Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  31 de outubro de 2021   Curtas e curtinhas

Perdas salariais 

Sabemos que quem mais perde com a inflação em alta galopante é o poder aquisitivo dos trabalhadores. Não nos esqueçamos de que existem no país 13,7 milhões de trabalhadores desempregados. Mas qual tem sido a força dos sindicatos dos trabalhadores para negociar as reposições das perdas salariais anuais nesses tempos tão desfavoráveis ao trabalho na relação com o capital? As negociações de setembro mostram que apenas 7% dos acordos coletivos tiveram algum ganho real acima da inflação, 26% tiveram a reposição da inflação e 67% receberam reajuste abaixo do índice inflacionário. Os dados são do Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) / USP. Triste realidade, mas desanimar jamais!

Arrecadação de tributos federais

A Receita Federal do Brasil informou que a arrecadação de tributos federais em setembro foi de R$149,102 bilhões, a maior da série histórica para o mês iniciada há 26 anos. O crescimento real foi de 12,87% em relação ao mesmo período do ano passado, que ficou em R$ 119,825 bilhões. Aliás, a arrecadação bateu recordes históricos em 7 dos 9 meses deste ano e acumulou, até setembro, 1,349 trilhão de reais, o que significa um aumento real de 22,30% na comparação com o mesmo período do ano passado. Como se vê o aumento da inflação dá uma boa ajuda para o crescimento real da arrecadação de tributos.

Combustíveis caros, Petrobras lucrativa

A política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras, chamada de Preços de Paridade de Importação – PPI completou 5 anos em vigor. Ela foi criada durante o governo Temer (MDB- SP) em outubro de 2016. Essencialmente, tudo é referenciado pelo preço internacional do barril de petróleo (atualmente em torno de U$85) e todas as transações são pagas em dólar que, por sua vez, se valoriza a cada espasmo da política brasileira aumentando a incerteza. Na vigência do PPI o preço real dos combustíveis subiu acima dos 30% e a Petrobras passou a ser lucrativa, distribuindo dividendos para os acionistas dos quais o principal é o próprio Estado Brasileiro. Uma das principais reivindicações dos caminhoneiros é a revogação do PPI. Os críticos dessa política alegam que ela aumenta os lucros dos acionistas às custas do consumidores que, no fim das contas, pagam pela alta do dólar e do petróleo. Até quando o PPI resistirá?

Construção de prédios em São Paulo

Segundo dados do Secovi-SP, sindicato patronal da habitação, foram lançadas de janeiro a agosto deste ano na cidade de São Paulo cerca de 41.797 unidades residenciais em prédios na planta. Esse número mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, em plena pandemia da Covid-19, quando chegou a 20.238 unidades. Numa comparação com 2019, antes da pandemia, os números são 49% maiores no mesmo período. Como será que estão os números da cidade de Belo Horizonte? A pesquisar.

  Comentários
 

A sobrinha e a tia idosa

por Luis Borges,  26 de outubro de 2021   Pensata

Todo dia é dedicado à lembrança de uma ou mais coisas de natureza variada e foi assim que passamos pelo primeiro de outubro, Dia do Idoso. Vale lembrar que a lei brasileira considera idosas as pessoas com idade a partir dos 60 anos. Estima-se que o Brasil tem, hoje, aproximadamente 28 milhões de idosos e que esse número chegará a 43 milhões em 2031. Diante de tantas consequências políticas, econômicas, sociais e culturais que isso tem, de vez em quando surge alguém propondo que a idade limite seja elevada para 65 anos devido ao aumento da expectativa de vida. Apesar desse tipo de proposição, é importante conhecer onde, como (com quais condições?) e com quem (ou sozinhos?) vivem os idosos brasileiros.

