Tributo ao Grupo Escolar Pio XII

por Luis Borges,  18 de dezembro de 2015   Pensata

As celebrações dos 150 anos de emancipação política de Araxá reforçam em mim a honra e a glória de ter nascido na cidade, que considero eterna e capital secreta do mundo. Esse sentimento é sempre explicitado nos mais diversos ambientes pelos quais transito, tanto em atividades pessoais quanto profissionais. Contribuo sempre para que cada vez mais e mais pessoas saibam que Araxá significa “lugar alto de onde primeiro se avista o Sol” e que vale a pena conhecer, frequentar ou nela residir.

Sinto que as emoções do momento nos embalam e nos dão forças para continuar construindo e crescendo de maneira realista e esperançosa, apesar de todos os problemas, do país e da cidade, que precisam ser superados.

Considero que não existe substituto para o conhecimento e é dele que sempre virão soluções para as incertezas que nos desafiam. Por isso, aproveito a importante data de 19 de dezembro de 2015 para prestar um tributo ao Grupo Escolar Pio XII.

Fachada atual do Grupo Escolar Pio XII, em Araxá | Foto: Firmo Magela

Fachada atual da Escola Estadual Pio XII, em Araxá | Foto: Firmo Magela

Foi em uma inesquecível segunda-feira, 5 de fevereiro de 1962, que comecei ali meus estudos no primeiro ano do curso primário aos 7 anos de idade. Lembro-me como se fosse hoje de minha chegada junto com meu pai à sede do grupo, na Rua Dom José Gaspar, quase em frente à Fábrica de Doce de Leite Estância e ao lado do Mercadinho do Belchior.

Em setembro de 1965, ano do centenário de Araxá, o grupo foi transferido para sua sede própria, feita de latão, na Rua Calimério Guimarães, onde plantei a minha primeira árvore no pátio que ficava bem próximo à divisa com a rua.

Finalmente, em agosto de 1981, o grupo mudou-se para a sua atual sede, à Avenida Joaquim Porfírio Botelho, 240, no Bairro Santo Antônio, onde o conforto térmico é bem melhor. Seu nome atual é Escola Estatual Pio XII. Hoje estudam ali 375 alunos, dos quais 75 em tempo integral.

Escola Estadual Pio XII. | Foto: Firmo Magela

Escola Estadual Pio XII. | Foto: acervo da Escola

Reconheço e homenageio agradecido as professoras que me proporcionaram toda a base no então curso primário, alicerce firme para os demais caminhos que percorri e ainda percorro no mundo do conhecimento. Quero dar um destaque especial à professora Áurea Leda de Carvalho e Silva, diretora desde a fundação da escola, em maio de 1960, até 1988, quando se aposentou. Seguem-na as também sempre lembradas professoras Hercília da Conceição Cardoso, Magda Helena de Ávila, Irene Ferreira de Assis, Cleide Benencase, Laís França de Castro e Marta Mascarenhas Torres. Também permanecem em minha memória os dedicados serviços prestados pelas auxiliares Rita de Paula, Manoela e Ana, com as deliciosas sopas da merenda escolar.

Hoje meu querido Grupo Escolar Pio XII prossegue firme na sua missão de ensinar e dar a base do conhecimento para que seus alunos cresçam com sustentabilidade no mundo do saber. Homenageio a atual equipe através da diretora Vicentina Aparecida Ribeiro Borges e da secretária Maria Aparecida Dutra Vaz.

Encerro o tributo mostrando fotografias de Dona Áurea, primeira diretora, e de Vicentina Borges, a atual diretora.

D. Áurea Leda e Vicentina Borges. | Fotos do acervo da Escola, gentilmente cedidas ao blog.

D. Áurea Leda e Vicentina Borges. | Fotos do acervo da Escola, gentilmente cedidas ao blog.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  14 de dezembro de 2015   Curtas e curtinhas

Dívida

A Divida Ativa da União é o conjunto de débitos de pessoas jurídicas e físicas com órgãos públicos federais, tais como Receita Federal e INSS, não pagos espontaneamente na data de vencimento. O total dessa dívida a receber chegou a 1,5 trilhão de reais até outubro de 2015, segundo levantamento do Contas Abertas. A meta do Governo Federal é receber 234 bilhões de reais nos próximos 3 anos.

