Copa – As vésperas do inicio da Copa, a Fifa publicou em sua página na internet uma tentativa de colocar os pingos nos “is”. A federação negou que tenha exigido do governo brasileiro uma isenção geral de impostos e tributos para os seus aliados, patrocinadores do evento. O Ministério dos Esportes disse que não é bem assim, e subiu no muro, como sempre. A palavra transparência mais uma vez ficou opaca, já que o Tribunal de Contas da União estima que a liberalidade dessa renuncia fiscal significa deixar de arrecadar R$ 1,1 bilhão.
Um ano depois – Em junho do ano passado as manifestações de rua mostraram claramente a insatisfação das pessoas e as exigências de mudanças em diversos aspectos da vida no país. Passado um ano, quase nada foi feito pelo poder legislativo federal, que passa a sensação de esperar propostas do poder executivo, como ocorre na enorme quantidade de medidas provisórias tratando de temas variados. Agora, com a edição do decreto presidencial que regulamenta a política de participação social em instâncias consultivas do Serviço Público Federal, o Congresso Nacional começou a chiar, alegando perda de atribuições. Eles fizeram como Carolina, que ficou na janela e não viu o tempo passar. O fato é que a democracia representativa continua sendo questionada pelo seu desempenho. E continuam as manifestações e as reivindicações por democracia direta (horizontal), que o decreto presidencial tenta amenizar com a regulamentação da democracia participativa em seu âmbito. Imaginemos como ficaria isso no Poder Judiciário e nas esferas estaduais e municipais.
Multas na telefonia – Praticamente 9 de cada 10 reais de multas aplicadas pela Anatel desde o ano 2000 não foram pagas pelas operadoras de telecomunicações. Quando é o usuário que atrasa o pagamento de qualquer conta devida às operadoras, a tolerância é zero, e o nome do devedor é lançado imediatamente na Serasa e organizações afins. Haja força e persistência para uma luta tão desigual, já que a Anatel é bastante tolerante com as operadoras e ouve burocraticamente as reclamações dos usuários que ousam fazê-las, principalmente quanto à qualidade dos serviços prestados e cancelamentos de contratos.
Na semana passada a página do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte no facebook publicou a resposta a uma curiosidade. Quem foi a primeira vereadora da cidade?
Foi Alaíde Lisboa de Oliveira, que tomou posse em 18 de julho de 1949, dois anos após ter sido eleita como suplente do vereador Otacílio Fonseca. Professora, jornalista e escritora, Alaíde exerceu o direito da mulher de eleger e de ser eleita, conforme definido em Decreto de 1932 e instituído pela Constituição Brasileira de 1934.
O seu livro mais conhecido é “A Bonequinha Preta”, que já teve mais de um milhão de exemplares vendidos e foi leitura obrigatória no então curso primário de muitas gerações. Nascida em 1904 na cidade de Lambari-MG, Alaíde faleceu em 2006 aos 102 anos, e era irmã da também escritora Henriqueta Lisboa. Essas informações também estão no facebook do Arquivo Público da Cidade de BH.
Cabe registrar os nomes das vereadoras que prosseguiram, ao longo desses quase 65 anos, a caminhada iniciada pela pioneira Alaíde Lisboa de Oliveira na primeira legislatura, que foi de 08/12/1947 a 30/01/1951.
A segunda vereadora da história foi Júnia Marize Azeredo Coutinho, que foi eleita para a sexta legislatura, de 31/01/1967 a 10/01/1971.
Já chegamos a ter sete vereadoras em uma mesma legislatura. Hoje, temos apenas uma.
