A saúde na hora da verdade

por Luis Borges 8 de julho de 2014   Pensata

Começou com uma forte gripe, acompanhada por febre. A visita ao hospital se tornou insistência e incerteza, em busca de uma internação. Um engenheiro e sua família estão vivendo a experiência desde a semana passada.

A consulta foi num grande hospital de Belo Horizonte, credenciado pelo plano de saúde complementar do engenheiro, que contratou uma modalidade de ampla cobertura. Ele enfrentou as dificuldades de praxe. Custou para conseguir um horário de atendimento, aguardou pacientemente o já clássico atraso do médico, que sempre tem suas razões.

Recebido pelo doutor, teve que fazer alguns exames de diagnóstico por imagem no próprio hospital, para que o profissional desse o veredito. Apesar do contrato amplo e das mensalidades em dia, a família gastou a pouca energia restante para conseguir liberar os exames junto à operadora.

Já perto das 21h, o médico informou que se tratava de uma pneumonia simples. Deveria ser tratada imediatamente, durante uma internação hospitalar. Depois dos outros percalços, abriu-se uma caixa de pandora. Sem apartamentos disponíveis para internação e sem ninguém para interceder, o paciente foi internado no pronto-atendimento, juntando-se a outros dez colegas em busca de alívio para suas dores. O hospital acenou, sem garantias, com a possibilidade de surgir alguma vaga no dia seguinte para internação em apartamento, modalidade coberta pelo plano.

Medicado, o engenheiro dormiu. Uma anti-ergonômica cadeira acomodava a vigília de sua esposa, que ficou do lado de fora, naquele ambiente pouco funcional.

No meio da tarde do dia seguinte, por volta das 16h, um apartamento foi liberado e prontamente ocupado por ele que, por sua vez, liberou uma vaga no pronto-atendimento. Vencida a batalha pela acomodação, o paciente foi informado do conclave. Os médicos se reuniriam à noite para, na manhã seguinte, apresentar diagnóstico mais conclusivo. Mais uma noite mal dormida pela frente.

O tratamento está em curso, ainda deve durar algumas semanas. A situação que vemos com mais frequência na mídia e nas histórias de “amigos de amigos” se torna lição quando próxima. A família adotou uma estratégia de sobrevivência. Mesmo assim, é impossível relevar a arrogância, o autoritarismo e a postura de proprietários da verdade manifestada por muitas das pessoas que fizeram parte desse processo de atendimento. Será que o plano de saúde não avalia a qualidade de seus fornecedores? O plano se dá por satisfeito apenas pelo simples fato de ter seus cliente atendidos, no tempo do fornecedor? Não dá para ajudar a esconder o que é ruim e só faturar o que é notícia boa.

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Vale a leitura

por Luis Borges 7 de julho de 2014   Vale a leitura

Vai chover? – O tema universal de conversas de elevador depende de complexos modelos matemáticos e programas de computador. Entenda como é feita a previsão do tempo lendo este artigo. 

Os movimentos do ar e as interações entre oceano, atmosfera e continente são descritos através de equações. Essas equações possuem muitos parâmetros e só podem ser resolvidas por supercomputadores, nos quais meteorologistas e programadores constroem um intrincado conjunto de rotinas e programas, que formam os modelos meteorológicos.

Lixo – Os materiais que não queremos em nossas casas e consideramos como rejeitos são descartados imediatamente, muitas vezes pela janela do carro. Em outras vezes, estão até embalados corretamente, mas são colocados na rua fora do dia da coleta. O comportamento é cultural, como demonstra o autor deste texto. No mês que vem deveriam acabar os lixões no Brasil, meta que não deve ser cumprida no país que é o quinto maior produtor de lixo do planeta, segundo a ONU. Os japoneses, que surpreenderam ao limpar os estádios, são exemplo também na forma de lidar com o lixo doméstico, como mostra o artigo.

Encolhimento – De 720 para 540g, de 40 para 30m. Nos 20 anos do plano Real, diversos produtos tomaram caminho contrário do valor de compra da moeda e diminuíram, como mostra esta matéria da Folha. As razões principais são a mudança no perfil das famílias e a possibilidade de acomodar a inflação sem alterar muito os preços dos produtos.

