Marcha da quarta-feira de cinzas

por Luis Borges 18 de fevereiro de 2015   Sem categoria

O tempo prossegue em seu curso soberano, mesmo medido nos dezesseis diferentes fusos horários que a Terra tem. Por aqui o Carnaval já acabou, mesmo com a resistência de alguns que imaginavam que a quarta-feira de Cinzas não chegaria tão rapidamente.

Para os que gostam e os que não gostam o fato é que já estamos depois do Carnaval e muitas decisões ficaram para ser tomadas a partir de agora. Se é da nossa cultura dizer que o Brasil começa depois do Carnaval, neste ano o Governo Federal já se antecipou e abriu seu saco de maldades bem antes. Tudo foi feito em nome do ajuste fiscal, mas sem assumir explicitamente a sua própria incompetência que faz parte das causas que geraram o problema. Para nós, cidadãos e consumidores, só resta pagar a conta, também depois do Carnaval, na forma de impostos e contribuições obrigatórias num ambiente de perda de poder aquisitivo devido a inflação.

Mas se ainda assim é preciso cantar, lembrei-me de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra que se eternizam na musica Marcha da Quarta-feira de Cinzas. Prosseguiremos cantando mesmo, sabendo que “com tempo ruim, também se dá bom dia”.

 

Marcha da Quarta-feira de Cinzas
Carlos Lyra & Vinicius de Moraes
Fonte: site oficial de Carlos Lyra

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz
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por Benício Rocha

O gostinho de panetone ainda está na minha boca e já me sinto atordoado pelo bombardeio de informações do Carnaval, que chegou em canções, coreografias, corpos sarados, passos ritmados e acelerados.

Considerando a dura realidade do paga-paga que o início de ano sempre traz, chego a pensar que paira no ar o gosto pela fantasia que sufoca a realidade.

E nela cabem não somente os sonhos de um mundo ideal, próprios do Natal, mas também o ainda mais maravilhoso do “tudo permitido, sem consequências” do Carnaval, tão bem mostrado por Chico Buarque em “Noite dos Mascarados” e por Zé Keti em “Máscara Negra”.

Nesse momento de fraternidade alegórica não conseguimos fixar os olhos na realidade ao redor sem correr o risco de sermos vistos como pessimistas ou até apocalípticos. Mas o mar está pra peixe?

Então, quem alimenta em nós tanta fantasia e desejo consciente ou inconsciente de vivermos alheios ao duro mundo real de forma repetida a cada ano? Ou a cada dia?

O sistema? A mídia? Nós mesmos?

Não seria melhor metermos a mão na massa e transformarmos esta terra brasilis num delicioso panetone, repleto de educação, saúde, blá, blá?

Precisamos ficar atentos aos que administram a coisa pública para que não governem nossos sonhos. Mesmo porque, como já disse Paulinho da Viola:

Flutua no ar o desprezo
Desconsiderando a razão
Que o homem não sabe se vai encontrar
Um jeito de dar um jeito na situação

Então, o tempo está passando rápido ou estão jogando a vida para algum momento futuro próximo, que vem e vai, mas que tira nosso foco das coisas verdadeiramente essenciais?

Êta vida de gado!

Vale a pena ficarmos de olho…

*Benício Rocha é caratinguense ausente e saudoso, mineiro da gema, amante da boa prosa, sócio da MGerais Seguros, aprendiz de servo do Senhor.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de fevereiro de 2015   Curtas e curtinhas

Servidores e habitantes – A Câmara dos Deputados terá um orçamento de 5 bilhões de reais em 2015, quando o mesmo for aprovado pelo plenário. O número de servidores ativos e inativos chega a 18.000. Para efeito de comparação, o estado de Minas Gerais possui 642 municípios com população de até 18.000 habitantes, segundo dados do IBGE. Em torno desses limites estão os municípios de Nova Era, Cássia, Lagoa Formosa, Ipaba e Ladainha. Prefeitos, vice-prefeitos, secretários, vereadores e técnicos, administradores e operadores de funções diversas fazem parte do universo de servidores municipais. Haja orçamento e responsabilidade fiscal.

Deteriorando – As expectativas dos analistas quanto aos principais indicadores da economia brasileira em 2015 continuam se deteriorando. Conforme a pesquisa do Boletim Focus desta semana, agora o PIB fechará o ano com crescimento zero, a inflação em 7,15%, bem longe da meta de 4,5%, e a taxa de juros SELIC em 12,50%. Com este cenário, após 40 dias de segundo mandato da Presidente da República, será que alguém arriscaria dizer que ” pior que está não fica”?