A seguir a relação das eleitas em cada legislatura. As informações são da Superintendência de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Sétima Legislatura – 31/01/1971 a 10/01/1971
Júnia Marize Azeredo Coutinho
Verlaine Bonifácio
Oitava Legislatura – 31/01/1971 a 30/01/1977
Júnia Marize Azeredo Coutinho
Verlaine Bonifácio
Ivone Borges Botelho
Nona Legislatura – 31/01/1977 a 30/01/1983
Ivone Borges Botelho
Maria Tófani Gontijo
Vera Cruz Coutinho
Décima Legislatura – 31/01/1983 a 30/12/1988
Helena Greco
Ivone Borges Botelho
Maria Tófani Gontijo
Wânia Maria Aparecida de Carvalho
Décima primeira Legislatura – 01/01/1989 a 31/12/1992
Helena Greco
Lucinda Rosa dos Santos
Neusa Aparecida dos Santos
Décima segunda Legislatura – 01/01/1993 a 31/12/1996
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Rosário Caiafa – a partir de 06/01/1993
Marta Nair Monteiro – a partir de 01/02/1995 até 01/06/1996
Maria César Santos Zazá Schettino
Norma Venâncio Soares
Neusa Aparecida dos Santos – a partir de 12/01/1993 até 01/03/1996
Raquel Scarlatelli – a partir de 01/02/1995
Décima terceira Legislatura – 01/01/1997 a 31/12/2000
Elaine Matozinhos Ribeiro Gonçalves – até 01/02/1999
Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Socorro Moraes Vieira (Jô Moraes)
Maria Helena Alves Soares
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Décima quarta Legislatura – 01/01/2001 a 31/12/2004
Ana Paschoal dos Anjos – a partir de 22/01/2001
Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Socorro Moraes Vieira (Jô Moraes)
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neila Maria Batista Afonso
Neusa Aparecida dos Santos – até 22/01/2001
Décima quinta Legislatura – 01/01/2005 a 31/12/2008
Ana Paschoal dos Anjos
Elaine Matozinhos
Luzia Ferreira
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neila Maria Batista Afonso
Neusa Aparecida dos Santos
Sílvia Helena Rabelo
Décima sexta Legislatura – 01/01/2009 a 31/12/2012
Elaine Matozinhos
Luzia Ferreira – 2009/2010
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neusa Aparecida dos Santos
Pricilla Teixeira
Sílvia Helena Rabelo – 2011/2012
Décima sétima Legislatura – 01/01/2013 até a presente data
Elaine Matozinhos
Há muito tempo se fala em reforma política e em reforma tributária. Como nunca se chega a um generoso consenso, tudo tem ficado para depois, mas sem a perspectiva do quando. Enquanto isso, os temas ficam pululando, com intensidades variadas, nos anseios da população. As pesquisas de opinião mostram o anseio por mudanças de cunho político e a insatisfação com a alta da inflação corroendo o poder aquisitivo – inclusive o da nova classe média. Também rondam o fantasma do desemprego e a perspectiva de crescimento econômico entre 1% e 1,5%, neste ano que já esta chegando ao meio.
Se as metas não são atingidas e os resultados não podem parecer pífios, a solução mais simples para o governo foi voltar à alquimia, que transmuta metais inferiores em ouro, e passar a mostrar os indicadores da gestão com grosseiras modificações de critérios de lançamentos contábeis, que fizeram surgir a contabilidade criativa.
Assim, uma conta que deveria ser paga pelo critério de competência no mês de dezembro é simplesmente lançada contabilmente para ser efetivamente paga em janeiro do ano seguinte. Isso impacta os restos a pagar que a União Federal tem, mas torna mais palatável o resultado a ser mostrado.
Nesse sentido o que pensar do eufemismo contido na expressão “centro da meta de inflação”, fixado em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional? Ele, que ao mesmo tempo cria duas outras metas, o teto de 6,5% e o piso de 2,5%? Nessa alquimia, o Banco Central do Brasil, o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional só alcançam resultados próximos a 6,5%, e insistem em dizer sempre que está tudo sob controle.
Diversos outros casos podem ilustrar ainda mais o que estou escrevendo, inclusive com a entrada em cena da “estagflação”, estagnação com inflação, diante dos baixos investimentos e da incapacidade de se combater as causas dos problemas. Aliás, os alquimistas sempre defenderam inflação um pouco mais alta, a ser compensada por um maior crescimento econômico. Como se vê pelo andar da carruagem, o mercado de trabalho para alquimistas continua em alta, tamanhas são as necessidades de mostrar perfeição naquilo que está totalmente imperfeito.