Ajuda-nos a tentar encontrar respostas para essas perguntas, ainda que a título de ilustração, um caso do qual tomei conhecimento recentemente. Trata-se de uma senhora de 86 anos, solteira, servidora pública aposentada e sempre muito determinada em seus propósitos. Faz tempo que ela mora num apartamento de 100 m², com 3 quartos, numa movimentada rua no Centro de Belo Horizonte. Há seis anos ela teve importantes perdas em suas condições funcionais e passou a viver – ou sobreviver – numa configuração bem diferente do que era até então.

Uma sobrinha, hoje com 50 anos, passou a ser sua procuradora e resolve monocraticamente todas as questões relativas às coisas de sua vida. Ela montou uma estrutura operacional que conta com uma empregada doméstica, uma cuidadora de idosos para as noites de segunda a sexta-feira e outra para os finais de semana. A sobrinha também recebe os proventos da aposentadoria e dos aluguéis de dois apartamentos que a tia possui no bairro dos Funcionários. Acontece que a sobrinha resolve praticamente tudo a distância. Conta essencialmente com a empregada doméstica para as compras diárias, inclusive de medicamentos e itens de higiene pessoal, e assim chega a ficar até três semanas sem visitar a tia. Quando ela aparece por lá, a tia começa a reclamar das coisas e logo recebe réplicas em tom de ameaça por parte da sobrinha, que diz que ela será encaminhada para uma Instituição de Longa Permanência para Idosos- ILPI.

A tia, em seus tempos áureos, sempre esconjurava essa alternativa de moradia e, portanto, logo fica em silêncio diante da ameaça. Instantes depois a sobrinha dá um jeito de ir embora alegando que tem muitos outros afazeres.

Dessa história, gostaria de chamar atenção para o pré-conceito em relação às moradias para idosos e proponho uma reflexão.

É claro que existem instituições privadas de variados modelos, em função do poder aquisitivo de cada cliente, e também as filantrópicas, com as contribuições possíveis de cada morador, caso ele tenha condições. Melhor seria que as pessoas em geral tentassem conhecer melhor as moradias e centros de convivência para idosos, pois muitos de nós também poderemos precisar delas num futuro que se avizinha a cada dia. Até mesmo a sobrinha da tia idosa de hoje, que alias será a sua herdeira .

Nunca nos esqueçamos que o idoso quer carinho, atenção e tratamento digno, sem essa de ser infantilizado ou iludido com a lembrança de que está na “melhor idade”.

E você, caro leitor, o que acha de tudo isso? Será que isso só acontece com os outros que chegaram à fase idosa da vida?

  Comentários
 

“Se muito vale o já feito, mas vale o que será. E o que foi feito é preciso conhecer, para melhor prosseguir”

É o que dizem Milton Nascimento e Fernando Brant na música O Que Foi Feito Devera, de 1978. Eles nos inspiram a pensar e agir neste momento em que o processo de vacinação contra a Covid-19 e suas mutações ganha velocidade.

As pessoas imunizadas com a primeira dose da vacina já passam de 152,32 milhões e as com a segunda dose ou dose única superam 106,87 milhões. Sem contar a dose de reforço, que chega a cada vez mais pessoas.

Diante disso passamos pela flexibilização das medidas de segurança sanitária que foram fundamentais para o combate ao vírus e a sua disseminação. São visíveis os resultados alcançados, apesar de todos os pesares e perdas. Mas a pandemia ainda não acabou e a Organização Mundial da Saúde nada disse em contrário até o momento. Inegavelmente existem diferentes situações na terra globalizada e também diferentes atitudes perante a pandemia, inclusive a de não se vacinar.

O avanço da vacinação mostra seus reflexos na redução das internações nas enfermarias e UTIs dos hospitais bem como na redução da velocidade de transmissão do vírus. Assim, estados e municípios começam a flexibilizar as regras de segurança. Apesar de alguns balões de ensaio pra suspender uso de máscaras e higienização das mãos, os infectologistas e demais especialistas recomendam que seu uso siga permanente, sobretudo em locais fechados e pouco ventilados.