Pouco esforço para muito resultado – Duas ações simples têm impacto positivo considerável na sua vida financeira. É o que Eduardo Amuri detalha neste texto.

Acompanhando a vida financeira de algumas pessoas, acabo levantando muitas propostas de melhoria, muitos pontos que poderiam ser alterados.

Apesar das possibilidades numerosas, conversando com amigos e ex-clientes e analisando alguns casos de sucesso, caí no Pareto de novo: algumas pequenas mudanças na nossa vida financeira são muito mais poderosas que outras. São elas que impulsionam melhorias significativas de verdade.

Automatizar seus depósitos na poupança e sacar o valor destinado aos seus gastos semanais são as mudanças que geram mais resultados, de acordo com o autor, e impulsionam as que virão depois.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 3 de julho de 2014   Curtas e curtinhas

Rejeição – Imagine que você seja o diretor de gestão da marca do seu negócio, cargo que ainda é conhecido como diretor de marketing. Qual seria seu nível de pânico e choro ao perceber que, numa pesquisa, o seu principal bem apresenta rejeição de 40%?

IPI reduzido e os municípios – Mais uma vez os municípios brasileiros não foram consultados. E mais uma vez o  Governo Federal abriu mão da parte deles para manter as taxas atuais, reduzidas, do IPI de móveis e automóveis. O que restará ser feito pelos prefeitos que ousaram contar em seus orçamentos para os seis meses finais do ano com a alíquota de 7% do IPI e seus respectivos repasses?

Superávit e Déficit – A meta de superávit primário da economia brasileira, usada para ajudar a pagar as dívidas públicas, vem sendo empurrada para percentuais cada vez menores do PIB. Essa gestão tem sido feita de maneira tão descompromissada que, em maio, o país conseguiu chegar ao déficit primário explícito. Como o governo não consegue cortar custos, o jeito é tentar a via mais fácil, a do aumento dos impostos. Já tem economista, ex-diretor do Banco Central, propondo a volta da CPMF. Obviamente que em nova maquiagem, embalada pela contabilidade criativa.

A Caixa arranca – A Caixa Econômica Federal passou a cobrar a taxa de R$ 20,30 mensais a título de manutenção da conta corrente das pessoas jurídicas. A gestão não conseguiu esconder sua ruindade no combate aos custos. Claro que isso apenas se soma aos valores já cobrados na cesta de tarifas já praticada pelo banco social do Governo Federal. País rico é país sem pobreza.

El Niño – Será que está claro no planejamento estratégico do Operador Nacional do Sistema Elétrico que as águas do Oceano Pacífico estão sujeitas a um maior aquecimento devido ao fenômeno El Niño? Senão daqui a algum tempo vai aparecer autoridade falando em aumento de chuvas no Sul e de seca no Norte e Nordeste para justificar a geração de energia através das usinas térmicas. Aí só faltará ao gestor dizer ao país que R$ 80 a R$100 bilhões serão acrescentados às tarifas para cobrir aquilo que o planejamento não conseguiu enxergar a tempo. A história se repetirá como farsa, tragédia ou comédia?

Fim do lixão – A Política Nacional de Resíduos Sólidos tinha como meta o fim dos lixões a céu aberto no país em 03 de agosto de 2014. Como já se sabe, ela não será atingida. Mais uma vez será hora de se analisar as causas desse fracasso. Será que a meta foi muito maluca, inatingível a priori?

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1494 – O Tratado de Tordesilhas foi ratificado pela Espanha.

1566 – Morreu o profeta Nostradamus.

1823 – Foi decretada a independência do estado da Bahia.

1843 – Morreu Samuel Hahnemann, criador da medicina homeopática.

1897 – O italiano Guglielmo Marconi patenteou o rádio.

1900 – Conde Von Zeppelin fez a primeira demonstração de um dirigível.

1903 – Cuba arrendou a baía de Guantánamo para os Estados Unidos construírem uma base naval.