Colapso da água – O colapso da água no estado de São Paulo fez com que as ações da Sabesp chegassem ao valor de R$13,30 no último dia 30 de janeiro. Ao compararmos esse valor com a cotação de 30 de dezembro do ano passado, que era de R$ 17,01, veremos que a perda foi de 21,81%. Entretanto, veremos que as mesmas ações valiam R$22,26 em 31/01/2014, o que demostra que a perda em um ano foi de 40,25%. Já as ações da Copasa fecharam a R$15,92 na segunda 09/02, elas que foram lançadas em 2006 valendo R$17,00. A gestão do risco faz parte do dia-a-dia de quem arrisca.

Memória – Ha dois anos a Presidente da República anunciou uma queda de 18,5% nas tarifas de energia elétrica domiciliar. Essa queda forçada foi uma das principais apostas da presidente para reanimar a economia e manter a inflação anual abaixo de 6,5% ao ano. Agora, com os reajustes de janeiro, tudo já foi recuperado pelo tarifaço e a tendência é de aumento, inclusive com o reajuste de mais de 80% na bandeira vermelha após dois meses de vigência. Preços nas alturas, seca prolongada, usinas hidrelétricas a fio d’água, usinas térmicas operando no limite da capacidade e tudo jogado nas costas dos consumidores. Só nos resta o caminho da mudança de hábitos para reduzir o consumo de energia.

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Plenário do Senado durante sessão deliberativa. / Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Móveis e carros do Senado – A manutenção de peças mobiliárias e estofados do Senado custará R$125 mil aos seus cofres no início deste ano. Já para os deslocamentos dos senadores em Brasília serão gastos R$375 mil em serviços de locação de veículos. Ainda falta colocar na conta os gastos com combustível e motorista. Haja rubricas e licitações para garantir as melhores condições de trabalho para os 81 Senadores da República que representam suas 27 unidades!

Crédito rotativo – O valores usados no crédito rotativo dos cartões de crédito chegaram a R$29,8 bilhões no final de 2014, com taxa de juros de 258% ao ano. Enquanto isso, os créditos do cheque especial chegaram a R$21 bilhões com juros anuais de 200%. A inadimplência no rotativo do cartão chegou a 40% em dezembro passado. Pelo tamanho das cifras dá para a gente imaginar que o dinheiro está faltando, como a educação financeira faz falta e como é brutal a transferência de renda das pessoas para o setor financeiro. É claro que isso é para quem consegue pagar, pois boa parte dos devedores simplesmente quebra e fica recebendo propostas dos credores para renegociar as impagáveis dívidas.

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Problemas repetentes na volta às aulas

por Luis Borges 10 de fevereiro de 2015   Pensata

Aconteceu numa segunda-feira, dia 5 de fevereiro de 1962. Foi quando comecei meus estudos no Grupo Escolar Pio XII, na cidade eterna de Araxá, que é também a capital secreta do mundo. A escola pertencia à rede pública estadual, o curso primário durava quatro anos e eu ingressei nele com a idade regulamentar de 7 anos. Eu sonhara muito com esse dia, o que só fazia aumentar as minhas expectativas.

A partir daí, comecei a ter minhas percepções sobre a escola. Logo fiquei sabendo que, no meu turno da tarde, existia uma turma que tinha o nome de “1º ano repetente”. Segundo o Dicionário Online de Português, repetente é “aluno(a) que volta a frequentar as aulas e estudar as mesmas matérias que já estudou, especialmente quando reprovado em exame”. Hoje, por razões diferentes, a escola privada e a pública não querem que os alunos se tornem repetentes.

E eis que estamos na volta às aulas deste fevereiro de 2015, reafirmando a minha crença de que a educação é a base de tudo, vinda da família e passando pelos diversos níveis das escolas do sistema educacional brasileiro e internacional. A partir dessa premissa, fiquei refletindo e pensando em ações que poderiam auxiliar na solução dos problemas educacionais que se repetem ano após ano. Posso estar sendo recorrente ao falar nos problemas da educação mas, se eles não forem enfrentados, nunca serão resolvidos.