Diante disso o que esperar do comportamento das pessoas que cumpriram disciplinadamente as medidas de segurança sanitária e ficaram em casa sempre que puderam? Será que quem passou pela incerteza, insegurança e medo diante de tantas perdas materiais e humanas, estaria agora com muita ansiedade para rapidamente tirar o atraso em relação ao que deixou de fazer anteriormente? Nesse sentido ainda continua válido pensar em como as nossas escolhas individuais terão consequências para a coletividade. Mas são perceptíveis muitos sinais de pessoas que estão indo com muita “sede ao pote” depois de terem feito tudo conforme os padrões sanitários.

Lembrei-me de um casamento ocorrido numa cidade do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais no sábado em que começou o feriadão comemorativo da padroeira do Brasil. O casamento havia sido adiado duas vezes e a empresa contratada para fazer a festa deu um ultimato, dizendo que não negociaria um novo adiamento. A festa acabou sendo feita para 200 participantes, a metade do que era previsto inicialmente.

Em torno de 20% dos participantes entraram no local usando máscaras. Quatro deles relataram olhares atravessados dos que dispensavam o equipamento de segurança, como que a questionar o uso da máscara no local da festa com aglomeração livre. Muitos também foram os abraços calorosos trocados por algumas pessoas falando em saudades.

Quem me contou esses fatos deu um jeito de sair logo do ambiente após cumprir um protocolo para não abalar uma antiga amizade. Fiquei sabendo de gente que está fazendo uma lista de pessoas a serem visitadas daqui para frente e que estão se perguntando se estarão na lista de alguém.

Será que já dá para ficar durante duas horas numa sala de cinema ou num teatro na configuração clássica das cadeiras, mesmo com uso de máscaras? E ir a um estádio com lotação permitida cada vez maior? A decisão é de cada um e o risco é para todos.  Estão vindo aí os feriados de Finados e Proclamação da República, o Natal, a virada do ano, as férias de verão, o Carnaval…

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  19 de outubro de 2021   Curtas e curtinhas

Preços da energia elétrica

As distribuidoras de energia elétrica estão pleiteando junto ao Governo Federal um aumento no preço da tarifa extra – que está no seu mais alto patamar. Hoje a bandeira de escassez hídrica adiciona R$14,20 à conta de energia a cada 100 kwh (quilowatts-hora) consumidos. As usinas termelétricas alegam que esse preço não cobre o aumento do custo do óleo diesel e do gás natural usados na geração de energia.

O Ministério das Minas e Energia disse que está estudando o assunto e relembra que a taxa extra vigorará de setembro de 2021 a abril de 2022. O período chuvoso já começou, mas pelo visto está a caminho mais um aumento para o consumidor que sempre “paga o pato”. E o poder aquisitivo continuará indo embora. Ou será que o Presidente da República revogará numa canetada as disposições em contrário no que tange à vigência da tarifa extra da escassez hídrica?

Aulas presenciais

O governo do estado de São Paulo determinou a volta total das aulas presenciais no ensino público e privado, até o nível médio, a partir deste 18 de outubro. Já no dia 3 de novembro deixará de existir a obrigatoriedade da distância mínima de 1 m entre as carteiras, mas continua sendo obrigatório o uso de máscara e do álcool em gel para a limpeza das mãos, tanto para os alunos quanto para os professores e funcionários técnico-administrativos.

Enquanto isso as Universidades Federais e os Institutos Tecnológicos dão sinais de que só voltarão à plenitude do ensino presencial no primeiro semestre de 2022. Como será a continuidade do ensino híbrido – presencial e remoto – e em quais condições poderá ser utilizado? A conferir.

Trabalhadores por conta própria

O IBGE divulgou que o número de trabalhadores por conta própria chegou a 24,8 milhões no segundo trimestre do ano. Esse número é composto por Microempreendedores Individuais (MEI), que tem CNPJ e contribuem para o INSS, e por informais, sem qualquer tipo de garantia. Juntos, representam 28% das pessoas que estavam trabalhando no período. Em 12 estados esse índice passa dos 30%, sendo que no estado do Amapá chega a 40%. O trabalho por conta própria tende a continuar nas alturas diante da lentíssima recuperação econômica e do altíssimo desemprego. Os números são coletados, observados e analisados cientificamente e falam por si. Não dá para negá-los, ignorá-los ou tentar justificá-los com uma desculpa qualquer que signifique abuso da inteligência alheia.