1940 – O salário mínimo passou a vigorar no Brasil

1961 – O mundo deu adeus a Ernest Hemingway, autor de “O velho e o mar”, que suicidou-se aos 62 anos de idade após uma crise depressiva.

1976 – Vietnã do Norte e do Sul se reunificaram.

2008 – Libertação de Ingrid Betancourt, que foi senadora e candidata à presidência da Colômbia, após quase seis anos de sequestro em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias  da Colômbia).

2011 – Morreu o ex-presidente Itamar Franco, criador do Plano Real.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 1 de julho de 2014   Curtas e curtinhas

Califa e califado – Duas palavras que frequentarão intensamente a mídia nesse período do ano. Desde as saída das tropas americanas do Iraque, vem ganhando força o Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), que atualmente ocupa espaços ao norte e a oeste do país. A ideia dos líderes sunitas, que não é hegemônica entre os muçulmanos, é criar um califado, que é uma forma de governo centrada na figura do Califa. Ele seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre. Como nesse mundo predomina a divergência, ainda teremos muito o que falar perante umautópica convergência entre as lideranças islâmicas.

ALN 2014 – Permanecem em lugar de destaque na política nacional as citações e referências a quem participou do combate à Ditadura Militar a partir dos anos 60. Apesar de críticas, autocriticas e revisões, fica visível o ardor revolucionário de quem queria mudar o mundo  a partir da teoria dos focos. Muitos militantes dessa época estavam organizados em partidos clandestinos de esquerda, sendo o mais forte deles a Ação Libertadora Nacional (ALN) do ex-deputado Carlos Marighella. Muitos membros da ALN estão hoje em partidos legais como PT, PSDB, PDT, PSB, PV, PSOL, PPS e PTB. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), era líder estudantil em 1968, militante da ALN. Ontem, foi lançado como candidato a vice-presidente da república, na chapa puro sangue de seu partido. Será que haverá um bom recall nessa sua empreitada? Com certeza isso renderá bons espaços nas mídias.

Casamentos convenientes – Findo o prazo para a realização das convenções partidárias, pelo menos formalmente, já se sabe quem vai com quem nas diversas instâncias de poder para as eleições de outubro. Mas, informalmente, ainda poderemos ter muitas variações em torno do mesmo tema, com vidas curtas, discussões da relação e pensamentos fixos no poder, mesmo sabendo que “jacaré casou com cobra d’água”, como diz o povo de Goiás.

Tempo de rádio e TV – Considerados fatores críticos para sucesso ou fracasso e alvos de intensas negociações entre partidos, os espaços para exposição no rádio e na TV foram os objetivos de diversas tentativas de alianças. Fica agora o desafio às coligações partidárias, de produzir conteúdo excelente para mostrar aos eleitores. Caso contrário, será duro ver o tempo passar, principalmente daqueles partidos que têm carga-horária maior.

Bolsas e carteiras – Você usa bolsas e carteiras com qual intensidade e frequência? Ao comprá-las, de onde saem os recursos? Eles são do seu próprio centro de custos? No Superior Tribunal de Justiça foram encomendados 19 porta-documentos em couro legítimo para uso de seus ministros. Estão orçados em R$ 7.800,00, pouco mais de 410 reais cada.

20 anos do Plano Real – Chegamos aos 20 anos do Plano Real com o grande desafio de apagar a memória inflacionária. Mas os erros da gestão nos impedem de fazer isso. Basta verificar que mensalmente, nos últimos três anos, pouco se lembra que a meta de inflação anual é de 4,5%. Sempre se mantém o foco das discussões na justificativa de que os 6,5% do teto eufemístico da meta não serão ultrapassados. E, claro, principalmente evitando-se os reajustes dos preços administrados pelo próprio governo, como transportes coletivos, combustíveis, energia…

De PIB a pibinho – Exatamente na metade do ano, o Boletim Focus do Banco Central projeta crescimento de 1,10% para o PIB em 2014. Como os números não mentem, devemos acreditar cada vez mais no pibinho, sempre sabedores de que tudo está sobre controle.