Só as 500 maiores pessoas jurídicas inscritas na Dívida Ativa da União devem, juntas, 392,3 bilhões de reais. A maior devedora é a Vale, com R$41,9 bilhões. A empresa questiona na justiça a cobrança de R$32,8 bilhões e refinanciou o pagamento de R$8,27 bilhões. A segunda maior devedora é a Carital Brasil Ltda, antiga Parmalat, com R$24,9 bilhões e a terceira é a Petrobras, com R$15,6 bilhões totalmente inscritos em programas de parcelamento de débitos.

Já o déficit fiscal de 2015, no valor de R$119,9 bilhões, foi aprovado pelo Congresso Nacional aumentando o contraste com a desoneração fiscal em torno de R$450 bilhões feita pelo Governo Federal nos últimos 5 anos. Também faz parte do contraste a grande incapacidade de se cobrar a dívida ativa das pessoas jurídicas e a enorme ferocidade para se cobrar as dividas de valores mais baixos das pessoas físicas.

Democracia

Uma pesquisa do IBOPE Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN) mostrou que 73% dos brasileiros consideram a democracia o melhor sistema de governo, mesmo podendo ter problemas. Já 22% dos entrevistados não concordam com essa afirmação e 5% não responderam.

A mesma pesquisa foi feita em mais 61 países e mostrou que 76% dos entrevistados também consideram a democracia como a melhor forma de governo, enquanto 20% discordaram e 4 % não opinaram.

O maior índice de aprovação da democracia foi registrado na Suécia com 93% de aceitação. A vizinha Argentina tem 91%. O menor índice foi registrado no Japão (46%).

Turismo

Espelho d'água no Parque Ecológico da Pampulha, em BH | Foto: Marina Borges

Espelho d’água no Parque Ecológico da Pampulha, em BH | Foto: Marina Borges

O “Índice Nacional de Competitividade no Turismo” é um levantamento feito pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas. Em 2015, avaliou 65 cidades brasileiras em trezes itens, como infraestrutura, equipamentos turísticos, aspectos culturais, políticas públicas e promoção do destino. Numa escala que varia de 0 a 100 pontos a cidade de São Paulo ficou em primeiro lugar com 83,2 pontos. Aliás a cidade também foi a campeã em 2014 e melhorou ligeiramente sua pontuação, que era de 82,5. Em seguida, em 2015, vieram Rio de Janeiro (81,1), Porto Alegre (81), Curitiba (80,4) e Belo Horizonte (79,2).

Os números mostram que continuam existindo espaços para a melhoria contínua e para a inovação nos processos do turismo interno.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  13 de dezembro de 2015   Vale a leitura

Viver sem carro

O desenvolvimento econômico brasileiro se deu fortemente focado na indústria automobilística e no rodoviarismo. O impacto em nossa cultura nos últimos 60 anos foi inevitável e é inegável. Quem não tem um carro sonha em ter um e quem já tem o cultiva como parte da família. As condições de crédito e o aumento do poder aquisitivo em períodos recentes só fizeram aumentar a frota de novos veículos a circular pelas nossas vias públicas. Ainda que o mercado tenha decaído do ano passado para cá e os combustíveis tenham aumentado de preço, o carro está sempre em evidência.

No artigo “Por que escolhi viver sem carro (e só ganhei com isso)” o jornalista e blogueiro Rafael Sette Câmara conta sua experiência de abandonar o veículo e privilegiar o transporte público. Como você se sentiria ficando um dia, uma semana, um mês ou um ano sem carro? Ou você nem chega a cogitar essa hipótese?