Cenários do FMI para o mundo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou no dia 12 de outubro o seu segundo relatório anual com os cenários projetados para o restante deste ano e para o ano eleitoral de 2022. Ele mostra o crescimento da inflação mundial, que deve ficar entre 3 e 4% no ano. Isso foi o suficiente para o Ministro da Economia tentar justificar a inflação brasileira – de 10,25% nos últimos 12 meses – culpando os alimentos e a energia que, segundo ele, respondem pela metade do índice inflacionário. Entretanto foi mais conveniente deixar de falar que estamos muito além e que a meta do Conselho Monetário Nacional para a inflação deste ano era de 3,75%. Também nada disse sobre o preço do barril de petróleo a U$80,00 , pressionado pelo aumento do consumo sem aumento da produção, e a variação cambial desvalorizando o real em meio às incertezas políticas.

O FMI projeta um crescimento de 5,1% para os países emergentes no ano que vem, mas especificamente para o Brasil esse índice é de apenas 1,5%. É o que temos para hoje!

  Comentários
 

A cansativa reforma de uma casa

por Luis Borges,  14 de outubro de 2021   Pensata

Ter uma casa própria faz parte dos sonhos da vida de muita gente. A moradia é uma das necessidades do ser humano segundo a pirâmide de Abraham Maslow (1908-1970) como parte do quesito segurança.

Vou contar aqui o caso de um casal amigo – que também acontece com outras pessoas – que resolveu recentemente fazer uma pequena reforma em sua casa própria, com 150 m² de área construída, numa verdadeira demonstração de autoestima, de renovação e energização do ambiente do viver cotidiano. A meta estabelecida foi pintar a casa e os muros, bem como revisar o telhado (antes do período chuvoso), em seis semanas contínuas de trabalho, de segunda a sexta.

Todo o planejamento foi detalhado num plano de ação cuja primeira medida era a especificação dos serviços a serem feitos. Logo em seguida vinha a contratação de um prestador de serviços da modalidade Microempreendedor Individual (MEI), com dois ajudantes e com referências de qualidade na prestação de serviços a dois clientes. Essa fase foi bem difícil e demorou três semanas para ser concluída. Foram consultados 4 fornecedores, dos quais 1 estava com a agenda cheia e outro combinou uma reunião para conhecer o que seria feito, não compareceu, remarcou para a semana seguinte e, de novo, não apareceu e nem deu satisfação. Um terceiro que foi procurado ficou de apresentar uma proposta, foi cobrado algumas vezes para que a enviasse e até hoje nada, também não deu nenhuma satisfação. Acabou sendo contratado o único que apresentou proposta, por sinal compatível com a capacidade financeira do casal prevista no planejamento.

Assim os serviços se iniciaram na primeira semana de agosto para serem concluídos em meados de setembro. Dentro das condições gerais do contrato ficou estabelecido que caberia ao contratante – cliente – a compra de insumos e materiais necessários, mas que deveriam ser especificados e apresentados pelo contratado – fornecedor – com antecedência mínima de 24 horas. Na prática isso acabou gerando fadiga entre as partes, pois quase todos os dias se solicitava alguma quantidade de algum item que estava acabando, ou seja, a previsão inicial falhou.

Outros aspectos que incomodaram muito aos contratantes foram a limpeza do ambiente, bastante descuidada, a organização em geral (muita bagunça) e um certo desperdício de materiais, inclusive de tempo. Ainda bem que o casal se hospedou na casa de uma filha durante a prestação do serviço.