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Ipê roxo começando a florir

O ipê roxo na rua Javari, em Belo Horizonte, já perdeu quase todas as folhas e começa sua caminhada para se encher de pequenas flores.

Os ipês florescem no inverno e frutificam na primavera. Mas para perceber isso é preciso olhar, olhar, mirar, mirar. Este é um desafio para a maioria das pessoas que andam pelas ruas das cidades e pelas estradas de Minas, automatizadas pelo fluxo do trânsito sempre volumoso e pela necessidade de dar vazão às informações que chegam pelo dispositivo tecnológico. As flores dos ipês começam a surgir pelo roxo e prosseguirão pelo branco, amarelo e rosa. Elas simbolizam as flores do Brasil e merecem ser melhor percebidas, contempladas e cuidadas, ainda que isso possa parecer uma utopia em plena era do desequilíbrio ambiental na terra aquecida.

Ipê amarelo começando a florescer

Já este, no bairro de Santa Tereza, também em BH, começa a florir sem perder as folhas.

Flores de ipê amarelo

Flores de ipê amarelo (Fotos do post: Marina Borges)

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Vale a leitura

por Luis Borges 29 de junho de 2014   Vale a leitura

Mais nocivos – A tecnologia avançou, mas os cigarros vendidos atualmente são mais nocivos à saúde que os de 1964. Segundo matéria do JB, o problema é que os fabricantes aumentaram a concentração de nicotina e incluíram compostos que potencializam o efeito da substância, como amônia e açúcar.

Ocupações – Um novo colunista estreou na Folha na semana que passou. É o filósofo Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). De cara, escolheu apresentar o ponto de vista daqueles que ocupam os terrenos privados, dando uma receita para acabar com as ocupações. Uma forma de entender “o outro lado”, como gosta de dizer o jornal.

A receita é política. Combater a especulação imobiliária com regulação de mercado, tirar o controle da política urbana das mãos das grandes empreiteiras e desenvolver uma estratégia de desapropriação de terras que recupere a capacidade do poder público de planejar a política habitacional. Esses são importantes passos para quem quiser de fato acabar com as ocupações urbanas no Brasil.

Será que estão todos dispostos a defendê-los?

Influenciáveis – Ver outra pessoa bocejando dá vontade de fazer o mesmo? Uma nova pesquisa aponta que, no frio, o bocejo é menos “contagioso”. Para esses cientistas que conduziram o estudo, o ato serviria para resfriar o cérebro. Como diz a matéria, é uma explicação mais simpática para quando a abrição de boca vem em momentos impróprios.

Fogo amigo – Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro enfrenta, agora, a oposição de um ex-ministro. Demitido, Jorge Giordani, que estava no Ministério do Planejamento, acusou o chefe de estado de corrupção e de abuso nos gastos públicos para garantir sua eleição em 2012. Duas bandeiras da oposição. O artigo de Clóvis Rossi detalha o assunto.

Aposentadoria? – Na política brasileira, o assunto da semana foi a aposentadoria de José Sarney. Ele, que assumiu o primeiro cargo aos 36 anos, momento documentado por Gláuber Rocha e continua décadas depois, ocupando uma cadeira no Senado. Neste excelente artigo, Josias de Souza explica que, mesmo aposentado, o ideário de Sarney continuará persistindo.

Aposentado, Sarney cuidará para que “Sarney” não descuide de sua missão. Que é a de servir de inspiração para todos os políticos que sonham com a transposição do atraso de suas almas regionais para dentro das instituições federais. Iniciado com a chegada das caravelas, esse plano de institucionalizar o atraso está em execução permanente.

Óculos – Uma pesquisa científica relacionou os níveis de escolaridade de uma população à ocorrência de miopia. Mais de 4600 alemães de idades variadas foram avaliados por cientistas da Universidade de Mainz. Foram analisadas predisposições genéticas e a escolaridade. A conclusão foi de que 53% dos formados em universidades tinham o problema e que cada ano de estudo aumentava o risco de desenvolver miopia. A reportagem completa está neste link.

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