciso conferir o e-mail, o WhatsApp, o Twitter… e até atender um insistente telefonema de seu superintendente. Assim sendo dá até para imaginar contar quantas vezes o trabalho poderá ser interrompido enquanto o dia cresce e qual tempo que se gasta para retomar a concentração no que estava sendo feito. De repente ainda faltam informações para fundamentar a proposta, novas buscas devem ser feitas e acaba chegando a hora do almoço que é uma parada obrigatória. Uma hora depois é o momento de recomeçar. Antes, porém, pode ser preciso dar uma boa tarde a 5 insistentes grupos de WhatsApp, além de conferir o Twitter e combater a vontade de dar uma tuitada, por exemplo. E pode acontecer tanta coisa na sequência, desde os dados que demoram a chegar até uma solicitação ansiosa e prioritária de um diretor que quer tudo pronto até às 17h30. Enquanto isso a proposta que precisava ficar pronta já dá sinais de que não será possível acontecer e o WhatsApp continua sinalizando que o cliente esta ansioso pela sua chegada. Como a política da empresa não permite que se faça hora extra o jeito é deixar a conclusão do trabalho para a manhã do dia seguinte e avisar ao cliente que, infelizmente, não deu para cumprir o prazo combinado pedindo todas as desculpas pelo ocorrido.

O que mostrei aqui é uma pequena amostra de causas que podem levar a uma perda de tempo muito maior do que imaginamos e cujas consequências podem nos afetar de diversas maneiras, inclusive na perda de clientes ou mesmo da saúde.

E você, caro leitor, tem conseguido perceber as causas que te levam a perder tempo, pelo menos aquelas que dependem só de você para remover? Ou então o jeito será constatar que não deu para fazer quase nada no dia…

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Faz tempo que a Reforma da Previdência Social entrou na pauta brasileira, mais precisamente a partir do lançamento do Plano Real, em 1994. De lá para cá vieram o fator previdenciário do INSS, para desestimular aposentadorias precoces, os novos servidores públicos federais ficaram sem a garantia de se aposentar pela última remuneração integral a partir do final de 2003 e os que entraram no serviço a partir de 2013 passaram a seguir o teto máximo das aposentadorias do INSS. Nesse caso, o valor acima do teto passou a ser complementado por um fundo de previdência caso o servidor queira contribuir para a sua formação.

Vieram também o recuo da economia em 2013/2014, a forte recessão econômica de 2015/2016, a pífia retomada do crescimento em 2017/2018, o impacto direto na arrecadação do INSS causado pelo desemprego ainda persistente de 13 milhões de pessoas e a desoneração da folha salarial para efeitos da contribuição previdenciária patronal. Vale também lembrar que o INSS tem esse nome desde de 1990 e seu déficit começou a se formar a partir de 1997. O fato é que os gastos continuam crescendo em valores reais e a arrecadação obviamente não consegue acompanhá-los em função da ruindade da economia e também da gestão.

Enquanto isso os servidores públicos federais – com as exceções citadas anteriormente – estaduais e municipais prosseguiram recebendo seus proventos conforme os direitos adquiridos, independente da queda da arrecadação de tributos e do aumento real de gastos. Se o modelo é sustentável ou não, isso é outra história que pode começar com a informação a seguir. A Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO do Governo Federal para 2019 mostra que, em 2017 a aposentadoria média dos servidores do Poder Legislativo Federal ficou em torno de R$26,8 mil, a do Judiciário R$18 mil, a do Ministério Público R$14,7 mil e a do Poder executivo em R$8,5 mil.

Estamos quase chegando aos 25 anos de vigência do Plano Real e prosseguindo com as discussões sobre a Reforma da Previdência, o equilíbrio das contas públicas, o fim de privilégios, o teto de aposentadoria do INSS válido para os trabalhadores da iniciativa privada e do setor público… Acontece que a proposta de reforma enviada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional deixou de fora os servidores militares, o que contraria a premissa básica inicial de que a reforma será para todos os servidores públicos. A saída para o Governo foi anunciar que a previdência dos militares seria tratada num Projeto de Lei para tramitar juntamente com a Proposta de Emenda Constitucional – PEC dos demais trabalhadores. Novamente o Ministério da Economia perdeu o foco ao acrescentar no Projeto de Lei uma reestruturação da carreira dos servidores militares no melhor estilo dos “jabutis” colocados nas medidas provisórias.

Nessa toada, a tão necessária Reforma da Previdência, cantada e decantada em prosa e verso pela sua urgência, acaba aumentando o seu nível de patinação diante de um pleito totalmente inoportuno. Como a estratégia faz falta num momento como esse! Nesse vai da valsa quanto tempo mais será necessário para que se chegue a uma solução consistente e defensável?