Outra percepção clara foi sobre o ritmo de trabalho no dia-a-dia, notadamente na segunda, “pegando no tranco”, e na sexta, com muita ansiedade pela chegada do fim de semana. Houve também pouca pontualidade em relação ao horário de início dos trabalhos pela manhã e na retomada após o almoço, mas a assiduidade foi plena. Diante de tudo que aconteceu, acabou sendo inevitável um atraso de duas semanas e os serviços foram concluídos no dia primeiro de outubro, data limite para o início do período chuvoso.

Qualquer semelhança com alguma experiência já vivida por você, caro leitor, pode nos permitir a repetição de um dito popular afirmando que isso “só muda de endereço”. É isso mesmo?

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  8 de outubro de 2021   Curtas e curtinhas

Reforma do Imposto de Renda

A proposta de reforma do Imposto de Renda está tramitando na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O relator é o Senador Angelo Coronel (PSD-BA), que deve apresentar o seu parecer no início de novembro. Ele afirmou que pretende elevar o limite de isenção do IR para quem ganha até R$5.000,00 mensais, que é o dobro da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. Essa medida atingiria em torno de 25 milhões de pessoas, ou seja, 9 milhões a mais do que prevê a proposta dos deputados federais. Na campanha eleitoral de 2018 o atual Presidente da República disse que isentaria do IR quem recebesse até 5 salários mínimos mensais, que equivalem atualmente a R$ 5.500,00. A conferir.

Microcrédito

A Caixa lançou no dia 27 de setembro um programa de microcrédito para empréstimos que poderão ser usados pelos clientes em gastos pessoais ou em microempreendimentos. Os valores vão de trezentos a mil reais e devem ser solicitados por meio do aplicativo “Caixa Tem”, que exige dos participantes a atualização cadastral permanente. A taxa de juros a ser cobrada será de 3,99% ao mês e o cliente poderá quitar a sua dívida em até 24 meses. Quem tomar um empréstimo de mil reais para pagamento em 24 meses, por exemplo, pagará R$ 68,38 a cada mês e ao final do período terá desembolsado R$1.641,12. E olha que a Caixa é um banco social.

Quem vai pagar o bônus?

O governo federal criou um bônus para quem economizar energia elétrica no período de setembro a dezembro de 2021, que será creditado na conta de janeiro ou fevereiro do ano que vem conforme o ciclo de faturamento da  distribuidora. Mas o dinheiro para cobrir o valor gasto com o bônus virá da própria tarifa de energia elétrica em seu próximo reajuste. Ele será lançado no pouco divulgado item relativo a “Encargos de Serviços de Sistema (ESS)” pois é um gasto não previsto que surgiu ao longo da vigência da tarifa atual. Na prática, todos os consumidores pagarão o custo do bônus, inclusive os que economizarem energia elétrica. Criatividade é isso mesmo!

Abstenção nas eleições 2022

Faltam 359 dias para as eleições de 2 de outubro de 2022. Pesquisas de intenção de votos já estão sendo divulgadas e tentam trazer um retrato do momento em relação a possíveis candidaturas já colocadas, principalmente para a Presidência da República e os governos dos estados. Mas, para ajudar a melhorar o retrato, a primeira pergunta a ser feita nas pesquisas deveria ser sobre a vontade do eleitor de comparecer às urnas. Apesar do voto ser obrigatório, um dever e não um direito, a abstenção no primeiro turno das eleições de 2018 ficou em 20,3% e em 2020 em 23,14%. Portanto, analisar e observar a abstenção é fundamental para quem quer melhor conhecer e compreender o processo eleitoral. Com a palavra os institutos de pesquisas.

  Comentários
 

Amizades sobreviventes

por Luis Borges,  5 de outubro de 2021   Pensata

Passados quase dois anos de enfrentamento do vírus da Covid-19 e de suas mutações, bem como das consequências da pandemia – que ainda não acabou, é bom lembrar – fico pensando nos rumos que as amizades entre as pessoas tomaram e continuaram tomando. As mudanças não param. Penso em duas músicas de Milton Nascimento. Nada Será Como Antes é a primeira. A segunda é Canção da América, na qual Milton canta que

“amigo é coisa para se guardar debaixo de 7 chaves, dentro do coração”.

