Renovação x Legado

por Luis Borges 29 de maio de 2014   Pensata

Por Igor Costoli

Comparando as últimas copas, chama a atenção um aspecto negativo no modo como encaramos resultados: política de terra arrasada e a falta de planejamento para longo prazo.

Após o fracasso do Brasil em 2006, Dunga entrou com ordens de renovar a seleção. Cumpriu parcialmente. Se por um lado barrou medalhões sem espírito de grupo, por outro montou uma seleção envelhecida. Apenas Ramires tinha menos de 23 anos na Copa da África. Para efeito de comparação, a Alemanha levou 9 atletas nessa faixa, a Argentina levou 7 e a Espanha foi com 6.

Também chama a atenção que, em 2014, pela primeira vez em 20 anos, o Brasil vai à Copa sem nenhum campeão Mundial no elenco. O time de 2010 tinha Gilberto Silva, Lúcio, Kleberson e Kaká, vitoriosos de 2002.

Com experiência em Mundiais, retornam Júlio César, Daniel Alves, Maicon, Ramires e Thiago Silva, em sua maioria reservas do grupo de Dunga. A eles soma-se Fred, reserva na Alemanha em 2006.

É verdade que o Brasil revela muitos jogadores, e talvez por isso tantas apostas se percam. Mas as mudanças drásticas dizem muito sobre como agimos em caso de derrota. Basta comparar com outras grandes seleções, em que muitos nomes se repetem há três Mundiais ou mais. É o caso do goleiro Buffon, que esteve no grupo italiano que foi à Copa de 1998, na França, e vem ao Brasil para seu quinto Mundial. 

E isso tudo, é garantia de quê? Bem, esse é o interessante do futebol: garantia de nada. O Brasil recente com maior número de ex-campeões convocados foi justamente 2006, com dez atletas. E o último a ir para uma Copa sem campeões levantou o caneco em 1994, sob o comando de Parreira.

Seleção campeã de 1994

Seleção campeã de 1994
Fonte: site Storie di Calcio

Igor Costoli é jornalista e radialista de formação e atleticano de coração. É produtor e apresentador do Programa Invasões Bárbaras; na Rádio UFMG Educativa.  

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Quatro anos depois

por Luis Borges 28 de maio de 2014   Pensata

por Igor Costoli

Na última segunda começou a apresentação dos jogadores brasileiros para o Mundial. Duas semanas antes, quando saiu a lista dos convocados, não havia surpresas. Felipão é, em grande medida, previsível. Não havia polêmicas quanto aos últimos nomes, nem os que ficaram de fora mereceram longo debate.

Coube então, ao brasileiro, se divertir. Nas redes sociais, muitos recordaram da capa de julho de 2010 da revista Placar, que apostava em Pato e Ganso para a Copa de 2014. Muitas outras revistas e analistas da época iam pelo mesmo caminho, sempre tendo nos dois a referência de futuro para a seleção.

Capa da Placar - Julho de 2010

Capa da Placar – Julho de 2010

E o que aconteceu, quatro anos depois?

A primeira observação é que se repetiu um fenômeno curioso. Das revelações surgidas na base santista em 2002, todos apostavam em Diego, meio campo criativo, como jogador mais maduro, e que com certeza estaria pronto para a Copa seguinte. Jamais foi a um Mundial, ao contrário de seu companheiro Robinho, que esteve em dois.

O caso se repetiu nesses quatro anos. Quando se imaginava Ganso como o grande maestro do Brasil em 2014, eis que a maior esperança hoje reside, na verdade, em seu companheiro menos prestigiado de 2010, Neymar.

Sobre Alexandre Pato, nada melhor que as palavras de Tostão: “um jogador que é, sem nunca ter sido”. Apesar do começo meteórico e da venda ao Milan antes dos 18 anos, o atleta nunca jogou à altura da expectativa que criara.

Em comum, é verdade, registre-se que Ganso e Pato conviveram com lesões nesses últimos quatro anos. Mas não se pode dizer que seu desempenho saudável os credenciava a esperar algo na convocação.

Mas os dois foram os únicos a ficar pelo caminho? Não: a seleção olímpica, cujo objetivo principal era formar a base renovada para esta Copa, falhou como projeto. À exceção de Neymar e Oscar, todos os outros jogadores da campanha de prata com Mano Menezes estão fora, incluindo Lucas e Leandro Damião. Talvez haja algo mais a se observar no trabalho feito até aqui.

A segunda parte do texto será publicada amanhã.

Igor Costoli é jornalista e radialista de formação e atleticano de coração. É produtor e apresentador do Programa Invasões Bárbaras; na Rádio UFMG Educativa.  

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Um amigo foi indicado para um cargo de chefia. Um parente comprou um apartamento novo. O colega de trabalho vai pra Europa. O que esses três casos têm em comum? Provavelmente você vai ouvir um “ah, mas fulano merece!” quando comentar com outra pessoa.