Os alquimistas estão chegando Jorge Ben Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!... Os Alquimistas Estão chegando Estão chegando Os Alquimistas...(2x) Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Êh! Êh! Êh! Êh!... (3x) Eles são discretos E silenciosos Moram bem longe dos homens Escolhem com carinho A hora e o tempo Do seu precioso trabalho... São pacientes, assíduos E perseverantes Executam Segundo as regras herméticas Desde a trituração, a fixação A destilação e a coagulação... Trazem consigo, cadinhos Vasos de vidro Potes de louça Todos bem e iluminados Evitam qualquer relação Com pessoas De temperamento sórdido De temperamento sórdido De temperamento sórdido De temperamento sórdido... Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!... Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh! Êh!... Os Alquimistas Estão chegando Estão chegando Os Alquimistas...(2x) Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!...
Olfato – Marcelo Leite explica em sua coluna como pesquisas científicas mostraram que cães treinados podem detectar, pelo olfato, a presença de tumores de próstata a partir de uma amostra de urina. Há quem defenda a substituição do exame PSA pela ajuda dos farejadores. Curiosíssimo.
Maternidade = felicidade? – A pesquisa “Nascer no Brasil” apontou que 55% das mães não programaram engravidar e que 30% não desejavam o filho que gestavam. Mais de um quarto das mulheres avaliadas apresentaram depressão pós-parto. Quando a felicidade é o único sentimento exposto nas redes sociais, Cláudia Collucci alerta que ser mãe nem sempre produz apenas sentimentos bons.
Tem ingresso? – Na última fase da venda de ingressos para a Copa, teve fila virtual, espertinho dando conselho errado na internet, gente com vários navegadores abertos ao mesmo tempo e frustração em vários idiomas. Mário Magalhães narra sua experiência frustrada.
Enquanto esperava, vi que no Twitter o pessoal se irritava e produzia piadas, engraçadas ou não.
Reclamaram que nessa fila não havia oferta de cerveja e amendoim. Um torcedor queria os salgadinhos com “preço camarada”, mas aí já seria pedir demais ao presidente Blatter e seus bons companheiros.
Depois de um sem-número de comparações da fila da Fifa com a fila do SUS, alguém teve o bom senso de ameaçar punição de meia hora de atraso na “sala de espera” se repetisse o gracejo.
Regulação da mídia – Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, deu entrevista a blogueiros em São Paulo. Paulo Nogueira participou, e narra suas impressões neste texto. Berzoini se declara “francamente a favor” da regulação da mídia. A partir daí, Nogueira analisa o caso da Inglaterra e o caso da Argentina.
Direitos humanos – Com os 25 anos do Massacre na Praça da Paz Celestial, Leonardo Sakamoto faz uma reflexão sobre os direitos humanos.
Terminou ontem a greve dos funcionários representados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte. Foram 29 dias.
Como em toda greve, é preciso saber a hora de começar e a de terminar. A categoria acabou aceitando o reajuste salarial de 7%, a ser pago em duas parcelas de 3,5% nos meses de julho e novembro deste ano. Agora apenas a categoria dos professores permanece no movimento.
“A luta continua, companheiros”. É a frase de ordem que ainda ecoa nos ouvidos de muita gente que fez greve em outros tempos. É bom lembrar que muitos dos líderes desses tempos estão, hoje, em outras esferas de poder. Eles sabem dizer claramente que, agora, os tempos são outros e as coisas são diferentes. Ainda assim, as fotografias deixarão registradas a história de mais um momento de mobilização e luta, numa conjuntura de inflação alta, crescimento econômico baixo, Copa do Mundo e eleições presidenciais.
Enquanto isso o cidadão belo-horizontino prossegue insatisfeito, lutando pelo direito de exercer a sua cidadania, e esperando, por exemplo, que o BH Resolve possa contribuir para isso.
Todas as fotos deste post são de Sérgio Verteiro.