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Transporte público por ônibus em Belo Horizonte. / Foto: Sérgio Verteiro

Poupança x inflação

Poupar sempre um pouco do que se ganha é um dos fundamentos da educação financeira. O meio escolhido para guardar esse dinheiro ainda é, para muitos, a caderneta de poupança. As razões são culturais e conhecidas: liquidez, facilidade, modalidade garantida pelo governo. Neste texto o economista Samy Dana relembra que a poupança nem sempre é o melhor investimento, principalmente em épocas de inflação muito alta.

Escolher um novo destino para suas economias pode não ser tão prático como transferir dinheiro para uma conta poupança mensalmente. É algo que requer pesquisa e empenho para conhecer um novo instrumento financeiro. O resultado deste esforço, se reflete no seu bolso. Para buscarmos caminhos mais assertivos na vida, é preciso determinação e disposição para a mudança. No futuro, sua rentabilidade agradecerá.

1992 / 2015

O que aproxima e o que diferencia os processos de impeachment de Fernando Collor e de Dilma Rousseff? O jornalista Clóvis Rossi, que cobriu o assunto em 1992, apresenta suas recordações e suas análises neste depoimento publicado na Folha. 

 

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Problemas crônicos de Santa Tereza

por Luis Borges,  9 de dezembro de 2015   Pensata

Um dos mais antigos e tradicionais bairros de Belo Horizonte, Santa Tereza tem cerca de 16 mil habitantes, segundo o IBGE.

Feira na Praça Duque de Caxias em dezembro de 2014. / Foto: Marina Borges

Feira na Praça Duque de Caxias em dezembro de 2014. / Foto: Marina Borges

Como todo bairro da cidade, também enfrenta problemas. Alguns se tornaram problemas crônicos, já que não foram combatidos assim que surgiram.

Acredito que identificar um problema é metade da sua solução. Por isso, sistematicamente mostramos situações vividas no bairro e na cidade aqui no Observação e Análise. Chegado dezembro, mês de balanços, temos uma boa oportunidade para relembrar situações existentes no bairro. Os problemas elencados aqui não têm ordem de prioridade para ser resolvidos, e foram levantados por mim e também por diversos moradores com quem convivo.

Trânsito

Rua Mármore, via de entrada no bairro. Logo no início, no cruzamento com a Rua Gabro, já temos um gargalo, principalmente nos horários de pico – são muitos veículos querendo entrar no bairro, sair do bairro, pegar outras ruas. Em dia de jogo no Estádio Independência fica quase impossível passar ali, à pé ou de carro. O pedestre que quiser atravessar com segurança, independente da idade, vai precisar de muita paciência. Falta ali uma solução que priorize a segurança de todos, pedestres, ciclistas, motoristas. Seria o caso de usar o padrão que a BHTrans vem aplicando no Centro da cidade?

O tráfego no bairro parece cada vez mais intenso do ponto de vista de quem mora nele. A falta de educação no trânsito, aliada à ausência de fiscalização, contribui para complicar ainda mais as coisas. Um caso foi mostrado neste post, quando uma pessoa desrespeitou as regras de estacionamento perto de esquinas e atrapalhou a vida de todos que circulavam no local. Vale dizer que esse comportamento, infelizmente, não é um caso isolado.

Outro problema comum é a circulação de veículos em velocidade superior à permitida nas ruas do bairro. Também estamos vendo cones reservando vagas para lavação de carro e para estacionamento em frente a estabelecimentos comerciais, o que não é permitido.

Por fim, é preciso lembrar os grandes eventos culturais, como Carnaval de Rua e shows na Praça Duque de Caxias. Os moradores sofrem com veículos parados em portas de garagens e também com os mal-educados que ignoram os banheiros químicos.

Sujeira e abandono

Há pontos no bairro que são conhecidos como locais de sujeira e abandono. É o caso do “cemitério” de veículos nas ruas Tenente Durval e Tenente Vitorino, que já foi mostrado aqui no início deste ano. Como se vê na foto abaixo, da Rua Tenente Durval, há veículos que continuam por lá. Segundo moradores, alguns há mais de 3 anos.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Na Rua Nefelina há um lixão, sempre recebendo todo tipo de contribuição e gerando insegurança para moradores e visitantes.

