A argumentação

por Convidado 5 de fevereiro de 2021   Convidado

*por Sérgio Marchetti

“Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo.” (Wittgenstein)

Posso dizer que houve, nesses últimos vinte anos, a maior expansão da literatura de todos os tempos sobre os diversos e mais variados assuntos. Mas, de forma avassaladora, também cresceu o número de pessoas que discutem temas, sobretudo polêmicos, somente com os ímpetos da paixão, que os impedem de aceitar quaisquer argumentos, ainda que documentados oficialmente.

Em minhas aulas e nas orientações individuais sobre o tema argumentação, meus alunos me indagam sobre como proceder quando argumentos inquestionáveis são desprezados pelos oponentes. Eu respondo que, conforme já diziam os antigos: “contra fatos não há argumentos”. Mas sei que não é o que tem ocorrido na prática, em discussões formais e informais.

Vejam, receptivos leitores, como é difícil a arte de comunicar: três pessoas olham para um indivíduo barbudo e de cabelos longos. Um diz que é Jesus, outro que é um hippie qualquer. E um terceiro, que não tem coragem de arriscar, diz que ambos são ignorantes. Ou seja, critica, mas não soluciona. E isso não é novidade. É sabido que, desde os primórdios, onde houvesse três seres pensantes, fatalmente haveria algum tipo de discordância e, possivelmente, alguém “em cima do muro”.

Na antiga Grécia, nos tempos platônicos, existiram os sofistas que cobravam pelos ensinamentos da argumentação sobre qualquer tema, mesmo que os argumentos não fossem válidos e nem reproduzissem a verdade. Ora, a busca da verdade não é tarefa fácil. E muitos não a querem. Há casos em que, mesmo sob flagrante, o criminoso nega o que todos estão presenciando. Então, como vemos, não foram somente alguns gregos que desenvolveram teses falsas, defendidas pela retórica quase que perfeita. Na realidade, com o advento da democracia, todas as pessoas passaram a ter direito de defender suas ideias e, com isso, a prática da argumentação, falsa ou verdadeira, cresceu bastante desde os tempos de Aristóteles.

Em breves palavras e sem aprofundar no assunto, pois sabemos que o novo leitor se impacienta diante de muitas palavras, podemos dizer que a arte da dialética, tão desprezada nos novos tempos, é a melhor forma de aprender a argumentar. Tal arte tem como pré-requisito não apenas saber falar, mas também saber ouvir, pois se você, meu ansioso leitor, não conseguir ouvir para conhecer pontos de vista diferentes e contrários aos seus, jamais conseguirá ser um bom argumentador. E ainda tem mais um elemento para compor o perfil de quem defende honestamente suas ideias: procure trabalhar com a razão — pois somente ela é conselheira fiel de quem busca a verdade dos fatos.

*Sérgio Marchetti é educador, palestrante e professor. Possui licenciatura em Letras, é pós-graduado em Educação Tecnológica e em Administração de Recursos Humanos. Atua em cursos de MBA e Pós-Graduação na Fundação Dom Cabral, B.I. International e Rehagro. Realiza treinamentos para empresas de grande porte no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br.

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