Ivan Lins e Paulo César Pinheiro são autores da música A gente merece ser feliz, muito adequada para esses casos. Abaixo, você pode ouvi-la na interpretação de Lins. Vale a pena voltar à canção nesse tempo de plena eferverscência de manifestações, protestos e greves, embalados pelas vésperas da Copa do Mundo. Como se sabe, “o melhor da festa é esperar por ela”.

Com os versos na cabeça, penso: o que sonhar? O que fazer? O que criar em nosso país de alta entropia, que quer ser feliz com justiça e paz? Temos líderes, pessoas da vanguarda, que apresentem as capacidades de saber ouvir e saber falar? São perguntas para este ano eleitoral, com inflação em alta e perda de poder aquisitivo.

Disseram Ivan e Paulo na música:

“Que apesar de tanta mágoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz.”

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Cerejeira florida

Cerejeira florida

A beleza das cerejeiras em flor não é vista apenas no Japão, mas também nos quintais franceses. Agora a primavera caminha para seu final no hemisfério Norte e mostra belezas como essas, na região da Savoie, no sudeste da França. Abaixo, você verá uma singela cesta de coloridos ovos de galinhas. Alguns diriam galinhas felizes, criadas soltas no quintal. Tudo vem desse espaço de uma residência da região, onde a simplicidade convive de maneira natural com a vida. Como as coisas simples são as mais difíceis de se atingir, não é demais lembrarmos que provavelmente muitas crianças, de lá ou do Brasil, não conhecem ao vivo uma galinha ou um galo da família dos galináceos.

Cesta de ovos

Cesta de ovos

Já que estamos falando da França, vale lembrar que o país tem uma população de pouco mais de 65 milhões de habitantes de acordo com o Censo de 2010. O índice de desenvolvimento humano (IDH) está em 0,893. É um país de 543.965 km² e PIB per capita de US$ 35.048.

É comum ouvir dizer que a França é do tamanho de Minas Gerais, o que é correto. Minas é um pouquinho maior, com 586.522,122 km². Nossa população é bem menor, são 20,5 milhões de habitantes, com IDH 0,713 e PIB per capita de US$8.077,22 levando em conta a cotação do dia 23/05/2014.

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Vale a leitura

por Luis Borges 23 de maio de 2014   Vale a leitura

O gato está subindo no telhado – A partir das mostras de desconfiança internacionais na capacidade do Brasil e da cidade do Rio de Janeiro sediarem as Olimpíadas de 2016, Clóvis Rossi analisa a imagem brasileira no exterior.

É possível, mas falta vontade política – Ainda sobre os jogos Rio 2016, a opinião de um respeitado biólogo sobre a despoluição da Baía da Guanabara.

HomossexualidadesEduardo Costa fala do lançamento do livro da psiquiatra e psicanalista Gilda Paoliello, que aborda uma perspectiva histórica da homossexualidade, e faz alguns comentários sobre o tema.

Não seja paternalista! – Alfredo Assumpção faz um alerta aos chefes e líderes, argumentando contra o paternalismo em relação aos funcionários e liderados. Leia o artigo completo aqui.

O paternalismo pode ser encontrado em qualquer tipo de empresa, não importa seu tamanho. Basta ter um líder que, na preocupação de fazer com que tudo aconteça da forma mais correta possível, acompanha o passo a passo do liderado, impedindo que a pessoa erre. A pessoa, como nunca erra, porque tem um paizão do lado cuidando para que não erre, desacostuma-se a aprender com erros e acaba ficando inutilizada para resolver todos seus demais problemas corriqueiros durante a vida. No dia que sair da tutela deste chefe protetor se sentirá perdida.

Só mães nas reuniões – As mães são mais presentes que os pais nas reuniões escolares, mesmo quando pai e mãe trabalham fora. Segundo coordenadores de escolas ouvidos pelo blog Abecedário, a presença dos homens tem aumentado nos últimos dez anos, mas ainda é baixa. O texto relembra algo básico mas esquecido – quanto mais a família participar da rotina escolar dos filhos, melhor será o rendimento deles. E você? Tem participado ativamente da rotina escolar do seu filho?

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Um ano se passou após as manifestações de diversos segmentos e camadas da sociedade brasileira ocorridas por ocasião da Copa das Confederações. Os sinais de insatisfação das pessoas com seus representantes e com as estruturas que lhes dão suporte ficaram claros. Ainda assim, a maioria deles não captou plenamente a mensagem. E também não se preocuparam em buscar soluções concretas para os problemas, mesmo que implementadas num determinado espaço de tempo definido de maneira negociada em função de recursos, prioridades e correlação de forças.