A história registrou nesta quarta feira, 4 de junho, os 37 anos da tentativa de realização do terceiro ENE (Encontro Nacional dos Estudantes). Foi em 1977, na Faculdade de Medicina da UFMG. O objetivo era a reconstrução da União Nacional dos Estudantes, que fora proscrita pela ditadura militar. Os estudantes presos e que eram dirigentes de entidades estudantis, foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional e anistiados pela Lei da Anistia, em 1979. Alguns dos participantes atuam hoje na política partidária, outros estão em órgãos dos três poderes bem como em entidades sindicais e empresariais.
Em 2007, o JBlog, ligado ao Jornal do Brasil, recuperou esse fato histórico. Leia o texto deles aqui.
Greve à vista – Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Ouro Preto estão em greve desde março, antes mesmo do início do 1º semestre letivo de 2014, que ocorreu no dia 19. Nesta semana deve sair uma decisão do corpo docente sobre a adesão à greve nacional da categoria. Agora que a vida acadêmica parecia estar perto de se regularizar depois da greve de 2012, surge esta ameaça que pode jogar o segundo semestre para bem mais longe.
Cancelado – No sábado 31 de maio a Azul Linhas Aéreas cancelou o único voo semanal da empresa entre o aeroporto da Pampulha (Belo Horizonte) e Araxá, segundo noticiou-se na imprensa. A causa foi um problema de manutenção. Uma peça da aeronave apresentou defeito e não havia sobressalente para ser usada em tempo hábil, segundo apuraram alguns passageiros.
Agências de viagem foram informadas de que, a partir de 04 de agosto, haverá um voo saindo de Confins às 08h15, de segunda a sábado, com 72 lugares disponíveis. Esse voo será BH-Uberaba-Araxá, onde pousará às 10h30. O avião retorna às 11h, saindo de Araxá para pouso às 12h em Confins. Depois dos procedimentos de desembarque e tendo a sorte de um trânsito fluente, será possível chegar ao centro de BH por volta das 13h. Só aguardando para conferir.
Custo – O Supremo Tribunal Federal custa R$ 1,5 milhão por dia aos cofres públicos. O orçamento da Corte em 2014 é de R$ 564,1 milhões, dos quais R$ 209,3 milhões já foram gastos. Em abril, a mais alta corte da justiça brasileira contava com 1.683 servidores, informou ontem a ONG Contas Abertas.
Na semana passada três projetos que tramitam no Senado da República chamaram minha atenção, pelos passos que conseguiram dar. Um deles já fez 15 anos de casa. Os três, se aprovados, terão em comum o impactante aumento dos dispêndios financeiros pelo Tesouro Nacional, de maneira geral, ou diretamente pelo contribuinte. O fato é que todos eles contribuirão muito para o aumento do custo Brasil.
O primeiro foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais por 10 votos a 9. Ele dá aos beneficiários do programa Bolsa Família o direito de permanecer recebendo o valor por mais seis meses, mesmo que ultrapassa após uma reavaliação. O orçamento do Programa Bolsa Família para 2014 é de R$ 25 bilhões, para atender 14 milhões de famílias. O projeto seguiu para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), para decisão terminativa.
Já a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 63/2013 foi discutida na Comissão de Constituição e Justiça. Ela determina um pagamento de adicional a magistrados e membros do Ministério Público. A proposta é que eles recebam adicional por tempo de serviço de 5% do salário a cada 5 anos trabalhados, chegando ao máximo de 35%. Se aprovada, a proposta elevará a remuneração a um patamar acima do atual teto do funcionalismo federal, de R$29.462,25. E, claro, na sequência de uma aprovação virão diversas categorias exigindo o reconhecimento de um novo teto, além do efeito cascata, fazendo o desdobramento nos diversos níveis e instâncias do poder judiciário.
Por fim, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária aprovou um substitutivo para projetos de lei que alteram a Lei Geral do Cooperativismo. Esses são os projetos citados no início do texto que tramitam na casa há 15 anos. O substitutivo, agora, será enviado para análise da Comissão de Assuntos Econômicos. O documento propõe que o sistema cooperativista seja representado em âmbito nacional pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), que já figura na lei atual, e pela Unicopas (União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias), que é a novidade da lei proposta. Todas as cooperativas brasileiras serão obrigadas a se filiar a uma das duas instituições e pagar anualmente a contribuição cooperativa no valor de 0,2% do capital integralizado e dos fundos existentes no ano anterior.
