Passava das 22h de um sábado de outubro. Chovia bastante. Uma jovem senhora dirigia seu automóvel de pequeno porte, subindo uma rua de bairro. Ao seu lado estava o seu marido, também jovem. Era uma rua de mão dupla e naquele momento havia carros estacionados dos dois lados, mal respeitando os acessos às casas e edifícios. Ou seja, só havia passagem para um veículo, no centro da via.
Quando a jovem estava quase no meio do quarteirão veio uma caminhonete de grande porte em sentido contrário. O motorista da caminhonete viu que a rua só permitia a passagem de um veículo e que não havia nenhuma porta de garagem onde encostar. Mesmo assim, prosseguiu até se encontrar com o carro pequeno no meio do quarteirão. E cruzou os braços, como que dizendo “saia você”.
Apesar do aborrecimento mas sem querer brigar, a jovem senhora começou a andar em marcha a ré. A cada centímetro recuado, o motorista da caminhonete prontamente avançava o mesmo tanto, bufando e esbravejando. Chegou outro motorista pela rua estreita, se posicionando atrás do carro que tentava dar ré. Em seguida tentou ultrapassar pela direita. E a chuva continuava.
Com esforço, a jovem finalmente chegou ao fim da fila de carros. Agora havia algum espaço pela direita e pela esquerda. Imediatamente o motorista da caminhonete e o outro apressadinho tentaram ultrapassar o carro da motorista ao mesmo tempo, quase causando colisões laterais. O “bacana” da caminhonete foi embora, não sem antes gritar “aprende a dirigir”.
A motorista deixou os dois apressados passarem e depois seguiu seu caminho pela rua estreita. Mas ficou a constatação amarga e realista de que bom senso está em falta e de que uma parte pouco civilizada da sociedade quer impor aos outros, na marra e no grito, seu jeito de ser.