Como estou cheio de perguntas, penso: será que é isso mesmo? Ou cada caso é um caso, em seu devido tempo?

Constato que muitas pessoas amigas de vários quinquênios e outras de alguns anuênios estão bem mais sumidas. De algumas até penso se não estão escondidas por questão de segurança, de cabeça cheia de preocupações generalizadas que se acumulam e consomem mais tempo em sua já intrínseca escassez. Com certeza, falta gestão. Mas, e se nos lembrarmos das principais características de nossas amizades antes da pandemia? Será que elas estavam sendo bem cultivadas e polidas? Havia tempo dedicado a elas apesar de toda a correria estressante de cada dia, semana ou mês? Antes da pandemia, qual era o real valor da amizade pra nós, mesmo que várias tenham se acabado após o prazo de validade?

Trazendo isso para hoje, tomando todas as precauções para conter a disseminação do vírus, é importante avaliar o nosso querer, os motivos que temos para continuar mantendo – e bem – as nossas amizades, com todos os conteúdos que podem ser abordados nessas relações. Depois que aconteceu o acontecido, que veio trazendo tantas consequências ameaçadoras para todos, do eu ao nós, será mais fácil gastar a energia que ainda temos na solidão? Quem sabe será possível caminhar para a solitude, sozinhos, mas nos sentindo bem, com energia suficiente para gastar um pouquinho do tempo para ser dedicado às amizades, mesmo que mais no modo remoto e ainda quase nada presencial? Será que é tudo isso mesmo ou dá para flexibilizar mais ? Qual o nível de medo de uma contaminação pelo vírus após a imunização que nunca será absoluta?

Diante de tudo que vai rolando e respeitando o momento que minhas amizades estão atravessando, tenho tentado encontrar as pessoas para conversar em viva voz, pelo telefone celular e rarissimamente no fixo, que quase ninguém tem mais.

Mesmo tendo a iniciativa de procurar as pessoas amigas sem cobrar reciprocidade, muitas são as dificuldades encontradas e que se acentuaram nessa pandemia. Uma delas é o fuso horário. Qual seria a hora adequada para fazer um contato usando o dispositivo tecnológico? Será que as pessoas estão dispostas a conversar e com qual profundidade, duração, capacidade de ouvir e falar? Pode ser que a fase esteja levando as pessoas a uma revisão de muitos valores, questionamentos de crenças jamais imaginadas.

O desafio permanece, mas espero que as amizades sobreviventes continuem ajudando mutuamente a quem nelas acredita e cultiva.