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O primeiro ponto é fazer uma avaliação do que já foi feito, com seus respectivos resultados, e verificar o que ainda precisa ser melhorado. Nesse sentido sugiro, num segundo ponto, a classificação dos problemas pelo menos em dois níveis – os que dependem só de nós e os que dependem de outras pessoas nas diversas instâncias dos processos interfuncionais. Esses, no mínimo, poderão ser objeto de reivindicações e negociações, mas jamais poderão ser esquecidos ou deixados de lado indefinidamente. Um terceiro ponto pode ser o clareamento do discurso, para focar na definição das características do que é uma escola de qualidade, sabendo-se que quem dá o desafio também deve dar as condições para que ele seja vencido. Aqui vale discutir fundamentos, aplicações e resultados, sempre incentivando a curiosidade, a observação, a análise e a criatividade para a solução de problemas. Um quarto ponto é a profissionalização da atividade do professor e das funções técnico-administrativas, essenciais para a viabilização da escola. Alie-se a isso uma infraestrutura adequada, uma gestão participativa caracterizada pela liderança e não pelo comando, buscando criar um clima organizacional favorável ao crescimento na certeza de que não existe substituto para o conhecimento.

Um quinto e último ponto de minha parte é a reavaliação permanente dos métodos de ensino. Diante da competição com os diversos dispositivos tecnológicos existentes, eles devem ter a capacidade de prender a atenção dos alunos e contribuir na preparação de todos para encarar sem pânico os desafios que a vida coloca para todos nós.

Espero, caro leitor, seu comentário com sua reflexão sobre os pontos propostos e a inclusão de outros que você julgar relevantes. Para saber falar é preciso também saber ouvir.

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por Sérgio Marchetti

E o Carnaval chegou. Carnaval é comédia, espontaneidade. E o ridículo, no Carnaval, é quem não está ridículo. Vale o deboche, as caricaturas que mostram verdades. Figura e fundo, sombras e luzes – tudo se mistura e tem valor na decoração carnavalesca. Adoro o Carnaval. Adorava, melhor dizendo. Já participei intensamente, apaixonadamente de bailes, de blocos e até de escola de samba. Gostava dos sambas e das marchinhas. Cantava todos de cor e salteado. Com esta frase dá para saber que faz tempo. Queria ter vivido na época dos corsos, pois representam a origem da festa carnavalesca.

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Foto: Marina Borges

Eu amava os salões cheios de gente bonita e cheirosa. Sempre achei que o Carnaval era a festa mais democrática que existia. Todos podiam ser felizes e sair pelas ruas, sozinhos ou em bando. Hoje, Carnaval é outra festa. O luxo das fantasias deu lugar à nudez. Era mais inocente. A brincadeira se transformou, e os “ficantes” vão para as ruas para exercer o hedonismo sexual. É uma licença frenética. Não tem nada de poética. “…Mas é carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal…” e é assim mesmo. “Quero me perder de mão em mão, quero ser ninguém na multidão.” O que era refrão virou atitude. Mas cada um sabe de si. Então vamos cantar, pois quem canta seus males espanta, mesmo que os presságios para 2015 não sejam os melhores; sem contar com a falta d’água. Ainda bem que cachaça não é água… “Pode me faltar tudo na vida… só não quero é que me falte a danada da cachaça.” E “…pra frente é que se anda…

Vamos viver uma coisa de cada vez. O povo brasileiro está mais triste. Mas apesar de tantos pesares, ou “apesar de você, amanhã há de ser outro dia…” Dia de alegria, afinal “o importante é ser fevereiro e ter Carnaval pra gente sambar”. Esquecer as mágoas, vestir fantasias e tirar a máscara gasta e surrada que usamos o ano inteiro. É isso mesmo. Muita gente tira a máscara somente no Carnaval. Então vamos entrar no primeiro bloco que surgir. “Ô abre alas que eu quero passar. Eu sou da Lira não posso negar…” “… e este ano não vai ser igual àquele que passou. Eu não brinquei. Você também não brincou…”. O Carnaval era brincadeira, liberdade para se apaixonar. Era início de uma paixão e fim de namoro. Mas depois tudo voltava ao normal. Havia o perdão. Mas, pudera, nos salões havia mulheres lindas que encenavam peças com “o Pierrot apaixonado que vivia só cantando e que por causa de uma colombina, acabou chorando…”. As bandinhas tocando marchinhas provocativas. Era o paraíso na terra: “tanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão. E o arlequim está chorando pelo amor da colombina no meio da multidão”. E vinham o estribilho e a felicidade dos foliões: “vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval.” Arrepiante! E alguém que flertava em busca de um namoro, tirava a sorte cantando: “eu perguntei a um mal-me-quer, se meu bem ainda me quer. Ela então me respondeu que não. Chorei, mas depois eu me lembrei que a flor também é uma mulher. Que nunca teve coração…”.