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 23 de março de 2019   Curtas e curtinhas

O Supremo fala, mas não quer ouvir

Esse é o título do artigo do jornalista Elio Gaspari, publicado na Folha de São Paulo na quarta, 20/03, abordando o momento pelo qual passa o Supremo Tribunal Federal. Segue um trecho:

Juízes e procuradores não gostam de contestações fora do ritual dos processos. Quando veem discutidas suas decisões, falhas ou incompetências, buscam a proteção do corporativismo e transformam as críticas em ataques às instituições a que pertencem. Seria mais razoável que cada um recorresse aos tribunais, como devem fazer aquelas pessoas a quem ninguém chama da “excelência”.

Aumento salarial

Os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte votaram, em primeiro turno, um aumento salarial de 7% a partir de maio para os seus 338 servidores concursados e para os 785 contratados em recrutamento amplo pelos gabinetes dos edis. Na prática, os servidores terão um ganho real nos salários, fato raro nos tempos atuais do país, pois a inflação medida pelo IPCA do IBGE ficou em 2018 ficou 3,75%. Os vereadores estão no terceiro ano do atual mandato e na votação 38 foram a favor do aumento e 2 contra. No ano passado o aumento foi de 10% perante uma inflação de 2,95% no ano anterior.

Sempre o déficit público

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgou relatório sobre o déficit da Previdência Social em 2018. O Regime Geral da Previdência Social – RGPS, que abrange 32 milhões de pessoas da iniciativa privada e das empresas estatais, teve um déficit de R$195,2 bilhões (2,9% do PIB). O Regime Próprio da Previdência Social – RPPS dos servidores federais registrou um rombo de R$90,3 bilhões (1,3% do PIB) enquanto o dos servidores estaduais e municipais está estimado em R$ 104,2 bilhões (1,5% do PIB). O RPPS abrange cerca de 3,5 milhões de servidores, ou seja, pouco mais de 10% do RGPS.

A recessão econômica de 2015 e 2016 e o pequeno crescimento do PIB em 2017 e 2018 contracenam com o aumento das despesas previdenciárias muito acima da arrecadação, deixando visível uma das causas do atual déficit previdenciário. Ah! se houvesse absoluta transparência sobre todos os fatos e dados que envolvem a previdência social brasileira tanto de militares quanto dos civis do serviço público e do INSS…

Menos domésticos com carteira assinada

Os números da Pnad Contínua no IBGE mostram que cresceu a quantidade de empregados domésticos em 2018, quando chegou a 6,24 milhões de pessoas trabalhando em residências. Entretanto caiu o número de trabalhadores com carteira assinada, que ficou em 1,82 milhão, e subiu a quantidade de trabalhadores informais, que chegou a 4,42 milhões. Nessas condições estão empregados domésticos sem carteira assinada e diaristas, que formam a maioria, além de cuidadores de idosos, jardineiros e motoristas. Pelo visto o mercado de trabalho prosseguirá bem fraco. Se começamos janeiro com a previsão de crescimento da economia em 2,5%, agora, na terceira semana de março, o Banco Central já projeta crescimento de 2,01% ao final do ano. A estratégia para os  trabalhadores continuará sendo a de sobrevivência.

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Temas ligados à saúde das pessoas ao longo do curso de vida tem a capacidade de gerar discussões familiares acaloradas, opiniões incisivas e o uso de muitas informações, por exemplo, da internet, que podem estar corretas ou não.

Também são comuns nessas ocasiões a defesa de cada argumentação citando que caso parecido aconteceu com algum conhecido que ficou bem ou lembrando o caso do pai de um colega de trabalho que acabou falecendo, por exemplo. Mas considerando que cada caso é um caso fica difícil embarcar nessas discussões em que a emoção prevalece.

Aqui vale lembrar que o conhecimento advém de fundamentos e conceitos que dão suporte às técnicas e métodos que, se aplicados adequadamente, podem levar a resultados significativos, inclusive nas questões ligadas à saúde.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades. Como se vê, estamos longe da excelência.

Muitas são as dificuldades enfrentadas por quem precisa resolver um problema ligado à saúde tanto na rede pública quanto na maior parte dos planos privados de saúde suplementar com seus limites técnicos. E o que fazer quando os especialistas divergem em seus diagnósticos e prognósticos?

Ilustra bem a situação o que está acontecendo com uma senhora de 87 anos de idade, viúva, lúcida, com dificuldades motoras e cliente de um plano de saúde de ampla cobertura com reajustes anuais acima de 20% nos últimos 3 anos. Ela tem uma família grande e mora em sua própria residência onde tem o suporte de uma empregada doméstica ao longo do dia e de cuidadoras de idosos todas as noites e nos finais de semana.