Foto: Sérgio Verteiro

Foto: Sérgio Verteiro

Barulho excessivo

Também é preciso lembrar de algumas composições ferroviárias, mais longas e barulhentas, rasgam a madrugada dos moradores que estão mais próximos da linha do trem. Vale mencionar também que algumas caixas de som, em volume muito alto, ficam ligadas até altas horas, com som que se propaga ao longe, principalmente de quinta a sábado.

O que fazer?

Se identificar o problema é metade da solução, a segunda metade depende de ação. Resolver estes e outros problemas crônicos do bairro depende da ação e cooperação de todos os envolvidos, para que os problemas possam desaparecer em um determinado horizonte de tempo.

Sabedor de que essas situações não são exclusivas de Santa Tereza – pelo contrário, estão presentes em muitos outros bairros da cidade – reafirmo a minha certeza de que só nos resta encarar e lutar pela sua solução. Mesmo sabendo que os esforços serão desiguais, mas que poderão ser combinados conforme o pique e a vontade de cada um. O que não dá é para negar, ignorar ou dar desculpas diante da realidade em que estamos inseridos e vivemos.

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Sempre alerta

por Luis Borges,  3 de dezembro de 2015   Pensata

São demais os perigos dessa vida. Muitas vezes eles se tornam invisíveis, mesmo estando muito próximos de nós. É preciso estar sempre alerta. O risco é permanente e deveria ser atenuado pela sua gestão. No entanto, muitas das ações que deveriam ser feitas são deixadas de lado, tanto por nós quanto pelos outros, que deveriam agir no processo de fazer as coisas acontecerem.

Se nem a sorte nem o “quase” ajudarem, o resultado da omissão e da negligência pode resultar em tragédias. Cito três casos para ilustrar.

1) O incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (Rio Grande do Sul), deixou 242 mortos e 680 feridos em 27 de janeiro de 2013.

Faltou, por exemplo, um sistema de segurança consistente e efetivo. Além disso, muitas das partes envolvidas – entidades públicas e privadas – não cumpriram suas atribuições legais e obrigatórias.

2) O desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes, na região de Venda Nova (Belo Horizonte), em plena Copa do Mundo de Futebol, no dia 3 de julho de 2014.

Foram duas pessoas mortas, 23 feridas, moradores retirados de suas residências em 2 conjuntos habitacionais bem próximos. Houve também diversos culpados tentando “tirar o corpo fora” diante dos erros e nada de ressarcimento dos prejuízos, inclusive financeiros.

Quase um ano e meio depois a movimentação de veículos e pessoas no local tendem a demonstrar que o viaduto nem era necessário. O caso continua tramitando nas esferas administrativas e judiciais, a atribuição de culpa e o pagamento pelos danos ainda engatinham.

Viaduto Batalha dos Guararapes. / Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Arquivo

Viaduto Batalha dos Guararapes. / Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Arquivo

3) A ruptura de barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Mariana (MG) em 5 de novembro último, que deixou 13 pessoas mortas e 8 desaparecidas.

A lama que desceu da barragem de terra varreu a vida ao longo da calha do Rio Doce até o Oceano Atlântico. Como já se sabe até o plano de contingenciamento para enfrentar situações desse tipo existia apenas no papel e não pôde ser aplicado, porque ninguém o conhecia. Quem deveria fiscalizar todo o sistema minerário local também não o fez.

Prevenir é melhor que remediar

Estou citando tudo isso para convidá-lo a pensar sobre outros casos de perigo, alguns com mais chances de se tornar reais do que outros, que nos rondam apenas em Belo Horizonte e região metropolitana. Prevenir sempre será melhor que remediar. Mas esse ato exige ação e combate à omissão e ao descaso.

Pensei rapidamente sobre o assunto e me lembrei de alguns casos:

Adutora – Imaginemos uma adutora de ferro fundido, com diâmetro de 500mm, transportando água em alta pressão. Essa água é buscada cada vez mais longe. A adutora percorre longos caminhos e, por onde ela passa, nenhuma outra atividade pode acontecer. Não se pode, por exemplo, construir um condomínio habitacional sobre essa adutora. Os tubos, no entanto, nem sempre estão aparentes, podem ser subterrâneos.