Ficaram imagens e percepções da horizontalidade dos movimentos, mesmo com o assembleísmo de alguns, lideranças difusas, negação à participação de partidos políticos e também a presença de pessoas que não quiseram mostrar a cara. Também ficaram a violência, os confrontos com a polícia, alguns momentos de contemplação da polícia, as quebradeiras e os incêndios.

Faltando 21 dias para o início dos jogos da Copa, os movimentos sociais, as diversas categorias de profissionais em greve e as pessoas atingidas diretamente pelos preparativos para o evento já entraram em campo para fazer valer suas reivindicações, há pelo menos duas semanas.

Ainda que muita gente não volte às ruas, pelo temor da violência dos mais exaltados que quebram e incendeiam bens públicos ou privados, o que fica para ser melhor percebido é a intensidade de cada evento ao longo do país. As manifestações serão mais percebidas pela qualidade política das reivindicações ou pela quantidade de pessoas nos movimentos? O jeito será observar e analisar o processo durante o seu desenrolar. Os fatos e dados vão gerar informações que poderão ser transformadas em conhecimento para orientar a tomada de decisões que nortearão os rumos da sociedade nos seus níveis de convivência. Caminhemos.

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O BRT/Move é o assunto da semana em Belo Horizonte, após a entrada em operação do Corredor Antônio Carlos e da Estação Pampulha. 

Aproveitamos para recordar algumas promessas do ano de 2009, todas publicadas no portal da Bhtrans. No link também é possível ver as outras vezes que o termo “BRT” aparece no site da empresa e relembrar outros pontos implantação do sistema na cidade.

09/09 – BH não vai parar
Presidente da BHTRANS afirma que o trânsito da capital não vai ficar engessado dentro de alguns anos como indicam alguns estudos e diz que várias ações estão encaminhadas para que a cidade corrija problemas históricos. 
20/09 – Soluções de mobilidade são debatidas em seminário da PBH
Prefeito assina convênio de cooperação com instituto que desenvolve projetos em vários países para solucionar problemas de mobilidade. 
 
01/10 – Curitiba inspira projeto de transporte para jogos
Capital paranaense inaugura 6º corredor expresso e chega a 81 quilômetros de vias exclusivas para ônibus.
 
01/10 – BHTRANS aponta soluções para o transporte público em Congresso
Investimentos em mobilidade urbana, com Transporte Rápido por Ônibus, prepara capital mineira para Copa de 2014.
O presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS), Ramon Victor Cesar, ao participar do 17° Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito que termina nesta sexta-feira (2 de outubro) em Curitiba (PR), afirmou que Belo Horizonte está se preparando para a Copa do Mundo de 2014 e um dos principais projetos de mobilidade urbana para a realização do evento, o BRT (Bus Rapid Transit), o Transporte Rápido por Ônibus da avenida Antônio Carlos, deverá ter concluída sua fase de licitação em outubro próximo e ser concluído em nove meses, tendo início de implantação ainda no segundo semestre de 2010.
 
14/10 – Implantação do Bus Rapid Transit (BRT) e Anel Rodoviário definidos como prioridades
Viurbs é apresentado ao conselho de desenvolvimento metropolitano com impacto sobre 54% do tráfego de BH. 

O programa de Reestruturação Viária e Urbana de Belo Horizonte (Viurbs/Corta Caminho), que visa melhorar o sistema de vias da cidade por meio de um conjunto de propostas que prevê 148 intervenções para criar alternativas transversais de trânsito de uma região a outra, des­con­gestionando o hipercentro da capital foi apresentado à  reunião do Conselho Metropolitano da Região Metropolitana realizada na sede da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Políticas Urbanas.
 
20/11 – PAC vai liberar R$ 700 mi para destravar o trânsito de BH 
Governo Federal cria linha de crédito para financiar obras de mobilidade; capital mineira vai implantar corredores rápidos de ônibus. 
 
16/12 – BH vai receber R$ 1 bilhão para investir em obras de mobilidade
Articulação de recursos junto ao Governo Federal foi tratada em reunião em Brasília. 

Os projetos em mobilidade urbana de Belo Horizonte ganham impulso com a articulação de recursos da ordem de R$ 1 bilhão entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Governo Federal, por meio do Ministério das Cidades. Os empreendimentos a serem financiados têm previsão de serem finalizados até o final de 2012.
 
22/12 – PBH a um passo da contratação de recursos para a Copa 2014
Valor será aplicado no sistema Bus Rapid Transit que transporta maior número de passageiros e com mais rapidez. 

A Câmara Municipal aprovou, em primeiro turno, com 31 votos a favor e uma abstenção, o Projeto de Lei 853/09, que autoriza o Executivo a contratar empréstimo de RS 1,6 bilhão para o início, no ano que vem, de obras de mobilidade urbana.
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