Mamãe eu quero

por Luis Borges 7 de janeiro de 2015   Música na conjuntura

Dias atrás uma criança de uns 10 anos de idade deu uma tremenda birra em um shopping center da cidade. Aos berros, pisando duro no chão, ela dizia a seus pais: “eu quero tudo!”. O número de transeuntes parando para ver o “barraco” crescia, enquanto os pais tentavam acabar com a cena e deixar o local rapidamente.

A situação me fez pensar em um paralelo com a presente temporada de posses dos eleitos no pleito de 2014. O mercado dos serviços públicos está em plena negociação. É hora de formar ou ratificar as estruturas organizacionais que, com os respectivos cargos, funções e remunerações, darão suporte ao negócio.

Há muitas variáveis, muitos interesses e desejos estão em jogo. Geralmente contemplam-se alianças eleitorais, militantes, profissionais sem filiação partidária e também há retorno para os que investiram tempo e dinheiro na campanha vitoriosa. Tudo é possível na cultura da Lei de Gérson, da goela larga e do “quero tudo para a minha turma”. Só no executivo federal são 39 ministérios, além de autarquias, fundações e empresas estatais que também se fazem presentes em 26 estados e no Distrito Federal. São milhares de cargos de confiança a serem preenchidos por recrutamento amplo. Mas é preciso lembrar, também, do poder legislativo e de todos os cargos que serão preenchidos nos governos estaduais. Se o bolo é grande, a fome de muitos também é grande.

A 38 dias do Carnaval dá para pegar embalo cantando Mamãe eu quero, uma das mais famosas e perenes marchinhas dos nossos carnavais. Ela foi composta em 1937 por Vicente de Paiva e Jararaca, que também fez a sua primeira gravação. Foi regravada por Silvio Caldas, Pixinguinha e Carmem Miranda, que fez dela um grande sucesso internacional com o nome I want my mama. Confira a seguir a letra e a musica na voz de Carmem Miranda.

Dá para cantar junto?

Mamãe eu quero
Fonte: Vagalume - letra modificada para ficar igual à cantada por Carmen Miranda no vídeo acima

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira em vem entrar no meu cordão
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito
E tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana
  Comentários
 

Calor e contas

por Luis Borges 6 de janeiro de 2015   Pensata

Janeiro chegou com temperaturas acima da média de anos anteriores e chuvas bem aquém da série histórica. É praticamente um prolongamento de dezembro, marcado por um grande desconforto térmico, que inclusive atrapalha o sono e faz com que a gente se sinta um mulambo no início da manhã.

Desconforto também veio da situação econômica. Passamos por diversos graus de gastança no fim do ano e as contas do verão já estão anunciadas. Nosso “Feliz Ano Novo” novo foi embalado pela perda de poder aquisitivo diante da inflação bem acima da meta, pelo crescimento do PIB ligeiramente acima de zero e pela certeza de quais ombros vão suportar o ajuste fiscal das contas públicas – os nossos.

Fui tentar fazer uma abstração em relação a essas coisas que ficam buzinando na cabeça da gente me deparei com outras bombas de calor, irradiando gastos e gastos. Com o início do ano veio o reajuste do salário mínimo, que indexa alguns pagamentos e serve de justificativa pra outros aumentos. A tarifa de ônibus foi prontamente reajustada, levando em conta a inflação e outras coisinhas mais.

É início de ano e o orçamento doméstico está em confecção. Me propus um exercício: partindo da premissa de que a renda do trabalho será presente ao longo do ano, quais contas também serão obrigatórias? Há uma pequena lista. Em janeiro temos o IPTU, o IPVA, a taxa de lixo, uma parcela da escola, o material escolar. Algumas dessas podem ser parceladas. O IPTU em 11 vezes, o IPVA em três, a escola aparece regularmente em doze meses. As contas básicas estão ali – água, energia elétrica, gás, telefonia, internet, plano de saúde, TV a cabo, seguros, condomínio, auxiliar doméstico. Outras variam de acordo com o dono do orçamento – segurança eletrônica, lavador e guardador de carro, faixa azul, tarifas bancárias, juros do crédito rotativo, dízimo, contribuições para entidades assistenciais, anuidades de associações, mensalidades de clubes… a lista é quase interminável.