Havendo uma ocupação indevida de trechos ao longo do caminho da adutora, se pessoas circulam pelas proximidades, o que pode acontecer se a adutora se romper? Nem sei se haverá tempo para correr ou para ser levado pela água…

Gasoduto – Existe um gasoduto subterrâneo no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, passa bem na região do viaduto São Francisco, por exemplo. Mas quem se lembra dele? E se houver um descuido qualquer e, em decorrência dele, um grande vazamento?

Outros riscos – O que pensar da ruptura de uma linha de transmissão de energia elétrica em alta tensão, da queda de um elevador de um edifício ou obra, de uma enchente com alagamento em conhecidas vias da cidade cortadas por córregos canalizados? Riscos existem, devem ser avaliados e, quando for possível, controlados. Se não der pra prevenir, devemos ter planos que orientem a ação para o caso de o pior acontecer. Isso vale para os casos citados nesse texto, em grande parte de responsabilidade do poder público e de entidades privadas. Mas também vale para os riscos presentes em nossas casas.

A memória é curta e tudo cai rapidamente no esquecimento. Por isso, é importante nos lembrarmos dos versos de Geraldo Vandré.

Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

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A falação quase que permanente em torno da crise política, econômica, social e ética às vezes nos leva à exaustão. O “trem” está feio. A falta de líderes com a capacidade e a vontade de construir uma saída honrosa para este momento da nação faz com que a gente se sinta sem representação. E nos perguntamos – até onde vai isso tudo? O poder a qualquer custo é o que parece mais interessar a quem o disputa.

Ainda assim, precisamos espairecer. Buscar um pouco de oxigênio e juntar forças para prosseguir lutando, na esperança de que, de alguma forma, dias melhores virão num determinado horizonte de tempo.

Flamboyant na Rua Aquiles Lobo, bairro Floresta (BH) / Foto: Sérgio Verteiro

Flamboyant na Rua Aquiles Lobo, bairro Floresta (BH) / Foto: Sérgio Verteiro

Xô crise! Xô pessimismo! Xô depressão! Precisamos olhar, descobrir e perceber que ainda existem, sim, muitas coisas belas ao nosso redor.

Flamboyant na Av. Raja Gabaglia, BH. / Foto: Gisele Magela

Flamboyant na Av. Raja Gabaglia, BH. / Foto: Gisele Magela

Um bom exemplo está nas flores dos flamboyants, surgidas nesta primavera, que já caminha para o fim. Nas fotos deste post é possível ver árvores que vivem em diversos pontos da cidade.

Dentro do Cemitério da Paz na Av. Carlos Luz, em BH. / Foto: Sérgio Verteiro

Dentro do Cemitério da Paz na Av. Carlos Luz, em BH. / Foto: Sérgio Verteiro

Ainda dá tempo de descobrir algo semelhante bem próximo de você. Basta procurar e querer enxergar.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  29 de novembro de 2015   Curtas e curtinhas

Antidepressivos

A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores de humor no Brasil cresceu 11,2% no período de novembro de 2014 a outubro de 2015 na comparação com igual período anterior. O dado é da IMS Health, consultoria internacional de marketing farmacêutico. Foram 53,3 milhões de caixas de medicamentos vendidas. Se considerarmos que cada caixa contém 30 comprimidos, chegaremos a um total de 1,599 bilhão de unidades. É mais um item que passa do bilhão, num momento em que rombos nos gastos públicos e déficits orçamentários também superam os bilhões.

Ouvindo a voz do cliente

Praça Tiradentes Ouro Preto

Praça Tiradentes, em Ouro Preto. / Foto: Marina Borges

O Ministério do Turismo fez uma pesquisa sobre a satisfação de 44 mil turistas que visitaram o Brasil em 2014. Eles foram ouvidos em aeroportos e fronteiras terrestres. A hospitalidade do brasileiro foi o item mais bem avaliado pelos entrevistados, citada por 97,2% deles. Em segundo lugar ficou a gastronomia (94,4%), em terceiro ficou o alojamento (92,4%). Os preços tiveram a pior avaliação e foram citados por apenas 56,4% dos entrevistados. Telefonia e internet também foram mal avaliados.

