No dia 25 de abril completaram-se 40 anos da Revolução dos Cravos em Portugal. O embaixador de Portugal no Brasil deu entrevista à Agência Brasil, que está no link acima, explicando que a revolução significa liberdade para os portugueses.

“Portugal está em festa porque o 25 de abril restituiu a liberdade: de pensar, de escrever, de se reunir e poder se manifestar”.

Francisco Ribeiro Telles – Embaixador de Portugal no Brasil

Liberdade que, na época, faltava a nós, brasileiros. A revolução foi assunto da coluna de Pasquale Cipro Neto, publicada na Folha de S. Paulo da última quinta-feira. Leitura indicadíssima, que pode ser feita neste link.  O professor relembra a importância do repertório, do conhecimento, para entender o mundo. E cita uma música de Chico Buarque que fala da revolução portuguesa, Tanto Mar. Na coluna, Pasquale destrincha a letra, as metáforas e as relações entre as situações brasileiras e portuguesas naquele ano. Segue um trechinho:

A estrofe da canção que mais relaciona a situação vivida por Portugal naquele abril de 1974 com a situação do Brasil no mesmo período é esta: “Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar”. Antes que alguém pergunte, “pá” é um vocativo tipicamente português, algo como o nosso “rapaz”, “cara” ou algo equivalente. A origem provável desse “pá” é a redução de “rapaz”.

É forte o valor metafórico das expressões “léguas a nos separar” e “tanto mar”. Literalmente, o Brasil e Portugal são, sim, separados por muitas léguas de mar, mas o mar de que fala o grande Mestre é outro. Na letra de Chico Buarque, o mar que separava o Brasil de Portugal era simbólico: lá, as águas da liberdade, do fim da tirania; cá, as águas da opressão, da barbárie.

Assim como vale a leitura da coluna, vale também ouvir a bela música. Ouça clicando no link abaixo.

Tanto Mar – Chico Buarque

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Vale a leitura

por Luis Borges 25 de abril de 2014   Vale a leitura

Tiradentes – O professor Luiz Carlos Villalta traçou um perfil de Joaquim José da Silva Xavier, publicado no dia 21 de abril.

Tiradentes tinha fortuna equiparável ao do magistrado Tomás Antônio Gonzaga e pertencia a uma família importante da região do Vale do Rio das Mortes. Jamais se colocou a favor da abolição da escravidão, como bradam algumas lideranças políticas mineiras e magistrados pátrios da atualidade, para escárnio dos historiadores e frenesi nos embates políticos.

Mecânico x Engenheiro – Na hora de escolher uma profissão, você encorajaria seu filho a se tornar mecânico de automóveis ou engenheiro mecânico? Neste artigo excelente, Sabine Righetti levanta a discussão, comparando Brasil e Alemanha. Aproveite o acesso e navegue pelos textos antigos do blog, que trazem boas discussões.

Nem todo mundo tem aptidão para a universidade e, pior, muita gente pode estar deixando para trás aptidões preciosas –como a mecânica– para entrar em uma sala de aula em busca de melhores salários.

Tubulações velhas – Em meio ao problema da falta de água em São Paulo, o Estadão revela que as tubulações velhas da Sabesp causaram perda de 31,2% de toda a água produzida no caminho entre a estação de tratamento e a casa dos consumidores. Isso representa quase todo o “volume útil” do sistema Cantareira cheio. A matéria completa está aqui.

Como não pagar IPVA – A receita é simples. Use transportes como carro de boi, bicicleta, helicóptero, jatinho e iate. A explicação está na coluna de Vladimir Safatle.

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Prepare o seu coração

por Luis Borges 24 de abril de 2014   Pensata

Duas mortes súbitas recentes, de um ator e de um locutor conhecidos nacionalmente, praticamente obrigam a reflexão sobre a saúde do coração e o infarto agudo do miocárdio. Nos perguntamos se somos suscetíveis e o que podemos fazer para evitar ou postergar o episódio.

Mas com a passagem dos dias e nenhum acidente cardiovascular nos acontecendo, o susto com as mortes vai sendo absorvido e a preocupação com o infarto vai sendo deixada de banda. Cuidar do coração se torna uma prioridade que não existe mais. 