Ainda que um ou outro desses itens não entre no seu orçamento, imagine as contas decorrentes de outros gastos que são variáveis, indo da alimentação ao medicamento, do combustível à diversão.

Será que estou sendo muito preciosista e detalhista? Ou essa conta não deve ser fechada, mas apenas gerenciada? O cansaço já foi gerado e, quando nada, ele é preocupante. O que fazer?  Como fazer? Ou, simplesmente, deixar a vida passar? Esse pequeno exercício tem o mérito de ajudar a mostrar onde estamos colocando o nosso salário. Que não é renda, mas paga imposto também.

  Comentários
 

Mercado futuro

por Convidado 5 de janeiro de 2015   Convidado

por Benício Rocha

Então, está decidido!

Após a última assembléia concluímos que não manteremos apenas numa família, limitada, os nossos valores, impedindo que  sejam propagados e apreendidos. Vamos colocá-los na Bolsa de Amor Declarado, abriremos ao mundo a nossa vitória.

Nosso patrimônio, conquistado com ética e trabalho, é o amor ao próximo.

Nosso ativo circulante é a atenção aos excluídos.

Nossos ativos permanentes são a esperança e a determinação na construção de um mundo melhor.

Nossas ações, inicialmente, custarão uma solidariedade. Seus dividendos serão abraços, sorrisos, compreensão, perdão, fraternidade, saúde e paz.

Senhores, somos um sucesso desde já, pois descobrimos que o Aniversariante disse que tudo o que pedirmos, em seu nome, o Senhor fará, ou seja: transformaremos essa fala em um pedido especial para todos os que adquirirem nossas ações!

Você ficará com quantas?

Benício Rocha é caratinguense, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros e aprendiz de servo do Senhor.

  Comentários
 

O que não fazer em 2015

por Luis Borges 4 de janeiro de 2015   Pensata

Quarto dia do ano, 361 para a próxima virada. Você definiu metas para este ano? Conheço pessoas que planejam tudo tim-tim por tim-tim. E também quem não planeja nada, fica no “deixa a vida me levar”.

Acredito que gestão é o que todos precisam, mas nem todos sabem que precisam. Por isso, minha sugestão é começar o ano com um mínimo de planejamento. Começar pequeno, pensando grande e ganhando velocidade com aceleração controlada. Algumas dessas palavras, inclusive, fazem parte de um mantra indiano que tenta dar força às pessoas, sem assustá-las com a dosagem.

Sugiro que você comece pensando em apenas uma política, ou seja, uma orientação geral, para balizar seu posicionamento. Uma das premissas para essa proposição é a de que conhecer o problema a partir de sua observação e análise pode ser metade de sua solução.

Uma segunda sugestão é que você pense no que não fazer, principalmente se você tiver dificuldades de definir pelo outro lado, o que fazer. Decidindo o que não fazer você já traça um excelente início de caminhada.

No fim de 2014 ouvi várias pessoas, de diversas idades e profissões. Perguntei “na lata” – que atitudes e posicionamentos você não se dispõe a repetir em 2015? Insisti para que citassem apenas uma. A seguir, uma pequena amostra do universo abordado.

 

Valorizar os patrulheiros ideológicos ou os proprietários da verdade ancorados no politicamente correto. Cientista Político, 61 anos

Rolar dívida no cartão de crédito rotativo pagando juros de 15% ao mês. Técnico de Enfermagem, 40 anos

Acreditar que o governo de qualquer partido ou coalizão política vai mudar a nossa realidade. Consultor em Gestão de negócios, 52 anos

Protelar decisões sobre minhas questões pessoais. Professora do Ensino Médio, 55 anos

Continuar trabalhando na minha atual profissão. Contadora, 51 anos

Negar a mão a quem me pedir ajuda. Engenheiro e empresário, 70 anos

Engolir sapo nas relações familiares para evitar trombadas. Taxista, 50 anos

Deixar de cuidar da saúde. Engenheiro Mecânico, 30 anos

Casar novamente após 5 tentativas e igual número de demissões. Taxista, 55 anos

Fazer tempestade em copo d’água, sofrer com coisa pouca. Cuidador de Idosos, 33 anos