Os turistas mais presentes foram os argentinos (27,1% do total), seguidos por americanos (10,2%), chilenos (5,2%), paraguaios (4,6%), franceses (4,4%) e alemães (4,1%).

Os americanos foram os que permaneceram pelo tempo mais longo, em média 20 dias, e também os que mais gastaram – R$85,07 por pessoa, por dia.

Os dados da pesquisa trazem bons subsídios para que o Ministério do Turismo melhore continuamente as suas políticas e diretrizes para estimular a vinda dos turistas estrangeiros ao país.

Cenários que ninguém acerta

No dia 05 de janeiro de 2015 o Boletim Focus do Banco Central projetava que, no final deste ano, a inflação medida pelo IPCA seria de 6,56%, o PIB cresceria 0,5%, a taxa básica de juros (Selic) seria 12,5% e o dólar estaria cotado a R$2,80.

No último 23 de novembro, muitos meses de crises econômica, política e de credibilidade depois, o mesmo Boletim Focus está projetando para o mesmo final deste ano uma inflação pelo IPCA de 10,33%, um PIB negativo em 3,15%, uma Selic de 14,25% e dólar cotado a R$3,95.

Sabemos que é muito difícil acertar com exatidão os indicadores projetados para um cenário num determinado período de tempo, mas também não deve ser muito grande a distância entre o projetado e o acontecido. Haja reposicionamento estratégico diante de tantas variações e em tão pouco tempo. É muita incerteza a nos desafiar!

Tragédia também no orçamento

Está em discussão na Comissão Mista do Orçamento no Congresso Nacional a proposta da peça orçamentária da União para 2016, enviada pelo Poder Executivo. Ela propõe que, no próximo ano, sejam gastos R$4,8 milhões na fiscalização das atividades de mineração existentes no país.

No dia 5 de novembro rompeu a barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Mariana (MG), que veio confirmar que a fiscalização não era o foco de quem deveria cumprir tal função. Agora todos os implicados estão correndo atrás do resultado da omissão, mas o rabo continua balançando o cachorro num outro processo minerário que está expondo os resultados de tantas mazelas e conveniências.

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Já são passados 20 dias da ruptura de uma barragem de rejeitos da Samarco Mineração, empresa controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana (MG). As tragédias social, ambiental, tecnológica e econômica, dentre outras dimensões, prosseguem estampadas em diversas mídias.

Se considerarmos um conceito bem simples sobre o que é um sistema, podemos defini-lo como um conjunto de partes interligadas. Mais uma vez, ainda poderemos aprender com as lições trazidas pela tragédia apesar do alto custo desse aprendizado.

Em função das informações já disponíveis, que observações podemos fazer em relação ao sistema de gestão do negócio usado por todas as partes envolvidas e interessadas em seu resultado? Fazendo uma análise crítica fica visível que muitos fundamentos da gestão estão presentes apenas na intenção, mas não são acompanhados da necessária intensidade dos gestos. Neste texto, a proposta é tirar lições desse caso para as demais organizações.

Imagem de satélite mostrando a área atingida pela lama em Mariana. / Foto:  Globalgeo Geotecnologias, retirada do portal G1

Imagem de satélite mostrando a área atingida pela lama em Mariana. / Foto: Globalgeo Geotecnologias, retirada do portal G1

Plano de ação

O caso de Mariana evidencia desleixo na preparação e na execução do plano de ação para desastres. Nesta matéria da Folha, por exemplo, mostra-se o “jogo de empurra” entre governo federal e estadual. Afinal, quem aprovou o documento, que não previa uma estratégia para avisar os moradores da região em caso de rompimento da barragem? Na terça, o jornal Estado de Minas afirmou que um plano de ação contratado pela Samarco há anos nunca foi posto em prática, por razões econômicas. A empresa contratada à época diz ter feito um planejamento extenso, prevendo proteção à comunidade e aos funcionários, mas disse que ele não saiu do papel.