O alerta de terremoto ou tsunami só volta quando chegam notícias dando conta de que o irmão de uma amiga querida morreu de repente, sem mais nem menos, no início de uma manhã. “Logo ele, de apenas 48 anos, que nunca teve nada, nenhum sintoma, nem pensava em fazer check-up!”, nos contam ao telefone. 

Nós perguntamos no que fazer e como fazer. Pode não ser o caso, mas o primeiro impulso agora é correr atrás de uma consulta com o primeiro clínico ou cardiologista que puder atender antes do próximo pôr do sol.

É possível tentar, mas o choque de realidade dos limites técnicos-financeiros dos planos de saúde suplementar podem impedir. Da mesma forma que a tentativa pode ser abortada no SUS, o Sistema Único de Saúde. Lembrando que, constitucionalmente, a saúde é um direito de todos e um dever do estado.

A única certeza é poder chamar o SAMU numa emergência. A incerteza é o tempo de atendimento. 

Se conseguir a consulta eletiva, é impossível saber quantos exames de apoio ao diagnóstico serão solicitados, para que sejamos virados ao avesso. Na pior das hipóteses, nada será descoberto e ficará a recomendação para repetir a dose em seis meses. 

É preciso preparar o coração, morram por causa dele famosos ou anônonimos, e pensar em prevenir sempre. 

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O Brasil que querias

por Luis Borges 23 de abril de 2014   Pensata

Vi diversas manifestações ao longo do dia de ontem em torno dos 514 anos do descobrimento do Brasil, na data oficial de 22 de abril. Entre elas, não faltaram perguntas e afirmações como “que país é este?”, “você já descobriu o Brasil?”, “ainda estamos engatinhando” ou “ninguém aguenta mais tanta corrupção!”.

Fiquei a pensar no nível de idealização de muitas pessoas em relação ao país e no pessimismo que alardeiam ao falarem da distância entre o real e o ideal. Também me causam espanto aqueles que tentam tapear a realidade, em ano de Copa e de eleições presidenciais, como se o País das Maravilhas de Alice fosse, em sua maior parte, aqui do lado de baixo do Equador.

Se nem tanto ao mar, nem tanto à terra, o quê e como fazer para dosar a felicidade diante da realidade e das expectativas, permanentes e crescentes? A percepção imediatamente nos mostra muita gente insatisfeita, outro tanto que só reclama e uma grande parte indiferente, empenhada em cuidar de si e dos seus mais próximos.

Se falta liderança, foco e energia, o Brasil que querias ainda vai exigir muita paciência histórica, para ser transformado num modelo, ainda em lenta e contínua construção. Mas desanimar, jamais.

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Vale a leitura

por Luis Borges 18 de abril de 2014   Vale a leitura

Feriadão – Os dias de folga regulamentar da Semana Santa são sexta (18) e segunda (21), mas o Tribunal de Justiça de MG estará em esquema de plantão entre os dias 16 e 21 de abril. O jornalista Eduardo Costa chama isso de “escárnio” e faz uma reflexão sobre o assunto aqui.

CompreensãoNesta coluna publicada na Folha, Elio Gaspari analisa o caso André Vargas.

O rápido isolamento de André Vargas é boa notícia. Ainda assim, é pouco detergente para muito pano. O que a campanha precisa é da luz do sol, inclusive em cima das propostas dos candidatos.

CPI da Petrobras – Paulo Nogueira analisa, neste artigo publicado no Diário do Centro do Mundo, a cobertura da imprensa brasileira sobre a CPI da Petrobras. Para ele, o foco dos veículos não está em encontrar a verdade dos fatos sobre o assunto Pasadena, e sim em buscar indícios de corrupção e munição para um inquérito parlamentar.

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Já que o golpe militar de 1 de abril de 1964 foi tão lembrado pelos seus 50 anos, é importante relembrarmos uma música de protesto que retrata bem os anos de chumbo, que viriam logo depois. Trata-se de Pesadelo, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, imortalizada pelas vozes do MPB4.

Paulo César Pinheiro realizou parcerias com diversos músicos, entre eles Baden Powell, João Bosco, João Nogueira, Eduardo Gudin, Tom Jobim e Lenine. Tais encontros resultaram em mais de duas mil composições, interpretadas por artistas como Elis Regina, Clara Nunes e Simone, entre outros.

Segue a letra, transcrita do site Vagalume.

Pesadelo
(Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha ai

Ouça a música aqui.

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