Ouvir silenciosamente sentenças médicas sem questioná-las. Paisagista, 42 anos

Pensar que meus problemas começarão a ser solucionados a partir das pessoas da família que me rodeiam. Professora de Geografia, 58 anos

Ter mais de 30 pares de sapato ao longo do ano. Relações Públicas, 31 anos

Deixar que o favoritismo que o chefe tem por um colega de trabalho invada minha alma e me empurre para um medicamento tarja preta. Nutricionista, 26 anos

Me embriagar na festa corporativa, para evitar o vexame que protagonizei ao colocar as mágoas para fora. Analista de TI, 39 anos

Viver na ansiedade para encontrar um trabalho ideal. Assistente Social, 36 anos

Ter medo de meta e de avaliação de desempenho. Advogado, 55 anos

Quero saber: o que você pretende não fazer neste 2015? Compartilhe nos comentários.

  2 Comentários
 

O que foi feito deverá

por Luis Borges 31 de dezembro de 2014   Música na conjuntura

Estamos nos últimos momentos do último dia do ano. Só nos resta dar adeus. O tempo segue, passando. Não é permitido nenhum passo atrás, nem pra tomar impulso.

A euforia da virada, o papel picado caindo dos edifícios e o balanço final, consolidando os balancetes do caminho, se misturam aos brindes, aos abraços, à alegria e aos desejos de paz e felicidade.

Para embalar nossas reflexões e inflexões e acalentar nossos sonhos, que poderão até virar metas para o próximo ano, sugiro que você ouça a música O que foi feito deverá, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Clicando no vídeo abaixo, você ouve a interpretação da saudosa Elis Regina, em dueto com Milton Nascimento. Eles emendam a música O que foi feito de Vera, parceria de Milton com Márcio Borges. 

Temos que olhar para fora e para frente, sem esquecer do que já conquistamos. E que consigamos sempre aprender com as falhas, que não nos deixam alcançar tudo o que planejamos.

O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento / Fernando Brant
Fonte: Site Oficial Milton Nascimento

O que foi feito amigo 
De tudo que a gente sonhou 
O que foi feito da vida 
O que foi feito do amor 
Quisera encontrar 
Aquele verso menino 
Que escrevi há tantos anos atrás 

Falo assim sem saudade 
Falo assim por saber 
Se muito vale o já feito 
Mais vale o que será 
E o que foi feito 
É preciso conhecer 
Para melhor prosseguir 

Falo assim sem tristeza 
Falo por acreditar 
Que é cobrando o que fomos 
Que nós iremos crescer 
Outros outubros virão 
Outras manhãs plenas de sol e de luz 

O Que Foi Feito de Vera
Milton Nascimento e Márcio Borges 

Alertem todos alarmas 
Que o homem que eu era voltou 
A tribo toda reunida 
Ração dividida ao sol 
De nossa Vera Cruz 
Quando o descanso era luta pelo pão 
E aventura sem par 

Quando o cansaço era rio 
E rio qualquer dava pé 
E a cabeça rodava 
Num gira-girar de amor 
E até mesmo a fé 
Não era cega nem nada 
Era só nuvem no céu e raiz 

Hoje essa vida só cabe 
Na palma da minha paixão 
De Vera nunca se acabe 
Abelha fazendo o seu mel 
No campo que criei 
Nem vá dormir como pedra 
E esquecer o que foi feito de nós 
  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges 30 de dezembro de 2014   Curtas e curtinhas

Rotatividade no trabalho – O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) informou que 55% dos trabalhadores ficaram menos de um ano no mesmo emprego em 2013. Esse indicador era de 55,2% em 2012 e de 42% em 2003. Essa percepção foi uma das motivadoras das medidas de restrição à concessão do seguro desemprego e consequente redução de gastos do Governo Federal. Os dados também mostram que os segmentos de maior rotatividade são os de call center, agricultura e construção civil.

Aluguel residencial – Segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE  25% das famílias brasileiras gastam até 30% de sua renda com aluguel. Em 2004, o percentual de famílias nessa situação era de 24,6%. Como se vê a moradia própria ainda é um sonho na vida de muita gente.