Um plano de ação é o caminho usado para se atingir uma meta. Ele mostra o que vai ser feito, como vai ser feito, a qual custo, quem será o responsável pela ação e em que prazo tudo deverá ser feito. Portanto, se não houver esforço e transpiração, o plano será estéril, não permitirá que se chegue ao resultado esperado.

Responsabilidades

A Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou publicamente governo e empresa pelas falhas na condução do caso. Criticou as medidas insuficientes e a demora na ação, evidenciando a inaptidão das partes para tomarem para si as responsabilidades.

Por que as pessoas que possuem atribuições em função das partes que representam, tais como poder público, investidores, clientes, fornecedores… não cumprem na íntegra os seus papéis? Por que faltam o querer, a vontade de fazer acontecer, a cooperação nos processos de trabalho e o assumir explícito da responsabilidade de cada pessoa e sua respectiva organização?

Creio que falta a presença firme dos líderes e também a cobrança dos resultados das ações ao longo da hierarquia presente na estrutura organizacional. Cada instância deve cumprir de maneira integrada o seu papel e, para isso, é preciso querer, ter vontade política e encarar todos os riscos decorrentes do seu exercício. Os atos e as omissões têm que ter consequências mas, se isso não acontece e predomina a complacência entre as partes, fica claro que ainda estamos longe da excelência que um sistema de gestão integrado pode ajudar a alcançar.

Dilma Rousseff e Fernando Pimentel durante sobrevoo das áreas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff e Fernando Pimentel durante sobrevoo das áreas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Cumprimento da legislação

Nesse caso específico, fica evidente que a lei que trata da segurança de barragens não foi cumprida em sua plenitude. Também é visível que quem tem a missão de verificar seu cumprimento também teve seus momentos de inércia e negligência. Basta verificar o que fizeram – ou deixaram de fazer – antes da tragédia a própria empresa, os órgãos fiscalizadores de município, estado e União, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Ministério Público entre outros.

As normas e leis fazem parte do ambiente de negócios e devem ser levadas em conta. Ninguém está isento de suas responsabilidades ou das consequências em caso de descumprimento das regras. Todo empreendimento tem uma responsabilidade social e não cabe omissão.  

Como prosseguir?

A lição que fica é que ainda faltam disciplina, constância de propósitos e  líderes para praticar efetivamente o que sistemas, métodos, normas e leis determinam, apesar dos inúmeros interesses das partes envolvidas que sempre estão em jogo. Os fatos e os dados estão aí sendo escancarados e a nos mostrar que o escondidinho, a omissão e a resistência à transparência vão ficando cada vez mais insustentáveis.

Querer trabalhar com método e saber que as organizações são feitas por pessoas que cumprem papéis ligados aos diversos interessados são necessidades que jamais poderiam ou podem ser ignoradas. Estamos na era do conhecimento e, se o plano proposto para uma ação orientada não for colocado em prática, com certeza ele será estéril, não dará resultados e deixará evidente que foi apenas uma carta de intenções. A prática é um dos critérios da verdade.

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Vale a leitura

por Luis Borges,  23 de novembro de 2015   Vale a leitura

Mentira tem perna curta

O antigo ditado popular diz que “mentira tem perna curta”. Ainda que muitos tentem encompridá-la, “uma hora a casa cai”, para usar outro dito. Enquanto isso não acontece prevalece a criatividade, que muitas vezes é abusiva e despreza nossa inteligência. As desculpas e justificativas chegam a ser hilariantes, muita acabam virando “causo” e folclore.

Este artigo publicado no Uol relembra histórias curiosas para dinheiro de origem suspeita. Uma delas é a de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que atribuiu valores em uma conta na Suíça à venda de carne enlatada. Veja um pouco da variedade de argumentos – dinheiro escondido na cueca que veio da venda de verduras, 50 mil reais recebidos para compra de panetones, “prefeita ostentação” que tinha namorado rico…

Sustentar uma história convincente ao longo do tempo é algo desafiante, mas não dá para enganar a todo mundo o tempo todo, ainda que a verdade demore a aparecer.