Assim era a festa do povo, três dias de total libertação. Baile a noite inteira. “São três dias de folia e brincadeira. Você pra lá e eu pra cá, até quarta-feira”.  E depois o mundo tornava a começar. “Mas quarta-feira tem um ano inteiro é todo assim, por isso quando eu passar batam palmas pra mim…”. E faltar água não é nenhuma novidade. Mas o povo pedia: “tomara que chova três dias sem parar”. O brasileiro sempre foi assim. Riu e ri da própria desgraça. Mas com “chuva, suor e cerveja” resolve seus males.

Alegorias, adereços, harmonia…  Tudo era, literalmente, fantasia e, se surgia uma bela mascarada, havia repertório para abordá-la: “linda pastora, morena da cor de Madalena. Tu não tens pena de mim que vivo tonto com o seu olhar…”, “…Morena que me faz penar a lua cheia que tanto brilha, não brilha tanto quanto o seu olhar”. E a lourinha? “Lourinha dos olhos claros de cristal, desta vez em vez da moreninha serás a rainha do meu carnaval”. Mas estamos no Brasil e “a mulata é a tal… e só dá ela, eie, eie eie, eie eie, eie, na passarela…” .Salve! Braguinha!

Fora dos clubes havia os blocos organizados, e “lá vai meu bloco vai, só desse jeito é que ela sai…”, “…e o sereno vem caindo. Cai, cai sereno devagar, que o meu amor está dormindo...”. E tudo podia naqueles dias. Ainda pode. “Olha o bloco do sujo que não tem fantasia, mas que traz alegria para o povo sambar…”.

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Bloco de rua em BH no carnaval de 2014. / Foto: Marina Borges

E aí, meu caro leitor, sentiu saudades dos antigos Carnavais? Nada de tristeza! “Tristeza, por favor vá embora.. .”, “…Vê, estão voltando as flores. Vê, nessa manhã tão linda. Vê, como é bonita a vida. Vê, há esperança ainda”. Então, o que está esperando? Ponha seu bloco na rua, “bote para quebrar e gemer”. Dê uma chance para sua endorfina.  Ah! Você quer paz? Então usufrua da energia dos dias de folia da maneira que lhe convier.  “Na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê…”.

Deixo, como reflexão para os foliões, uma homenagem ao maravilhoso samba enredo da Beija Flor de Nilópolis, em 2003. “Chega de ganhar tão pouco /tô no sufoco: vou desabafar/ pare com essa ganância, pois a tolerância /pode se acabar…”.

Assim seja!

Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui Licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br 

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Vale a leitura

por Luis Borges 8 de fevereiro de 2015   Vale a leitura

Odete Lara: a bela em busca da paz – A atriz e cantora Odete Lara morreu na quarta, 04/02, aos 85 anos, numa clínica de repouso no Rio de Janeiro. Ela participou de 32 filmes e teve o seu estrelato nas décadas de 60 e 70 do século passado. Sua história de vida foi profundamente marcada pelo suicídio da mãe e do pai. Odete dizia que “a morte é o próximo tabu a ser quebrado na nossa sociedade, depois do sexo”. Leia o texto de Camila Appel, que se inspirou em Odete para começar o blog “Morte sem tabu”, que traz um resumo da trajetória da atriz.

A grande cebola digital – Informação demais, bombardeio de posts e dados do último minuto. O ritmo é frenético. Como anda seu grau de credulidade em relação a tudo que chega a você? O jornalista e professor Leonardo Sakamoto escreveu este texto, no qual narra a checagem que fez de um desses posts que viralizou nas redes sociais. O resultado? Os dados não resistiram. A conclusão dele é que “vivemos a fase da Grande Cebola Digital: descascando, sobra só o vazio”. E no seu caso? Cabe uma ação corretiva diante da sua credulidade no que você lê na internet?