Inativos – A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostrou um expressivo crescimento do percentual de pessoas inativas no país. Basicamente essas são as pessoas que não trabalham nem procuram emprego. O índice chegou a 30,6% . Em números absolutos, isso significa 51,1 milhões de pessoas com idade superior a 16 anos e em condições de trabalhar.

Concentração de renda – Apesar dos programas governamentais de transferência de renda e do aumento real do valor do salário mínimo, a concentração de renda ainda continua muito acentuada. Segundo os dados indicados pelo IBGE 10% das pessoas concentram 41,7% da renda do país. Uma distribuição de renda mais justa continua sendo um sonho permanente no horizonte.

Elefantes brancos – Foi de R$ 4,4 bilhões o total de investimentos feitos em seis estádios para a Copa do Mundo de futebol cujos estados não terão times na Série A do Campeonato Brasileiro em 2015. Nessa condição estão as arenas Pantanal (Mato Grosso), Mané Garrincha (Distrito Federal), Dunas (Rio Grande do Norte), Fonte Nova (Bahia), Amazônia (Amazonas) e Castelão (Ceará).

  Comentários
 

Se colar, colou!

por Convidado 29 de dezembro de 2014   Convidado

por Luiz Lobo

Outro dia precisei abrir uma conta de minha empresa em um banco. Chegando lá descobri que não poderia, pois estava com uma “restrição” ao meu nome, como pessoa física, que havia sido colocada por uma operadora de TV a cabo. Minha ira subiu até o limite, pois havia encerrado o contrato há 20 meses, tudo o que me foi apresentado foi pago (mesmo o que eu não concordava…) e agora isso? Minha cabeça fervilhava, pensei em milhares de processos, advogados, indenizações…

Saí do banco, que fica em uma rua comercial bem movimentada, e peguei o carro que estava em um estacionamento. Ao andar uma quadra, pensando no processo por danos morais e materiais, fui bruscamente fechado por outro carro, que saiu, sem sinalizar, de onde estava estacionado do lado direito da via (movimentada, como eu já disse) e entrou em uma rua transversal à esquerda. Era um veículo oficial do Tribunal, destes usados por juízes, desembargadores, sei lá. Meu ímpeto de fazer justiça morreu ali.

Cheguei ao escritório e fui, mais uma vez, tentar resolver a pendência com a operadora de TV a cabo. Depois da terceira tentativa me foi informado, como havia sido de outra vez, que tudo estava certo, não havia pendências. Eles asseguraram que a restrição seria retirada, que tinha sido um engano, blá, blá, blá… Conferi depois e, de fato, estava tudo certo. Voltei ao banco e tudo se encaminhou. O problema é que recebi nova cobrança da operadora. Ou seja, vai começar tudo de novo!!!

As operadoras de telefonia e TV a cabo estão entre as mais reclamadas pelos consumidores nos Procons. Vejam bem, é aquele velho golpe do “SCC”: se colar colou! Você paga, pois a quantia é pequena, no meu caso eram R$36,90. Mas imagine isso multiplicado por milhares, todos os dias. Uma minoria reclama. Desta, uma parte menor ainda vai à Justiça onde acaba aceitando acordos baixos e por aí vai. Quer dizer: o crime compensa !

Quando vemos este espetáculo carnavalesco da Justiça em cima de casos chamados “grandes” e que darão fama aos juízes, promotores e advogados, esquecemos que não existe crime pequeno ou crime grande, existe crime e pronto! Se a Justiça (incluo Ministério Publico e polícias neste rol)  é absolutamente ineficaz para resolver causas “menores”, é impossível que resolva os casos “maiores”. No cenário atual, se torna cada vez mais atual uma frase do jornalista Sérgio Porto, o imortal Stanislaw Ponte Preta – “Ou restaura-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. Precisa explicar?

Luiz Lobo, engenheiro, poeta bissexto, casado com Diva, cujo nome já a descreve muito bem, e também blogueiro. Escreve e fala de futebol, embora a bola não goste dele. Também escreve sobre música ou sobre qualquer outra coisa que faça barulho. Gosta de traduzir o economês dos jornais e de falar das coisas que o incomodam na política, sem nenhuma isenção.

  Comentário