Lama de Mariana

Nas últimas semanas você certamente recebeu uma série de informações sobre a tragédia decorrente do rompimento de barragem de rejeitos da Samarco Mineração em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, MG. Estou certo, também, de que diversos ângulos estão sendo observados por você – social, ambiental, financeiro, legal. Creio que você está fazendo uma análise crítica, para fundamentar seu posicionamento em relação aos atos e omissões que permeiam o caso.

Para complementar essas reflexões, sugiro a leitura deste artigo de Leonardo Sakamoto, que analisa as dificuldades de uma cobertura desse tipo do ponto de vista jornalístico.

Por fora bela viola, por dentro…

Foram seis anos de crise e intervenções da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Recentemente a Unimed Paulistana foi obrigada a entregar a carteira de clientes, deixando mais de 740 mil pessoas na mão. Diversos fatores para a derrocada estão aparecendo. Alguns são, no mínimo, questionáveis, como nessa notícia divulgada pela CBN – “Já em crise, Unimed Paulistana levou cerca de 150 pessoas para safári na África“.

Como se vê, podemos encontrar um pouco de tudo no mundo privado e no mundo público, o que varia é só a dosagem.

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Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  13 de novembro de 2015   Curtas e curtinhas

Condomínio atrasado

As ações judiciais por falta de pagamento de condomínio em SP cresceram 27,9% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. O levantamento é do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais) de São Paulo. Uma das razões é a queda do poder aquisitivo das famílias. O Secovi lembra que o aumento da inadimplência acontece junto com a elevação das tarifas de energia elétrica, abastecimento de água e coleta de esgotos sanitários, que representam em torno de 30% dos gastos de um condomínio.

Haja fundo de reserva para cobrir tanto rombo…

Wi-fi no restaurante

A pesquisa “Jantares e Dólares”, feita nos Estados Unidos pela consultoria BCG, mostrou que a principal preocupação dos frequentadores de restaurantes é com a limpeza dos estabelecimentos. A segunda maior preocupação é com o frescor dos alimentos. Outra preocupação importante é a conexão com o mundo digital – 18% dos entrevistados desejam ter wi-fi gratuito quando se alimentam.

Pelo visto, a necessidade de estar conectado é bem mais prioritária do que conversar com uma pessoa que esteja ao lado. Lá como cá…

Falta d’água preocupa

A prefeitura da cidade turística de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, anunciou diversas medidas para reduzir o consumo de água nos quatro meses subsequentes, quando a presença de veranistas triplica a população local. Um decreto estabelece que quem for flagrado lavando carro ou calçada será multado em R$440. Já quem retirar água da rede irregularmente deverá ser multado em R$3.080.

No verão passado a emergência hídrica foi decretada em janeiro mas, como se vê, as preocupações e ações para o próximo verão já começaram com a primavera.

Senado sempre comprando

O Senado da República abriga 81 Senadores e demonstra uma grande capacidade de comprar diversos tipos de utensílios para que nada atrapalhe o desempenho dos parlamentares em seu trabalho. Agora foram empenhados R$47,2 mil para a aquisição de utensílios diversos. Serão dispendidos R$21,1 mil para a compra de 1.700 xícaras de porcelana para café, com pires, e capacidade de 50ml. Outros R$7,2 mil serão gastos para comprar 1.100 colheres de café, 450 colheres para chá, 400 colheres de sopa, 300 colheres para suco e 350 garfos de mesa. Já R$6,9 mil serão gastos com 150 jarras em material inoxidável com capacidade para 2 litros, R$5,7 mil com 400 xícaras de chá, também com pires, e R$3,3 mil com pratos para refeições. Fechando a lista, R$3 mil serão usados na compra de 100 açucareiros.

Agora é só trabalhar, melhorar a produtividade e apresentar muitos resultados pois, até o momento, o débito ainda é alto.

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