orelhão

Orelhões ainda existem. / Foto: Sérgio Verteiro

Você se lembra da última vez em que precisou usar um telefone público instalado num orelhão? Qual foi o grau de dificuldade para encontrar um aparelho em boas condições de uso?

Nos últimos 10 anos, marcados pelo avanço tecnológico e pela universalização do acesso à telefonia celular, o Brasil perdeu um terço dos seus orelhões, segundo reportagem do portal G1. Hoje são 4,3 orelhões para cada grupo de mil habitantes no país, de acordo com a matéria.

O desafio é encontrar um que funcione. Ainda predominam a falta de educação e o desprezo pela preservação de um bem público, que ainda pode ser útil a uma comunidade. Imagine o que fazer para se comunicar após ter o seu dispositivo tecnológico de última geração simplesmente roubado em plena via pública?

orelhão totalmente queimado

Foto: Sérgio Verteiro

A primeira fotografia, que abre este post, é de um orelhão novo, na rua Ceará esquina com Av. Brasil, em Belo Horizonte. Ele estava estragado, foi substituído há cerca de um mês e sabe-se lá quanto tempo levará para ser depredado. Já a fotografia acima mostra um aparelho carbonizado, na rua dos Guajajaras, no Barro Preto. No caso dele, o jeito é esperar para ver quando será trocado. A matéria do G1 aponta que, como o orelhão queimado, 15% dos telefones públicos do país estão em manutenção, fora de funcionamento.

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Vale a leitura

por Luis Borges 15 de junho de 2014   Vale a leitura

Água – O sistema Cantareira, que abastece parte de São Paulo, passa por uma enorme crise. Uma nova preocupação dos especialistas, segundo este texto, é que o verão seja, novamente, seco. Por isso, volta à tona a importância de adotar hábitos racionais de consumo.

Se cada um dos 8,8 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo, que são abastecidos pelo sistema Cantareira, reduzir em 20 minutos sua utilização diária de água, juntos adiaremos em um dia o esgotamento desse sistema. O cálculo, realizado pelo Instituto Akatu, foi feito para o cenário da vazão média do Cantareira em abril, de 23,9 mil litros por segundo.

FilhosUma tese de doutorado defendida na UFMG analisa o comportamento de casais de alta escolaridade em relação à quantidade de filhos. A pesquisadora chegou a condições interessantes. Além do adiamento da decisão de ter filhos, esses casais também levam em conta a igualdade de gêneros.

Eleições – Entre os brasileiros, 30% não escolheram seu candidato nas eleições de outubro, segundo a pesquisa mais recente do Datafolha. Neste artigo, há uma análise. Segundo o especialista, o eleitor não quer nem PT nem PSDB.

Pequeno Príncipe – Tostão comenta histórias relacionadas a Messi.

Piketty – A Veja Online fez uma entrevista com o economista francês Thomas Piketty. Autor do livro “O Capital no Século XXI”, ele está sendo muito comentado no mundo todo. Entre outras ideias, defende uma adequação na forma de cobrar impostos, para que os mais ricos sejam taxados em alíquotas maiores e mais justas.

É preciso refletir sobre a desigualdade. O que observamos nos países ricos é que a riqueza do topo da pirâmide, ou seja, da parcela de 1% da população, avança três vezes mais rápido que o crescimento do produto interno bruto (PIB). E isso, eventualmente, vai acontecer com os emergentes também. Até onde isso irá? Eu não sei. Não posso ter certeza das taxas de crescimento econômico dos anos que virão. Se os países ricos conseguirem crescer mais de 4% ao ano, por exemplo, a desigualdade tende a se equilibrar. Mas não há evidências de que isso deva ocorrer. Então é melhor termos outro plano caso essa taxa de crescimento não ocorra. 

Humores – Alexandre Schwartsman diz que o mau humor dos consumidores e dos empresários não é causa da baixa na economia. Na verdade, o humor é decorrente dos problemas econômicos. O texto completo está aqui.

Atribuir o crescimento medíocre ao humor empresarial é uma piada de mau gosto, de quem tenta afastar de si a responsabilidade pela visão medieval que tem dominado nossa política econômica nos últimos anos.

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Apesar da Ambev, proprietária da cerveja Brahma, ter feito campanha para antecipar em 24 horas o Dia dos Namorados por causa da abertura da Copa, tudo continua como no calendário de outros anos.