  Comentários
 
Em 15 de setembro aconteceu mais um Dia do Cliente. A data tem como objetivo chamar a atenção de todos para a importância de quem está no papel de cliente nas relações entre as pessoas, a começar pela premissa que do outro lado existe alguém no papel de fornecedor. Aproveitando a onda surgem também as promoções comerciais do tipo “Setembro, mês do cliente” ou “Semana do Cliente”, por exemplo.
Sabemos que o cliente tem necessidades e expectativas relativas ao fornecimento de um determinado bem ou serviço. Isso pode acontecer no mercado amplo, nacional e internacional, ou internamente entre unidades de uma organização humana.
O cliente espera sempre que lhe seja fornecido tudo conforme as especificações combinadas, por um preço justo e atendimento de qualidade em todas as atividades do processo, inclusive no cumprimento de prazos.
É importante ressaltar que cabe ao cliente avaliar a qualidade da entrega feita pelo seu fornecedor, até mesmo dando uma nota na escala de 0 a 10, mas também deve se comportar de maneira clara, educada e sem arrogância, apesar de sua máxima e decisiva importância na relação entre as duas partes.
Nesse sentido, que avaliação podemos fazer sobre as nossas experiências vividas no papel de clientes? É bom também aproveitar a oportunidade para pensar sobre a qualidade do nosso trabalho quando estamos no papel de fornecedor. Será que é a mesma que exigimos como clientes ou deixamos a desejar? Sejamos sinceros.
Pelo que percebo está um pouco distante o tempo em que todo dia será do cliente e é por isso mesmo que existe a necessidade de se chamar a atenção sobre o tema. Ainda estamos longe da excelência e é preciso investir muito em gestão, educação e treinamento de modo permanente.
Fico pensando em alguns aspectos que mais me incomodam quando estou no papel de cliente. O primeiro deles é ser tratado como paciente na relação com qualquer profissional da área da saúde. Chega a incomodar a incapacidade de alguns para ouvir, só querem falar, determinar o que deve ser feito com absolutismo e arrogância. A empatia é próxima de zero. Outro incômodo grande é causado pelo acréscimo unilateral de serviços ou tarifas não contratados com operadoras de telecomunicações, bancos, distribuidoras de energia elétrica (bandeira vermelha nível 2 e emergência hídrica)…
Encerro lembrando de dissabores causados na prestação de muitos serviços públicos em que não existe outra opção e por isso somos classificados como usuários. É só lembrar dos transportes coletivos por ônibus e metro, a renovação de uma carteira de motorista num departamento de trânsito e o atendimento dos cartórios notariais, um serviço público concedido pelo Estado com preços corrigidos automaticamente a cada ano.

Imagine o estrago que uma pessoa maltratada como cliente, paciente ou usuária pode fazer ao seu fornecedor se resolver dar publicidade à suas queixas e reclamações, a começar pelas diversas mídias digitais…

  Comentários
 

Curtas e curtinhas

por Luis Borges,  25 de setembro de 2021   Curtas e curtinhas

Pix na berlinda

O Procon de São Paulo está questionando o Banco Central sobre riscos, principalmente de segurança, a que os usuários do PIX estão expostos. Entre os dados apresentados, o mais realçado foi a quantidade de sequestros relâmpago de pessoas tendo como contrapartida para a libertação a transferência de dinheiro da vítima pelo PIX.

O Procon sugeriu um limite de R$500,00 mensais para a movimentação de transferências até que o Banco Central apresente uma proposta mais consistente para solucionar o problema. A conferir.

Mais aumento da carga tributária

Apesar do discurso governamental de que não haverá aumento na carga tributária, isso não tem acontecido. Ela aumenta de forma indireta, com a não correção da tabela do Imposto de Renda, ou de forma deliberada, com o aumento da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Com publicação de decreto da Presidência da República o Ministério da Economia aumentou o IOF para pessoas físicas de 3% para 4,08% ao ano e de 1,5 para 2,04% no caso das empresas. No caso das pessoas jurídicas será mais uma pancada para ajudar a aumentar a inflação, pois quem puder vai tentar repassar esse aumento para os seus preços. Quanto às pessoas físicas, o que resta é contar com mais perda de poder aquisitivo. Simples assim.

Fila no caixa do Governo de Minas

A partir do mês de agosto o Governo do Estado de Minas Gerais voltou a pagar os salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas no quinto dia útil do mês. Os da saúde e segurança pública já recebiam seus proventos integralmente nesse dia há mais tempo. A propaganda sobre o acontecido chamou a atenção de quem está na fila para receber algo do Governo do Estado. Um exemplo esta na dívida do Estado com a União, que está há 6 anos sem ser paga, amparada por uma liminar da Justiça. A parcela não paga se aproxima dos 30 bilhões de reais, fora os juros, e ainda existem três vezes esse valor a vencer nos próximos anos. O Supremo Tribunal Federal ameaça derrubar a liminar se o estado não aderir ao regime federal de recuperação fiscal.

Também na fila, os servidores da segurança pública reivindicam o pagamento da segunda e terceira parcela de aumento salarial vetado pelo governador no ano passado. Como se vê, todo mundo fica atento também quando a farinha aumenta para melhorar primeiro o seu pirão.