Prevenção contra infarto, AVC… – Na constante busca pela satisfação acabamos passando por muitos momentos de grande insatisfação. Incomodam-nos a seca prolongada, o forte calor, as poucas chuvas, o necessário uso racional da água e da energia. No trabalho, a mansidão do colega e a lerdeza do chefe; no trânsito engarrafamentos, multas e reclamações. Em casa, a sensação de insegurança ao sair ou ao chegar, sempre pensando no desequilíbrio social que a concentração de renda só acentua. Reclamar do governo, denunciar má gestão e corrupção ou clamar por educação e saúde de qualidade quase viram muro de lamentações. Que momentos nos sobram para contemplar coisas belas que resistem e acalantam o nosso ecossistema? Neste artigo, o jornalista Eduardo Costa faz um contraponto a tantos problemas vividos e se permite lembrar dos canarinhos de sua infância em Inácia de Carvalho e de seu reencontro com eles 50 anos depois na cidade de Nova Lima.

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Procurar e observar as pequenas belezas é mais um antídoto. Sem olhar para o alto, ninguém veria o passarinho que escondeu o ninho entre as tubulações./ Foto: Marina Borges

Aproveite a crise – A crise é a mãe de todas as oportunidades. Na crise, crie. O cavalinho passa arreado só uma vez. O sapo pula por necessidade e não por boniteza. Frases como essas são citadas constantemente em períodos de crise, como a econômica e social que estamos vivendo atualmente. Leia neste artigo de Adriana Gomes, mestre em psicologia social e do trabalho, sua visão de como aproveitar a crise e se reposicionar diante dos novos cenários que se desenham. O que não dá é ficar só resmungando e murmurando sem nada fazer.

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Difícil almoçar sem celular

por Luis Borges 5 de fevereiro de 2015   Pensata

Um engenheiro químico, professor universitário aposentado, 58 anos de idade, convidou doze amigos e amigas para um almoço de confraternização de início de ano. O dia escolhido foi o segundo sábado de janeiro e o local, a sua aprazível casa em um condomínio fechado situado na grande Belo Horizonte, lá para os lados da Serra da Moeda.

Todos os convidados, cuja faixa etária varia entre 50 e 60 anos, confirmaram a presença em tempo hábil, conhecedores que são do sistema do amigo anfitrião.

E assim, no dia marcado, os convidados começaram a chegar a partir das 13h e a participar do aperitivo após os cumprimentos da chegada.  Satisfeito com o momento e com a movimentação que crescia, o professor às vezes se mostrava efusivo, mas também percebia que todos chegavam armados com seus celulares, esbanjando tecnologia e muita capacidade de registrar a instantaneidade de tudo.

Finalmente, às 14h30, em meio a muita conversa, mensagens enviadas e muitos dispositivos tecnológicos esbanjando suas sonoridades, foi dado o primeiro aviso de que o almoço teria início.

Mesa posta, comida árabe no cardápio, as pessoas foram se acomodando e fotografando tudo, enquanto dois retardatários finalmente também se sentaram.  De repente o anfitrião olhou para a mesa, cujas imagens já estavam nas redes sociais, e percebeu que todos os convidados colocaram seus celulares à mesa, bem ao lado do prato e, em alguns casos, até encostando-se nos talheres.

Indignado e sempre fiel às suas crenças e valores, o anfitrião pediu um instante da atenção de todos e foi direto ao ponto. Pediu que todos retirassem seus celulares da mesa e os colocassem na sala ao lado. Arrematou sua fala pedindo que todos lavassem as mãos antes de retornarem aos seus lugares. Seguiu-se um burburinho de surpresa e o acatamento da solicitação feita.

O almoço aconteceu com razoável ligeireza, alguns sussurros, poucas conversas. Ainda assim alguns participantes se levantaram, até mais de uma vez, para ir à sala ao lado atender seus celulares, que não estavam no modo silencioso. Por volta das 15h30 foi servida a sobremesa, da qual ninguém gosta de abrir mão, e um cafezinho encerrou o evento. Às 16h30 todos já haviam partido, agarrados a seus celulares, agradecendo pelo almoço, sendo que a maioria não fez alusão a um futuro encontro. Apenas três amigos passaram recibo, se desculpando por terem colocado seus celulares à mesa, e prometeram se esforçar para não repetir o ato numa próxima oportunidade.

Fica o convite à reflexão. O que você tem observado sobre o uso de celulares em todas as ocasiões e lugares? Que análise você faz sobre as pessoas, hoje inseparáveis de seus dispositivos tecnológicos, sempre alimentando suas redes e grupos sociais? Você faz parte desse grupo? Ou será que vai sobrar apenas um cutucão no anfitrião, alegando que ele foi muito radical ao não fazer vista grossa para a situação vivida em sua própria casa?

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