Como todos os dias deveriam ser para celebrar o amor vou dizer que o 12 de junho é um dia mais que especial para essa celebração. O amor é lindo e existe, de preferência com humor, alegria e mútua compreensão na complexa arte de viver em tempos tão velozes.

Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, que se estivesse entre nós teria completado 84 anos dia 7 de junho, nos presenteou com a linda canção que é “A noite do meu bem”, e que vale a pena ser ouvida nessa data.

Dolores Duran nasceu no Rio de Janeiro em 7 de Junho de 1930, e lá faleceu em 24 de outubro de 1959. Mesmo tendo vivido apenas 29 anos, ela viveu intensamente seus amores e a música. Assim, ela também nos deixou a música “Fim de caso”, onde nos mostra ser quase uma preceptora dos famosos versos de Vinicius de Moraes.

Fim de Caso
Dolores Duran

Eu desconfio que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas nós não temos nem coragem de falar
Nós já tivemos a nossa fase de carinho apaixonado
De fazer versos, de viver sempre abraçados
Naquela base do só vou se você for
Mas, de repente, fomos ficando cada dia mais sozinhos
Embora juntos cada qual tem seu caminho
E já não temos nem vontade de brigar
Tenho pensado, e Deus permita que eu esteja errada
Mas eu estou, eu estou desconfiada
Que o nosso caso está na hora de acabar.

Fonte: Letras.mus.br
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Curtas e curtinhas

por Luis Borges 11 de junho de 2014   Curtas e curtinhas

Copa – As vésperas do inicio da Copa, a Fifa publicou em sua página na internet uma tentativa de colocar os pingos nos “is”. A federação negou que tenha exigido do governo brasileiro uma isenção geral de impostos e tributos para os seus aliados, patrocinadores do evento. O Ministério dos Esportes disse que não é bem assim, e subiu no muro, como sempre. A palavra transparência mais uma vez ficou opaca, já que o Tribunal de Contas da União estima que a liberalidade dessa renuncia fiscal significa deixar de arrecadar R$ 1,1 bilhão.

Um ano depois – Em junho do ano passado as manifestações de rua mostraram claramente a insatisfação das pessoas e as exigências de mudanças em diversos aspectos da vida no país. Passado um ano, quase nada foi feito pelo poder legislativo federal, que passa a sensação de esperar propostas do poder executivo, como ocorre na enorme quantidade de medidas provisórias tratando de temas variados. Agora, com a edição do decreto presidencial que regulamenta a política de participação social em instâncias consultivas do Serviço Público Federal, o Congresso Nacional começou a chiar, alegando perda de atribuições. Eles fizeram como Carolina, que ficou na janela e não viu o tempo passar. O fato é que a democracia representativa continua sendo questionada pelo seu desempenho. E continuam as manifestações e as reivindicações por democracia direta (horizontal), que o decreto presidencial tenta amenizar com a regulamentação da democracia participativa em seu âmbito. Imaginemos como ficaria isso no Poder Judiciário e nas esferas estaduais e municipais.

Multas na telefonia – Praticamente 9 de cada 10 reais de multas aplicadas pela Anatel desde o ano 2000 não foram pagas pelas operadoras de telecomunicações. Quando é o usuário que atrasa o pagamento de qualquer conta devida às operadoras, a tolerância é zero, e o nome do devedor é lançado imediatamente na Serasa e organizações afins. Haja força e persistência para uma luta tão desigual, já que a Anatel é bastante tolerante com as operadoras e ouve burocraticamente as reclamações dos usuários que ousam fazê-las, principalmente quanto à qualidade dos serviços prestados e cancelamentos de contratos.

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Na semana passada a página do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte no facebook publicou a resposta a uma curiosidade. Quem foi a primeira vereadora da cidade?

Foto da ata de posse da primeira vereadora de BH

Foto da ata de posse da primeira vereadora de BH / Fonte: APCBH

Foi Alaíde Lisboa de Oliveira, que tomou posse em 18 de julho de 1949, dois anos após ter sido eleita como suplente do vereador Otacílio Fonseca. Professora, jornalista e escritora, Alaíde exerceu o direito da mulher de eleger e de ser eleita, conforme definido em Decreto de 1932 e instituído pela Constituição Brasileira de 1934.