Eleições em 2022

Faltando um ano para as eleições de Presidente da República, Senadores, Deputados Federais, Governadores e Deputados Estaduais vale a pena lembrar os nomes dos candidatos em que votamos, em qual partido estavam filiados à época e em qual estão hoje, bem como as entregas resultantes do trabalho que executaram com suas ações e omissões. No seu caso específico – e caso seus candidatos tenham sido eleitos – que avaliação você faz do desempenho deles e que nota você daria a eles numa escala de 0 a 10?

  Comentários
 

E se vier a estagflação?

por Luis Borges,  21 de setembro de 2021   Pensata

Faz tempo que estamos vivendo na expectativa de uma recuperação econômica – já são 7 anos (2015-2021). A prevalência tem sido de recessão ou crescimento pífio do PIB. O ideal seria um crescimento anual de 4% diante de uma população estimada em pouco mais de 213 milhões, dos quais 14,4 milhões estão desempregados e 6 milhões estão desalentados (desistiram de procurar trabalho).

É importante lembrar que, se a expectativa é maior do que a realidade, só nos resta o sofrimento diante da percepção de que tudo tem ficado bem abaixo do esperado. Os indicadores mostram os resultados entregues, apesar de algumas narrativas tentarem justificar os efeitos sem analisar as causas. Fica evidente que não dá para revogar a lei da gravidade.

O que pensar e o que esperar nesse momento em que a primavera chega para fechar o ano pelo calendário gregoriano diante de tantos problemas críticos, cujas soluções são vitais para a retomada consistente do crescimento econômico?

Podemos ilustrar isso com a crise hídrica, que ameaça pela falta d’água para o  consumo humano e demais seres vivos bem como a geração de energia elétrica. A saída mais fácil tem sido recorrer às caríssimas usinas termoelétricas que precisam ser bancadas pela cobrança de tarifas extras sobre as quais incidem também os tributos estaduais (ICMS) e federais (PIS- COFINS).

Outro problema crônico está na política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras desde 2017. Hoje o barril de petróleo gira em torno dos US$72 e a cotação do dólar tem ficado ao redor de R$ 5,25 . Segundo alguns economistas mais realistas o melhor seria que ficasse lá pelos R$4,00. É claro que quem está ganhando mais com o dólar alto não vai concordar com essa afirmação.

Vale também lembrar dos preços lá nas alturas das carnes, milho, soja, arroz, café… Ainda falta a chuva e sobram as queimadas, os desmatamentos e a mudança no clima, que resulta em aquecimento global.

Para completar esse quadro macro ainda temos a crise política permanente entre os poderes que constitucionalmente devem ser independentes e harmoniosos. No horizonte, as eleições de 2022.

Em meio a tudo isso haja inflação diante do desequilíbrio entre oferta e demanda, além da brutal perda de poder aquisitivo, principalmente para as camadas da base da pirâmide social, formada pela maioria da população, que reflete a brutal concentração de renda.

Agora está no Congresso Nacional a lei orçamentária para o ano eleitoral de 2022. Ela foi feita partindo da premissa de que o INPC terminará o ano em 6,3%, mas o Ministério da Economia já revisou o índice para 8,4%. Esse indicador é usado para reajustar o salário mínimo, aposentadorias e pensões do INSS. Pelo visto, é uma peça de ficção para cumprir a lei. Enquanto isso a inflação dos últimos meses medida pelo IPCA do IBGE ficou em 9,68%(a meta para o ano é 3,75%) e o PIB está projetado para um crescimento em torno de 4,9% no final do ano, após ter recuado 4,1% no ano passado. O mercado já projeta um crescimento do PIB inferior a 1% para o ano que vem.

E ainda temos a pandemia da Covid-19 e suas variantes, que ainda não acabou. Pelo que se vê diante de tantos sinais, não podemos descartar a possibilidade da economia continuar estagnada e com inflação alta, crescente, ou seja, a estagflação está no horizonte próximo. Quanto pior, pior mesmo!

  Comentários