Acontece que as condições funcionais vão piorando com o avanço da idade e com ela não é diferente, mesmo com todos os cuidados. É o metabolismo que desafia, a tireoide que ajuda no desânimo, os rins brigando com a creatinina, a memória que se enfraquece ou a pressão arterial subindo e descendo tal qual um iô-iô enquanto o coração vira uma palpitação só. No momento, o que mais esta pegando para a idosa é que os especialistas que cuidam dela não estão se entendendo sobre a medida da pressão arterial mais adequada para o seu caso. O geriatra diz que a pressão arterial é aceitável até 16×9 em função da idade, mas com o uso continuo de uma combinação de medicamentos apropriados. Entretanto solicitou o acompanhamento de um cardiologista que, com alguma relutância, acabou concordando com a medida prescrita pelo geriatra. Mas como este também pediu o acompanhamento de um nefrologista e um endocrinologista, os dois propuseram uma meta de pressão arterial a 12×8 e uma ortodoxa dieta, restringindo a quantidade de alimentos ricos em carboidratos e proteínas. O endocrinologista esqueceu-se das dificuldades motoras e chegou a prescrever caminhadas.

Como fazer para combinar tudo isso, os especialistas ainda não disseram. Enquanto isso, a família tenta chegar a um consenso sobre como agir e a idosa manifesta cansaço, além de pouca empatia com o nefrologista e o endocrinologista.

Você já passou por uma situação semelhante? Se sim, qual foi a solução encontrada?

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Vale a leitura

por Luis Borges 14 de março de 2019   Vale a leitura

Há oportunidades de trabalho depois dos 60?

A lei brasileira define que pessoas idosas são aquelas que têm idade de 60 anos em diante. Já as oportunidades de trabalho ficam ao sabor do mercado, que nem sempre é amigável com as pessoas mais idosas. Mas, de uma maneira ou de outra, é essencial a formulação de uma estratégia para a sobrevivência e uma saída pode ser o descobrimento de algumas necessidades das pessoas que são pouco percebidas pelo mercado. É o que aborda Alice Robb da BBC News no artigo Os profissionais de mais de 60 anos que buscam a vida como freelancers publicado pelo portal UOL.

Um relatório da consultoria Deloitte afirma que 77 milhões de pessoas na Europa, na Índia e nos Estados Unidos se identificam formalmente como freelancers. Só nos Estados Unidos, 3,7 milhões de americanos trabalharam sob demanda em 2016. A cifra americana deve chegar a 9,2 milhões em 2021, segundo estimativa da empresa de pesquisa Intuit e Emergent Research.

Com que dinheiro sustentar a longevidade?

Boa saúde, qualidade de vida, manutenção das amizades, atividades sociais voluntárias… fazem parte dos sonhos e propósitos da vida de muita gente também para os tempos que virão depois da aposentadoria. Será que tudo poderá ser bancado apenas pelos proventos do INSS, por exemplo? É claro que não será uma resposta bem provável. Então, o que fazer para não passar tanto aperto ou suavizar o tempo a mais que será vivido após cumprir os requisitos para a aposentadoria? Leia uma interessante abordagem de Márcia Dessen em seu artigo Tempo, o senhor da equação, publicado pela Folha de São Paulo.

Quais são os ingredientes para fazer o patrimônio crescer e durar tempo suficiente para nossa sobrevivência? São três os ingredientes: o dinheiro que formos capazes de poupar; os rendimentos, frutos que o dinheiro poupado produzirá, trabalhando por nós; e o tempo, senhor da equação que determina o montante desse patrimônio no futuro. Muitos não guardam nada para o futuro, preferem viver o presente, desfrutando de prazeres imediatos. Outros afirmam que não poupam porque não sobra dinheiro. Não sobra porque estão destinando os recursos a outros objetivos, ou nenhum, o dinheiro está simplesmente pagando as contas do padrão de vida escolhido.

O desemprego prossegue firme

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,50% em 2014, passou dois anos em profunda recessão ao ficar negativo em 3,50% em 2015 e 3,30% em 2016. Começou uma lentíssima recuperação em 2017 quando cresceu 1,1%, índice que se repetiu em 2018. Assim a quantidade de pessoas desempregadas, desalentadas e subutilizadas continua altíssima em meio a inúmeros temas nacionais que surgem todo dia na pauta ajudando a mascarar muitos problemas tão crônicos como este relacionado ao trabalho. Nesse sentido o jornalista Ricardo Kotscho chama a atenção em seu artigo Tragédia brasileira: já são 12,7 milhões de desempregados. Quem se importa com eles? publicado em seu blog Balaio do Kotscho.

 “…não ouvi até agora nenhum empoderado da nova ordem falar em como ao menos minorar o sofrimento dos que estão sem carteira assinada. Justiça seja feita, também não vejo nenhum líder das oposições preocupado em apresentar qualquer proposta para dar um alento a esta crescente multidão de desempregados sem direito a férias, 13º salário, assistência médica, aquelas coisa de antigamente.”.

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