Capas do livro

Capas do livro “A Bonequinha Preta” / Fonte: Blog Literar

O seu livro mais conhecido é “A Bonequinha Preta”, que já teve mais de um milhão de exemplares vendidos e foi leitura obrigatória no então curso primário de muitas gerações. Nascida em 1904 na cidade de Lambari-MG, Alaíde faleceu em 2006 aos 102 anos, e era irmã da também escritora Henriqueta Lisboa. Essas informações também estão no facebook do Arquivo Público da Cidade de BH.

Cabe registrar os nomes das vereadoras que prosseguiram, ao longo desses quase 65 anos, a caminhada iniciada pela pioneira Alaíde Lisboa de Oliveira na primeira legislatura, que foi de 08/12/1947 a 30/01/1951.

A segunda vereadora da história foi Júnia Marize Azeredo Coutinho, que foi eleita para a sexta legislatura, de 31/01/1967 a 10/01/1971.

Já chegamos a ter sete vereadoras em uma mesma legislatura. Hoje, temos apenas uma. 

A seguir a relação das eleitas em cada legislatura. As informações são da Superintendência de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Sétima Legislatura – 31/01/1971 a 10/01/1971
Júnia Marize Azeredo Coutinho
Verlaine Bonifácio

Oitava Legislatura – 31/01/1971 a 30/01/1977
Júnia Marize Azeredo Coutinho
Verlaine Bonifácio
Ivone Borges Botelho

Nona Legislatura – 31/01/1977 a 30/01/1983
Ivone Borges Botelho
Maria Tófani Gontijo
Vera Cruz Coutinho

Décima Legislatura – 31/01/1983 a 30/12/1988
Helena Greco
Ivone Borges Botelho
Maria Tófani Gontijo
Wânia Maria Aparecida de Carvalho

Décima primeira Legislatura – 01/01/1989 a 31/12/1992
Helena Greco
Lucinda Rosa dos Santos 
Neusa Aparecida dos Santos

Décima segunda Legislatura – 01/01/1993 a 31/12/1996
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Rosário Caiafa – a partir de 06/01/1993
Marta Nair Monteiro – a partir de 01/02/1995 até 01/06/1996
Maria César Santos Zazá Schettino
Norma Venâncio Soares 
Neusa Aparecida dos Santos – a partir de 12/01/1993 até 01/03/1996
Raquel Scarlatelli – a partir de 01/02/1995

Décima terceira Legislatura – 01/01/1997 a 31/12/2000
Elaine Matozinhos Ribeiro Gonçalves – até 01/02/1999
Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Socorro Moraes Vieira (Jô Moraes)
Maria Helena Alves Soares 
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos

Décima quarta Legislatura – 01/01/2001 a 31/12/2004
Ana Paschoal dos Anjos – a partir de 22/01/2001
Lúcia Maria dos Santos Pacífico Homem
Maria da Conceição Pinheiro Silva
Maria do Socorro Moraes Vieira (Jô Moraes)
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neila Maria Batista Afonso
Neusa Aparecida dos Santos – até 22/01/2001

Décima quinta Legislatura – 01/01/2005 a 31/12/2008
Ana Paschoal dos Anjos
Elaine Matozinhos
Luzia Ferreira 
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neila Maria Batista Afonso
Neusa Aparecida dos Santos
Sílvia Helena Rabelo

Décima sexta Legislatura – 01/01/2009 a 31/12/2012
Elaine Matozinhos
Luzia Ferreira – 2009/2010
Maria Lúcia Scarpelli dos Santos
Neusa Aparecida dos Santos
Pricilla Teixeira
Sílvia Helena Rabelo – 2011/2012

Décima sétima Legislatura – 01/01/2013 até a presente data
Elaine Matozinhos

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Há muito tempo se fala em reforma política e em reforma tributária. Como nunca se chega a um generoso consenso, tudo tem ficado para depois, mas sem a perspectiva do quando. Enquanto isso, os temas ficam pululando, com intensidades variadas, nos anseios da população. As pesquisas de opinião mostram o anseio por mudanças de cunho político e a insatisfação com a alta da inflação corroendo o poder aquisitivo – inclusive o da nova classe média. Também rondam o fantasma do desemprego e a perspectiva de crescimento econômico entre 1% e 1,5%, neste ano que já esta chegando ao meio.