Saúde mental e sexualidade – Uma tese de doutorado defendida na UFMG se debruça sobre um dos tabus relacionados a pessoas portadoras de transtornos mentais. A pesquisadora Marina Celly Martins Ribeiro de Souza partiu da constatação de que infecções sexualmente transmissíveis são muito diagnosticadas entre essas pessoas, o que alerta que elas têm vida sexual ativa. A partir disso, pesquisou como os profissionais de saúde lidam com esse tema e cuidam desse grupo. Leia mais aqui.
Palestras vazias – Você já passou por isso, pelo menos uma vez: assistiu a uma palestra e saiu de lá com a sensação de perda de tempo. Há várias razões para isso mas, neste artigo publicado na Folha, Adriana Gomes analisa o comportamento dos palestrantes e o uso excessivo de vocabulário “da moda” como “sustentável”, “transformador”, “liderança”. Como diz ela, palavras bonitas, mas muitas vezes sem sentido.
Uma fala entremeada com essa avalanche de vocabulário “modístico” e desconectada da realidade gera muito mais descrédito do que o efeito esperado por quem está proferindo: o entusiasmo e a motivação da plateia.
Calvário – Se contar, todo mundo acredita, infelizmente. Para entrar com o pedido de seguro desemprego uma pessoa foi duas vezes ao local indicado, não conseguiu. Vai ter que ir ao local pela terceira vez. Leia o relato na coluna de Eduardo Costa.
Não é chantagem, é oportunidade – Neste mês de greves e protestos diários de diversas categorias profissionais em busca de melhores salários e condições de trabalho, Leonardo Sakamoto analisa como elas aproveitam a oportunidade. Para ele, escolher esse momento não é oportunismo. Relembrando a greve dos garis do Rio durante o Carnaval, o autor reflete:
Qual outro período sua existência poderia ser melhor notada do que naquele em que mais se precisa deles? Deixar o protesto para quando o impacto for menor seria demonstrar uma falta de capacidade crônica de ler a conjuntura, para dizer o mínimo.
Comparando as últimas copas, chama a atenção um aspecto negativo no modo como encaramos resultados: política de terra arrasada e a falta de planejamento para longo prazo.
Após o fracasso do Brasil em 2006, Dunga entrou com ordens de renovar a seleção. Cumpriu parcialmente. Se por um lado barrou medalhões sem espírito de grupo, por outro montou uma seleção envelhecida. Apenas Ramires tinha menos de 23 anos na Copa da África. Para efeito de comparação, a Alemanha levou 9 atletas nessa faixa, a Argentina levou 7 e a Espanha foi com 6.
Também chama a atenção que, em 2014, pela primeira vez em 20 anos, o Brasil vai à Copa sem nenhum campeão Mundial no elenco. O time de 2010 tinha Gilberto Silva, Lúcio, Kleberson e Kaká, vitoriosos de 2002.
Com experiência em Mundiais, retornam Júlio César, Daniel Alves, Maicon, Ramires e Thiago Silva, em sua maioria reservas do grupo de Dunga. A eles soma-se Fred, reserva na Alemanha em 2006.
É verdade que o Brasil revela muitos jogadores, e talvez por isso tantas apostas se percam. Mas as mudanças drásticas dizem muito sobre como agimos em caso de derrota. Basta comparar com outras grandes seleções, em que muitos nomes se repetem há três Mundiais ou mais. É o caso do goleiro Buffon, que esteve no grupo italiano que foi à Copa de 1998, na França, e vem ao Brasil para seu quinto Mundial.
E isso tudo, é garantia de quê? Bem, esse é o interessante do futebol: garantia de nada. O Brasil recente com maior número de ex-campeões convocados foi justamente 2006, com dez atletas. E o último a ir para uma Copa sem campeões levantou o caneco em 1994, sob o comando de Parreira.
Igor Costoli é jornalista e radialista de formação e atleticano de coração. É produtor e apresentador do Programa Invasões Bárbaras; na Rádio UFMG Educativa.