Se as metas não são atingidas e os resultados não podem parecer pífios, a solução mais simples para o governo foi voltar à alquimia, que transmuta metais inferiores em ouro, e passar a mostrar os indicadores da gestão com grosseiras modificações de critérios de lançamentos contábeis, que fizeram surgir a contabilidade criativa.

Assim, uma conta que deveria ser paga pelo critério de competência no mês de dezembro é simplesmente lançada contabilmente para ser efetivamente paga em janeiro do ano seguinte. Isso impacta os restos a pagar que a União Federal tem, mas torna mais palatável o resultado a ser mostrado.

Nesse sentido o que pensar do eufemismo contido na expressão “centro da meta de inflação”, fixado em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional? Ele, que ao mesmo tempo cria duas outras metas, o teto de 6,5% e o piso de 2,5%? Nessa alquimia, o Banco Central do Brasil, o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional só alcançam resultados próximos a 6,5%, e insistem em dizer sempre que está tudo sob controle.

Diversos outros casos podem ilustrar ainda mais o que estou escrevendo, inclusive com a entrada em cena da “estagflação”, estagnação com inflação, diante dos baixos investimentos e da incapacidade de se combater as causas dos problemas. Aliás, os alquimistas sempre defenderam inflação um pouco mais alta, a ser compensada por um maior crescimento econômico. Como se vê pelo andar da carruagem, o mercado de trabalho para alquimistas continua em alta, tamanhas são as necessidades de mostrar perfeição naquilo que está totalmente imperfeito.

Os alquimistas estão chegando
Jorge Ben

Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Os Alquimistas
Estão chegando
Estão chegando
Os Alquimistas...(2x)

Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Êh! Êh! Êh! Êh!... (3x)

Eles são discretos
E silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho
A hora e o tempo
Do seu precioso trabalho...

São pacientes, assíduos
E perseverantes
Executam
Segundo as regras herméticas
Desde a trituração, a fixação
A destilação e a coagulação...

Trazem consigo, cadinhos
Vasos de vidro
Potes de louça
Todos bem e iluminados
Evitam qualquer relação
Com pessoas
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido...

Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh!...

Êh! Êh! Êh! Êh!
Êh! Êh! Êh! Êh!...

Os Alquimistas
Estão chegando
Estão chegando
Os Alquimistas...(2x)

Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh!...
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Olfato – Marcelo Leite explica em sua coluna como pesquisas científicas mostraram que cães  treinados podem detectar, pelo olfato, a presença de tumores de próstata a partir de uma amostra de urina. Há quem defenda a substituição do exame PSA pela ajuda dos farejadores. Curiosíssimo.

Maternidade = felicidade? – A pesquisa “Nascer no Brasil” apontou que 55% das mães não programaram engravidar e que 30% não desejavam o filho que gestavam. Mais de um quarto das mulheres avaliadas apresentaram depressão pós-parto. Quando a felicidade é o único sentimento exposto nas redes sociais, Cláudia Collucci alerta que ser mãe nem sempre produz apenas sentimentos bons.

Tem ingresso? – Na última fase da venda de ingressos para a Copa, teve fila virtual, espertinho dando conselho errado na internet, gente com vários navegadores abertos ao mesmo tempo e frustração em vários idiomas. Mário Magalhães narra sua experiência frustrada.

Enquanto esperava, vi que no Twitter o pessoal se irritava e produzia piadas, engraçadas ou não.

Reclamaram que nessa fila não havia oferta de cerveja e amendoim. Um torcedor queria os salgadinhos com “preço camarada”, mas aí já seria pedir demais ao presidente Blatter e seus bons companheiros.

Depois de um sem-número de comparações da fila da Fifa com a fila do SUS, alguém teve o bom senso de ameaçar punição de meia hora de atraso na “sala de espera” se repetisse o gracejo.

Regulação da mídia – Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, deu entrevista a blogueiros em São Paulo. Paulo Nogueira participou, e narra suas impressões neste texto. Berzoini se declara “francamente a favor” da regulação da mídia. A partir daí, Nogueira analisa o caso da Inglaterra e o caso da Argentina.

Direitos humanos – Com os 25 anos do Massacre na Praça da Paz Celestial, Leonardo Sakamoto faz uma reflexão sobre os direitos humanos.

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